Estudo bíblico para o culto de dutrina – Atos 5:17ss

Estudo bíblico no livro de Atos

Atos 5

17 Então o Grande Sacerdote e todos os seus companheiros, que eram do partido dos saduceus, ficaram com inveja dos apóstolos e resolveram fazer alguma coisa. 18 Prenderam os apóstolos e os puseram na cadeia.

Ameaça e proibição foram as armas usadas pelos líderes do Sinédrio judaico. O Sinédrio se opõe aos pregadores e à pregação. Ameaça os pregadores e proíbe a pregação. Os membros do Sinédrio estão constrangidos com a intrepidez de Pedro e João e impotentes diante do poder do nome de Jesus.

Nunca uma boa obra prosseguiu com esperança de sucesso sem encontrar oposição. Não há meio de as pessoas propensas a prejudicar se reconciliarem com quem têm a função de fazer o bem. Satanás, o destruidor do género humano, sempre foi e sempre será adversário de quem for o benfeitor do género humano. Teria sido estranho se os apóstolos tivessem prosseguido a ensinar e curar sem terem tido nenhum contratempo. Nestes versículos, temos a malignidade do inferno e a graça do céu lutando por eles, um para afastá-los desta boa obra, o outro para incentivá-los nela.

Os sacerdotes ficaram enfurecidos com os apóstolos e os meteram na prisão (w. 17,18). Observe:

1. Quem eram os inimigos e perseguidores dos apóstolos. O líder do grupo era o sumo sacerdote Anás ou Caifás, que viu sua riqueza, dignidade, poder e tirania, ou seja, tudo o que tinha, em risco e inevitavelmente perdido, se a doutrina espiritual e divina de Jesus se firmasse e prevalecesse entre o povo.

Os membros da seita dos saduceus foram os primeiros a se unir nesse empreendimento com o sumo sacerdote, pois cultivavam uma inimizade peculiar ao evangelho de Cristo, que confirmava e estabelecia a doutrina do mundo invisível, a ressurreição dos mortos e o estado futuro que eles negavam. Não é estranho que homens sem religião sejam fanáticos em se opor à religião pura e verdadeira.

2. Como os inimigos dos apóstolos foram afetados por eles, insatisfatoriamente afetados, e exasperados ao extremo. Quando ouviram e viram as multidões que se reuniam em torno dos apóstolos, e como estavam ganhando respeitabilidade, eles se levantaram encolerizados. Não tolerariam mais essa situação e estavam decididos a opor-se a isso. Estavam com inveja dos apóstolos por pregarem a doutrina de Jesus e curarem os doentes, e com inveja do povo por ouvir os apóstolos e levar os doentes a eles para serem curados. Ficaram indignados eles mesmos e com sua própria seita por permitir que este assunto fosse tão longe, não tendo acabado com isso já no início.

Assim os inimigos de Jesus e do evangelho se atormentam a si mesmos. O zelo mata o tolo (Jó. 5.2).

3. Como os inimigos dos apóstolos instauraram processo contra eles: Eles lançaram mão dos apóstolos(v. 18), talvez com as próprias mãos (a que extremo sua malignidade os fez se rebaixarem), ou, mais propriamente, as mãos dos seus funcionários, e os puseram na prisão pública, entre os piores malfeitores.

Com este procedimento, eles intentavam: (1) Restringir a ação dos apóstolos. Embora eles não tivessem conseguido incriminá-los de algo merecedor de morte ou de prisão, enquanto os mantivessem presos, a obra dos apóstolos ficaria paralisada, ponto que consideravam importante. Já no início da igreja os embaixadores de Cristo eram aprisionados. (2) Amedrontar os apóstolos para afastá-los da obra. A última vez que eles estiveram na presença do Sinédrio, seus integrantes só os ameaçaram (cap. 4.21). Agora, sabendo que isto não deu certo, eles os encarceraram para que ficassem com medo. (3) Degradar os apóstolos. Eles resolveram trancafiá-los na prisão públicapara que, sendo vilipendia­dos dessa maneira, o povo deixasse de ter respeito por eles como vinha fazendo. Satanás continua em seu intento de combater o evangelho, fazendo com que os pregadores e mestres desta doutrina se mostrem desprezíveis

 


19 Mas naquela noite um anjo do Senhor abriu os portões da cadeia, levou os apóstolos para fora e disse: 20 —Vão para o Templo e anunciem ao povo tudo a respeito desta nova vida. 21 Os apóstolos obedeceram e no dia seguinte, bem cedo, entraram no pátio do Templo e começaram a ensinar. Então o Grande Sacerdote e os seus companheiros chamaram os líderes do povo para uma reunião do Conselho Superior. Depois mandaram que alguns guardas do Templo fossem buscar os apóstolos na cadeia. 22 Porém, quando os guardas chegaram lá, não encontraram os apóstolos. Então voltaram para o lugar onde o Conselho estava reunido 23 “e disseram: —Nós fomos até lá e encontramos a cadeia bem fechada, e os guardas vigiando os portões; mas, quando os abrimos, não achamos ninguém lá dentro.”
24 Quando os chefes dos sacerdotes e o chefe da guarda do Templo ouviram isso, ficaram sem saber o que pensar sobre o que havia acontecido com os apóstolos. 25 Nesse momento chegou alguém, dizendo: —Escutem! Os homens que vocês prenderam estão lá no pátio do Templo ensinando o povo!
26 Então o chefe da guarda do Templo e os seus homens saíram e trouxeram os apóstolos. Mas não os maltrataram porque tinham medo de serem apedrejados pelo povo.

Deus enviou o seu anjo para libertar os apóstolos da prisão e renovar a comissão de pregar o evangelho. Os poderes das trevas lutam contra eles, mas o Pai das luzes luta por eles e envia um anjo de luz para defender a causa deles. O Senhor nunca abandonará suas testemunhas, seus defensores, mas sempre estará do lado deles e os sustentará.

Os apóstolos são soltos, legalmente soltos, da prisão: Mas, de noite, um anjo do Senhor(v. 19), a despeito de todas as fechaduras e grades atrás das quais eles estavam, abriu as portas da prisão e, apesar de toda a vigilância e determinação dos guardas, que estavam fora, diante das portas (veja v. 23), tirou os prisioneiros para fora, deu-lhes autoridade para sair sem crime e os conduziu passando por toda situação oposta. Esta soltura não é narrada com tantos pormenores como a de Pedro (cap. 12.7ss.). Mas o milagre foi exatamente o mesmo. Veja que não há prisão tão escura, tão forte que Deus não apenas faça uma visita aos seus filhos, mas, se lhe apraz, os tire de lá. Esta libertação dos apóstolos da prisão por um anjo se assemelha à ressurreição de Jesus e sua libertação da prisão da sepultura e ajuda a confirmar a pregação dos apóstolos a esse respeito

O mundo dos céticos é pequeno demais. Alguns interpretes têm procurado eliminar completamente o ministério angelical, neste versículo, sugerindo que o termo «…anjo…» foi aqui usado em sentido figurado, como algum agente impessoal dos propósitos de Deus, como um carcereiro simpatizante, a ajuda de algum amigo ou a ação de um terremoto, relâmpago, etc.

Porém, apesar do fato de que Deus verdadeiramente pode realizar os seus desígnios mediante esse intermédio, não há razão alguma para duvidarmos de um ministério angelical direto e pessoal, por parte de algum ser que não pertence à ordem humana.

O ministério angelical, como no caso da destruição total do exército de Senaqueribe (ver II Reis 19:25), ou como no caso da intervenção angelical que protegeu Daniel dos leões, também pode ser encarado como obras de seres superiores ao homem. (Ver Dan. 6:22). Em nada ajuda reduzir a extensão das realidades metafísicas à medida daquilo que pode ser visto e apalpado, porque apenas uma pequena parcela da realidade é evidente para os sentidos da percepção humana, um fato que todo cientista ou filósofo reconhece. Nem mesmo os nossos instrumentos científicos mais sensíveis têm podido expandir muito o alcance dessa percepção, e o fato inegável é que a maior parte da realidade jamais é detectada pelos seres humanos.

O trecho de Hb. 1:14 indica que há um ativo ministério angelical em favor dos crentes: porém, até mesmo nas igrejas evangélicas, esse aspecto da verdade tem sido reduzido a quase nada. Como se tudo não passasse de mera teoria, talvez pelo receio de colocar intermediários entre Deus e o homem, que não sejam o Senhor Jesus Cristo. No entanto, os anjos desempenham um papel muito importante tanto no Antigo como no Novo Testamentos, e não lhes devemos atribuir posição menor do que aquela que as escrituras lhes atribuem. Os anjos podem curar e realizar feitos notáveis, e podem ser utilizados por Deus para concederem aos homens dons espirituais úteis na igreja cristã.

Para Deus não existem meras chances. Este versículo indica-nos a convicção dos crentes primitivos, de que as coisas não sucedem por acaso, mas ao contrario, que o Senhor Deus é quem dirige as vidas dos crentes—o bem e o mal sobrevêm a todos, mas não sem qualquer propósito, desígnio e alvos benévolos.

Essa crença fundamentada nas Escrituras e na experiência cristã se centraliza em volta do conceito bíblico do teísmo, em contraste com o deísmo. O primeiro ensina que Deus não apenas criou todas as coisas, mas também continua interessado pela sua criação, dirigindo-a, entrando em contato com os homens, punindo-os e galardoando-os, porque todos lhe devem prestar contas.

Já o deísmo ensina que apesar de alguma grande força, pessoal ou impessoal, haver criado tudo logo em seguida abandonou sua criação, tendo-se afastado dela, não tendo mais interesse por ela e nem entrando em contato com os homens, aos quais não castiga e nem premia.

Qual teria sido o motivo dessa intervenção sobrenatural, em favor dos apóstolos encarcerados? Alguns estudiosos crêem que esse livramento sobrenatural foi inútil, porquanto já no dia seguinte os apóstolos foram aprisionados novamente (ver o vs. 26). Todavia, a utilidade dessa intervenção pode ser vista nos seguintes pontos:

1. Serviu de sinal sobre a inutilidade de lutar contra aqueles que Deus protege, autenticando ainda mais as suas reivindicações, por ter-se tratado de um evento sumamente extraordinário.

2. Tudo isso pode ter influenciado a presente decisão do concilio judaico, já bem mais moderada, dando à igreja mais tempo de desenvolver-se, do que os cristãos bem estavam necessitados, antes de sobrevirem perseguições ainda mais severas.

3. Foi vantajoso, como ato de misericórdia para os apóstolos, terem ficado livres daqueles vis atormentadores, ainda que o tempo fosse curto.

4. Finalmente, a fé e a confiança dos apóstolos, bem como dos cristãos em geral, foram fortalecidas ainda mais, porquanto compreenderam que Deus estava realmente com eles, e que ninguém poderia fazê-los parar.

Os apóstolos continuaram com a obra: E, ouvindo eles isto(v. 21), quando os apóstolos ouviram que a vontade de Deus era que continuassem pregando no templo, eles voltaram ao alpendre de Salomão (v. 12).

Foi com grande satisfação que os apóstolos receberam as novas ordens. Talvez começassem a se questionar, caso ganhassem a liberdade, se deviam voltar a pregar publicamente no templo como vinham fazendo.

Afinal, Jesus lhes ordenara: Quando, pois, vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra(Mt 10.23). Mas agora que o anjo os ordenou a irem pregar no templo, o caminho estava livre. Aventuraram-se sem dificuldade, entraram no templo e não temeram a face do homem.

Veja que se não estivermos satisfeitos com nosso dever, nossa obrigação é nos manter firmes e, com alegria, entregar nossa segurança a Deus.

Os apóstolos se puseram a obedecer às ordens imediatamente, sem discussão ou demora. Eles entraram de manhã cedo no templo (assim que as portas foram abertas e as pessoas começaram a chegar), e ensinavam (v. 21) ao povo o Evangelho do Reino.

Não temiam nenhum pouco o que os homens pudessem fazer com eles. Esta circunstância era inusitada: o tesouro do evangelho estava inteiramente nas mãos dos apóstolos. Se neste momento eles se calassem, a fonte se fecharia, e toda a obra feita até agora seria em vão e cessaria. Não é esse o caso dos ministros comuns, os quais, por este exemplo, não estão obrigados a se lançar na boca do perigo. Mas quando Deus dá a oportunidade de fazermos o bem, embora estejamos sob a restrição e terror de poderes humanos, devemos nos aventurar e não deixar escapar tal oportunidade.

 

 

27 Depois puseram os apóstolos em frente do Conselho. E o Grande Sacerdote disse: 28 —Nós ordenamos que vocês não ensinassem nada a respeito daquele homem. E o que foi que vocês fizeram? Espalharam esse ensinamento por toda a cidade de Jerusalém e ainda querem nos culpar pela morte dele!

O aprisionamento dos apóstolos pela segunda vez. Ficamos nos perguntando que se Deus designara que os apóstolos comparecessem diante deste tribunal, “por que eles foram soltos a primeira vez em que foram presos?”

O propósito era humilhar o orgulho e deter a fúria dos perseguidores. Agora Deus mostraria que seriam soltos, não porque temessem o julgamento, mas porque estavam prontos a se entregar e comparecer diante do maior dos seus inimigos.

O capitão com os servidores (v. 26) levaram os apóstolos sem violência, com todo o respeito e gentileza. Eles não os arrancaram do púlpito, nem os amarraram, nem os arrastaram à força, mas os abordaram com consideração. Pensaríamos que eles tinham razão em agir assim, em reverência ao templo, o santo lugar, e por medo dos apóstolos, para que não os ferissem, como fizeram com Ananias, ou mandassem fogo do céu sobre eles, como fez Elias. Mas não foi nada disso que lhes reteve a violência. Foi o medo que tinham do povo, que reverenciava em extremo os apóstolos e que teria apedrejado o capitão com os servidores caso tivessem sido violentos com eles.

O capitão com os servidores levaram os apóstolos àqueles que sabiam poder usar de violência para com eles e que estavam de fato decididos a tomar medidas violentas: E, trazendo-os, os apresentaram ao conselho(v. 27), como delinquentes. Assim o poder que deveria ter sido um terror para as más obras e os maus obreiros se tornou um terror para o bem.

Durante as investigações antigas, os juízes costumavam sentar-se (ver Atos 6:15 e 23:3) enquanto os acusados, as testemunhas e os que falavam, se mantinham de pé (ver Marc. 14:57,60; Atos 4.7; 5:27,34; 6:13 e 23:8).

Cumpriu-se a predição do Senhor Jesus, em Mat. 10:17, de que os seus seguidores seriam apresentados aos concílios dos homens. Os apóstolos foram postos no meio, e os juízes, conforme também era costumeiro, evidentemente se assentaram formando um semicírculo. (Quanto a isso, ver também a passagem de Atos 4:7).

 


29 Então Pedro e os outros apóstolos responderam: —Nós devemos obedecer a Deus e não às pessoas. 30 Os senhores crucificaram Jesus, mas o Deus dos nossos antepassados o ressuscitou. 31 E Deus o colocou à sua direita como Líder e Salvador, para dar ao povo de Israel oportunidade de se arrepender e receber o perdão dos seus pecados. 32 Nós somos testemunhas de tudo isso—nós e o Espírito Santo, que Deus dá aos que lhe obedecem.

O conselho diante do qual os apóstolos se apresentaram dificilmente podia ser o Sinédrio regularmente constituído. Provavelmente, era uma corte sacerdotal de inquérito, com representantes dos fariseus convidados à assembléia como conselheiros.

O sumo sacerdote acusou os apóstolos de violação da ordem do conselho. Eles os haviam admoestado expressamente para não pregarem em nome de Jesus.

Ele ainda os acusou também de estarem incitando o povo contra o conselho, a fim de suscitar vingança contra eles pela morte de Jesus.

Na sua defesa, Pedro e os outros apóstolos disseram que importa antes obedecer a Deus que aos homens.

Quanto à segunda acusação, eles negaram qualquer desejo de obter vingança pela morte de Jesus. Pelo contrário, afirmaram que esse Jesus, de quem os saduceus haviam tentado fazer uma maldição aos olhos de Deus (Deut. 21:23), havia sido exaltado à destra de Deus. Ao invés de vingança, havia perdão para os que se arrependessem e cressem em Cristo.

O princípio apostólico ainda se aplica hoje. Precisamos obedecer a Deus antes que aos homens. Muitas autoridades lutam por nossa lealdade suprema. Acima de nossa lealdade aos pais, à família, a grupos sociais e a partidos políticos ou grupos religiosos está a nossa lealdade a Deus.

Toda sorte de pressões podem ser usadas contra nós, para nos levarem a nos conformar com as exigências das estruturas de poder que são contrárias às convicções cristãs. Não devemos condescender em relação às nossas convicções.

Significa isto que pode tomar-se necessário desobedecer à lei civil, a fim de obedecer a Deus? Esta é uma pergunta provocante e importante em nossa época.

Cada cristão precisa avaliar o custo, e fazer a sua própria decisão.

 

33 Quando os membros do Conselho ouviram isso, ficaram com tanta raiva, que resolveram matar os apóstolos.
34 Mas levantou-se um dos membros do Conselho, um fariseu chamado Gamaliel, que era um mestre da Lei respeitado por todos. Ele mandou que levassem os apóstolos para fora e os deixassem ali um pouco. 35 Então disse ao Conselho: —Homens de Israel, cuidado com o que vão fazer com estes homens. 36 Há pouco tempo apareceu um homem chamado Teudas, que se dizia muito importante e que com isso conseguiu reunir quatrocentos seguidores. Mas ele foi morto, todos os seus seguidores foram espalhados, e a revolta dele fracassou. 37 Depois disso apareceu Judas, o Galileu, na época do recenseamento. Este também conseguiu juntar muita gente, mas foi morto, e todos os seus seguidores foram espalhados. 38 Portanto, neste caso de agora, não façam nada contra estes homens. Deixem que vão embora porque, se este plano ou este trabalho vem de seres humanos, ele desaparecerá. 39 Mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-lo, pois neste caso estariam lutando contra Deus. E o Conselho aceitou a opinião de Gamaliel.

A defesa dos apóstolos enfureceu tanto os saduceus, ao ponto de eles quererem matá-los. Felizmente, um fariseu refreou a sua ação, com uma pitada de conselho sábio. Esta é a primeira vez que encontramos uma opinião dos fariseus em relação aos seguidores de Jesus.

O porta-voz dos fariseus foi Gamaliel. Em um dos relatos da conversão de Paulo, somos informados que esse rabi foi o mestre de Paulo em Jerusalém (At. 22:3). Gamaliel era descendente de Hillel (provavelmente neto), Hillel foi um dos últimos rabis pelos quais a tradição oral foi transmitida. Hillel era mais liberal, em sua interpretação da Lei, do que o seu mestre rival, Shammai.

Sabemos muito pouco a respeito de Gamaliel, mas presumimos que ele era da mesma tradição liberal de Hillel. Freqüentemente, os eruditos fazem, acerca de Gamaliel, declarações que encontram na Mishnah, mas estas, na verdade, se referem ao seu neto Gamaliel II.

Gamaliel fez o concílio lembrar-se que tinha havido outros movimentos messiânicos, que haviam cessado de existir porque não eram de Deus. Recordou o grupo de conspiradores liderados por Teudas, que não tivera sucesso.

Josefo conta-nos que Teudas liderara uma grande multidão, levando-a até o rio Jordão, prometendo que abriria as águas como Josué na antiguidade. Cuspius Fadus, procurador que sucedera Herodes Agripa I no ano 44 d.C., enviou alguns soldados, para perseguirem Teudas. Este foi decapitado, e os seus seguidores foram mortos. De acordo com Josefo, isto ocorreu algum tempo depois de 44 d.C., portanto, mais de oito anos depois do discurso de Gamaliel.

Tem sido proposto, por algumas pessoas, que nada há, na declaração de Gamaliel, que identifique plenamente Teudas com o personagem de Josefo. Houve muitos movimentos semelhantes no primeiro século d.C. É também concebível que houvesse mais de um Teudas.

Em relação à narrativa de Judas, não há problema. Judas de Gamala, na Galiléia, liderara um bando de inconfidentes, contra os romanos, em 6 d.C., quando Quirino, legado da Síria, tentara levantar um censo na Palestina. Judas era filho de Ezequias, revolucionário que foi suprimido por Herodes, o Grande. O movimento foi prontamente sufocado pelos romanos. Não obstante, a semente desse grupo cresceu, até tornar-se o partido zelote, que instigou a revolução contra Roma em 66-70 d.C.

Gamaliel advertiu os saduceus que, se Deus estava do lado dos seguidores de Jesus, nada podia ser feito. Se qualquer ação fosse iniciada contra Pedro e os apóstolos, e se o que eles anunciavam era de Deus, as autoridades estariam na posição de estarem lutando contra os propósitos de Deus. A sua sugestão foi uma política de esperar e ver. Tal posição era consentânea com o ensino dos fariseus, a respeito da providência de Deus.

Por conseguinte, Gamaliel expressou a fé de que a casa espiritual que Deus não edificou haverá de ruir sob o seu próprio peso, esboroando-se no pó; porém, que aquilo que Deus constrói nào pode ser derrubado por qualquer esforço humano, nem mesmo por exércitos, tal como as tropas romanas, que derrotaram Teudas e Judas, o galileu, e também certamente nem por qualquer tribunal religioso, como era o caso do sinédrio.

 


40 “Então chamaram os apóstolos e os chicotearam; e aí mandaram que nunca mais falassem nada a respeito de Jesus. Depois os soltaram.” 41 Os apóstolos saíram do Conselho muito alegres porque Deus havia achado que eles eram dignos de serem insultados por serem seguidores de Jesus. 42 E, todos os dias, no pátio do Templo e de casa em casa, eles continuavam a ensinar e a anunciar a boa notícia a respeito de Jesus, o Messias.

A opinião de Gamaliel prevaleceu no concílio, e os saduceus decidiram seguir o seu conselho. Os apóstolos não conseguiram sair tão facilmente, porque receberam açoites, das mãos dos oficiais, e mais uma recomendação para não ensinarem em nome de Jesus.

O açoitamento e a repreensão não amedrontaram os apóstolos. Eles se regozijaram pela honra de sofrer por Cristo, e continuaram a ensinar no Templo.

O conselho de Gamaliel é importante para os nossos dias. Freqüentemente, tentamos suprimir movimentos porque não concordam com o padrão de verdade que esposamos. Preferimos desarraigá-los, porque são uma ameaça para a nossa posição. Com medo e ódio, tomamos medidas extremas para obliterá-los.

Devemos esperar e ver o que acontece, antes de nos tornarmos violentos em nossa oposição. Em nossa pressa, muitas vezes descobrimos que o nosso antagonismo se exercera contra uma atividade de Deus na história.

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