13.03.2016 – EXPONDO O LIVRO DE GENESIS – CAPITULO 29 A 31

EXPONDO O LIVRO DE GENESIS – CAPITULO 29 A 31

 Jacó, do topo da montanha espiri­tual de Betel (cap. 28), desceu para a vida diária de Harã, e aí “encontra seu parceiro” em esquemas, Labão, seu tio. Jacó passa cerca de vinte anos com Labão. Durante esse pe­ríodo, ele colhe os tristes resultados de seus pecados, mas, ao mesmo tempo, Deus disciplina-o e prepara-o para o serviço futuro.

 

I.   O serviço de Jacó para as filhas de Labão (29:1—30:24)

A.    Decisão (29:1-20)

Providencialmente, Deus guia Jacó à casa de Labão, mas observe que Jacó não para para orar, como o ser­vo de Abraão o fez quando estava em sua importante missão (24:12). Jacó encoraja os outros pastores a voltarem para o local onde o reba­nho pastava (v. 7), porque queria saudar Raquel em particular. Ele ainda era o homem de esquemas. Observe como Raquel e Labão cor­rem quando descobrem quem é Jacó (vv. 12-13). Jacó fez sua escolha: ele queria a bonita Raquel para esposa. Raquel significa “ovelha”, enquan­to Lia significa “vaca selvagem”. Os olhos de Lia não tinham a cintilação profunda que, na cultura do Oriente Médio, é um sinal de beleza. Jacó concordou em servir Labão por sete anos, e, como sempre, onde há amor, o tempo passa depressa. Ob­serve que no versículo 15 vemos o primeiro “resultado” do disciplinamento de Jacó: ele torna-se um ser­vo. Em 25:23, havia a promessa de que “o mais velho servirá ao mais moço”, mas agora o mais jovem era servo.

B.    Engano (29:21-30)

Aqui temos a segunda fração de “disciplinamento” — o próprio en­ganador é enganado. Labão não queria perder as chances de casar sua filha mais velha; assim, obrigou Jacó a casar-se com ela. Jacó mentira a respeito da primogenitura (27:19); agora, mentiam para ele a respeito da primogenitura (29:26). “O cami­nho dos pérfidos é intransitável” (Pv 13:15). Ele cumpriu a semana de celebração de casamento com Lia, depois casou-se com Raquel e ini­ciou seu segundo período de servi­ço por mais sete anos. Labão teve o cuidado de fazer com que todos os homens da região testemunhassem o casamento com Lia (v. 22). Jacó, após consumar o casamento, não podia voltar atrás. Não há dúvida de que ele percebeu que Deus o disci­plinava para seu próprio plano.

C.    Divisão (29:31-30:24)

Em geral, há divisão e infelicidade na família quando um casamento se inicia com pecado. Primeiro, ne­nhuma das duas mulheres podia ter  filhos, mas era óbvio que Jacó ama­va mais Raquel e desprezava (v. 31) Lia. Portanto, Deus honrou Lia dan­do-lhe quatro filhos: Rúben (“Ve­jam, um filho!”), Simeão (“ouvinte”), Levi (“união”) e Judá “(“louvor”). Essa foi a resposta às orações de Lia (veja 29:33 e 30:6,17,22). Raquel não podia evitar sentir inveja de sua irmã, e essa inveja criou raiva e de­sacordo entre ela e Jacó. Ele, em vez de perder a calma, deveria ter orado a respeito do problema, como seus pais fizeram anos antes (25:19-23). Jacó adotou uma solução humana, casou-se com Bila, que lhe deu Dã (“juízo”) e Naftali (“luta”). A se­guir, Lia deu-lhe Zilpa, e teve Gade (“afortunado”) e Aser (“boa fortu­na”). É óbvio que Jacó não tinha uma casa espiritual: suas esposas não se entendiam e o usavam como pivô em seus planos (30:14-16). Ra­quel tinha até interesse em ídolos (31:19). Lemos que não há altar na casa dele, e não é difícil perceber o triste resultado disso. Lia teve mais dois filhos: Issacar (“recompensa”) e Zebulom (“habitação”); e Raquel teve José (“o Senhor acrescenta”), o amado de Jacó. Mais tarde, ela deu à luz Benjamim (“filho da mão direita”) e depois morreu (35:16- 20). Jacó também teve muitas filhas (30:21; 37:35; 46:7,15).

Esse relato abrange quatorze anos da vida de Jacó — anos de la­buta, de provação e de teste. Deus usou Labão e as circunstâncias difí­ceis da vida para disciplinar Jacó e prepará-lo para as tarefas que tinha à frente.

 

II.   O esquema de Jacó para o rebanho de Labão (30:25-43)

Jacó serviu por quatorze anos e per­cebeu que devia seguir seu rumo e prover para sua grande família. Ele pediu que Labão o mandasse em­bora, entretanto o esperto sírio não queria perder um genro tão valioso. Jacó trabalhara quatorze anos por suas duas esposa; agora, ele pode­ría trabalhar pelo gado que preci­saria para se estabelecer por conta própria. É claro, Labão encobriu o motivo maldoso de seu plano ao usar o nome do Senhor (v. 27) e ao pedir que Jacó escolhesse os termos do negócio. “Fixa o teu salário, que te pagarei.” Labão quis dar-lhe um presente, mas Jacó o recusou, pois a última vez em que recebera um “presente” de Labão fora enganado (29:19). Jacó ofereceu-se para traba­lhar como pastor de Labão, se este lhe desse os animais “rejeitados” dos rebanhos e das manadas. As ovelhas orientais são brancas, e os bodes, marrons ou pretos. Aparentemente, Jacó, ao aceitar os animais listrados, manchados e salpicados, dava a me­lhor parte a Labão. Com certeza, isso foi um ato de fé da parte de Jacó.

No entanto, o homem de es­quemas estava em obra. Jacó, em vez de confiar em Deus para pro­ver às suas necessidades (veja 31:9 e 28:15,20), usou seus planos pes­soais. Provavelmente, o bordão es­pecial e as varetas na gamela não influenciam o tipo de ovelha que nasce, pois Deus é quem determina que tipo de ovelha e de bode deve nascer. Entretanto, Jacó utilizou a “procriação seletiva” (vv. 40-43) para que apenas o gado mais forte concebesse. Em 31:7-8, vemos que Labão mudou diversas vezes os ter­mos do contrato quando viu que o rebanho de Jacó aumentava, mas Deus prevaleceu sobre Labão e tor­nou Jacó um homem rico.

 

III.   A fuga de Jacó da casa de Labão (31)

A.   A conferência (vv. 1-16)

Três fatores fizeram com que Jacó decidisse partir: a mudança de atitu­de de Labão; a necessidade de esta­belecer sua própria casa; e, acima de tudo, a orientação direta do Senhor. Deus lembrou a Jacó seu voto fei­to em Belém. Agora, o pagão devia voltar e cumprir as promessas que fizera ao Senhor, que o abençoara. Raquel e Lia concordaram em ir, mas a decisão delas fundamentou-se em razões materiais, não na vontade do Senhor. Perguntamo-nos se as espo­sas, até esse momento, sabiam algu­ma coisa a respeito da experiência de Jacó em Betei.

B.   A perseguição (vv. 17-35)

Jacó, em vez de confiar em Deus para protegê-lo, saiu às escondidas, com pressa, enquanto Labão pastoreava as ovelhas. Os crentes dão um pobre testemunho quando decidem agir às escondidas. Jacó já tinha três dias de jornada à frente de Labão (30:36), portanto eles não se encontraram por uma semana. Deus advertiu Labão antes mesmo que ficasse face a face com Jacó, portanto não havia motivo para Jacó ter medo (v. 31; veja tam­bém Pv 16:7). Labão tentou mostrar com seu semblante que estava ofen­dido, embora provavelmente estives­se feliz em livrar-se do homem que lhe passava a perna e enriquecia à sua custa. No versículo 30, surge a preo­cupação verdadeira dele — alguém roubara seus ídolos! O pecado escon­dido levou a mais pecado quando Ra­quel, a ladra, mentiu para o pai e para o marido, enquanto o raivoso Labão examinava tudo na caravana.

C.   O conflito (vv. 36-42)

Agora, revelam-se os vinte anos de raiva reprimida, e Jacó “deu o troco de imediato” a seu sogro. Labão era idólatra, e Jacó pagão — como po­dería haver qualquer acordo entre eles? A única coisa redentora na fala raivosa de Jacó foi dar a Deus a gló­ria por seu sucesso (v. 42).

D.   A aliança (vv. 43-55)

A chamada “Bênção de Mispa” que encontramos em muitos hinários não é de todo escriturai. Esses dois homens não confiam um no outro, portanto instalaram uma coluna para lembrá-los que Deus os vigia­va. Essas pedras, em vez de teste­munharem a amizade deles (como afirma a “Bênção de Mispa”), tes­temunharam a desconfiança mútua deles. Observe que, no versículo 47, os dois homens nem falam a mesma língua! (Os dois nomes significam “monte de testemunhas” ou “monte de testemunho”.)

 

Conclusão

 

Realmente, é mui­to triste quando os membros de uma família não confiam uns nos outros. Seria muito melhor se tivessem per­doado um ao outro e entregue todas as questões a Deus. O versículo 52 indica que a coluna que Labão le­vantou também era uma fronteira além da qual Jacó não ousava ir. Acabaram-se os vinte anos de servidão de Jacó, porém ele precisa­va voltar a Betei e acertar as coisas com Deus.

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