Para refletir: A mensagem precisa travar a batalha pela vontade

A mensagem precisa travar a batalha pela vontade

Jay Kesler

Pregar é diferente de ensinar pelo fato de chamar ao comprometimento e tentar levar as pessoas a um ponto de ação.

A necessidade do desafio

Em algum lugar li a respeito de dois homens. Quando um homem pregava, as pessoas reclinavam-se para trás e diziam: “Que interessante”. Quando o outro pregava, elas diziam: “Vamos marchar”. Para mim, pregar é um apelo à vontade.

Anos atrás, Billy Graham disse que se ele pregava sem um apelo, não sentia perda de energia. Mas se pregava e fazia um apelo, ele ficava exausto posterior­mente. A exigência de pregar para o comprometimento é muito maior. Obvia­mente, todo mundo, às vezes, prega sem fazer um apelo, mas a batalha espiritual ocorre de um modo maior quando nosso apelo pode mudar a lealdade e a dedi­cação de uma pessoa.

Alguém disse: “Os homens não se rebelam contra a idéia de Deus; os homens se rebelam contra a vontade de Deus”.

Um sermão-chave resultou no chamado para o meu próprio ministério. Eu era cristão. Sentia um anseio de alcançar outros com o evangelho, mas meu pai, um líder sindical, era anti-igreja, anticristão, mas principalmente antipregador. Quando senti o chamado para pregar, a tensão começou a se intensificar na minha alma a respeito de encarar uma disputa entre a vontade do meu pai e a de Deus.

Fui ouvir um evangelista de tenda chamado Pete Riggs. O tema de sua cruza-.da era “Permita-se ir e permita Deus agir”. Lembro-me da influência quase irre­sistível do Espírito Santo para seguir a voz de Deus.

Eu fui para frente e fui cercado por pessoas que me conheciam e sabiam como me ajudar. Naquela noite, um dos meus pastores deu este versículo de Paulo: “Contudo, quando prego o evangelho, não posso me orgulhar, pois me é imposta a necessidade de pregar. Ai de mim se não pregar o evangelho!” (1 Co 9.16). Essa tem sido a minha percepção a vida inteira — ai de mim se não pregar o evangelho.

Vivendo no mundo da educação superior nos últimos dezoito anos, em quase toda reunião observo que faltam desafios reais, porque muitos educadores não fazem idéia do porquê da sua existência. Educação hoje em dia é utilitarismo. Saímos da reunião pensando: Estou dando minha vida para preparar a força de trabalho para o século 21. Muitos educadores pensam em relevância apenas em termos de materialismo e mobilidade ascendente.

Isso não é nada desafiador para mim. Nós não somos ações humanas; somos seres humanos. Ajudar alguém a ser é o nosso verdadeiro desafio.

Desafios que valem a pena remontam aos seres humanos criados à imagem de Deus. Qualquer coisa que faça uma pessoa menos do que isso — um meio para um fim, por exemplo — eu considero injustificado.

Subdesafiando uma Congregação

Existe um perigo tremendo de vacinação. Assim como um pouco de reagente na vacina o protegerá de contrair varíola, assim pequenas doses do evangelho o prevenirão de uma inflamação da fé. Eu penso que foi Tozer quem disse: “Ser-mõezinhos geram cristãozinhos”. Uma apresentação da verdade que não chega ao lu gar onde ouvintes entendem que ela envolve movimento ou comprometimento pode ter um efeito de vacinação. E por isso que muitas pessoas ortodoxas não são evangélicas; e muitas evangélicas não são evangelistas.

Quando pregamos o evangelho fielmente, ele resulta em missão, expansão e desejo evangelístico. Ele tem tanto uma dimensão vertical de salvação quanto uma dimensão horizontal e social de caridade prática.

Em um ambiente em que as pessoas estão mais sentadas sobre as premissas do que em pé sobre as promessas, alguma coisa normalmente está errada com a pre­gação. Isso começa com o pastor. A coisa mais fácil no evangelismo é descer — descer até os menos instruídos, até a juventude, descer até a rua, até os empobre­cidos. Mas se os pastores não tiverem um ministério para com os seus semelhantes — líderes de comunidade e assim por diante — eles não podem intimidar as pessoas o suficiente para conseguir que elas mesmas façam isso. Eles precisam liderar pelo exemplo.

Características do Desafio Excessivo

Certa vez, um garoto em um acampamento da Mocidade para Cristo me perguntou: “Você pode orar por meu pastor?”.

Eu sou cauteloso em relação a esse pedido, perguntando-me o que motiva a crítica ou a “preocupação” pelo pastor. Eu perguntei: “Por qual motivo você quer que eu ore por seu pastor?”.

Ele disse: “Todo domingo, depois que ele prega, nós cantamos três ou quatro hinos de apelo e parece que ele não fica feliz até conseguir fazer com que todos nós estejamos olhando para baixo, até que todo mundo fique reduzido a quase nada pelo cansaço. Eu não entendo isso”.

“Pelo que você quer que eu ore?”.

Ele disse: “Vamos orar para que meu pastor possa se sentir perdoado”.

Isso me impressionou. Esse garoto entendeu algo profundo. O pastor tentava exorcizar sua própria culpa por meio de uma espécie de catarse, ao contrário de entender a graça.

Gilbert Beers disse: “Moisés, mesmo conduzindo os filhos de Israel do Egito à Terra Prometida, tinha de caminhar na velocidade do menor cordeiro”. Pastores precisam sentir quando as pessoas estão sobrecarregadas.

Existem certas pessoas que você precisa levar para um canto e dizer: “Você precisa gastar mais tempo com sua família. Eu sei que você tem um dia de trabalho na igreja nesta semana, mas eu não penso que você deveria vir. Leve seus filhos para pescar”. Você precisa conhecer sua congregação para saber quais pessoas precisam de desafio e quais precisam de descanso.

 

Como presidente da Universidade de Taylor, eu dirigi em volta do campus em um círculo, como Josué em volta das muralhas de Jerico e orei: “Senhor, aqui está a circunferência deste lugar. Por favor, Deus, faça alguma coisa. Eu preciso do Se­nhor”. Nenhum pastor pode desafiar efetivamente as pessoas ou conduzir pessoas para Deus sem o poder da oração.

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