ESTUDO EBD DIA 07.12.2014 – A fé morta – Tiago 2:14-16

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A fé morta – Tiago 2:14-16

A doutrina bíblica da fé é uma das mais importantes e significativas para a vida do cristão. Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6). Sem fé é impossível receber a salvação e ser justificado por Deus (Ef 2.8,9). Sem fé é impossível viver a vida cristã, pois, o justo viverá pela fé (Rm 1.16,17). Tudo que fazemos sem fé é pecado (Rm 14.23). Sem fé, jamais receberemos alguma coisa de Deus (Tg 1.6,7).

Mas, o que é a fé? A Bíblia fala que a fé é um presente de Deus, recebido no ato da conversão. É chamada de fé salvadora, produzida por Deus no coração do pecador, no momento da sua regeneração, por meio da pregação da Palavra de Deus (1Ts 2.13; Rm 10.17). L. Berkhof define a fé salvadora como uma certa convicção, produzida pelo Espírito Santo no coração, quanto à veracidade do Evangelho, e uma segurança(confiança) nas promessas de Deus em Cristo.

A fé possui três elementos: elemento intelectual, elemento emocional e elemento volitivo. Por exemplo, o texto de Atos 2.37: Ouvindo eles estas coisas, (intelecto) compungiu-se-lhes o coração (emoções) e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos irmãos? (vontade).

Tiago combate a fé morta ou falsa que existia na sua época. A fé morta é aquela que reside apenas na mente. Trata-se de uma fé falsa que reside meramente no intelecto. Trata-se de uma confissão vazia: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mt 7.21). Observamos seis características desta fé morta:

  1. Ela é Ineficiente Para Salvação

Tiago diz: Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tem obras. Pode acaso, semelhante fé salvá-lo? (Tg 2.14). A fé morta não vem acompanhada de obras. Este tipo de fé não é suficiente para salvar o pecador. Enquanto Paulo ensina o lado passivo da fé, em que o homem é justificado sem obras (Rm  4.5; 5.1; Gl 2.16), Tiago explica o lado ativo da fé, em que o verdadeiro crente coloca a sua fé em prática (1Ts 2.1-5;2Pe 1.5-11). Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida (1 Jo 5.12).

A fé morta não é uma fé salvadora. Calvino afirma: “Só a fé justifica, mas, a fé que justifica não anda sozinha”. A verdadeira fé salvadora vem acompanhada de frutos espirituais. João Batista fala dos frutos do arrependimento verdadeiro (Mt 3.8). Paulo fala da operosidade da fé salvadora (1Ts 1.3) e das boas obras que Deus preparou para que andemos nelas (Ef 2.10).

  1. Ela é Improdutiva

Tiago declara: Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta (Tg 2.15-17). Trata-se de uma ilustração simples e objetiva. Um irmão pobre pre- cisando de roupas e alimentos. A pessoa com a fé morta olha para esse irmão, faz um discurso piedoso, mas, não resolve o seu problema.

João declara: Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e verdade (1 Jo 3.17,18). Como cristãos temos a obrigação de suprir as necessidades do próximo, principalmente, dos irmãos na fé (Gl 6.10). Ajudar ao necessitado é uma expressão de amor, e a verdadeira fé opera pelo amor (Gl 5.6). Quando ajudamos ao irmão carente, estamos fazendo para Cristo (Mt 25.40).

  1. Ela é Imperceptível

Tiago fala: Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé (Tg 2.18). Ele se recusa a aceitar a divisão entre fé e obras. A verdadeira fé não pode existir separada das obras, e obras agradáveis a Deus não podem ser realizadas sem a verdadeira fé.

O conceito de obras na Bíblia está estritamente ligado à salvação. Nenhuma obra praticada pela natureza humana sem conversão é vista por Deus como boa obra (2 Rs 10.30; Mt 23.23). Ainda que sejam atos bondosos, elas não são feitas para a glória de Deus (1Co 10.31). As obras da carne ou da natureza não regenerada não têm valor nenhum diante de Deus (Is 64.6).

Boas obras são apenas aquelas que Deus ordena em sua Palavra (Mq 6.8; Cl 2.20-23). Elas são evidências de uma fé viva e verdadeira (SI 116.12,13 e Mt 5.16). O poder de produzir boas obras não está no crente, mas provém do Espírito Santo que habita no coração do fiel (Jo 15.4-6; Lc 11.13).

  1. Ela é Demoníaca

A fé morta é demoníaca ou a mesma que os demônios possuem: Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem (Tg 2.19). Observe que a fé demoníaca envolve o intelecto e as emoções: eles creem e tremem. Os demônios não são ateus ou agnósticos. Todas as vezes que se encontraram com Cristo aqui na terra, eles deram aula de cristologia. Eles sabiam quem era Jesus e confessaram o nome de Cristo (Mc 1.24; 3.11,12; 5.7; Lc 4.34). Eles criam na existência de um lugar de castigo (Lc 8.31) e reconheceram a Jesus como o Juiz (Mc 5.1-13). O Diabo, quando tentou a Jesus, deu provas também de conhecimento bíblico (Mt 4.1-11). Todavia, a fé e o tremor dos demônios não produz a salvação dos mesmos.

A lógica do pensamento de Tiago é que se uma pessoa tem apenas conhecimento intelectual de Deus, está numa condição pior do que a dos demônios que creem e tremem.

  1. Ela é Inoperante

Tiago diz: Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante? (Tg 2.20). A palavra traduzida por inoperante é a palavra grega agros, que significa “ocioso ou desocupado” (Mt 20.3,6). Este verso reafirma o ponto principal do ensino de Tiago, que a fé sem obras não salva (v.14), não tem proveito (v.16), está morta (w. 17 e 26), é inútil.

A fé sem obras é inútil, pois, é incapaz de justificar o homem diante de Deus. Como provar isto? Tiago vai para o Antigo Testamento e cita dois exemplos de fé operosa: Abraão e Raabe. Warren Wiersbe diz: “Tiago ilustra a sua doutrina na vida de duas figuras bíblicas conhecidas: Abraão e Raabe. Não seria possível encontrar dois indivíduos mais diferentes um do outro! Abraão deu origem ao povo de Israel; Raabe pertencia a uma nação pagã. Abraão era um homem piedoso; Raabe era uma mulher corrompida, uma meretriz. Abraão era amigo de Deus, enquanto Raabe pertencia a um povo inimigo de Deus”. Mas, o que os dois tinham em comum? Os dois creram e obedeceram, os dois exercitaram a fé salvadora.

Tiago escreve: Não foi por obras que Abraão, o nosso pai, foi justificado, quando ofereceu sobre o altar o próprio filho, Isaque? Vês como a fé operava juntamente com as suas obras; com efeito, foi pelas obras que a fé se consumou, e se cumpriu a Escritura, a qual diz: Ora, Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça; e: Foi chamado amigo de Deus (Tg 2.21 -23).

  1.  Ela é Incompleta

Tiago diz: Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta (Tg 2.26). Éle usa a figura do ser humano que somente é completo ou vivo, quando o corpo está unido ao espírito (Gn 2.7). A verdadeira fé somente é completa quando une confissão com produção, fé com obras.

A fé verdadeira é completa. Envolve conhecimento, emoção e vontade. Ela produz a justificação e uma vida cristã frutífera. É necessário que cada crente examine o  seu coração e sua vida e se certifique de que possui a fé operosa: Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos (2 Co 13.5).

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