EBD dia 06.09.2014 Tema: Um chamado para a restauração

Um chamado à restauração

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(Ml 3.6-12)

Malaquias introduz esse assunto tangendo três aspectos importantes.

Primeiro, ele fala de uma audiência conciliatória. No capítulo anterior, o povo colocou Deus no banco dos réus. Agora, Deus é quem está chamando o povo para um tempo de restauração. A reconciliação é obra de Deus, tudo começa com Ele.

Segundo, ele fala acerca dos termos da conciliação. O Deus da aliança chama Seu povo amado, porém, muitas vezes rebelde, para uma volta que toca o coração e o bolso. Uma volta espiritual e também uma volta que abrange o aspecto financeiro. Quem tem o coração convertido, tem o bolso aberto. O bolso reflete o coração.

Terceiro, ele fala sobre a necessidade da conciliação. Se o povo voltar-se para Deus, Ele se voltará para o povo. Se o povo for fiel na devolução dos dízimos, em vez de maldição, o povo terá as janelas dos céus abertas. A escolha é entre bênção e maldição.

 

A restauração está fundamentada no caráter imutável de Deus (3.6)

Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos (3.6).

Malaquias destaca três verdades importantes aqui, na consideração deste assunto.

Em primeiro lugar, Deus é imutável em Seu ser. Deus é o mesmo sempre. Ele não tem começo nem fim. É o mesmo ontem, hoje e o será para sempre. Nele não há variação nem sombra de mudança. Deus não tem picos de crise. Seu amor por nós não passa por baixas. Não podemos fazer nada para Deus nos amar mais nem deixar de fazer coisa alguma para Deus nos amar menos. Seu amor por nós é eterno, contínuo e incondicional. A causa do amor de Deus por nós está Nele mesmo.

Em segundo lugar, Deus é imutável em relação à Sua aliança conosco. Deus é leal ao compromisso que assume. Como filhos de Jacó, trazemos suas marcas, somos inconstantes. Contudo, ainda que sejamos infiéis, Deus não nega a si mesmo. Mesmo quando somos infiéis, Deus permanece fiel (2Tm 2.13). Ele prometeu ser o nosso Deus para sempre. Ele prometeu nunca nos abandonar. Ele nos disciplina e nos corrige, mas jamais nos destrói.

Em terceiro lugar, a imutabilidade de Deus é a nossa segurança. A imutabilidade divina é a causa de não sermos destruídos. Se Deus nos tratasse segundo os nossos pecados, estaríamos arruinados. A nossa inconstância não abala a imutabilidade de Deus enquanto que Seu amor perseverante é que nos dá garantia da salvação. A segurança da salvação não está estribada em nós, mas em Deus; não se apóia no frágil bordão da nossa instabilidade, mas no rochedo firme da imutabilidade divina.

 

A restauração está disponível mediante um convite gracioso de Deus (3.7)

Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: Em que havemos de tornar? (3.7).

O profeta Malaquias destaca quatro verdades funda-mentais nesse convite gracioso de Deus:

Em primeiro lugar, a paciência perseverante do restaurador. “Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos meus estatutos e não os guardastes” (3.7). A geração de Malaquias estava no mesmo curso de desvio e desobediência dos seus pais. Apesar desse doloroso fato, Deus não desiste do Seu povo nem desiste do direito que tem de atraí-lo para Si, de chamá-lo ao arrependimento e de atraí-lo com cordas de amor. Deus o chama à restauração apesar de tantos anos de apostasia e rebeldia.

Em segundo lugar, o profundo anseio do restaurador. “Tornai-vos para mim…” (3.7). Deus não quer apenas uma volta a determinados ritos sagrados, a uma religiosidade formal. Ele quer comunhão, relacionamento, por isso, diz: “tornai-vos para mim”. O cristianismo é mais do que um credo. É comunhão com uma pessoa, a pessoa bendita do Deus eterno. É um relacionamento vivo com o Deus vivo. A palavra “tornar” significa arrepender-se, mudar de rumo e seguir na direção oposta.91

Em terceiro lugar, a dinâmica relacional do restaurador. “E eu me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos” (3.7). Se nós quisermos que Deus se volte para nós, devemos nos voltar para Ele, porque fomos nós que mudamos e não Deus; Ele é imutavelmente o mesmo (3.7).92 Quando nos voltamos para Deus, o Deus da aliança, encontramos sempre os Seus braços abertos, o beijo do perdão e a festa da reconciliação. Quando o povo de Deus se volta para Ele em penitência, Deus se torna para ele em bênçãos e prosperidade.93

Deus procura adoradores e não adoração. Deus quer a nós, mais do que o nosso culto, o nosso serviço. Antes de Deus requerer o dízimo, Ele requer o coração. Antes de Deus ordenar trazer os dízimos, Deus ordena trazer a vida. Os fariseus do tempo de Jesus eram extremamente zelosos na devolução dos dízimos. Eles davam até mesmo o dízimo das hortaliças. Todavia, Jesus os denunciou como hipócritas, porque davam o dízimo do endro, da hortelã e do cominho, mas negligenciavam os preceitos principais da lei: a justiça, a misericórdia e a fé (Mt 23.23). Os fariseus transformaram a religião num conjunto interminável de rituais e deixaram de ter um relacionamento vivo e íntimo com Deus. Os fariseus superestimaram o dízimo, pensando que ao devolverem-no com fidelidade podiam negligenciar o aspecto relacional da fé. Contudo, o princípio bíblico é que o coração precisa vir primeiro para Deus, depois o bolso virá naturalmente. Jesus expressou isso claramente ao dizer que onde está o nosso tesouro, aí também estará o nosso coração (Mt 6.21). Se você ama a Deus, você não terá nenhuma dificuldade de ser um dizimista fiel.

Em quarto lugar, a insensibilidade espiritual dos que são chamados à restauração. “Mas vós dizeis: em que havemos de tornar?” (3.7). Pior do que o pecado é a insensibilidade a ele. Pior do que a transgressão é a falta de consciência dela. A cauterização e o anestesiamento da consciência são estágios mais avançados da decadência espiritual.

Contiuaremos este tema na proxima semana.

 

 

 

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