ABRAÃO: A HISTÓRIA DE UMA MENTIRA QUE QUASE POS TUDO A PERDER

ABRAÃO:

A HISTÓRIA DE UMA MENTIRA QUE QUASE POS TUDO A PERDER

(Sermão pregado na Igreja Batista Nacional em Macau/RN – Por Pastor Josias Moura de Menezes).

 

“1 ¶ Partindo Abraão dali para a terra do Neguebe, habitou entre Cades e Sur e morou em Gerar. 2 Disse Abraão de Sara, sua mulher: Ela é minha irmã; assim, pois, Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscá-la.

3 ¶ Deus, porém, veio a Abimeleque em sonhos de noite e lhe disse: Vais ser punido de morte por causa da mulher que tomaste, porque ela tem marido. 4 Ora, Abimeleque ainda não a havia possuído; por isso, disse: Senhor matará até uma nação inocente? 5 Não foi ele mesmo que me disse: É minha irmã? E ela também me disse: Ele é meu irmão. Com sinceridade de coração e na minha inocência, foi que eu fiz isso. 6 Responderam-lhe Deus em sonho: Bem sei que com sinceridade de coração fizeste isso; daí o ter impedido eu de pecares contra mim e não te permiti que a tocasses. 7 Agora, pois, restitui a mulher a seu marido, pois ele é profeta e intercederá por ti, e viverás; se, porém, não lha restituíres, sabe que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu.

8 ¶ Levantou-se Abimeleque de madrugada, e chamou todos os seus servos, e lhes contou todas essas coisas; e os homens ficaram muito atemorizados. 9 Então, chamou Abimeleque a Abraão e lhe disse: Que é isso que nos fizeste? Em que pequei eu contra ti, para trazeres tamanho pecado sobre mim e sobre o meu reino? Tu me fizeste o que não se deve fazer. 10 Disse mais Abimeleque a Abraão: Que estavas pensando para fazeres tal coisa? 11 Respondeu Abraão: Eu dizia comigo mesmo: Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por causa de minha mulher. 12 Por outro lado, ela, de fato, é também minha irmã, filha de meu pai e não de minha mãe; e veio a ser minha mulher. 13 Quando Deus me fez andar errante da casa de meu pai, eu disse a ela: Este favor me farás: em todo lugar em que entrarmos, dirás a meu respeito: Ele é meu irmão.

14 ¶ Então, Abimeleque tomou ovelhas e bois, e servos e servas e os deu a Abraão; e lhe restituiu a Sara, sua mulher. 15 Disse Abimeleque: A minha terra está diante de ti; habita onde melhor te parecer. 16 E a Sara disse: Dei mil siclos de prata a teu irmão; será isto compensação por tudo quanto se deu contigo; e perante todos estás justificada. 17 E, orando Abraão, sarou Deus Abimeleque, sua mulher e suas servas, de sorte que elas pudessem ter filhos; 18 porque o SENHOR havia tornado estéreis todas as mulheres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão.” (Gênesis 20:1-18 RA)

  1. Introdução

Costumamos pensar em Abraão como um homem que estava sempre realizando grandes atos de fé, mas nos esquecemos de que sua vida diária era semelhante a de qualquer pessoa. Ele precisava tomar conta de uma família, tinha que gerenciar sua família, e ainda, administrar grandes rebanhos e cuidar dos negócios do acampamento.

Além disso, ele tinha que ter habilidade em se relacionar com importantes vizinhos como o rei Abimeleque, rei de Gerar.

Se você nunca tivesse ouvido falar de Abraão e lesse este capitulo pela primeira vez, a quem você consideraria temente a Deus? Certamente não seria Abraão, pois mentiu para Abimeleque. Neste capítulo, não foi Abraão que agiu com integridade.

Ao mentir para Abimeleque, Abraão demonstra seu egoísmo em não se preocupar com os prejuízos que poderia trazer para o rei e outras pessoas, incluindo os de sua própria prole. Se há alguém que nesta história revela ter excelente caráter é Abimeleque e não Abraão, o “amigo de Deus”.

No entanto, antes de tirar conclusões precipitadas, considere com calma os fatos revelados nesse acontecimento. Os erros de Abraão são trágicos, mas com eles aprendemos algumas lições de grande valor para nos ajudar em nossa caminhada de fé.

  1. As principais lições desta história:

    1. Os cristãos pecam, sim.

Abraão chega na terra de Gerar e mente para o rei Abimeleque, dizendo que Sara era sua irmã. Este capítulo seria vergonhoso para nós se não fosse por uma coisa: A Bíblia diz a verdade sobre todas as pessoas, e isso inclui o povo de Deus. Isso inclui a Abraão e a tantos outros homens usados por Deus. Quando afirmamos que a Bíblia diz a verdade sobre seus personagens isso quer dizer, que ela não omite suas fraquezas, falhas e pecados. A Bíblia não esconde que Noé embebedou-se e expôs-se de modo indecoroso em Genesis 9:20-23, ou que Moisés perdeu a calma em Números 20:1-13, ou ainda que David cometeu adultério e tramou a morte de um soldado valente em II Samuel 11, ou ainda que Jonas fugiu da presença de Deus escondendo-se num porão de um navio que ia para Társis, ou ainda que Pedro negou a Cristo por três vezes em Mateus 26:69-75, e que também Barnabé deixou-se levar por uma falsa doutrina em Gálatas 2:13.

Estes fatos negativos, da vida destes homens, não foram registrados para nos incentivar a pecar, mas sim para nos advertir acerca do pecado e das suas conseqüências ruins. Portanto, se estes grandes homens de fé desobedeceram ao Senhor, então nós, santos comuns, devemos ter cuidado. Ninguém esta imune ao pecado. Ninguém esta acima da possibilidade de pecar. É bom lembrar o que apostolo Paulo diz: “quem esta em pé veja que não caia” (I cor. 10:12). Portanto, não é aconselhável brincar com pecado. E o mesmo que brincar com fogo. E quem brinca com algo perigoso, pode se ferir.

Mas, porque Abraão pecou?

Apesar de ser justificado pela fé, a natureza pecaminosa de Abraão ainda estava lá. Apesar de Deus ter lhe dado um novo nome, mudando-o de Abrão para Abraão, isso não mudou a sua velha natureza. Ela ainda estava lá. E ao chegar a terra de Gerar, foi a velha natureza, a natureza do pecado, que foi mais forte que a do Espírito, e fez Abraão mentir e pecar contra Deus e o Rei Abimeleque.

Aqui precisamos lembrar aquilo que diz I João 1:8: “se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós”. Mesmo sabendo que somos salvos, que fomos transformados pela graça de Deus, e por causa dela, somos novas criaturas, sempre somos lembramos que dentro de nós ainda está presente a antiga natureza, e que só podemos vencê-la através do poder do Espírito Santo. Se esperamos vencer a tentação e o pecado, devemos andar no Espírito.

O segundo motivo para Abraão pecar foi o fato dEle ter mudado para um território inimigo. Abraão estava em um lugar onde não se sentia seguro. Ele achava que poderia ser morto a qualquer momento se os habitantes de Gerar soubessem que Sara era sua esposa. Abraão já tinha vivido em terras estranhas e aquele sentimento de insegurança e medo já lhe eram familiares. Então dominado pelo medo, Abraão deixa de viver pela fé.

O MEDO PODE PARALISAR A FÉ. Foi isso que o medo fez com Abraão. Paralisou a sua visão espiritual e fez com que Abraão passasse a viver de aparência. O medo de homens e a fé em Deus são duas coisas que não podem habitar juntos em um mesmo coração. Vejamos o que diz provérbios Provérbios 29:25: “Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no Senhor está seguro”.

Abraão precisava encontrar duas respostas importantes para duas perguntas que qualquer homem faz em um situação de perigo: O que é seguro? E, o que é certo? Abraão pensou: “é mais seguro mentir para Abimeleque, dizendo que Sara é minha irmã”. A filosofia de vida adotada por Abraão naquele momento foi: “Se o mais seguro é mentir, então vou sacrificar o que é certo fazer, que é dizer a verdade”. E por causa disso foi levado a queda e a desonra causada pelo pecado. Às vezes, nós agimos como Abraão em situações diferentes. Por exemplo, quando achamos que é mais seguro evitar uma pessoa, não confrontá-la em dizer o que realmente pensamos a seu respeito, e então sacrificamos o que é certo fazer: dizer a verdade. O MEDO, PODE PARALISAR A SUA FÉ, E FAZER COM QUE VOCE SACRIFIQUE A VERDADE, OU A ATITUDE CERTA A SER ADOTADA EM DETERMINADA CIRCUNSTÂNCIA.

O que eu acho mais grave nesta história é que Abraão sacrifica a verdade, pela segunda vez. Ela já havia cometido o mesmo erro antes no Egito (Gn.12:10-20). Alí também havia mentido para Faraó, dizendo que Sara era sua irmã. Não era a primeira vez que Abraão colocava sua preocupação com segurança pessoal acima da verdade.

Apesar de Abraão ter reconhecido seu pecado no Egito e ser perdoado por Deus, sua mentira novamente em Gerá demonstra que ele não tinha se arrependido inteiramente nem deixado para trás esse pecado. William James, pai da psicologia disse: “para aqueles que confessam, as dissimulações chegaram ao fim e começam as realidades”. O grande problema de alguns é, que confessam e reconhecem o seu pecado, porém retornam constantemente a prática do mesmo pecado. Uma confissão verdadeira, deve nos fazer ter horror pelo pecado praticado e nos levar a não praticá-lo mais. Pessoas que relembram com prazer seus pecados, em momento algum se arrependeram verdadeiramente nem viram quão pecadores são de fato. Jesus sempre dizia: “vai, e não peques mais”.

O pecado de Abraão foi mais grave porque agora Sara também mentia. Abraão e Sara haviam se convencido de que não estavam contando nenhuma mentira, mas apenas “meia verdade”. Mas “meia verdade” é também uma “meia mentira”. É meia mentira é pecado, meu irmão.

  1. Quando os cristãos pecam, eles sofrem as consequências

O grande pregador Charles Spurgeon disse certa vez: “Deus não permite que seus filhos pequem com sucesso”. Quando desobedecemos a Deus deliberadamente, sofremos as conseqüências de nossos pecados e enfrentamos a disciplina da mão de Deus, a menos que nos humilhemos e nos arrependamos. É bom que nos lembremos do que diz Hebreus 12:6.: “porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe.”

E bom saber que em sua gratidão Deus perdoará os nossos pecados, mas em sua soberania, deve permitir que muitos de nós experimentemos a triste conseqüência do pecado. É bom lembrar que antes de praticar qualquer pecado devemos pensar nas suas conseqüências, pois somos perdoados, porem enfrentamos as conseqüências dos nossos pecados. O próprio Rei David sentiu na pele as conseqüências de seus pecados e expressou no salmo 31:10; “…debilita-se a minha força, por causa da minha iniqüidade, e os meus ossos se consomem.”

Matthew Henry disse: “Uma língua mentirosa dura apenas um momento”. De fato, levou apenas alguns segundos para Abraão contar uma mentira, e muitos dias ou meses para recuperar sua credibilidade perante as pessoas de Gerar. Se todos nós pensássemos com mais cuidado nas conseqüências de nossos pecados, com certeza evitaríamos muitas atitudes pecaminosas.

Mas, é bom que observemos o que a mentira de Abraão lhe custou:

Primeiro. Custou-lhe seu caráter. Philips Brooks disse: “o propósito da vida é construir o caráter mediante a verdade..”. Abraão descobriu por meio de sua mentira que seu caráter tinha falhas graves que precisavam ser corrigidas. Talvez Abraão se sentisse mais especial ou privilegiado que outros por ter recebido de Deus uma promessa de ser pai de multidões. Mas, sua mentira demonstra que ele era apenas um homem comum, como qualquer um de nós. E que sua vida e especialmente seu caráter precisavam ser restaurados.

Segundo. A mentira de Abraão lhe custou seu testemunho. Como Abraão poderia falar aos seus vizinhos e ao próprio rei Abimeleque sobre as verdades de Deus quando o próprio Abraão vivia e contava uma mentira? Abraão fracassou em seu dever de testemunhar com sua vida para as pessoas daquele lugar. Temos aqui um homem bom, de grande reputação vendo seu testemunho cair em descrédito, vendo sua mentira ser desmascarada por um rei ímpio.

James Straham diz em seu livro: “o exemplo de um homem mau tem pouca influência sobre homens bons. Porém, o mau exemplo de um homem bom, de posição importante e de reputação impecável, tem um enorme poder de destruição sobre os homens bons. ILUSTRAÇÃO. Se um homem ímpio viesse a frente da Igreja e dissesse eu adulterei, esse mau exemplo, não afetaria certamente nenhum de nós, mas se o próprio líder de vocês dissesse isso, este mau exemplo prejudicaria certamente a vida espiritual de muitos de vocês. PORTANTO MEU IRMÃO, o mau exemplo de um crente poder arruinar espiritualmente outros, pode acabar completamente com as oportunidades que você tem para ganhar e conquistar sua família e seus amigos para Cristo. Indiscutivelmente, pecado tem conseqüência. Pense bem antes de pecar.

Fico imaginando aqui a humilhação de Abraão quando Abimeleque o chamou, confrontou e o repreendeu. Já é difícil ser repreendido por um irmão em Cristo, imagine ser repreendido por quem não é irmão em Cristo. Imagine o que é um crente ouvir de um ímpio: “olha você é crente, e não devia estar agindo assim.” As palavras de Abimeleque para Abraão foram: “tu me fizeste o que não se deve fazer…”. Essas palavras feriram profundamente a Abraão! Abraão precisou de grande de uma humildade e honestidade para aceitar a repreensão de uma pessoa não cristã. Nós cristãos devemos ter cuidado com a maneira como nos relacionamos com “os de fora”. Veja o que diz Colossenses 4:5: “Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as oportunidades”.

Terceiro. A mentira de Abraão custou seu ministério naquele lugar. Pois, em lugar de ser fonte de benção Abraão tornou-se motivo de maldição. Nenhuma criança nasceu durante o tempo que Abraão passou em Gerar (20:17,18). Só após orar Deus muda de idéia curando Abimeleque, sua esposa e as mulheres do palácio. O pecado Jonas causou uma tempestade ao seu redor. Nós somos chamados para ser uma fonte de benção e não de maldição meu irmão. Mas, não esqueça que nossos pecados podem prejudicar outros. Quase Abraão perdeu Sara. Naquele tempo um rei tinha o direito de tomar para seu Harém qualquer mulher solteira que lhe aprouvesse. Abimeleque pensou que Sara era uma mulher solteira. Por causa da mentira de Abraão quase pecou também contra Deus.

Quarto. Uma das piores conseqüências do pecado de Abraão é que mais tarde Isaque fez a mesma coisa anos depois. É triste quando nossos pecados afetam a vida de outras. É mais triste ainda, quando o pecado de um pai é imitado por um filho. A mentira de um pai pode motivar um filho a ser um mentiroso, a desonestidade de um pai pode incentivar um filho a ser desonesto. Nós pais e mães somos responsáveis por tudo que ensinamos a nossos filhos.

Nós somos pecadores, mas não temos nada a ganhar do pecado. Podemos subjugar o pecado ao domínio do Espírito e assim anular todas as suas conseqüências sobre nós. É bom lembrar aqui a palavra do apostolo Paulo em Romanos 8:2: “Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte.”

  1. Conclusão

Quando pecamos, temos para nós uma esperança, de que somos disciplinados, perdoados e restaurados por Deus.

Deus não defendeu o pecado de Abraão, mas Deus defendeu Abraão e controlou as circunstancias de modo que seu servo não fosse completamente abatido. Deus não defende os nossos pecados, mas podemos ter a certeza de que Ele nos defende e nos oferece por meio do arrependimento e perdão um novo recomeço.

Nenhum pai ou mãe que ama de verdade ao seu filho, aceita que este filho viva no erro. Um bom pai não deve ficar justificando os erros de seus filhos, e sim deve ajudá-lo a se corrigir. Isso é uma prova de amor.

Mesmo tendo errado ao mentir, Abraão ainda é chamado por Deus de profeta no verso 7. Deus não rejeita seus filhos quando pecam, assim como um pai ou uma mãe não rejeita um filho desobediente. Permanecemos como seus filhos amados. Nossos erros dão origem a uma ação de correção do Senhor em nossas vidas. Essa é a grande prova que somos amados por Deus.

Portanto, meu irmão ao pecador arrependido, Deus concede-lhe uma nova oportunidade de recomeçar mediante o perdão em Cristo Jesus.

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