15.03.2015- Estudo EBD. Tema: Tiago 4:11,12 – Julgando os Irmãos?

Tiago 4:11,12    –  Julgando os Irmãos?

Creio que um dos grandes males da sociedade, e isso incluí a igreja é o falatório. Os crentes em Jesus devem lutar contra esta postura e estas pessoas na igreja. Jamais devemos permitir que pessoas deste tipo tenham liberdade em nosso meio. Por que? Porque estas pessoas, com a falsa pretensão de ajudar, destroem a comu­nhão da igreja, colocam irmãos uns contra os outros e são, no mínimo, agentes do diabo.

A orientação de Tiago é profunda: “Irmãos, não falem mal uns dos outros. Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga. Quando você julga a Lei, não a está cumprindo, mas está se colocando como juiz.” (v. 11). Ao chamar seus ouvintes de “irmãos”, Tiago está lembrando quem eles são. Muitas vezes esquecemos que somos da mes­ma família. Jogamos contra o patrimônio, fazemos o gol contra, colocamos o bom nome da nossa família espiritual na lama por causa de “picuinhas” pessoais. Jamais devemos nos esquecer que Deus é nosso Pai e Jesus Cristo o nosso irmão mais velho. Como membros desta família devemos amar uns aos outros, pois assim cumpriremos a Lei de Cristo (Gl. 6:2).

No grego aparece uma palavra interessante, katalaleite, e significa falar contra, difamar, degradar. É uma palavra usada para o ato de dizer palavras duras contra pessoas ausentes, e que por não estarem presentes não podem defender-se. Como está no imperativo presente ativo, poderiamos traduzir esta frase desta forma: “Irmãos, não tenham o hábito, como estavam fazendo, de difamar os outros, por qualquer razão.”.

A Bíblia é clara em afirmar que a maledicência é uma atitude repug­nante diante de Deus. Nos Dez mandamentos Deus deixou escrito: “Não darás falso testemunho contra o teu próximo.” (Ex. 20:16; cf. Dt. 5:20). Literalmente no hebraico, este mandamento pode ser traduzido assim: “Não darás a entender ao teu próximo um testemunho enganoso”. Este substan­tivo “enganoso”, que nas nossas bíblias é traduzido como “falso”, designa palavras ou atividades falsas no sentido de não estarem baseadas em fatos ou na realidade. Desta forma, a falsa testemunha é alguém que apresenta uma acusação infundada e não baseada em fatos. Em Provérbios 25:18, podemos ver o perigo de uma falsa testemunha: “Como um pedaço de pau uma espa­da ou uma flecha aguda é o que dá falso testemunho contra o seu próxi­mo.”. Há no livro de Provérbios várias referências a esta atitude odiosa (Pv. 4:24; 6:2; 10:10,18,19.21,32; 12:13.22; 13:3; 20:19; 24:28).

No Novo Testamento podemos ver orientações no mesmo sentido, ou seja, de viver sem falar mal dos outros. Jesus disse: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês se­rão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vo­cês.” (Mt. 7:1,2). Na igreja de Corinto estavam acontecendo brigas e discór­dias porque os cristãos fomentavam conversas e fofocas, tudo isso gerando os grupos que dividiam a igreja (cf. 1 Co. 3:1—4). Escrevendo à igreja de Éfeso, Paulo recomenda que seus ouvintes abandonem a mentira (Ef. 4:25), que nenhuma palavra torpe saia da boca, mas sim aquela que traga edifica­ção (Ef. 4:29) e que se livrem de coisas que são expressas pelas palavras, tais como ira, gritaria e calúnia (Ef. 4:31). A mesma orientação foi dada à igreja de Colossos (Cl. 3:8). Outros textos no N.T. abordam este tema tais como Romanos 1:30. 2 Coríntios 12:20 e 1 Pedro 2:1.

Portanto, não há desculpa para quem fala mal, para quem fica de casa em casa, levando conversa fiada, agindo como instrumento de Satanás. Quem age assim precisa se arrepender e controlar a língua, caso contrário receberá juízo sobre si mesmo.

Tiago faz uma declaração que deve nos levar a reflexão: “Quem fala contra o seu irmão ou julga o seu irmão, fala contra a Lei e a julga.”. O que seria falar contra a Lei? Seria ignorar os mandamentos, que apontam mais para o amor do que para o julgamento. Levítico 19:18 diz: “Não pro­curem vingança, nem guardem rancor contra alguém do seu povo, mas ame cada um o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o SENHOR.”. Quem fala mal do seu irmão age contra os princípios mais elevados da Lei, e assim a desobedece e a desconsidera. E o que seria julgar a Lei? Seria avaliá-la de tal modo que, no final, daria pouco ou nenhum valor a ela, agindo como se estivesse acima dela.

Por isso Tiago afirma: “Quando você julga a Lei, não a está cum­prindo, mas está se colocando como juiz. A Bíblia diz que devemos ser observadores e cumpridores da Lei, não juizes. Nenhum homem tem condi­ções de julgar a Lei de Deus pois é uma mera criatura. A pessoa que imagina poder julgar a Lei, desprezando os preceitos divinos, já nesta atitude está como um transgressor da Lei, pois ignora a principal característica da Lei: o amor. Somente Deus tem condições de julgar, e desta forma o homem estaria querendo se igualar a Deus, o que seria um absurdo, para não dizer uma blasfêmia.

Desta forma, Tiago no verso 12 complementa o seu pensamento: “Há apenas um Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas quem é você para julgar o seu próximo?”. Este versículo já seria suficiente para nos levar a meditar sobre o que já falamos de nossos irmãos e de outras pessoas. Porque não devo falar mal de ninguém? Porque não estou em con­dições e nem tem autoridade para isso. Só Deus pode legislar e julgar por­que somente Ele possui inteligência, sabedoria e poder suficientes para jul­gar as intenções mais profundas do homem.

A Bíblia aponta para Deus como um Juiz correto e infalível. Abraão, diante da destruição de Sodoma e Gomorra, apela ao Juiz de toda terra, capaz de fazer justiça em não condenar o justo com o ímpio (Gn. 18:25). Jefté recorreu a Deus como Juiz, quando os amonitas oprimiam os israelitas em Gileade (Jz. 11:27). Davi, ao poupar a vida de Saul, pede para que Deus julgue a causa entre ele e Saul (1 Sm. 24:15). Jó diz que só poderia implorar misericórdia ao seu Juiz, no caso Deus (Jó 9:15). Nos salmos aparecem diversas afirmações, tais como. Deus como justo juiz (Sl. 7:11), Pai dos órfãos e juiz das viúvas (Sl. 68:5), aquele que julga as pessoas, que exalta e abate (SI. 75:7), o juiz da terra e que abale os soberbos (SI. 94:2). Isaías diz que Deus é nosso juiz, legislador e Rei (Is. 33:22). Jeremias diz que Ele é justo juiz porque sabe o que está no coração dos homens (Jr. 11:20). Na casa de Cornélio, Pedro diz que Deus constituiu Jesus Cristo como juiz de vivos c mortos (At. 10:42). Paulo, escrevendo a Timóteo, diz que aguarda a coroa da justiça, que será dada pelo Senhor, o reto juiz (2 Tm. 4:8). O Escritor aos Hebreus fala de Deus como juiz de todos (Hb. 12:23).

Observando tudo isso, só podemos voltar para a pergunta de Tiago: “Mas quem é você para julgar o seu próximo? A pergunta do apóstolo soa como um, “quem é você para assumir esta responsabilidade? Que ridículo”. Nenhum de nós têm condições de julgar ninguém. Devemos nos su­jeitar somente a Deus, pois Ele é o nosso único juiz e não há outro. Ele é capaz de salvar ou condenar, c nós não temos este poder.

Queremos concluir esta parte com duas observações. A primeira se refere à Lei de Deus. Por mais que saibamos que a Lei de Deus tem valor, na realidade não a vi vendamos como deveríamos. Quando falamos da Lei não estamos nos referindo aos rituais mas aos preceitos, que não deixaram de ser válidos porque Jesus Cristo morreu na cruz. Jesus cumpriu a Lei na sua essência e Tiago aponta para o mesmo caminho. Douglas J. Moo faz um comentário sobre isso: “Por mais ortodoxo e elevado que seja o nosso con­ceito acerca da lei de Deus, nosso fracasso em cumpri-la realmente diz ao mundo que, de fato, não a valorizamos tanto. Novamente vamos subir à superfície a compreensão que Tiago tem do cristianismo como algo cuja realidade deve ser testada pela medida da obediência.”

 

A segunda observação quanto o julgamento. O texto aqui não é contra a idéia de fazermos juízos morais, tentado? Não podemos ser coniventes com os erros dos outros. Se alguém diz que estamos julgando, devemos apontar para o texto bíblico e explicar, com man­sidão, o erro da pessoa, mostrando a ela que não há nenhuma implicação pessoal na observação. Eu devo seguir o mesmo princípio de Jesus. Amar as pessoas sem rebaixar os princípios de Deus. Tiago está condenando a atitude de censura, as críticas negativas que ferem o expõe os outros a situações constrangedoras, as palavras que não edificam, pelo contrário, só destroem. A crítica com a finalidade de destruir, prejudicar e humilhar é pecado.

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