ESTUDO BILBLICO PARA O ENCONTRO DE HOMENS, MULHERES E JOVENS. TEMA: A vontade de Deus

A vontade de Deus

Miquéias 6.6-8

 

INTRODUÇÃO

Viver no centro da vontade de Deus deve ser a aspiração do crente que é sincero em sua prática cristã. Todo esforço nesse sentido é sem dúvida extremamente compensador. Na oração dominical, Jesus Cristo ensina que parte dos nossos pedidos a Deus deve incluir a força necessária para nos adequarmos às suas santas e justas exigências (“…venha o teu reino, faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” – Mt 6.10). Como Cristo afirmou, no céu, a vontade de Deus é plenamente realizada, mas na terra nem sempre (e é aqui que a Igreja entra para fazer a diferença), e com certeza no inferno ela é absolutamente contrariada. Será que estamos realmente dispostos a obedecer, a sermos submissos à vontade revelada de Deus?

O profeta Miquéias exerceu seu ministério no mesmo período de Isaías (750-686 a.C.), e a sua mensagem produziu arrependimento no rei Ezequias, que mais tarde resultou na salvação de Jerusalém e depois de todo reino de Judá. Diante daquele quadro de corrupção política e religiosa que imperava, Miquéias anuncia o merecido juízo divino caso não houvesse uma adequada mudança. No texto em foco, o profeta critica a forma puramente exteriorizada e ritualista de adoração da nação a Iavé, e em seguida apresenta no versículo 8 do texto em foco, três pontos básicos que destacam a prática religiosa que verdadeiramente agrada a Deus.

PROPOSIÇÃO: Cumprimos a vontade de Deus não de boca, mas de atos concretos de obediência à Sua Palavra.

 

I- “…O SENHOR PEDE DE TI: QUE PRATIQUES A JUSTIÇA”.

       Veja como outras versões traduziram este texto: “praticar o direito” (BJ); “pratique a justiça” (NVI); “ser honesto e justo” (BV); “façamos o que é direito” (BLH); “solamente hacer justicia” (CR – versão espanhola). Em um primeiro momento, todo ser humano precisa entender que é culpado diante de Deus – pelos seus pecados – e a única maneira de satisfazer a justiça divina é reconhecer isso e se refugiar na justiça de Cristo (vejaRomanos 3.24). O sacrifício redentor de Cristo no Calvário é o “peso” que nos falta, quando encaramos a “balança” do julgamento final de Deus (vejaDaniel 5.27; Salmo 62.9; Apocalipse 20.12).

       O que leva uma pessoa conhecedora do evangelho de Cristo a praticar as obras da carne (ganância, inveja, ciúme etc.) como se fosse ímpio ou como se desconhecesse a lei de Deus? O que motiva um crente a agir com desonestidade com o seu próximo (com avareza), buscando com isso obter vantagem econômica ou algo semelhante? Sem dúvida, é o afastamento lento e progressivo do próprio Deus e o envolvimento sutil com as obras das trevas (suborno, propina, roubo, mentira, procedimento indigno; vejaRomanos 13.12). Está em vista uma espécie de crente egoísta e materialista (Colossenses 3.5), que ainda não aprendeu a se contentar com o que é necessário e quer enriquecer a todo custo (ITimóteo 6.9).

       O termo “justiça” no hebraico é tsedeq,e faz referência ao padrão de moralidade e ética determinados nas Escrituras. Devemos, entretanto, notar que muito mais do que entender o termo, Deus espera que pratiquemos, ou seja, vivamos a justiça. Que atitudes revelam que estamos vivendo de modo reto, honesto, justo? Isto não se reflete diretamente em nosso relacionamento com outras pessoas?

       Praticar a justiça é o mesmo que ser cumpridor de nossos deveres; ser bom pagador; ser pessoa de uma só palavra; jamais aceitar ou pagar suborno, propina ou coisas semelhantes; ser justo tem a ver com um estilo de vida correto, irrepreensível (nos negócios, política etc.), honesto e imparcial no juízo; é justo quem trata os seus semelhantes com eqüidade, respeito ou como gostaria de ser tratado (veja Mateus 7.12).

 

II     – “…O SENHOR PEDE DE TI: QUE (…) AMES A MISERICÓRDIA”.

       Como outras versões traduziram este texto: “gostar do amor” (B J); “ame a fidelidade” (NVI); “ames a beneficência” (ARC); “saber amar e perdoar” (BV); “amemos uns aos outros com dedicação” (BLH); “y amar misericórdia” (CR – versão espanhola).

       O termo hebraico para “misericórdia” é hesed, mas também pode traduzir-se por “bondade”, “generosidade”, “compaixão”, “fidelidade” etc. Além de fazermos o que é direito, Deus deseja que demonstremos verdadeiro amor, piedade pelos que sofrem. Que atitudes revelam que estamos amando nosso semelhante? Não é se envolvendo em campanhas humanitárias ou caridosas, buscando meios de socorrer ou mitigar a fome, o frio e outras coisas semelhantes, e, sobretudo levando Cristo a eles pela evangelização?

       O favor de Deus não se compra (v. 6,7), se conquista. Deus tem prazer em abençoar a seus filhos obedientes (veja Deuteronômio 28.1-14), corretos em seus negócios, cumpridores de seus deveres, que é sensível com a necessidade alheia etc.

       Amar a misericórdia é o mesmo que demonstrar verdadeira compaixão pelos que sofrem (como o “bom samaritano”; veja Lucas 10.33-37), por meio de atos de bondade; ser misericordioso é qualidade de quem realmente possui a “natureza de Deus” em franco desenvolvimento dentro de si (2Pedro 1.4; Romanos 8.29), porque Deus é misericordioso (Lucas 6.36).

 

III     – “…O SENHOR PEDE DE TI: QUE (…) ANDES HUMILDEMENTE COM O TEU DEUS”.

       Como outras versões traduziram este texto: “caminhar humildemente com o teu Deus” (BJ); “ande humildemente com o seu Deus” (NVI); “ser humilde diante do seu Deus” (BV); “vivamos em humilde obediência ao nosso Deus” (BLH); “y humillarte ante tu Dios” (CR – versão espanhola).

       Deus não está interessado no “quanto” (v. 6,7) nós podemos lhe oferecer, mas no “que”, ou seja, no sacrifício de nós mesmos (veja Romanos 12.1), de corações quebrantados, de abnegação e obediência verdadeira à Sua Palavra (Salmo 51.14-17).

-Andar humildemente diante de Deus é o mesmo que se submeter a Ele, ou obedecer à Sua Palavra (veja Tiago 4.7a). Para “andar com Deus” como Enoque (que agradou a Deus, porque Lhe era obediente; Hebreus 11.5) ou Elias (2Reis 2.11), é preciso antes de tudo discernir quem Ele é! “Andar” é uma referência ao nosso viver cotidiano, que deve ser cuidadoso, pois o Senhor não comunga com o pecado, pois Ele é santo. Quem “anda” com Deus deve acertar o passo com Ele, não pode andar na frente (quem faz somente o que quer) nem atrás (quem é demorado para obedecer) Dele.

CONCLUSÃO

 

Essas três exigências divinas têm aplicação permanente, mas somente para pessoas de bem, seja no tempo ou no lugar que for. Ser honesto, ter compaixão dos necessitados e manter uma vida de simplicidade e obediência à Palavra de Deus são requisitos obrigatórios na vida de quem tem real compromisso com Jesus Cristo. Inclusive Ele já havia declarado que seus discípulos seriam conhecidos pela prática do amor ao próximo (veja João 13.35). Há muita gente preocupada mais com a “exteriorização” da sua prática religiosa – por meio de usos e costumes – do que com a obediência aos preceitos que realmente fundamentam a fé cristã. Na visão de Cristo, isso é “puro farisaísmo” (Mateus 23.23; Lucas 12.1).

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