O MUNDO ANTIGO DO NOVO TESTAMENTO

A Bíblia nos proporciona informação confiável sobre povos, lugares e acontecimentos que outros livros antigos não mencionam. Ela fala até de reinos que desapareceram da face da terra. Em realidade, ela penetra uma época que muitos eruditos chamam de "pré-história". Um simples exemplo sugerirá a grande extensão de tempo que a Bíblia cobre.

Digamos que um dia representa uma geração (cerca de 25 anos). Nessa base, a Segunda Guerra Mundial terminou anteontem, a Guerra Civil norte-americana foi travada faz apenas quatro dias, e os Estados Unidos declararam sua independência na semana passada! Nessa mesma base, Jesus nasceu em Belém há questão de três meses, e Moisés conduziu os israelitas para fora do Egito apenas dois meses antes disso. Os mais antigos livros do Oriente Próximo foram escritos há, mais ou menos, sete meses.

Tomando por base este calendário que só existe na imaginação, a história humana teria começado há uns dez meses, mais ou menos. E a Bíblia cobre todo esse período! Ela começa com Deus criando o mundo; conduz-nos através de muitos séculos de história antiga e clássica, e aponta-nos o fim dos tempos.

Este jogo de imaginação leva-nos a perceber nossa tendência de preocupar-nos excessivamente com os fatos correntes. A tecnologia moderna cegou-nos para as profundezas do passado. Mas as culturas antigas tiveram um senso altamente desenvolvido com respeito ao passado; elas respeitaram as muitas gerações que as precederam. Os sumérios, os egípcios e os babilônios freqüentemente ponderavam sobre o significado da história, e procuravam saber para onde ela se dirigia. Gostavam de preservar os processos antigos. Estudavam as ínguas que já não eram faladas e praticavam ritos que já haviam perdido o significado. Tinham em alta estima cada estatueta e tijolo que seus antepassados fabricaram. Estimularam seus escribas a preservar palavras antigas que abrangiam quase todos os aspectos da vida.

Os escritores do Antigo Testamento viam a história como a fase na qual Deus estava revelando grandes propósitos em um drama mundial que agora se aproxima do clímax ("os últimos dias"). Assim, quiseram guardar um relato preciso do passado. Mas este senso de história perdeu-se com a queda de Roma e com a vinda da Idade Média. A sociedade Ocidental perdeu contato com sua herança. Com efeito, a arte e a literatura medievais tiveram de ilustrar as Escrituras com pessoas que usavam vestimentas medievais e moravam em castelos, porque ninguém sabia como realmente se vivia nos tempos bíblicos.

Os artefatos do Egito, da Mesopotâmia e da costa da Palestina só foram descobertos e interpretados no decorrer dos últimos 150 anos. E mesmo agora, o mundo antigo é para nós um quebra-cabeças.

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Vestuário antigo. Pinturas medievais mostravam os povos dos tempos bíblicos usando armaduras de aço, tecidos de lã, batas e outros trajes comuns da Idade Média. Mas relíquias oriundas do Oriente Próximo, como estas, provam que as pessoas se vestiam de modo muito diferente. Estas estátuas de alabastro de Tell Asmar mostram o tipo de roupa que os sumérios usavam cerca de 2600 a.C. Tanto homens como mulheres usavam uma peça de vestuário semelhante a uma saia.

Durante a maior parte do tempo que passamos acordados, consideramos tão só o que nos está acontecendo no presente. Estamos inteiramente absorvidos no "agora". É-nos excessivamente difícil colocar-nos no lugar dos que viveram no passado distante, totalmente fora de contato com nosso próprio estilo de vida.

Temos a tendência de interpretar mal as passagens bíblicas por supormos que os acontecimentos e as idéias que aparecem na Bíblia narram-nos tudo quanto há para se conhecer acerca dos tempos bíblicos. Não é bem assim. Para obtermos uma perspectiva adequada dos acontecimentos bíblicos, precisamos instruir-nos mais acerca dos anos em que a Bíblia foi escrita.

PERÍODOS DA HISTÓRIA

Não podemos trazer de volta o passado, mas temos pistas suficientes que nos proporcionam uma ampla visão da vida naqueles tempos. Quando combinamos esses discernimentos com a narrativa bíblica, começamos a obter um quadro verdadeiramente crível daqueles eventos.

Muitos eruditos modernos dizem que a sociedade antiga era primitiva. Mas os seres humanos antigos não eram menos criativos ou inteligentes do que nós. Suas invenções (a escrita e a aritmética, por exemplo) lançaram os alicerces de todas as civilizações, passadas e presentes. Na verdade, a maior parte dos característicos da civilização — comércio, dinheiro, lei, guerra e que tais — estavam em evidência nos tempos antigos. Desconhecemos o nome dos inventores e dos gênios políticos que nos deram tais coisas. Conhecemos, porém, o esquema geral da história antiga, e ele nos ajuda a entender o que aconteceu nessa época.

A. A Revolução Neolítica. Antes do período neolítico ou "Nova Era da Pedra", que parece ter durado até ao quarto milênio antes de Cristo, a maioria dos povos da Europa e do Oriente Médio viviam em pequenos bandos migratórios. Eram, provavelmente, grupos de famílias que caçavam veado selvagem ou seguiam manadas semi-selvagens que lhes serviam de alimento. Não estabeleciam pontos permanentes de colonização, mas com freqüência retornavam aos mesmos locais e usavam os antigos acampamentos de caça por muitos anos, até mesmo por gerações. Alguns deles continuaram com esta prática muito tempo depois de estabelecerem comunidades permanentes. Os patriarcas, por certo, o fizeram (Gênesis 5—9). Os povos neolíticos domesticaram animais selvagens e desenvolveram a agricultura, com seus métodos de irrigação e armazenamento. Com efeito, a Bíblia diz: "Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha" (Gênesis 9:20). Têm-se encontrado as mais antigas aldeias neolíticas nas montanhas do Norte do Iraque — a área geral onde se diz ter pousado a Arca. Relíquias neolíticas também têm sido encontradas em Jericó e noutras localidades bíblicas em Israel.

Assim, durante a Era Neolítica, os caçadores que viviam perambulando acomodaram-se para começar o cultivo da terra. Isto significava que diversas gerações viveriam juntas em um lugar. Seus prédios, muros, poços e outras estruturas passavam de uma geração a outra.

B. Os Estados Religiosos Arcaicos. Os estados religiosos arcaicos tiveram início como comunidades agrícolas que possuíam seus próprios rituais religiosos. Aos poucos, o culto local e seus oficiais iam assumindo o controle da aldeia. A comunidade inteira se consagrava ao deus do ritual, e logo esse culto ou ritual praticamente se asse-nhoreava da comunidade. Adoravam-se deuses e deusas agrícolas. Seus rituais seguiam o ciclo agrícola anual.

A medida que cresciam as pequeninas cidades-estados, cresciam também a riqueza e o poder de seus cultos. Cada templo ampliava seu controle, até que todos os cidadãos locais trabalhavam para o templo. Encontramos prova deste tipo de cidade-templo na Suméria (Sinear, na Bíblia), no Egito e no Elão.

Jericó. Uma das mais antigas provas de vida no mundo antigo vem da cidade de Jericó. Aqui os arqueólogos desenterraram uma casa do primitivo Período Neolítico, anterior a 4.000 a.C.

Os reis do antigo Oriente Próximo geralmente oficiavam como sacerdotes de seus cultos locais. À medida que o poder político do templo crescia, crescia também o poder do rei. Cidades da vizinhança que tinham cultos religiosos semelhantes começavam a reunir-se. Uniam suas crenças sob um governo comum. Esses agrupamentos de cidades construíram as grandes torres-templos da Mesopotâmia, as mais antigas pirâmides do Egito, e os maciços edifícios religiosos em outros lugares. Os capítulos 10 a 11 do Gênesis refletem esta tendência.

Os primitivos estados religiosos realizaram grandes coisas. Por exemplo, inventaram a escrita quando começaram a manter registros econômicos, e seus primeiros registros foram feitos, provavelmente, em cera ou barro. Não demorou muito, arquitetaram a aritmética para ajudá-los no cômputo de suas transações comerciais. Então começaram a registrar princípios de ética, lendas, histórias, leis, canções, poemas e fatos históricos. Assim, na época de Abraão, muitas das civilizações situadas em torno do Mediterrâneo haviam posto seus idiomas em forma escrita.

Quando um estado religioso arcaico declinava e outro o conquistava, a língua local e os hábitos de adoração misturavam-se. Por isso não podemos, hoje, dizer onde se originaram muitas das línguas e crenças antigas. Os povos do Oriente Próximo começaram a adorar muitos deuses do mesmo tipo (uma prática que denominamos politeísmo). Narravam lendas sobre famílias de deuses mais velhos e deuses mais jovens. Acrescentaram deuses e mais deuses às suas religiões até que formaram uma aglomeração desnorteante de divindades. Ao trocarem as cidades da Palestina antiga suprimentos com outras regiões do Oriente Próximo, também trocavam costumes religiosos. Deixaram provas dessas religiões pagãs mistas nas antigas cidades de Jericó, Hazor, Bete-Semes e outras. O Antigo Testamento descreve este confuso estado de coisas (Josué 24:2, 15).

C. O Estabelecimento de Impérios (cerca de 2700 a.C). Quando os estados religiosos arcaicos se tornaram ricos e seguros, e proveram mais alimento e proteção para seus povos, o resultado foi a explosão populacional. Os mais bem organizados espalharam-se para além de suas fronteiras tradicionais e abrangeram mais algumas cidades-estados das redondezas. Tornaram-se os primeiros impérios do mundo. O primeiro desses foi, provavelmente, o Egito, seguido depois por Elão, Hati (mais tarde Hatusás), e as cidades semíticas da Mesopotâmia (cf. Gênesis 14:1; Deuteronômio 7:1). Os mesopotâmios instalaram o primeiro ditador do mundo, Sargão de Agade (talvez o "Ninrode" de Gênesis 10). Os arqueólogos encontraram prova de outros reinos poderosos no médio Eufrates e ao longo da costa da Síria e de Israel. Um desses — Ebla, ao norte da Síria — ainda está sob investigação, e é possível que os eruditos necessitem de uma geração para traduzir os registros que estão desenterrando.

Durante esse tempo, fortes nações de navegadores apareceram nas ilhas do Leste do Mediterrâneo e do mar Egeu. Dois grupos que deveríamos lembrar são os minoanos e os acadianos, porque eles comerciaram com os povos da Palestina e com eles cambiaram idéias religiosas.

Foi essa a época de Abraão e seus descendentes, que eram nômades semitas, pois nesse tempo os povos semitas do Oriente Próximo assumiram o comando das culturas não-semíticas mais antigas — tais como os impérios dos sumerianos, dos humanos e dos hititas. O povo de Abraão era rico e sofisticado. Erigiram grandes templos, comerciaram com nações pagãs, e criaram extensas leis e corpos de literatura. A arte e a arquitetura dos sumérios, dos minoanos, dos acadianos e dos egípcios floresceram como nunca dantes. Alguns dos grandes tesouros artísticos de todos os tempos chegaram até nós procedentes dessa época.

D. A Era de Amarna (1500 a.C). Com o declínio dos grandes impérios, as nações do Oriente Médio alcançaram um novo equilíbrio de poder. Os estados menores do Leste do Mediterrâneo e do vale do Tigre-Eufrates escaparam das garras dos impérios estrangeiros. Por algum tempo eles puderam desenvolver-se e comerciar entre si mesmos e com seus vizinhos mais poderosos.

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Deusa da Fertilidade. Esta estatueta de uma deusa pagã veio da cidade de Mari, no rio Eufrates, perto de Harã (onde Abraão fez uma parada a caminho de Canaã). Esta figura foi feita por volta de 2500 a.C, cerca de 400 anos antes de Abraão. Pensam os eruditos que a deusa era de uma categoria inferior.

A era recebe seu nome da capital do misterioso faraó Akhenaton. Seus oficiais escreveram muitas cartas aos políticos de importância secundária da Síria-Palestina e aos neo-hititas ao norte, cartas que ainda temos. Os palestinos e os hititas, que supostamente faziam parte do império egípcio, na realidade louvavam o Egito da boca para fora e cuidavam de seus próprios interesses.

O Êxodo e a conquista de Canaã ocorreram nessa época, que foi também a época de Moisés e Josué e da compilação do Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia. A riqueza e o esplendor da Era de Amama têm fascinado os estudiosos de todo o mundo. Podemos ter uma idéia dessa grandeza considerando os tesouros do túmulo do rei Tutancamen. Tutancamen era apenas um rei menino, títere de seus conselheiros. Assim, a grande pilha de objetos preciosos sepultados com ele foi, sem dúvida, tão só uma amostra das riquezas dos grandes faraós dessa época.

De todos os estados do Oriente Próximo pertencentes ao período, devemos prestar especial atenção a Ugarite, na costa do Líbano. Ugarite era o centro da língua e religião cananéias, e as tábulas de argila que os arqueólogos têm encontrado ali jorram muita luz sobre o mundo dos cananeus antes da chegada dos israelitas.

Durante o período de Amarna, os povos do Oriente Próximo comerciavam com a maior parte do mundo conhecido — desde o norte da Europa até às fronteiras da China. A principal potência era Babilônia, que se tornou tão forte ao ponto de controlar o Oriente Próximo no período seguinte da história. A Era de Amarna terminou no período em que Israel estava sob o governo dos juizes. Segundo o Livro dos Juizes, o Oriente Próximo sofreu muita luta política no fim desse período, à medida que os novos impérios faziam suas manobras para controlar a área.

E. Os Estados Multinacionais (desde 1200 a.C). Em sua maioria, os reinos da Era de Amarna eram pequenos, por isso marcamos o fim dessa era no tempo em que surgiram reinos mais amplos. Cada reino de Amarna havia-se limitado ao povo de uma raça, língua ou religião, mas os novos reinos controlavam muitos grupos diferentes. Entre esses novos reinos estavam a Assíria, a Pérsia e as primitivas cidades gregas situadas na região costeira da Turquia.

Essa nova era, para Israel, começou com o reinado de Saul e seguiu-se com o de Davi e o dos seus descendentes. Os livros históricos e proféticos do Antigo Testamento foram escritos nessa época. Os historiadores, amiúde, denominam essa época de Primeira Comunidade de Israel. O rei Davi foi contemporâneo de Homero, o lendário poeta cego de origem grega, que escreveu a Ilíada e a Odisséia, provavelmente no décimo século antes de Cristo.

O rei Salomão, filho de Davi, comerciou com os egípcios, ao sul, e com os hititas, ao norte. Ele elevou Israel ao auge de seu esplendor e poder. No governo de seu filho Roboão, as duas tribos sulinas separaram-se das dez tribos do Norte de Israel. As tribos do Sul congregaram-se em torno de Roboão e foram chamadas nação de Judá, enquanto as do Norte seguiram a Jeroboão, rival de Roboão, e foram denominadas nação de Israel. A Assíria conquistou Israel no ano 722 a.C, e mais tarde, em 586 a.C, o rei Nabucodonosor II da Babilônia destruiu Jerusalém e levou para o cativeiro mais um grupo de judeus.

No século seguinte, a Pérsia veio a ser a principal potência do interior da Ásia. O Império Persa cresceu ao ponto de dominar o Egito, a Babilônia e toda a Síria-Palestina.

F. A Era da Supremacia Grega (450-325 a.C). Por esse tempo, o povo da península grega havia edificado um sistema muito bem-sucedido de cidades-estados e colônias comerciais. Despachavam mercadorias das praias do mar Negro para as costas da Europa e da África e construíam cidades e portos em todas as praias do Mediterrâneo. Contudo, nunca conseguiram unir-se em torno de uma cidade ou de um líder. Quando o período dos estados multinacionais se aproximava do fim, os persas tentaram invadir a Grécia, mas foram repelidos por Atenas e seus aliados. Atenas tornou-se uma grande potência no meio século que se seguiu.

Durante essa nova época, os judeus voltaram à Palestina e reconstruíram sua nação a partir das ruínas. Israel ainda fazia parte do Império Persa, mas os novos reis persas concederam autonomia aos judeus. A este segundo período de autogoverno de Israel os historiadores denominam Segunda Comunidade. Enquanto os persas perdiam força em suas guerras com a Grécia, Israel expandiu-se e retomou alguns de seus antigos territórios.

Então se levantou uma nova potência para unir os estados gregos. O novo conquistador era a Macedônia, sob a liderança do rei Filipe (seu túmulo foi recentemente descoberto na região Norte da Grécia). Filipe deixou o império para seu filho Alexandre. O jovem havia sido instruído na academia de Atenas pelo famoso filósofo Aristóteles. Ele amava a civilização e a cultura gregas, e se pôs a caminho para trazer o mundo todo sob a influência dos costumes gregos. Em linguagem técnica, Alexandre desejava "helenizar" o mundo. Para tanto, Alexandre sabia que devia quebrar o poder da Pérsia, de sorte que esta nunca mais ameaçasse a Grécia. Ele reuniu o melhor exército do mundo e marchou através da Ásia central até à índia. No decurso dos acontecimentos, ele destruiu os últimos estados arcaicos, paralelamente com suas línguas e seus ritos religiosos.

Alexandre e seus homens empregavam uma forma popular da língua grega, e transmitiram este dialeto aos povos que conquistavam. E o que chamamos coiné, ou grego comum. Nesta língua foi escrito o Novo Testamento, e Paulo e os demais missionários primitivos empregavam-na ao pregar o evangelho.

Alexandre Magno foi a figura preeminente do Período Intertestamentário (período situado entre a escritura do Antigo e do Novo Testamentos). Após a morte repentina de Alexandre em 323 a.C, seus generais dividiram entre si as terras conquistadas e estabeleceram reinos helenísticos, dando início a um período conhecido como Idade Helenística. Os reis desse período trataram os judeus com rudeza. Os judeus que se haviam espalhado pelo mundo (um grupo chamado Diáspora) tornaram-se uma mistura de raças è culturas sob os reinos helenísticos. Negligenciaram suas práticas religiosas tradicionais e adquiriram um estilo de vida secular, o qual devia marcar a última antiga potência, Roma.

G. A Era Romana (100 a.C. 450 d.C). Jesus Cristo nasceu quando o poder político de Roma estava no auge. Começando como uma pequena mas poderosa cidade-estado nas colinas do Centro da Itália, Roma construiu-se nos êxitos do helenismo. Os romanos reuniram grandes frotas de navios para estender seu poder sobre todo o continente europeu — desde a Espanha e Grã-Bretanha até à Arábia e Norte da África. As estradas, os edifícios, os muros e os canais romanos ainda pontilham a paisagem de cada país europeu desde o Atlântico até ao mar Vermelho. Os cristãos usaram este surpreendente sistema de estradas e rotas marítimas para levar o evangelho a todos os cantos e recantos do mundo então conhecido.

Com o tempo, o poder político do Império Romano começou a decair, e as tribos do Norte da Europa o conquistaram. Por esse tempo, contudo, a igreja cristã havia crescido com tanta rapidez que sobreviveu à queda do Império Romano. O Édito de Constantino (A.D. 313) havia dado à igreja um lugar especial na vida de Roma um século antes de o império desmoronar-se. A igreja romana, ao tornar-se a maior força unificadora da Idade Média, governou efetivamente os reinos da Europa durante mil anos.

INFORMAÇÃO SOBRE A VIDA COTIDIANA

Conhecemos o nome de muitos reis e conquistadores dos tempos antigos, mas o que fazia e pensava o público em geral? Em realidade não sabemos muita coisa acerca da vida cotidiana desses povos. Não obstante, a Bíblia nos ministra mais desse tipo de informação do que a maioria das outras fontes. Colhemos uma boa dose de detalhes de

1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, e dos livros proféticos do Antigo Testamento.

A melhor informação em seguida nos vem de fontes seculares largamente espaçadas no tempo e localização. Essas fontes narram-nos muitos fatos importantes para nosso estudo da Bíblia.

A. Textos Sumério-Babilônios. Os sumários estabeleceram-se no vale do Tigre-Eufrates após a era neolítica e fundaram aí vários estados, cada qual com sua religião. O capítulo 10 do Gênesis menciona alguns deles, tais como Kish [Quis] (erradamente apresentado como Cush [Cuxe] por muitos tradutores), Babel, Ereque e Acade. No capítulo 10 do Gênesis e noutras passagens, a Bíblia usa a palavra se-mítica Sinear para referir-se à Suméria. Essa cidade é a mais importante para nosso estudo deste período.

O povo da Suméria inventou um sistema de escrita fora do comum. Usavam um estilete de caniço para imprimir pequeninos caracteres cuneiformes sobre tábulas de barro, e depois coziam as tábulas num forno até ficarem duras como tijolos. Enterradas em terreno seco, essas tábulas duraram milhares de anos até aos nossos dias. Os sumários foram muito cuidadosos em guardar registros de decisões legais, contratos e transações comerciais. Desse modo, suas tábulas de argila dão-nos um quadro completo e exato de sua vida diária.

clip_image003Os babilônios e os assírios estudaram o movimento das estrelas e usaram o que aprenderam para elaborar um calendário muito preciso, mediante o qual podemos agora calcular o tempo de muitos aconte cimentos da história sumério-babilônia quase com a precisão de dia e hora!

O Rolo de Iaaías. Este é um dos mais bem preservados rolos de pergaminho das cavernas de Qumran, próximas ao mar Morto. Ele contém o livro inteiro de Isaías, copiado entre 100 a.C. e 100 d.C. O rolo tem mais de 7 metros de comprimento. Antes de este e de outros pergaminhos serem descobertos em 1947, os mais antigos manuscritos disponíveis do Antigo Testamento datavam de mais ou menos 900 d.C.

clip_image005Sargão. Esta máscara de bronze oriunda das ruínas de Nínive, pensa-se, representa o rei Sargão de Agade (Acade). Foi moldada por volta de 2500 a.C. Sargão fez de Agade e Nipur poderosas cidades-estados, que mais tarde se tornaram os núcleos do Império Babilônio.

As tábulas de argila até agora encontradas na Suméria foram escritas principalmente no período médio dos primitivos estados religiosos (cerca de 2000 a.C. a 1650 a.C), mas algumas datam de períodos posteriores, até por volta de 500 a.C. As tábulas dão-nos uma boa quantidade de informações acerca de como a língua hebraica mudou através dos séculos, e como se assemelhava a outras línguas semíticas. Algumas tábulas também nos mostram como os israelitas cruzaram o caminho dos babilônios em diferentes tempos na história.

B. Deir el-Bahari. Também obtemos um vislumbre da vida cotidiana dos tempos antigos nas ruínas de uma aldeia conhecida como Deir el-Bahari. Aqui viviam os operários que construíram os grandes túmulos do Vale dos Reis do Egito, onde os faraós da décima oitava dinastia possuíam túmulos primorosos esculpidos de um canyon de pedra (1580-1340 a.C). Os operários de Deir el-Bahari rabiscaram notas acerca de seus feitos diários sobre pedaços de cerâmica. Esses cocos de cerâmica eram um tipo barato e abundante de artigos de papelaria. E uma vez que eram realmente pedaços de argila cozida, sobreviveram quase tão bem quanto as tábulas de argila da Suméria.

O que nos dizem, pois, esses cacos de cerâmica? Em primeiro lugar, os artífices tinham muita auto-estima e independência. Trabalhavam um dia de oito horas e uma semana de dez dias segundo o calendário egípcio. Seus senhores lhes pagavam salários e lhes davam rações de alimento. Os cacos de cerâmica mostram que esses operários se preocupavam com o metal, a pedra e as ferramentas de que necessitavam para terminar o projeto, e se queixavam dos que não compareciam ao trabalho. Eram, pois, muito semelhantes aos construtores de nossos dias! Sabemos que trabalhadores como esses também cavavam minas de cobre no Sul do Sinai e construíam estradas na Palestina.

C. Cidades Helenísticas no Egito. No final do século dezenove, os arqueólogos começaram a cavar ao redor das ruínas de antigas cidades localizadas ao lado dos grandes lagos do Baixo Egito. Muitas pessoas viviam ali nos tempos helenísticos, por isso os arqueólogos esperavam encontrar algumas relíquias interessantes. Descobriram pilhas e mais pilhas de papiros (um tipo antigo de papel fabricado de junco). Nesses papiros encontraram registros dos muitos pormenores da vida cotidiana das cidades antigas. Os papiros abriram uma nova porta para a compreensão dos costumes dos tempos do Novo Testamento. Na realidade, fizeram reviver o mundo do governo romano imperial. Além disso, os papiros nos deram os mais primitivos manuscritos conhecidos de muitos autores gregos clássicos — dentre eles, Platão, Aristóteles, Homero, Píndaro e Menandro. Os mais importantes de todos os papiros foram alguns dos mais antigos fragmentos do Novo Testamento. Assim, dos montes de ruínas do Egito vieram alguns dos melhores registros da vida cotidiana do mundo antigo.

D. As Cavernas de Qumran. Em 1947 um pastor descobriu enormes potes de barro nas cavernas de Qumran, na praia noroeste do mar Morto. Dentro dos potes encontrou pergaminhos com escritura he braica muito antiga. Conforme se revelou, foram escritos entre os anos 100 a.C. e 100 d.C. Esses rolos foram alguns dos mais impor tantes materiais já encontrados na Palestina. Mesmo depois de 2000 anos, eles ainda estavam em bom estado de conservação. Continham o texto de muitos livros do Antigo Testamento, e assim confirmaram que os exemplares posteriores da Bíblia que os tradutores vinham usando eram exatos. Esta foi uma prova de grande peso a favor do ponto de vista conservador das Escrituras, o qual afirma que a Palavra de Deus tem passado de geração a geração com fidelidade. Nem todos os textos de Qumran foram publicados, e muitas das controvérsias a respeito deles ainda não foram solucionadas.

Os arqueólogos têm pesquisado de ponta a ponta a margem ocidental do rio Jordão e os altos penhascos ao longo do mar Morto, mas têm realizado pouco trabalho ao longo da margem oriental, a qual era tão povoada nos tempos antigos quanto a ocidental. E de esperar também que a praia norte do mar Morto produza mais surpresas para o estudo bíblico à medida que a pesquisa continua. Já os achados de Qumran têm-nos ajudado a entender os tempos do Novo Testamento e o controle romano da Palestina.

E.Pompéia e Herculano. Uma violenta erupção do vulcão Vesúvio destruiu duas pequenas cidades romanas ao longo da baía de Nápoles em agosto do ano 79 da era cristã. Os caçadores de tesouros e os cientistas têm escavado as ruínas dessas cidades — Pompéia e Her culano — por mais de 200 anos. Se o leitor visitá-las hoje, verá muitos alqueires exatamente como o eram há 1900 anos.

Eram cidades típicas, e gente rica e gente pobre vivia lado a lado. Os arqueólogos encontraram uma coleção deslumbrante de arte e escultura em ambas as cidades. Também desenterraram algumas obras hidráulicas de grande escala, edifícios bem planejados, e engenhosas ferramentas domésticas. Infelizmente, apenas uns poucos fragmentos de papiros chamuscados sobreviveram à erupção, e esses são cópias de ensaios filosóficos gregos. Desça, porém, as ruas de uma dessas ruínas escavadas sobre a bela baía de Nápoles, e você verá o tipo de mundo que Pedro e Paulo conheceram quando levavam a mensagem de Jesus por todo o Império Romano.

F.Ebla. Esta é uma cidade do Norte da Síria que os arqueólogos começaram a explorar em 1964. Aqui uma equipe italiana desenterrou milhares de tábulas de argila escritas durante o tempo dos estados religiosos primitivos, cerca de 1850 a.C. Até aqui, os italianos têm publicado apenas uns poucos detalhes extraídos desses textos. To davia, mesmo esta informação incompleta mostra que o povo de Ebla tinha um estilo de vida muito sofisticado. Conheciam as culturas e línguas sumerianas e acadianas, e comerciavam com outras cidades-estados abastadas por todo o Oriente Próximo.

Durante muitos anos, os eruditos têm-se perguntado como a literatura da Mesopotâmia chegou aos semitas ocidentais da Síria-Pales-tina. Agora parece que reinos como Ebla levaram as culturas orientais semitas e sumerianas ao restante do Oriente Próximo.

As tábulas de Ebla mencionam nomes e localidades que já conhecemos por via da história dos patriarcas e do Antigo Testamento, mas os arqueólogos estarão decifrando, traduzindo e publicando essas tábulas por muitos anos. Quando todo o material estiver disponível, ajudar-nos-á a entender o mundo antigo descrito nos primeiros capítulos do Gênesis.

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