03.05.2015 – ESTUDO EBD. TEMA: Parte 02 – Recomendações Finais – Tiago 5:12-20

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Parte 02 – Recomendações Finais – Tiago 5:12-20

1.              No verso 14 Tiago diz: “Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. Vemos aqui uma terceira razão para orarmos: a enfermidade. A oração aos enfermos, pelo que lemos aqui em Tiago, deveria ser feita pelos presbíteros. A igreja primitiva certamente copiou a sinagoga nesta questão. Os presbíteros eram homens de uma grande espiritualidade, líderes da igreja que se ocupavam em supervisionar espiritual mente a igreja. A frase “para que estes orem sobre ele”, aponta para a atitude tomada pelos presbíteros que deveriam impor as mãos sobre a pessoa enferma”. Entretanto não podemos imaginar que somente o pastor tem este poder de cura. Qualquer cristão – em comunhão com o Senhor — pode orar pelos enfermos. O poder não está na pessoa, mas no nome de quem oramos, o nome de Jesus Cristo.

2.              Ainda o verso 14 nos traz uma orientação que até hoje gera uma certa polêmica. É certo ungir uma pessoa enferma? Qual o propósito da unção com óleo? Nós sabemos que esta era uma prática do Antigo Testamento, em que reis e sacerdotes eram ungidos literalmente com óleo, para ocuparem suas funções (Êx. 40:13-15; Jz. 9:8; 1 Sm. 9:16). Já a unção dos profetas era dada diretamente por Deus como uma operação espiritual (1 Rs. 19:16; 1 Cr. 16:22; SI. 105:15). A unção envolvia outros aspectos. Podemos ver que coisas eram ungidas, tais como escudos (2 Sm. 1:21; Is. 21:5), o tabemáculo e seus utensílios (Êx. 30:26-29; 40:9-11) e o altar (Êx. 29:36). Além dos reis, sacerdotes e profetas, os hóspedes e estranhos também podiam ser un­gidos como sinal de respeito (Lc. 7:38,46), sendo uma prática muito antiga (Sl. 23:5; Pv. 21:7; 27:9; Sb. 2:7). Até os mortos podiam ser ungidos. Essa unção era feita após a lavagem do corpo, talvez no sentido de consagrar o morto a Deus (Nm. 5:22; Jr. 8:22; Mc. 14; 1; Lc. 23:56).

3.              É importante entendermos que o óleo era largamente usado como re­médio no mundo antigo. Na parábola, Jesus diz que o homem que estava quase que morto no chão foi socorrido pelo samaritano que “Aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas vinho e óleo” (Lc. 10:34). Mui­tos na antiguidade criam que o óleo curava qualquer tipo de doença, e o famoso médico Galeno, no segundo século, recomendava o óleo como o melhor remédio para a paralisia.

4.              Observando todos estes aspectos, entendemos que Tiago está orien­tando aos presbíteros que, ao se aproximarem do leito do enfermo, utilizem-se de recursos espirituais e naturais, ou seja, a oração e o remédio. Tanto um como o outro pode ser administrado com a autoridade do Senhor, e ambos podem cooperar na cura do enfermo. Infelizmente nem todos compreendem desta forma, porque parece não ser espiritual o processo. O grande problema é que muitos tentam espiritualizar as coisas sem observar o contexto como um todo, e por isso vemos cultos com “unções” que mais parecem estar ligadas a um sacramentalismo do que um princípio bíblico.

5.              A Bíblia usa duas palavras gregas que significam “ungir”, são elas aleiphô e chriô . No texto de Tiago 5:14 a palavra que aparece é aleiphô. Esta observação pode nos ajudar a entender o sentido da frase “e o unjam com óleo”.

6.              Tiago complementa sua idéia no verso 15: “A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E se houver cometido pecados, ele será perdoado. Algumas traduções dizem “e a oração da fé salvará o doente…” É importante lembramos que a salvação aqui neste versículo aponta para a cura física, e não espiritual, da alma, como os católicos creem. A palavra sôzô significa salvar, curar. Aqui ela tem o sentido de “res­taurar a saúde”. Desta forma, Tiago diz que o “Senhor o levantará”.  A palavra grega egeirô significa levantar, levantar do leito de enfer­midade, ficar são. A expressão descrever o vigor físico renovado daqueles que foram curados (Mt. 9:6; Mc. 1:31; At. 3:7). Sendo assim, dá para enten­der a visão que Tiago tem cm mente. Os presbíteros orando sobre o enfermo no leito, e o Senhor agindo para levantá-lo daquela situação.

7.              Agora vem uma questão muito controversa. A doença é ocasionada pelo pecado? Para alguns, toda enfermidade é ocasionada pelo pecado, já outros defendem uma Linha menos rigorosa e procuram entender o contexto como um todo. É certo que o pecado trouxe ao mundo um desequilíbrio em todos os sentidos. Antes de pecar o homem não tinha enfermidade, mas a partir da queda a morte física atinge toda a humanidade e com isso a enfer­midade é uma conseqüência natural. Mas será que toda enfermidade é fruto de algum pecado? A resposta é não. Podemos ver que Tiago tem esta visão quando ele diz: “E se houver cometido pecados”. Tiago segue a linha de pensamento de Jesus (João 9:2,3), mostrando que a doença não é, necessari­amente, resultado do pecado.

8.              E os pecados perdoados? Será que se refere a algo místico, a uma cura da alma? A resposta é não. A idéia da extrema-unção que procura con­ferir uma graça a mais aqui é errônea. O que está em foco aqui não é nem a cura e muito menos o perdão, e sim a oração. A oração deve estar centrada em Deus e no Seu poder. A fé é a confiança de que Deus vai agir, de que a sua vontade será feita completamente.

9.              No verso 16 Tiago prossegue: “Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz.”.Aqui o apóstolo está encorajando os seus ouvintes a uma busca por perdão e reconciliação mútuos. Os pecados não atrapalham somente a nossa vida, mas também a nossa comunhão uns com os outros. E certo que Tiago está apontando para a necessidade dos cristãos buscarem a reconciliação com aqueles que sofreram através de ações peca­minosas.

10.           Tiago conclui dizendo que “A oração de um justo é poderosa e eficaz”,ou seja, o poder da oração não está limitada aquela idéia de “super-santos”, e sim de pessoas justas. O justo designa a pessoa sinceramen­te comprometida com Deus e que busca de todo o coração fazer e compre­ender a sua vontade. Champlin diz que “a oração é um ato criador; modi­fica as pessoas e altera as circunstâncias, mas só tem verdadeira eficá­cia nas mãos do justo, que se toma um vaso para a manifestação do poder de Deus.”

11.           Como exemplo de um homem justo, Tiago menciona Elias: “Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio. Orou outra vez, e os céus enviaram chuva, e a terra produziu seus frutos.” (v.17,18). Elias era uma das figuras mais populares entre os judeus. Ele era exaltado por seus milagres poderosos c suas denúncias proféticas do pecado. Acima de tudo, ele era esperado para preparar o caminho do Messias (Ml. 4:5,6; Eclo. 48:1 – 10; Mc. 9:12; Lc. 1:17). Mas o que interessa a Tiago não são os dotes profé­ticos e tampouco sua ação em grandes milagres, mas o fato de ele ser um homem como nós. A ênfase está no fervor de Elias que se colocou nas mãos de Deus para fazer a vontade dEle.

12.           A grande lição que estes versículos nos ensinam é que um homem justo e reto pode fazer grandes coisas para Deus. Geralmente temos a ten­dência de querer que alguma coisa sobrenatural aconteça conosco. Talvez que o chão trema, ou que possamos ouvir uma voz suave sussurrando no ouvido, ou quem sabe uma mão invisível na cabeça. Mas esquecemos que é a obediência que Deus requer dc nossa parte. Elias era humano, com as mesmas limitações e fraquezas, porém se dispôs a obedecer ao Senhor em qualquer situação. O nosso desenvolvimento espiritual resultará no poder de Deus agindo cm nós. Como disse Jesus: “Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Pará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.” (Jo. 14:12).

13.           Tiago termina sua carta fazendo um apelo: “Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, lembrem-se disso: Quem converte um pecador do erro do seu caminho, salvará a vida dessa pessoa e fará que muitíssimos pecados sejam perdoados.” (v. 19,20).

14.           O apóstolo abordou diversos problemas: a língua pecaminosa, desobediência, falta de sensibilidade com os outros, mundanismo, brigas, arro­gância. Agora ele incentiva os cristãos a agirem de forma positiva com aque­les que se afastaram da comunhão e da verdade. Afastar-se da verdade é um sinônimo de afastar-se da doutrina cristã e do Evangelho de Jesus Cristo. Para Tiago, doutrina correta está ligada a um comportamento correto. Aqui­lo que a mente pensa, e a boca confessa, o corpo faz. Se não houver isso, então o que ocorre na realidade é falsidade e pecado.

15.           Nós como cristãos devemos nos preocupar com aqueles que se desvi­am e com todas as forças devemos buscá-los de volta. Não podemos ter duas atitudes comuns entre os cristãos de hoje. A primeira é a omissão. Muitos cristãos vêem o erro de outros irmãos e não falam, não questionam. Será o medo de serem apanhados também? A segunda é a condenação. Ou­tros se colocam acima do bem e do mal e, ao invés de ajudar, jogam no | inferno o irmão que estava precisando de ajuda. Estas atitudes são antibíblicas e não correspondem ao amor demonstrado por Jesus.

16.           Mas o que significa para Tiago a expressão: “salvará a vida dessa pessoa e fará que muitíssimos pecados sejam perdoados.”? É possível que Tiago esteja se referindo à punição escatológica (cf. 1:21), em que somente aquele que se desvia é que corre o risco de passar por este julgamento. Ele se alinha a outros textos bíblicos, e retrata a morte como o destino final do caminho que o pecador determinou seguir. Quando volta deste caminho, ele salva a sua vida (Ez. 18:27; Rm. 6:23). Os muitíssimos pecados perdoados talvez sejam uma alusão a Provérbios 10:12. O “cobrir” é a idéia de que nosso esforço para levarmos pessoas ao arrependimento trará benefícios à nossa posição espiritual. Isso está de acordo com a posição bíblica, já que o Senhor promete a Ezequiel que ele salvará a sua alma, se for fiel em avisar seu povo a respeito do perigo do julgamento que ele corria (Ez. 3:21). Paulo disse a Timóteo que ele salvaria tanto ele mesmo quanto aos seus ouvintes, se tomasse cuidado dele mesmo e da doutrina (1 Tm. 4:16). E claro aqui que Tiago está incentivando seus ouvintes a buscarem os perdidos, mas princi­palmente os desviados da fé.

 

 

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