Estudo EBD Geisel. Tema: Josafa, Poucos defeitos e muitos feitos.

Estudo EBD Geisel

JOSAFA:

POUCOS DEFEITOS E MUITOS FEITOS

II Crônicas 17

Muitos são os governos que se iniciam em torno de promessas e propostas boas, que criam expectativas na população, mas que aos poucos vão desabando em função de decisões mal tomadas, incompetência e até mesmo corrupção. Tais governos são, muitas vezes, destruídos pelos seus próprios defeitos.

A história recente do Brasil registra uma situação semelhante a esta, que culminou com o impedimento de um presidente eleito. Os defeitos do próprio governo o derrubaram.

Não são poucas as administrações, tanto a nível municipal, quanto estadual e federal, que têm apresentado muitos e graves defeitos.

Mas o estudo de hoje nos traz um governo que apresenta o contrário disso. E o governo de Josafá; marcado por poucos defeitos e muitos feitos.

 

AMBIENTE HISTÓRICO

Morto o rei Asa, o trono é assumido por seu filho Josafá, que reina 25 anos.

Sua mãe chamava-se Azuba (I Rs 22.42). Josafá reinou em Judá, em tempos que Acabe -aquele dos tempos do profeta Elias, reinava em Israel. Se, por um lado, o reinado de Acabe em Israel foi marcado pelas alianças com Jezabel, idolatria e distanciamento de Deus, o reinado de Josafá foi bem menos conturbado, pelos lados de Judá. Josafá seguiu os caminhos de seu pai, Asa. Tornou-se um bom governante, realizando feitos importantes, mas que também deixam transparecer seus defeitos, como associar-se a Acabe em uma guerra contra Ramote-Gileade (II Cr 19.1-3). Contudo, a situação em que ele herdou o trono, requeria uma reforma completa no país, que cambaleava trôpego entre seus muitos pecados. Josafá iniciou então uma reforma completa em seu reino, já no terceiro ano de governo, tentando resgatar os áureos tempos do povo de Deus. Do reinado de Josafá é possível extrair as seguintes lições que se aplicam ao povo de Deus hoje e que atestam os grandes feitos desse reino:

1. OUSADIA E CORAGEM

O texto evidencia que, para começar a tratar dos problemas que assolavam a nação, problemas crônicos, debilitadores, opressores, o rei Josafá precisaria muito mais do que um governo carismático, cativante ou populista. Precisaria de ousadia e coragem. Isto porque a classe que se beneficiava com aquela situação jamais aceitava pacificamente mudanças. Isto implicaria em perda de controle da situação e desinstalação de um sistema solidificado. E quando se mexe em coisas como estas, fatalmente as oposições, as difamações, as manifestações truculentas de discordância se evidenciam. E aí então, vem a necessidade da ousadia e da coragem que o texto declara: “Tornou-se-lhe ousado o coração em seguir os caminhos do Senhor” (17.6).

O apóstolo Paulo afirma que “Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, amor e moderação”(II Tm 1.7). A avaliação que Deus fez dos os soldados do exército de Gideão, tinha como primeira prova a coragem (Jz 7.2-3).

A Igreja cristã partiu para as ruas de Jerusalém no início do Cristianismo, com toda intrepidez e ousadia, que são próprias de uma comunidade cheia do Espírito Santo de Deus (At 4.5-31). Os reformadores do século XVI precisaram de coragem e ousadia para enfrentar a Igreja Romana, detentora do poder (inclusive secular), desafiando a própria morte e a condenação às fogueiras da Inquisição para trazer a lume o verdadeiro Evangelho de Cristo.

Como entender que hoje em dia a Igreja, ao invés de se levantar ousadamente contra as explorações, a mentira, os sistemas opressivos e distorsivos, se cala e muitas vezes é conivente com a situação? Como entender uma liderança evangélica que se omite nos conselhos e diretorias das próprias igrejas, sem coragem para promover reformas vitais?

2. RESGATE DA PALAVRA DE DEUS

Quando Josafá se inflamou pela realização de uma reforma em seu reino, o texto diz que ele buscou resgatar e se orientar pelos valores seguros e essenciais para o povo de Israel, a Palavra de Deus. O texto afirma que Josafá enviou seus líderes às cidades com a missão de ensinar, educar e informar o povo (v.9). A preocupação de Josafá era a de que um povo sem instrução, sem educação, sem ensino, seria um povo deformado, facilmente manipulado e ignorante ao processo de reedificação nacional. Para tal, Josafá exigiu que a Lei de Deus fosse levada junto, para ser transmitida, ensinada, debatida, recebida e anexada à vida e ao caráter nacional.

O salmista afirma: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma, o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro e ilumina os olhos. O temor do Senhor é límpido e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e todos igualmente justos”(Sl 19.7-9). E pela Palavra de Deus que se forma o homem e que se dá uma orientação segura.

Uma preocupação que devemos ter na vida da Igreja hoje, é a constante relativização que se tem feito da Palavra de Deus. Vemos em muitos púlpitos, mensagens que relativizam o pecado, que descaracterizam a fé, que negam os absolutos da verdade cristã, em favor de uma absolutização do homem. A fé tem sido pregada como uma alternativa para ignorantes. Na verdade, os valores da Palavra de Deus são essenciais para uma reforma nacional,

eclesial e do caráter humano. Se a Palavra é tão importante, como entender, a indiferença pelo seu estudo nas Igrejas atualmente?

3. VIGILANCIA E COERENCIA

A luta de Josafá por melhorias na vida do povo, quase desvaneceu em virtude de uma aliança mal feita com Acabe. A sede de poder de Acabe, o desejo de domínio, de fazer guerra contra seus adversários e vizinhos, levou a falsas profecias, a uma orientação insegura e fraudulenta de profetas que estavam a serviço de agradar ao rei e não a serviço do Rei dos reis (II Cr 18.1-11).

A preocupação de Josafá em ensinar a Lei do Senhor como regra suprema para o comportamento social, espiritual e familiar, como orientação sólida para todos os instantes da vida, quase naufragou pela influência de Acabe que, ao manipular as profecias, rejeitava a proposta que Josafá em seu reino estabelecia.

A falta de vigilância tem levado a Igreja cristã a se amoldar novamente a parâmetros e pressupostos humanos, muitas vezes distorcendo a Palavra de Deus e negando seu real valor de orientação sólida para a vida. Por outro lado, a incoerência se manifesta quando se é a favor da Palavra, mas até certos limites: quando esta não vem a desinstalar as pessoas de sua vida opressora, regalada e pecaminosa. Assim sendo, há uma expressão majestosa dos reformadores do século XVI que afirma: “Igreja reformada, sempre se reformando”. Para que isto possa ser real, a Igreja deve prezar pela coerência, o que traz credibilidade, e pela vigilância, o que traz estabilidade.

De que a sua Igreja precisa mais: reformar o templo ou as estruturas e vidas que dela fazem parte?

DISCUSSÃO

1. A liderança evangélica hoje tem demonstrado ousadia e coragem para propor mudanças necessárias?

2. As inovações verificadas no meio evangélico atualmente, têm apoio Escriturístico? Exemplifique.

3. A Igreja hoje tem revelado coerência entre a prática e a sua pregação dos valores do Reino?

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