Aprofunde seu conhecimento bíblico: Analise hermenêutica na literatura profética: O caso de Isaías

Este artigo faz parte da Biblioteca digital de hermeneutica. Adquira aqui neste site agora.

 

Analise hermenêutica na literatura profética:

O caso de Isaías

Por Pr. Josias Moura de Menezes

1.  Introdução

Prosseguindo em nossos estudos hermenêuticos acerca da interpretação de textos proféticos, faremos uma incursão no livro de Isaías. Optamos por este livro, pela sua importante contribuição aos principais temas teológicos tratados na sistemática.

Neste breve estudo pretendo sugerir alguns procedimentos hermenêuticos a serem adotados pelo estudante deste livro.

Vamos então as nossas considerações.

2.  Atente para o nome do autor do livro: seu nome  pode sugerir o conteúdo tratado em sua obra.

O nome deste primeiro livro profético, “Isaías”, quer dizer “O Senhor (YHWH) é a salvação”. Este é um nome que bem expressa o tema do livro, bem como o assunto global dos mensageiros de Deus. Como ocorre com todos os livros escritos por profetas, Isaías é o nome do seu autor.

Deve-se observar que os títulos dos livros proféticos têm um significado que sugere de maneira notável o seu conteúdo, o que também acontece com o nome de muitos personagens do Antigo Testamento. Seus nomes dão o perfil do seu caráter. Por exemplo, Abraão (pai das nações), Jacó (suplantador) etc. O nome do Deus da aliança, Jeová, por exemplo, significa “Eu Sou”, Aquele que cumpre a sua palavra eternamente.

 

3.  Informações sobre a vida do autor podem esclarecer o significado de determinadas partes do texto.

O profeta Isaías é chamado o “príncipe dos profetas do Antigo Testamento” devido ao enorme ímpeto, caráter majestoso, visão teológica e conteúdo messiânico da sua profecia.

O texto o descreve como “filho de Amoz”, marido de uma profetisa e pai de dois filhos que deveriam ser “sinais” para a nação (1:1; 8:3, 18). As tradições judaicas indicam que ele era primo do rei Uzias e foi serrado ao meio pelo iníquo rei Manassés.

Pertenceu à família real. Dotado de uma espiritualidade profunda, bem-educado e capelão da corte de quatro reis de Judá por um período aproximado de cinqüenta anos, Isaías foi talvez a figura mais monumental dos séculos intermediários da história de Israel.

Tendo o conhecimento destas informações acerca de Isaías, entendemos melhor a razão pela qual suas profecias vieram a ter impacto sobre uma nação inteira. Deus escolheu alguém importante, que tinha influencia social, que fazia parte da nobreza, para contestar as práticas dos próprios poderosos.

4.  A organização de um esboço do livro nos ajuda a interpretar melhor um texto particular em sua relação com o contexto

I  PROFECIAS DE CONDENAÇÃO ………………………………………………………………………………………………………… 1—35

A. Julgamento e Livramento Final de Sião…………………………………………………………….. 1-12

1.  Rebelião atual e restauração futura ………………………………………………………………. 1-5

2.  Altiva recusa da correção de Isaías…………………………………………………………………….. 6

3.  Livramento final pela vinda do Messias …………………………………………………….. 7-12

B. Julgamento das Nações devido à Sua Orgulhosa Independência…………………………… 13-23

        1. Babilônia (13-14)                           7. Egito (19-20)

       2. Assíria (14:24-27)                          8. Babilônia (21:1-10)

3.  Filfstía (14:28-32)                          9. Edom (21:11-12)

4.  Moabe (15-16)                             10. Arábia (21:13-17)

5.  Siria, Israel (17)                           11. Jerusalém (22)

6.  Etiópia (18)                                 12. Tiro (23)

C. Julgamento de Toda a Terra antes da Glória do Reino………………………………… 24-27

1. Devastação da terra antes do domínio do Senhor ………………………………………….. 24

             2. Restauração da terra antes do domínio do Senhor ……………………………… 25-27

D. Julgamento de Israel devido às Alianças Seculares ……………………………………… 28-33

1.  Aliança com a Assíria — Primeiro erro ………………………………………………….. 28-29

2.  Aliança com o Egito — Segundo erro ………………………………………………………. 30-31

3.  Confiança no Senhor — Paz e alegria ………………………………………………………. 32-33

E. Grande Julgamento e Favor Divino — O Dia do Senhor ……………………………… 34-35

1.  Grande ira do Senhor naquele Dia…………………………………………………………………….. 34

2.  Grande graça do Senhor naquele Dia ………………………………………………………………. 35

 

II  PROFECIAS DE CONFIRMAÇÃO (Cumprimento histórico)  ……………………………………………………… 36—39

A.Ameaça Assíria Afastada pela Confiança no Senhor…………………………………………….. 36-37

B.Ameaça Babilônica Anunciada pela Confiança nos Homens ………………………………. 38-39

 

III  PROFECIAS DE CONSOLAÇÃO…………………………………………………………………………………………………….. 40-66

A.   Conforto da Majestade de Deus  ……………………………………………………………………………… 40-48

1.   Majestade como Criador e Pastor……………………………………………………………… 40-42

2.   Majestade como Criador e Redentor ……………………………………………………….. 43-45

3.   Majestade como Criador e Soberano ……………………………………………………….. 46-48

B.  Conforto da Graça de Deus  …………………………………………………………………………. 49-57

1.  Salvação oferecida pelo obediente Servo do Senhor ……………………………….. 49-51

2.  Salvação proporcionada pelo sofredor Servo do Senhor……………………….. 52-53

3.  Salvação proclamada pelo bondoso Servo do Senhor ……………………………. 54-57

C. Conforto da Glória de Deus …………………………………………………………………………. 58-66

1.  Glória de jusuça em lugar de depravação ………………………………………………… 58-60

2.  Glória de novo casamento em lugar de divórcio …………………………………….. 61-63

3.  Glória de renascimento em lugar de morte ……………………………………………… 64-66

5.  Informações do contexto social, histórico e político também esclarecem melhor o significado de muitas partes do livro.

Isaías profetizou durante mais de sessenta anos, desde antes da morte de Uzias (740) até algum tempo depois da morte de Senaqueribe (681). V. Isaías 1:1; 6:1; 37:38. Tudo indica que ele escreveu a maior parte do livro (de 1-39) durante os reinados de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, e o res¬tante dos capítulos (40-66), durante o tirânico reinado de Manassés, talvez entre 697 e 680. Seu sofrimento sob o reinado desse rei pode ter contribuído para o texto pungente do “Sofrimento Vicário do Servo do Senhor” (52:13-15; 53). Ele próprio teve sorte semelhante.

CENÁRIO POLÍTICO

Do ponto de vista internacional, o cenário era a grande ascensão do poderio assírio. Tiglate-Pileser veio ao ocidente para invadir Israel do norte e a Transjordânia, em 745 e 734. Sargom e Salmanasar sitiaram e destruíram Samaria em 724-722, durante a grande ofensiva para o norte. Senaqueribe, no decorrer do reinado de Sargom, invadiu Judá e a parte ocidental da Palestina, numa grande conquista de 714 a 701, que culminou com a perda da sua armada quando tentava atacar Jerusalém, no auge do seu sucesso. Jamais voltou.

Do ponto de vista nacional, foi uma época de opressão e caos. O reino do norte havia-se deteriorado rapidamente depois do “período áureo” de Jeroboão II, sob seis reinados caóticos. Judá também declinara sob o reinado do idolatra Acaz. Muitas alianças foram estabelecidas com potências estrangeiras a fim de protelar a sujeição total à Assíria, potência em ascensão, que procurava engolir o Ocidente.

CENÁRIO ESPIRITUAL

A condição espiritual de Judá em meados do século oitavo era paralela à sua condição política, ambas deteriorando-se rapidamente sob o rei Acaz (743-728). A grande potência construída por Azarias e Jotão, reis tementes a Deus, desintegrou–se quase imediatamente quando Acaz (chamado Jeoacaz pelos assírios) começou a cortejar alianças estrangeiras em vez de confiar no Senhor (Isaías 7:12). Quando atacado pela Síria e Israel, Acaz procurou inutilmente apaziguar as forças divinas sacrificando seu filho mais velho num altar, e depois pediu auxílio aos assírios. Como resultado, tornou-se vassalo de Tiglate-Pileser, da Assíria. Perdeu para os edomitas Elate, que dava acesso ao mar Vermelho, bem como grande parte do Negebe para os filisteus. Substituiu o culto a Jeová no templo por idolatria estrangeira.

A ascensão de Ezequias ao trono de Judá trouxe, quase imediatamente, um movimento de reforma. Começou no primeiro mês do seu reinado. No mês seguinte ele celebrou uma páscoa sem precedente, a qual foi honrada por Deus em virtude das boas intenções para deter o julgamento divino (2 Crônicas 30:1-13). A reforma apressada e o entusiasmo pelo reavivamento promovido por Ezequias parecem ter mudado a direção do braço justiceiro do Senhor e salvo Judá de sorte semelhante à de Israel, destruído em 722 a.C. Todavia, as alianças com o Egito e a Babilônia, feitas mais tarde por Ezequias, trouxeram renovada agressão contra Judá por parte da Assíria, que acabou cercando Jerusalém, ameaçando destruí-la, até que o rei aceitou o conselho de Isaías e confiou inteiramente no Senhor para o  livramento. Esse veio em 701, quando o Anjo do Senhor destruiu o exército de Senaqueribe, 185.000 homens, e pôs fim à campanha do invasor no ocidente. O registro desse acontecimento está na parte central da profecia de Isaías. Ali o profeta demonstra que a maior defesa da nação é simplesmente confiar no Senhor da aliança e a ele obedecer.

6.  Defina o objetivo do livro. Esta informação ajudará a interpretar detalhes do conteúdo do livro em função do objetivo geral

·        Os muitos objetivos de Isaías podem ser resumidos em dois, que se relacionam com os seguintes títulos divinos: “O Santo de Israel” e “O Sofrimento Vicário do Servo do Senhor”.

·        Admoestar a nação do iminente julgamento devido à idolatria e às alianças seculares. O interlúdio histórico (36-39) descreve o cumprimento da invasão da Assíria e a previsão de um cativeiro posterior pela Babilônia. O “Santo de Israel” exigia santidade do seu povo.

·        Lembrar à nação o programa divino de libertação, especialmente o seu programa redentor através do Messias, que primeiro viria como o Servo Sofredor e, mais tarde, como o Governador de toda a terra (52:13-53:12). Esses propósitos duplos complementam o tema do livro: “A Salvação vem do Senhor, não de ídolos ou alianças seculares.”

7.  Alguns estudiosos já disseram que Isaías: É aA Bíblia em miniatura.

Este livro é, muitas vezes, chamado de “Bíblia em miniatura” devido à sua organização e conteúdo. Tem 66 capítulos, com duas divisões principais de 39 e 27.

A primeira divisão enfatiza o julgamento do Senhor, e a última apresenta a sua graça como “Servo sofredor” e termina com o julgamento final.

Como Isaías viveu na metade dos anos decorridos entre Moisés e Cristo (mais ou menos em 710 a.C), ele focaliza tanto a lei vinda por Moisés, como a graça que viria por Jesus Cristo.

A segunda divisão (40-66) também principia com uma “voz” que clama no deserto com uma mensagem de salvação, semelhante à voz de João Batista, que foi o primeiro a anunciar essa mensagem no Novo Testamento.

As duas seções são unidas por um interlúdio histórico (36-39) em que Israel é ameaçado por dois impérios. São notáveis as analogias do livro de Isaías com o Antigo e o Novo Testamento.

8.  Procure perceber o contexto teológico que esta implícito no texto. Esta compreensão é de especial importância para o sucesso na Interpretação.

De todos os livros proféticos, é Isaías o mais abrangente em seu alcance teológico.

As suas profecias vão desde a situação de Israel na época, passando pela queda do reino do norte e do sul, pelo exílio na Babilônia e pelo regresso promovido pelos persas, até a vinda humilde do Messias, sua vida e morte expiatória na cruz pelo seu povo, pela dispersão final da nação por toda a terra, pela nova reunião em virtude do arrependimento, e pela bênção do reino na era messiânica.

As profecias de Isaías sobre o advento do Messias descrevem mudanças em todas as esferas da vida humana: espiritual, nacional, internacional, econômica, geográfica, cós¬mica e do reino animal. A teologia divina de Isaías é a mais extensa e profunda de todos os livros do Antigo Testamento.

9.  Os principais conceitos teológicos presentes no livro de Isaías.

9.1   “SANTO DE ISRAEL” (14; 5:19; etc).

Isaías refere-se ao Senhor como o “Santo de Israel” vinte e cinco vezes em todo o livro, um termo raramente usado pelos outros escritores.

A expressão vem de quando Isaías foi comissionado em 6:3, ocasião em que os serafins apresentaram o Senhor como “Santo, santo, santo”. No meio de um povo impuro, foi-lhe trazida à memória a inflexível santidade de Deus. Junto com a revelação da sua santidade, Isaías foi também lembrado de ser o Senhor o “Poderoso de Israel” (1:24) e o “Senhor dos Exércitos” (usado cinqüenta e quatro vezes em Isaías 1-39, e somente seis vezes em 40-66).

A santidade e o poder divinos sempre se complementam. Todas as subseqüentes profecias de julgamento e livramento relacionam-se com essa definição de Deus, que é poderoso para salvar, mas jamais livra quem resolve viver em pecado. Essa descrição do Santo Deus, aclamado três vezes, é somente repetida pelas criaturas de seis asas em Apocalipse 4:8, no princípio do julgamento da tribulação.

O mais importante enfoque dessa santidade e poder, entretanto, está no seu trabalho de redenção, onde “O Senhor desnudou o seu santo braço à vista de todas as nações” (52:10).

9.2   “REDENTOR” DE ISRAEL (41:14 — 63:16).

Esse nome divino é outro título singular usado por Isaías (treze vezes, mas somente na segunda metade do livro) e aparece nos outros livros do Antigo Testamento apenas cinco vezes.

Jamais é empregado com referência ao Senhor no Novo Testamento, embora esteja subentendido em dezessete referências à obra redentora de Cristo nos evangelhos e epístolas.

O termo deriva do verbo “gaal”, que quer dizer aquele que redime (“goel”) ou compra uma pessoa ou propriedade (Levítico 25, 27). O uso dessa palavra em Isaías refere-se principalmente à libertação de Israel como uma nação de refugiados cegos e surdos, escravos de inimigos estrangeiros (41:14 e ss.; 44:24 e ss.; 54:5 e ss.).

Significa também redenção espiritual para os que “se converterem” (59:20). O termo “Salvador” (Yasha) é também utilizado oito vezes em Isaías (43:3, 11 etc), um nome muito usado para Cristo no Novo Testamento.

9.3   NASCIMENTO VIRGINAL DO EMANUEL (7:14).

Essa profecia do nascimento virginal é a primeira das “profecias do Emanuel” (7-12), nas quais a vinda do Messias é detalhada. Apesar de a profecia ter sido muito debatida, o Novo Testamento declara a concepção e o nascimento virginal do Messias tanto gramatical quanto contextualmente em Mateus 1:23.

A palavra usada no Novo Testamento, “virgem” (parthenos), pode ter outro significado.

Mas, como na profecia foi prometido a Acaz um “sinal”, várias tentativas têm sido feitas para relacionar o nascimento virginal ao cumprimento no tempo de Acaz. Alguns eruditos acham que a profecia foi cumprida no nascimento do filho de Isaías (8:3) ou de Acaz. Alguns acham que são duas profecias com dois cumprimentos diferentes: num futuro próximo e num futuro distante.

9.4   QUEDA DE LÚCIFER (14:4-20).

Embora Satanás apareça muitas vezes em toda a Bíblia (com o nome de Satanás dezoito vezes no Antigo Testamento e trinta e cinco vezes no Novo Testamento, e com o nome de demônio trinta e cinco vezes no Novo Testamento), somente Isaías 14 e Ezequiel 28 descreveram a sua criação, perfeição e grande queda.

Em Isaías 14:4 ele é visto como o “rei da Babilônia”, e em Ezequiel 28:12, como o “rei de Tiro”, pois era ele o poder diabólico que agia por trás.

Daniel também falou no “príncipe da Pérsia” e no “príncipe da Grécia” (Daniel 10:20) em peleja com Miguel, o arcanjo, obviamente uma refe¬rência aos espíritos maus por trás dessas nações pagas.

A descrição daquele “rei da Babilônia”, que tinha a presunção de ser igual ao Altíssimo, que caiu dos céus e foi precipitado ao abismo, estende-se muito além de um homem como Nabucodonosor (que, em Daniel 4:37, é visto exaltando e glorificando o Deus Altíssimo depois de ter sido julgado pelo seu orgulho). Relaciona-se com o escárnio sobre o “rei de Tiro” em Ezequiel 28:12 e ss., também descrito em termos simbólicos e são sobrenaturais. Foi ele quem reivindicou “todos os reinos do mundo” (Mateus 4:8), quando enfrentou a Jesus no deserto. Isaías apresentou-o aqui como um extraordinário exemplo do destino de quem teve uma atitude de bazófia para com Deus.

9.5   EM ISAÍAS, O CLÁSSICO DESPREZO PELA IDOLATRIA (44-46).

Livro algum apresenta uma sátira mais brilhante, a mostrar a absoluta estupidez da idolatria como Isaías o faz em 40-48.

Os capítulos clássicos são 44 e 46, onde vemos o contraste da onipotência e onisciência do Senhor com um bloco de madeira sem vida, que não anda nem fala, e muito menos pode livrar o povo ou predizer o futuro (44:19).

Do mesmo modo que Elias zombou dos deuses Baalins introduzidos no reino do norte e adorados por Acabe, Isaías ridicularizou a nova geração de idolatras, quando Manasses reintroduziu aqueles deuses em Judá. Nem Elias, nem Isaías, entretanto, conseguiram efetuar grande reavivamento em suas gerações.

9.6   O SERVO SOFREDOR (53)

Isaías 41-53 apresenta uma série de passagens sobre o “servo”, e termina retratando o Servo sofredor em 52:13-53:12.

No auge da previsão do aparecimento desse servo, é dada uma descrição das mais reveladoras da pessoa de Jesus e a obra que ele realizaria na sua primeira vinda (Marcos 10:45). Algumas dessas características particulares não são nem apresentadas nos Evangelhos. Isaías observa que o relato não será acreditado (53:1).

Descreve o Servo como não tendo beleza segundo o conceito humano, mas desprezado e rejeitado entre os homens (53:2-3). Foi considerado como desaprovado e afligido por Deus (53:4). Nas mãos dos homens ele é desfigurado além da aparência humana (52:14). Apesar de ferido pelos homens, não foi isso que trouxe a salvação, mas o fato de ter Deus colocado sobre ele as transgressões de todos nós (53:6, 10). Surpreendentemente, essa oferta “agradou” o Pai no sentido de lhe proporcionar satisfação completa com referência ao pecado. Tal coisa é comprovada pelo fato de que a única oferta do Filho proporcionou expiação absoluta do pecado e intercessão contínua em favor dos pecadores (53:10-12).

9.7   CRISTOLOGIA DE ISAÍAS

Nenhum outro livro do Antigo Testamento é tão integralmente messiânico como Isaías. Chamam-no algumas vezes de “Quinto Evangelho” ou “Profeta Evangélico”, em virtude das muitas previsões sobre o Messias. Esse conteúdo messiânico pode ser observado em diversas categorias:

Esboço da Cristologia de Isaías:

a.  A pessoa do Messias

1. Ser genuinamente humano, nascido de mulher (7:14;9:6;

53:2).

2. Ser nascido virginalmente, por concepção sobrenatural

(7:14).

3.    Ser Deus em carne humana (9:6).

4.    Ser o Filho de Davi (9:7; 11:1, 10).

5.    Ser Jeová (YHWH), o Criador de todas as coisas (44:24; 45:11-12).

b.  O Caráter do Messias.

1.    Ser humilde e sem atrativos (7:14-15; 53:2-3).

2.    Ser manso, não barulhento nem rude (40:11; 42:2-3).

3.    Ser justo em todas as suas ações (9:7; 11:5; 32:1).

4.    Ser bondoso para com os fracos e aflitos (61:1).

5.    Ser irado e vingativo para com os perversos impenitentes (11:4; 63:1-4).

c.   A Obra do Messias.

1.    Ser apresentado por um precursor no deserto (40:3).

2.    Ser ungido para operar com o poder do Espírito Santo (11:2-4; 61:1).

3.    Pregar e aconselhar como profeta (11:2-4).

4.    Realizar muitos milagres, especialmente na Segunda Vinda (35:4-6).

5.    Ser desacreditado pela sua própria geração (53:1).

6.    Morrer com os perversos e ser enterrado com os ricos (53:9).

7.    Ser traspassado e moído pelas nossas iniqüidades (53:5).

8.    Receber sobre si as iniqüidades de todas as pessoas, por ordem de Deus (53:6).

9.        Ser o vencedor da morte (25:8).

10.   Esmagar com fúria os perversos na Segunda Vinda (34:2-9); 63:1-6).

11.   Ser o Rei de Israel (9:7; 44:6).

12.   Reinar, como o “Senhor dos Exércitos”, no monte Sião e em Jerusalém (24:23).

 

 

2 thoughts on “Aprofunde seu conhecimento bíblico: Analise hermenêutica na literatura profética: O caso de Isaías

Deixe sua mensagem

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s