05.10.2014 EBD tema: GALATAS: A CARTA DA LIBERDADE CRISTÃ

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GALATAS: A CARTA DA LIBERDADE CRISTÃ

GL. 1:1-24

O livro de Gálatas é uma das menores cartas de Paulo, embora a sua importância teológica para o cristianismo é imensurável. Merril C. Tenney disse: “O cristianismo bem poderia ter sido apenas mais uma seita judaica, e o mundo poderia ter continuado a ser inteiramente pagão, se ela não houvesse sido escrita”. A carta aos Gálatas apresenta o ensino sobre a salvação pela graça, o evangelho da justificação pela fé sem as obras da lei. Ela apresenta a verdadeira liberdade cristã em oposição ao legalismo e à licenciosidade descontrolada (Gl 5.1-15). Deus nos libertou do pecado para vivermos em liberdade. Esta liberdade é desfrutada numa vida de santificação e serviço a Deus. Somos livres para servir ou nos submeter a Deus.

Quais os motivos que temos para estudar a carta aos Gálatas:

  • Ela nos ensina que só existe um Evangelho verdadeiro, revelado por Deus.
  • Ela nos ensina que o homem não é justificado por obras e sim mediante a fé em Jesus Cristo.
  • Ela nos ensina que Cristo nos libertou para andarmos e sermos guiados pelo Espírito Santo.
  • Ela nos ensina que somos livres para amar e servir aos nossos irmãos.

 

 

Olhando para o texto da carta, com seis capítulos, observamos três divisões claras: a origem do evangelho (1 -2), a fundamentação teológica do evangelho (3-4) e a aplicação prática do evangelho (5-6). Warren W. Wiersbe observa três abordagens: abordagem pessoal – a Graça e o Evangelho (1-2); abordagem doutrinária – a Graça e a Lei (3-4); e abordagem prática – a Graça e a Vida Cristã (5-6). O tema principal da carta é a liberdade cristã.

 

1.       Prefácio e Saudação – Gl 1.1-5

Paulo se apresenta como apóstolo, isto é, alguém que foi enviado com uma missão (At 9.1-18; 1Co 9.1). No contexto judaico, o apóstolo era alguém escolhido, chamado, enviado e autorizado a ensinar em nome de Jesus (Lc 6.13; Mc 3.14). Foi um termo especial restrito aos doze apóstolos e a Paulo (2Co 1.1; Ef 1.1; Cl 1.1; 1 Tm 1.1). Portanto, não há sucessão apostólica, mas, a continuação do ensino apostólico. Os oponentes de Paulo diziam que o ofício ou a comissão apostólica de Paulo não procedia de Deus, mas, dos homens. Por isso Paulo enfatiza duplamente que não foi ele que se fez apóstolo, e nem foi alguma autoridade eclesiástica que o nomeou.

O seu apostolado veio de Deus.

Paulo foi o plantador das igrejas da Galácia (At 13-14). E aos irmãos daquelas igrejas, região sul da Galácia (Antioquia, Icônio, Listra e Derbe), ele destina a sua carta. A epístola aos Gálatas certamente foi uma carta circular, que devia ser lida em cada igreja e passada adiante para outra igreja.

A saudação de Paulo nesta carta foge ao padrão das outras que escreveu. Primeiro, ele faz a saudação costumeira: Graça a vós outros e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor Jesus Cristo (Gl 1.3). Segundo, com o objetivo de reafirmar o Evangelho de Jesus Cristo, ele acrescenta: O qual se entregou a si mesmo pelos  nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo per-verso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai (Gl 1.4). Três ensinos importantes: (1) Cristo morreu pelos nossos pecados – a natureza do evangelho. (2) Cristo morreu para nos libertar deste mundo – o objetivo do evangelho.

Cristo morreu de acordo com a vontade de Deus – a origem do evangelho.

Paulo encerra a sua saudação apresentando a motivação da sua vida e do seu ministério: a glória de Deus. A quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém (Gl. 1.5). Os falsos mestres não ministravam para a glória de Deus, mas por interesses pessoais, interesses financeiros e a serviço do mal.]

 

2.       O Outro Evangelho – Gl 1.6-9

O motivo que levou Paulo a escrever a carta aos Gálatas foi combater o ensino dos falsos mestres. Quem eram estes falsos mestres? Os judaizantes, cujo “evangelho”, oferecia a salvação por meio da fé em Jesus, mais o acréscimo da lei – a circuncisão e a obediência à lei de Moisés: Alguns indivíduos que desceram da Judeia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés não sereis salvos (At 15.1).

Paulo expressa a sua aflição com a atitude dos gálatas. Primeiro, Paulo está admirado ou surpreso com a inconstância dos gálatas que estavam abandonando o evangelho da graça de Cristo e abraçando um outro evangelho.

Segundo, Paulo declara que não existe outro evangelho. Nos versos 6,7 temos duas expressões-chave: (1) Outro evangelho (no grego: eteron euagelion). Na língua grega, há dois vocábulos que traduzem a palavra outro: Eteros que significa outro de espécie diferente e allos que significa outro da mesma espécie. Assim sendo, Paulo entendia que este outro evangelho de natureza diferente, nem era outro evangelho, porquanto só existe um evangelho verdadeiro. Não existe outro evangelho legítimo ou um segundo evangelho. (2) Perverter, no original grego é metastrepho, q ue significa transferir; modificar; subverter mudar o caráter essencial de alguma coisa. Este termo é usado apenas três vezes no Novo Testamento (At 2.20; Gl 1.7; Tg 4.9), com o sentido de provocar uma reviravolta ou inverter algo. Os judaizantes haviam invertido, virado os ensinamentos do Evangelho pregado por Paulo, em direção contrária. Eles queriam que os irmãos abandonassem a graça e voltassem a praticar a lei.

Terceiro, Paulo pronuncia a severa condenação para os falsos mestres: anátema, isto é, consagrado ou desti- nado por Deus para a destruição(G11.8,9; At 23.14). Ainda que um anjo do céu ou o mesmo Paulo, pregue um outro evangelho que não seja o evangelho da graça de Deus, é amaldiçoado (2Jo 10,11). Por que Paulo ficou tão indig- nado? John Stott responde com dois motivos: primeiro, é que a glória de Cristo estava em jogo, pois, se as obras humanas são necessárias à salvação, a obra de Cristo foi insuficiente (Gl 2.21); segundo, é que o bem-estar das almas das pessoas estava em jogo (Mc 9.42).

 

3.       O Evangelho Verdadeiro – Gl 1.10-21

Neste trecho Paulo fala da origem do evangelho que ele pregava: O Evangelho que pregava não era para agradar às pessoas (Gl 1.10). Pelo fato de fazer tudo com o propósito de ganhar pessoas para Cristo (1Co 9.22), Paulo era acusado pelos seus opositores de pregar o evangelho por interesses pessoais, ou de buscar o favor humano. Eles diziam que Paulo queria agradar e ser querido por todos. Paulo nega isso, de forma enfática, dizendo ser impossível servir a dois senhores (Mt 6.24) e ser ele um servo de Cristo. O servo (doulos) não tem vontade própria e a sua razão de viver é agradar ao seu Senhor (At 20.19; Rm 1.1).

O Evangelho que pregava veio diretamente de Deus (Gl 1.11,12). Paulo revela a origem da sua mensagem. O evangelho não é uma invenção do homem e não lhe fora dado por meio de homens. Paulo conheceu o evangelho por meio da revelação divina (Ef 3.1-8). Mais adiante ele diz que o evangelho que pregava não era uma tradição de homens, contudo, não estava em desacordo com o evangelho pregado pelos apóstolos que estavam em Jerusalém (Gl 1.17 e 2.7-10).

O Evangelho que pregava foi o mesmo que o transformou (Gl 1.13-24). O evangelho que Paulo pregava foi o mesmo que havia transformado a sua vida. Ele havia experimentado pessoalmente o poder de Deus. E isso estabelece um princípio espiritual: só deve pregar o evangelho quem for transformado pelo evangelho.

Paulo apresenta sete aspectos da sua conversão:

1) Deus transformou a sua vida (Gl 1.13,14). Paulo era um crente fiel do judaísmo, perseguidor e devastador da igreja de Cristo. Mas, Deus transformou a sua vida (At 9.1-19). De perseguidor do evangelho, Paulo passou a ser perseguido por causa do evangelho.

2) Deus o transformou porque o escolheu e o separou antes de nascer (Gl 1.15a). A doutrina da eleição é a base da salvação de todo crente (At 13.48; Ef 1.3-14). A eleição era a motivação que Paulo tinha para suportar os sofrimentos por causa do Evangelho (2Tm 2.10).

3) Deus o transformou quando o chamou eficazmente, pela graça (Gl 1.15b). Todo aquele que Deus escolhe será chamado no tempo certo e de maneira eficaz e irresistível (Rm 8.29,30). Deus chamou a Paulo na estrada para Damasco (At 22.1-21).

4) Deus o transformou por meio da revelação de Jesus (Gl 1.16). A conversão é um ato da revelação divina (Mt 11.25-27). Ninguém tem acesso ao conhecimento das realidades espirituais de Deus, senão por meio da revelação espiritual (Mt 16.16,17 e1Co 2.12-16).

5) Deus lhe deu uma nova missão na vida: pregar aos gentios (Gl 1.16,17). Paulo foi transformado e encarregado de uma missão especial: pregar aos gentios (At 9.15,16 e 1Tm 1.12-17).

6) Deus lhe deu uma nova família (Gl 1.18-23). Observe que após a sua conversão, Paulo passou a integrar a família da fé. Ele deixou de fazer parte da sinagoga e do sinédrio, para pertencer à igreja de Deus, o corpo de Cristo.

 

7) Deus foi glorificado através da sua vida (Gl 1.24). Paulo, por onde passava (Arábia, Damasco, Jerusalém, Síria e Cilícia) pregando o evangelho, Deus era glorificado por causa da transformação que realizou em sua vida. Quando alguém é convertido ao evangelho, Deus é glorificado.

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