MATERIAL AUXILIAR 08: CURSO BÍBLICO DA IGREJA BETEL GEISEL

ESDRAS

Questões introdutórias

Título

O livro recebe seu título de um de seus principais personagens, o sacerdote e escriba judeu Esdras, nome provavelmente derivado da palavra hebraica עֵזֶר (ʿēzer), que significa auxílio.

Os massoretas trataram Esdras e Neemias como um único livro, com estatísticas de versículos dadas apenas no final de Neemias. Versões antigas tinham diferentes nomes para esses dois livros, perpetuando um enigma que as obras extra canônicas identificadas com Esdras ajudaram a agravar. A tabela a seguir sintetiza o problema:

Versão

Esdras

Neemias

e.c. 1

e.c. 2

MT

Esdras

Neemias

   

LXX

Esdras B

Esdras A

   

Vulgata

1 Esdras

2 Esdras

3 Esdras

4 Esdras

KJV

Esdras

Neemias

1 Esdras

2 Esdras *

Data e autoria

Embora a autoria do livro não seja disputada, devido ao uso da primeira pessoa em partes da narrativa (7.27–9.15), seu conteúdo indica uma variedade de fontes que Esdras compilou e editou. Mesmo a narrativa em terceira pessoa pode apontar para o sacerdote-escriba, visto que o fenômeno é comum no Antigo Testamento.

As principais fontes do livro foram memórias pessoais de Esdras (7.27–9.15), documentos oficiais, como o edito de restauração de Ciro, dado em aramaico, em 6.3-5 (com uma versão em hebraico em 1.2-4), a carta de Artaxerxes a Esdras (7.12-26), a correspondência entre Tatenai e Dario (5.7-17; 6.6-12), e a carta de Reum e Sinsai a Artaxerxes I (4.8-22). Pressupondo a contemporaneidade de Esdras e Neemias e a posição proeminente do último na corte persa, o acesso a tais documentos não seria um problema.

Além destes, há uma gama de listas: os exilados que retornaram com Zorobabel (2.1-70; também encontrada em Neemias 7.7-72), chefes de família que retornaram com Esdras (8.1-14), homens que haviam se casado com mulheres estrangeiras (10.18-44), e artefatos religiosos que Ciro devolveu a Sesbazar (1.9-11). Essas listas devem ter sido guardadas nos arquivos do Templo, ou talvez tenham sido preservados pelo governador, visto que muito da vida judaica era regulada pelos persas (cf. Ne 11.23; 12.22).

A data de Esdras é motivo de debate com muitos estudiosos rejeitando a cronologia bíblica tradicional, alguns propõem a chegada de Esdras mais tarde, no ano 398 a.C., no sétimo ano do rei Artaxerxes II.1 Outros mantêm os acontecimentos no reinado de Artaxerxes I, pedindo por uma emenda textual em Esdras 7.7, 8 para que diga trigésimo-sétimo ao invés de sétimo, assim situando a chegada de Esdras a Jerusalém em 428 a.C.2

A principal razão para rejeitar o ponto de vista tradicional relatado no texto bíblico é a aparente contradição entre a imagem de Esdras como um reformador bem-sucedido e a presença dos mesmos problemas no tempo de Neemias. As reações violentas de Neemias aos problemas de divórcio e do Sábado (capítulo 13) seriam supostamente injustificáveis se Esdras tivesse, 26 anos antes, firmemente resolvido o problema por meio de uma aliança (Ed 10.3) (sendo os anos 458 para as reformas de Esdras e 432 para as de Neemias).

Ainda assim, tais obstáculos são em sua maioria artificiais. A natureza cíclica da lealdade espiritual de Israel é um fato bem estabelecido no Antigo Testamento e meramente manifestou-se novamente depois do exílio. Contudo, as reações de Neemias eram justificadas à luz da aliança renovada durante sua gestão (cf. Ne 10.30-39).

Outros argumentos incluem: (a) suposta existência dos muros no tempo de Esdras, à luz de 9.9 (… nosso Deus […] para nos dar um abrigo em Judá e em Jerusalém.). Isso, porém, mal chega a ser uma objeção, visto que a menção ao muro em Judá claramente indica que Esdras usava linguagem figurada. Além do mais, a palavra usada por Esdras não é a palavra normal para “muro” usada em Neemias; (b) Esdras era um contemporâneo de Joanã, filho de Eliasibe, que era o sumo sacerdote no tempo de Neemias (cf. Ne 12.10,11, 22). Contudo, o Eliasibe mencionado em Esdras 10.6 não é chamado de sacerdote, e a relação entre os dois é diferente, filho em Esdras e neto em Neemias.

Contexto histórico

Esdras contém a continuação de Reis (e Crônicas), à luz da promessa de restauração anunciada pelos profetas (cf. especialmente Jeremias 25.11,12, onde 70 anos de cativeiro são mencionados). A captura de Babilônia por um monarca iluminado e magnânimo desencadeou a série de eventos que culminaria com a consagração do segundo templo, 70 anos e alguns dias depois da destruição de Jerusalém por Nabucodonozor. A tabela a seguir resume o período pós-exílico no que diz respeito às Sagradas Escrituras.

Panorama histórico do período pós-exílico

   

Data

[Evento]

Texto

   

539

Ciro conquista a Babilônia. Seu reinado oficialmente começa em Nisã, em 538.

Dn 5.30,31

   

538

Ciro faz um decreto para os judeus retornarem e reconstruírem o templo (cf. a profecia de Jeremias; 25.11-12; 29.10. Veja também Ed 6.3-5).

Ed 1.1-4

   

537

49.897 judeus voltam a Judá sob o domínio de Sesbazar e Zorobabel. O altar é reconstruído. A festa dos tabernáculos é celebrada.

Ed 2; 3.1-6

   

536

São lançados os alicerces do Templo. A oposição paralisa a obra.

Ed 3.8-12

   

536-520

A obra do templo é negligenciada. Atrasos econômicos; secas em Judá.

Ag 1−2

   

530-522

Morre Ciro (530). Cambises, em 525, sobe ao trono e conquista o Egito. Cambises morre na Palestina, em 522.

     

522

Dario I toma o poder depois de derrotar pseudo-Esmerdis. De 522 até o começo de 520, ele esmaga rebeliões no império.

     

520

Ageu exorta o povo a arrepender-se e continuar a obra do Templo. Oficiais persas assediam os judeus.

Ag 1−2

Ed 5.1–17

   

519

Zacarias encoraja o povo a reconstruir o Templo. Suas profecias messiânicas acendem as esperanças dos judeus.

Zc 1−8

   

518

Dario faz um decreto legalizando a construção e liberando fundos persas de impostos provinciais para reconstruir o Templo.

Ed 6.1-12

   

515

O templo é concluído, pouco mais de 70 anos depois de sua destruição pelos babilônios.

Ed 6.15

   

515

Os judeus celebram a Páscoa e pães ázimos, em Jerusalém.

Ed 6.19-22

   

490

Dario ataca a Grécia. Os persas são derrotados em Maratona.

     

486

Xerxes (Assuero) sobe ao poder. Ele planeja uma vingança contra a coalizão grega que derrotou seu pai.

Et 2.16

   

483

Xerxes dá uma festa de 6 meses para seus oficiais. Heródoto indica que isso é preparação para a invasão da Grécia. A rainha Vasti é deposta.

Et 1

   

480

O exército de um milhão de homens de Xerxes é rechaçado pelos gregos, em Platéia. Sua força naval é aniquilada na baía de Salamis.

     

479

Ester é escolhida, para substituir Vasti, como a principal rainha da Pérsia.

Et 2.16

   

478

Mardoqueu descobre uma conspiração para assassinar Xerxes.

Et 2.21-23

   

474

Hamã planeja a destruição de todos os judeus no Império Persa. Na véspera da Páscoa, Xerxes assina o decreto permitindo o genocídio contra os judeus. A data marcada é 13 de Adar (fev. – mar. 473).

Et 3.7

Et 3.12,13

   

474

Ester expõe o genocídio de Hamã e Xerxes ordena sua execução. Um novo edito feito dá aos judeus o direito de defender a si mesmos e suas propriedades.

Et 7.1-10

Et 8.1-17

   

473

Os judeus se defendem e derrotam seus agressores. O edito é estendido por mais um dia, em Susã. A festa de Purim é instituída.

Et 9.1-19 Et 9.20-32

   

464

Artaxerxes I (Longimanus) segue Xerxes ao trono.

     

458

Sob o decreto de Artaxerxes, Esdras lidera um grupo de cerca de 1.700 homens de volta para Jerusalém.

Ed 8.31

   

458

(jul-ago)

Esdras e o grupo chegam a Jerusalém com presentes dos judeus babilônios para o templo. Casamentos mistos são dissolvidos.

Ed 7.8-9

Ed 8.31-36

Ed 9–10

   

c. 450

A tentativa dos judeus para reconstruir os muros é frustrada por vizinhos e pelo decreto de Artaxerxes. Estragos feitos por samaritanos são possíveis.

Ed 4.7-23

   

449

Agitação na satrapia Trans-Eufrates sob a liderança do general persa Megabizus.

     

446

(nov.-dez.)

Neemias recebe, em Susã, notícias da situação deplorável de Jerusalém. Ele jejuou, lamentou e orou, confessando pecado e clamando as misericórdias da aliança de Deus para com Israel.

Ne 1.1-11

   

446

(mar.-abr.)

Neemias pede permissão para ir à Judéia para reconstruir os muros de Jerusalém. Artaxerxes lhe concede dispensa e o título de governador de província.

Ne 2.1-8

   

445

(primavera)

Neemias viaja para Jerusalém, determina o que precisa ser feito e começa a reconstruir os muros da cidade.

Ne 2.9-18

   

445

ago.-set.

Os muros de Jerusalém são terminados depois de 52 dias de trabalho.

Ne 6.15

   

445-432

A primeira gestão de Neemias, como governador. Neemias, além de reconstruir o muro, institui reformas sociais e religiosas. Jerusalém é repovoada e seus muros são consagrados.

Ne 8−12

   

432

Neemias retorna a Susã, onde permanece por período desconhecido. Hanâni, seu irmão, pode ter servido como governador durante sua ausência.

Ne 13.6

   

c. 430

Malaquias profetiza contra a negligência religiosa e declínio moral, avisando sobre o juízo e chamando Israel ao arrependimento.

Malaquias

   

430

Neemias, em seu retorno de Susã, efetua várias reformas religiosas e sociais. Sua segunda gestão termina algum tempo antes de 409-408, quando certo Bigvai é registrado como governador de Judá.

Ne 13.4-29

   

Panorama histórico do período pós-exílico

Como a tabela acima indica, a situação em Judá permanecera instável por várias razões. Não só eram os judeus incapazes (ou não estavam dispostos a) promover uma total restauração, que exigia pureza espiritual e compromisso com Deus evidenciados pela construção do templo, mas também as nações vizinhas os pressionavam a manter seu estado de negligência pactual.

Além disso, na metade do século 5, o desassossego político cobriu a região com a revolta do general Megabizus. O retorno de Esdras foi politicamente útil para Artaxerxes, pois ajudaria a aliviar algumas das tensões na região. O capítulo 7 indica que Esdras apresentara um pedido formal ao rei, cuja resposta é a carta encontrada em 7.11-26. Mais uma vez, como era muitas vezes o caso, a mão de Deus se movia na luva da História para cumprir o Seu soberano propósito.

Objeções críticas à historicidade de Esdras

Dúvidas são levantadas sobre a identidade de Sesbazar, que aparece para liderar o retorno no capítulo 1, apenas para desaparecer a partir do capítulo 2. Alguns estudiosos identificaram Sesbazar com Zorobabel, visto que ambos agem como um governador (cf. 5.16; Ag 1.14) e diz-se que ambos lançaram os alicerces do templo (cf. 5.16 e 3.10). Mesmo assim, visto que Sesbazar é identificado, em 1 Crônicas 3.18, como o filho de Jeoiaquim (supondo que este e Senazar sejam a mesma pessoa), e Zorobabel é mencionado no versículo 19 como o neto de Jeoiaquim por intermédio de Sealtiel. Zorobabel deve ter sido sobrinho de Sesbazar, e provavelmente o próximo na fila da linhagem davídica. Zorobabel nunca é chamado de “o príncipe de Judá” como era o caso com Sesbazar, o que dá maior apoio ao ponto de vista de que eles são dois líderes distintos do Judá pós-exílico.

O título de Ciro, em Esdras 1.1, é indicado como anacronismo. Não obstante isso, nada menos do que “dezoito autores diferentes em dezenove documentos diferentes … com referência a seis monarcas persas” (Archer, Merece Confiança o Antigo Testamento?, p. 471) usam o título rei da Pérsia. Semelhantemente, o título rei da Assíria (6.22) é apresentado como evidência da imprecisão histórica do autor. A razão para esse título surpreendente, quase cem anos depois da queda do Império Assírio, jaz nas conotações emocionais e espirituais que ele traz à cerimônia que, de certo modo, marcou o fim do exílio de Israel.

O argumento mais complexo contra a historicidade de Esdras é centrado em torno do capítulo 4, que supostamente mistura os reis da Pérsia até a História perder o sentido. Argumentando a partir da ordem em que os reis são mencionados no capítulo, os críticos afirmam que Esdras (ou o verdadeiro autor) tinha Ciro (539-530) seguido por Xerxes (485-465) e este por Artaxerxes (465-424), e este último por Dario , cujo reinado foi de 522-485 a.C. Essa objeção não considera a menção de Dario, em 4.5, quando o assunto ainda é a reconstrução do templo, e o fato de que 4.6-23 lida topicamente, não cronologicamente, com a oposição, que encontrou seu ápice nas tentativas dos judeus para reconstruir os muros de Jerusalém. O versículo 4.24 começa o assunto do relato de Esdras, a reconstrução do templo, que é o fundamento de seu ministério.

Uma última objeção lida com as discrepâncias entre Esdras, Neemias e o apócrifo 1 Esdras. A tabela a seguir indica as diferenças.

Categorias

Esdras

Neemias

1 Esdras

Homens de Israel

24.144

25.406

25.947

Sacerdotes

4.289

4.289

5.288

Levitas, cantores, porteiros

341

360

341

Servos do templo e servos de Salomão

392

392

372

Homens de origem incerta

652

642

642

total

29.818

31.809

32.600

As visíveis diferenças entre esses números e o total de 49.979 pessoas, de acordo com Esdras 2.64, não são facilmente resolvidas. Alguns acham que elas apontam para o número de mulheres e crianças, que é visivelmente pequeno, mas ajudaria a entender a constante tendência a tomar esposas estrangeiras. Esse escritor prefere ver os dez a doze mil homens que faltam como representantes das tribos, no Norte, não identificadas aqui por falta de identificação de cidade e clã.

Assim, Esdras suporta tais ataques e permanece uma testemunha histórica confiável da restauração judaica no final do século 6 e metade do século 5 a.C.

 

 

A teologia de Esdras e Neemias

Antes de iniciar a consideração da teologia de Esdras e Neemias, é relevante notar que o parágrafo inicial do livro é uma repetição literal da conclusão de 2 Crônicas.

Sem entrar na discussão da identidade do autor (ou autores) dessas obras, esse fato singelo sugere que há uma continuidade temática entre as duas obras, além da óbvia continuidade histórica. Há também uma preocupação com a visão que os exilados que voltaram a Judá para reconstruir a comunidade da aliança tinham de seu Deus e do processo histórico em que estavam envolvidos.

As obras (Crônicas, Esdras e Neemias) procuram inculcar esperança, alertando para seu custo, que era a restauração do culto e da adoração em um templo reconstruído, operado por meio de um sacerdócio puro em uma cidade restaurada como comunidade de adoradores.

A pessoa e o caráter de Deus

Yahweh é um Deus universal

A destruição de Jerusalém fora um rude golpe para as convicções israelitas na grandeza peculiar de Yahweh. Como poderia ter sido Ele derrotado pelos deuses da Babilônia? Os profetas e os historiadores de Israel se encarregaram de demonstrar que não era assim. Esdras e Neemias contribuem para isso ressaltando que Yahweh não era um Deus localizado e limitado às fronteiras de Judá ou Israel.

Ele é freqüentemente chamado de “o Deus do céu” (אֱלָהּ שְׁמַיָּא, ʾĕlāh šemayyāʾ, Ed 6.9-10; אֱלֹהֵי הַָשּׁמַיִם,  ʾĕlôhê haššāmayim, Ne 2.4) o que aponta tanto para Sua transcendência quanto para Sua presença com Seu povo, mesmo quando este se encontrava espalhado por “todas as nações debaixo do céu”.

Ele é, além disso, o Deus cujo louvor excede a capacidade humana de exaltação. Ele é o criador do próprio céu e o exército dos céus (uma alusão velada às divindades astrais dos povos circunvizinhos) se prostra diante de Sua grandeza (Ne 9.6).

Yahweh é soberano

Quase que um corolário da característica acima mencionado, esse atributo fica evidente na maneira em que tanto Esdras quanto Neemias atribuem seus triunfos em todas as esferas à intervenção de um Deus que tem poder acima de reis e tiranos terrenos.

É Ele quem estabelece o reinado de Ciro e move o coração de Ciro para que este autorize o retorno dos israelitas exilados a sua terra natal (Ed 1.2-4). É ainda Ele quem interfere junto aos reis da Pérsia para permitir e financiar a reconstrução do templo (Ed 6.8-12; 7.27,28) e dos muros de Jerusalém (Ne 2.4, 20).

Vê-se ainda a soberania no direcionamento que Yahweh oferece ao povo, sua atitude para com a terra dos antepassados e o que constituía o ressurgir da comunidade da aliança. Ele, em Esdras 1.5, move o espírito do povo, ajuda pessoalmente Esdras e os que com ele voltaram (Ed 7.6; 8.18) e Neemias (2.8). Conforme Esdras (5.5) e Neemias (4.14) testemunham, nem mesmo os inimigos mais declarados dos israelitas escapam à soberana mão de Yahweh. Ele, em sua soberania, se mostrava grande e terrível (Ne 9.32), um Deus a ser levado a sério por um povo que raramente o fazia.

Yahweh é fiel às alianças

Esdras e Neemias, ainda que vivessem em meio a um povo volúvel, que prontamente esquecia de seus compromissos assumidos diante de Deus, testemunharam a fidelidade de Deus.

Em Esdras 7, a consciência da fidelidade de Yahweh às promessas (bênçãos e maldições) da aliança leva o escriba à angústia diante da maneira leviana de Israel tratar as estipulações pactuais em relação ao casamento misto. Esdras, quando afirma: “Ó Senhor Deus de Israel, justo és!” (9.15), tem em mente a maneira fiel com que Deus cumpriu as ameaças de castigo contra Israel, e também a preservação de um remanescente que retornasse a Judá (9.13).

Neemias 9, que contém uma tocante recapitulação da história israelita, relembra a fidelidade na conquista e ocupação da terra (9.19-25) e na repetida restauração de Israel em seus muitos episódios de arrependimento efêmero (9.26,27).

Yahweh é gracioso

A melancólica situação do povo de Judá depois da volta do exílio é o pano de fundo adequado para uma consideração realista da graça de Yahweh. Esdras e Neemias, ainda que as gloriosas expectativas proféticas aguardassem sem cumprimento maior, viam a simples presença de um remanescente em Jerusalém como o penhor de algo ainda maior. Em suas orações intercessórias (Ed 9 e Ne 9), encontramos as expressões mais claras dessa convicção.

Esdras 9.8,9 menciona não apenas a preservação do remanescente, mas o favor que este encontrara aos olhos dos reis da Pérsia. Ali, Yahweh é identificado como um Deus misericordioso (o hebraico usa o substantivo תְּחִנָּה [teḥinnâ], derivado do verbo חָנַן [ḥānan]),3 e “bondoso” (o hebraico usa a expressão וַיַּט עָלֵינוּ חֶסֶד, [wayyaṭ ʿalênû ḥeseḏ ]) cuja conotação específica é a lealdade pactual de Deus ao responder aos pedidos de alívio de uma comunidade que se vê ainda como escrava dos gentios, mas tem um pé fincado na fidelidade de Deus ao amor eletivo que separou Israel como povo escolhido.

Em Neemias 9, a graça de Deus se revela uma vez mais no atendimento aos rogos dos israelitas sob a disciplina da aliança (9.27,28). Neemias emprega a palavra רַחֲמִים [raḥămîm], termo mais antropomórfico, que indica as entranhas de uma pessoa e está associado a respostas benevolentes motivadas por emoção.4

No versículo 31, Neemias combina os adjetivos רָחוּם (rāḥûm) e חָנוּן (ḥānûn), que formavam a confissão de fé básica de Israel, desde o Sinai (cf. Êx 34.6, em que a ordem é inversa), e que combinados falam da graça misericordiosa, condescendente e paciente de Yahweh, incansável em Sua benevolência para com Seu povo pactual. O contexto dessa passagem é uma renovação da aliança, o que deveria levar-nos a considerar a expressão “fiel à Tua aliança e misericordioso” (heb. שׁוֹמֵר הַבְּרִית וְהַחֶסֶד, [s̆ômēr haḇberîṯ wehaḥeseḏ]), em Neemias 9.32, como uma hendíade, que poderia ser traduzida “que guardas com amor leal à aliança”, apontando, mais uma vez, para as contínuas manifestações da graça de Yahweh para com Israel.

A administração dos propósitos de Deus

As quatro linhas de ação de Deus, na História, por meio das quais Ele opera para restabelecer Sua soberania mediada sobre o universo, estão claramente presentes em Esdras e Neemias.

A permissão do mal

Ambos os autores ressaltam que o mal que sobreveio ao povo de Israel fora predito e permitido por Deus. Na verdade, em uma típica expressão da cosmovisão judaica, o castigo que sobreveio à nação foi atribuído diretamente a Deus (Ne 9.27; Ed 5.12), ainda que agentes humanos o tivessem executado. A tolerância divina para com o pecado em Seu povo (Ne 9.16-18, 26) nunca poderia ser interpretada como indiferença ou ignorância.

O decreto de punir o mal

As duas grandes orações intercessórias de Esdras e Neemias ressaltam que Yahweh ativamente se envolveu na punição às diversas quebras de lealdade pactual do povo de Israel, desde o bezerro de ouro (Ne 9.18) até os dias sombrios, quando profetas eram mortos, e a idolatria grassava no final da história de Judá (Ne 9.26).

Esdras via a punição do mal em Israel como um continuum que vinha desde os antepassados e era, na verdade, a marca registrada da nação (Ed 9.7), pois o alívio era temporário (9.8) e a punição menor que a merecida (9.13).

O decreto de libertar os eleitos

Novamente, uma profunda consciência da intervenção libertadora de Yahweh perpassa as duas obras. Desde o decreto de Ciro (Ed 1) até à superação das estratégias e intrigas dos samaritanos e outros vizinhos (Ed 4; Ne 4; 6) a percepção era a de que Yahweh agia para devolver ao Seu povo uma medida de liberdade, que lhe permitisse experimentar a bênção divina na terra da aliança.

Pode parecer, pelo palavreado da oração de Esdras, que o escriba-sacerdote tinha uma visão negativa da situação em que Israel se encontrava em sua época, mas palavras como “um pequeno alívio em nossa escravidão” (Ed 9.8) e “somos escravos” (9.9) devem ser entendidas no contexto maior das promessas pactuais a Abraão e Davi.

Esdras reconhecia que a intervenção era divina, e que era apenas o prenúncio de coisas maiores. A própria continuação do versículo indica que ele via a volta da comunidade pós-exílica e seu estabelecimento em Jerusalém e arredores como um renascer. Além do mais, as intervenções soberanas de Deus na história persa recente (cf. Ed 5.5) demonstravam que Seu povo podia continuar contando com Sua graça libertadora em seu favor.

O decreto de abençoar os eleitos

Tanto Esdras quanto Neemias entenderam que a continuidade da bênção para o remanescente dependia de uma resposta de fé manifesta em obediência. Como uma comunidade de adoradores, centrada no templo e não em um trono davídico, Israel só garantiria sua bênção guardando-se puro. Por isso, tanto o sacerdote quanto o governador se empenharam muito em preservar a pureza racial − não por mera xenofobia, mas pelo receio da xenolatria − do efeito corruptor dos casamentos na adoração da comunidade. O exemplo de Salomão, por cuja idolatria Israel fora privado das bênçãos no passado, deveria falar alto aos ouvidos da comunidade pós-exílica (Ed 9.10-14; Ne 13.23-27). A disposição benevolente de Yahweh deveria ser correspondida com amor não dividido e com repugnância evidente pelos deuses dos vizinhos pagãos.

Argumento básico

Propósito e desenvolvimento

Todos os livros históricos do período pós-exílico partilham o propósito de demonstrar como Israel fez a transição de uma entidade política, onde a teocracia era mediada através da linhagem davídica, para uma comunidade adoradora que, embora permanecesse como povo de Deus, não era mais o canal mediador do reinado Dele na terra.

Esdras compartilha desse propósito descrevendo o restabelecimento de Israel como uma comunidade adoradora na Terra Prometida e como isso exigia um reavivamento da verdadeira religião da aliança.

Esse propósito aparece nas duas grandes divisões do livro. A primeira parte (Ed 1.1–6.22) mostra os esforços da nação para reconstruir um templo e uma cidade das cinzas da destruição de Nabucodonozor. Embora a primeira parte desse plano tenha sido realizada depois de muita oposição e atraso, duas coisas não se realizaram. A cidade não foi construída e a nação não retornou à plenitude de seu relacionamento com o Deus da aliança. Esdras 7.1–10.44 traz o relato da tentativa de um homem para restaurar a verdadeira identidade religiosa de Israel por meio da renovação da aliança e exclusão de influências estrangeiras. Neemias lida com a reconstrução da cidade e com o dejà vu, a necessidade de verdadeira lealdade a Jeová e Sua aliança.

O livro inicia-se com o decreto de Ciro que permitiu que os judeus voltassem a Jerusalém e reconstruíssem o templo. Esdras tem o cuidado de indicar que tal decreto está de acordo com o plano soberano de Jeová anunciado por Jeremias (cf. 1.1; Jr 25.11,12). Os judeus reagem com entusiasmo ao decreto, embora apenas 49.897 acabem atendendo ao chamado para retornar a Jerusalém. Esses, porém, o fizeram motivados por Jeová (1.5). A ajuda financeira dos judeus, na Babilônia, foi generosa e Ciro revelou, mais uma vez, a verdade das profecias de Isaías sobre ele (Is 41.1-4; 44.24-28) ao devolver os utensílios do templo (1.7-11). O capítulo 2 contém o registro dos exilados que voltaram. A lista aparece com algumas mudanças em Neemias 7.6-73. Mudanças nos nomes podem ser explicadas por variações na ortografia ou dois nomes para a mesma pessoa. Diferenças nos números somam cerca de 20% do total, mas essas podem ser atribuídas a um diferente sistema de anotação numérica empregado pelos judeus por volta do século 5 a.C. (como é demonstrado nos papiros de Elefantina) que teria aumentado a possibilidade de erros de cópia. Um artigo interessante sobre esse assunto foi escrito por H. L. Allrik, “The Lists Of Zerubbabel and the Hebrew Numerical Notation” [“As listas de Zorobabel e a notação numérica hebraica”], BASOR 136 (dez. 1954):21-7. A lista de localidades indica quão fortemente os judeus se apegavam a suas ligações familiares e tribais.

O capítulo 3 descreve os esforços iniciais para restabelecer a vida religiosa de Israel, começando com o erguer do altar (3.1-3) e a celebração da Festa dos Tabernáculos (3.4), que olhava para trás, para a provisão de Deus, e para a frente, para a plenitude de Seu governo teocrático sobre Israel. Os versículos 5 e 6 indicam que a normalização da vida religiosa da nação dependia da construção do templo e que os atos religiosos realizados durante os primeiros dias do retorno, embora aceitáveis pelo Senhor, eram de natureza provisória. O restante do capítulo 3 concentra-se no lançamento dos alicerces do templo, em relação aos recursos disponíveis (3.7), às pessoas envolvidas (3.8,9), e às diferentes respostas emocionais ao novo projeto (3.10-13).

No capítulo 4 encontra-se o primeiro relato de como a oposição ao projeto divinamente prometido, e apoiado pelo rei, surgiu cedo no período pós-exílico e se susteve por todo o século, começando com a chegada dos exilados em Jerusalém. Os samaritanos buscaram se juntar aos judeus na reconstrução, com a explicação de que eles também eram adoradores de Jeová (4.1,2). A resposta dos judeus pode parecer muito bitolada, mas, na verdade, refletia um zelo pela pureza que logo se perderia (cf. Ed 9 e 10) em detrimento da fé e da bênção de Israel. A total rejeição em 4.3 trouxe o assédio tenaz em 4.4,5 (mais 4.24–6.12), que só seria vencido 20 anos depois, quando o templo finalmente foi terminado (6.13-18). O restante do capítulo 4 (v. 6-23) é uma síntese da oposição que o programa de Deus para a restauração de Israel enfrentou das nações vizinhas e dos ingênuos oficiais persas na satrapia de Abar-Nahara (ou Trans-Eufrates). Os detalhes lidam com a tentativa dos judeus de reconstruir Jerusalém, que foi frustrada por intrigas samaritanas e também pela explosiva situação política, por volta de 450 a.C. Esse incidente torna, ainda mais notável, a petição de Neemias ao rei, visto que ele teve a audácia de pedir que Artaxerxes revertesse um decreto anterior (cf. 4.17-23).

O capítulo 5 dá o contraponto a essa oposição humana, introduzindo o ministério dos profetas de Deus, Ageu e Zacarias, que despertaram o espírito do povo e seus líderes a fim de reconstruir o templo (5.1,2) após 15 anos de inércia espiritual e inanição civil (cf. Ag 1). A oposição, dessa vez, veio de outros lugares, os oficiais persas da província de Abar-Nahara, cujo tratamento das evidências é muito mais honesto do que o dos samaritanos (4.7-16). Esdras tem muito cuidado ao indicar como a soberania de Jeová preservou o ímpeto construtor, enquanto a oposição perdia sua força devido ao atraso em levar e trazer a correspondência para a Pérsia (5.5b) e na verificação, por Dario, do decreto de Ciro e sua decisão de apoiá-lo plenamente. Assim, Esdras conclui a descrição desse período crucial com os dois decretos reais que fizeram valer na terra o que Deus já decretara no céu, a restauração de Seu povo como Sua comunidade adoradora, em Jerusalém.

A cobertura de Esdras do primeiro retorno e suas repercussões termina em tom festivo com a narrativa do término e da consagração do templo (6.13-18), com o restabelecimento completo do culto e a celebração da Páscoa e dos pães ázimos (6.19-22). A menção a essas duas festas é importante, pois liga essas circunstâncias ao Êxodo, tanto no aspecto libertador quanto no purificador. A referência ao monarca persa, como rei da Assíria, também pode ser um jeito deliberado de indicar que agora o cativeiro de Israel terminara (esse escritor prefere o intervalo entre 586 e 515 como os 70 anos preditos por Jeremias), visto que os assírios o tinham iniciado em 732 a.C., quando as tribos do Norte foram levadas cativas por Tiglate-Pileser III.

A segunda porção do livro (7.1–10.44) fala de um segundo retorno, liderado por Esdras, um sacerdote zadoquita e escriba (7.1-5), cujo coração fora preparado por Deus para estudar, praticar e ensinar a Lei de Deus, em Israel (7.10). O capítulo deixa implícito o pedido de Esdras a Artaxerxes por autorização para voltar à Judéia e ministrar a lei de Deus ao seu povo. A resposta do rei, contudo, amplia a missão de Esdras consideravelmente, de renovar o culto (7.14-20) para a designação de magistrados e juízes (7.25) e o reforçar a lei com todas as despesas pagas pela tesouraria persa (7.21,22).

É bem possível que uma das razões predominantes para Artaxerxes mandar Esdras de volta com tais poderes era aumentar seu controle sobre uma situação politicamente volátil. A abrangência da missão de Esdras pode explicar o aparente atraso em sua exposição da Lei de Deus ao povo, registrado apenas em Neemias 8, uns treze ou catorze anos depois de sua chegada em Jerusalém. A reação de Esdras ao decreto de Artaxerxes é de alegria e louvor fervorosos (7.27,28a). O sucesso na corte o motivou a buscar apoio para seu plano entre seus compatriotas (7.28b).

A necessidade de revitalizar o culto na pátria deve ter sido relatada a Esdras, na Babilônia, assim como a necessidade de reparar os muros foi relatada a Neemias (Ne 1.2,3). Seu relato do retorno inclui uma lista dos que retornaram (8.1-14), seu recrutamento de levitas e servos do templo (8.15-20; o pequeno número de levitas pode ser devido às melhores chances de ganhar a vida na Babilônia, onde eles não estariam confinados a trabalhos religiosos banais), a oração de Esdras por proteção durante a longa e perigosa jornada, especialmente à luz da grande quantidade de prata e ouro que estariam carregando de volta à Palestina (8.24-30). A viagem e os eventos da chegada de Esdras a Jerusalém perfazem o restante do capítulo 8 (v. 31-36).

Esdras, 4 meses depois de sua chegada (por volta de dezembro de 458 a.C.), percebe quão profunda é a necessidade de reformas religiosas em Israel. A descrição do problema de casamentos mistos (9.1,2) é intencionalmente expressa para trazer à memória as antigas associações pecaminosas de Israel com os antigos habitantes de Canaã (a continuidade do tema está presente em Esdras e em Neemias também).

A reação de Esdras (9.3,4) expressou profunda angústia e choque com o estado espiritual de sua nação. Essa forma específica de pecado consistentemente seduzia os judeus do período pós-exílico e seus efeitos devastadores podem ser vistos na corrupção espiritual (por meio de sincretismo idólatra) e degeneração social da colônia judaica em Elefantina, no Egito. Essa tentativa sutil de diluir a identidade nacional israelita é ainda outro contraponto no complexo processo do restabelecimento de Israel como comunidade adoradora de Jeová.

A reação de Esdras, porém, vai além do lamento pessoal público (a menção do sacrifício vespertino sugere que tenha acontecido no templo, cf. 9.5 e 10.1, onde o templo é mencionado). A oração de confissão de Esdras (9.6-15) enfatiza a mesmice básica do estilo de vida pecaminoso dos israelitas quando comparada às gerações anteriores (9.6,7), a bondade de Jeová apesar da culpa deles (9.8,9) e o assumir a culpa de sua geração que repete os pecados antigos com total ciência da condenação de Deus sobre tais práticas (9.10-15; cf. Dt 11.8,9).

Tão profunda tristeza teve seu contágio espiritual, como é evidente na reação do povo que assistiu à cena e ouviu sua oração. A proposta de romper casamentos racialmente mistos veio do próprio povo, assim como a sugestão de que Esdras deveria coordenar um esforço nacional para corrigir esse erro (10.1-4). Esdras, mesmo mantendo o luto, obteve a lealdade dos líderes religiosos e de “todo o Israel” (mais provavelmente através de líderes representantes) para a aliança proposta por Secanias. Ele, enquanto isso, permaneceu em jejum secreto e em oração pela triste situação (10.5,6).

Medidas eficazes para lidar com o problema incluíam uma convocação geral sob penalidade de perda de propriedade e excomunhão da comunidade religiosa (9.7,8). A assembléia se reuniu sob o inclemente clima de dezembro e votam, com dissensão mínima, dissociou-se da influência estrangeira criada por seus casamentos racialmente mistos (10.9-16). Procedimentos adequados foram estabelecidos e com a chegada do ano 457 a.C. os tribunais matrimoniais começaram a investigar cada caso. Os processos legais se completaram em 4 meses (10.16b,17).

O livro termina com a lista de ofensores no “escândalo” dos casamentos mistos (10.18-44), começando com a equipe religiosa (10.18-24) até a plebe de Israel (10.25-44). Um total de 111 nomes são dados, o que não indica um problema social traumático com milhares de órfãos vagando pelo campo, como querem insinuar alguns que, às vezes, acusam Esdras (e Neemias) de xenofobia e racismo excessivos. As prováveis centenas de crianças foram entregues a suas mães e, muito provavelmente, retornaram com elas para suas terras de origem, as nações vizinhas. Isso estaria de acordo com relatos bíblicos (Gn 21.14) e extra-bíblicos de padrões do Oriente Médio (cf. código de Hamurábi).

A reforma estava encaminhada e, por enquanto, a identidade nacional fora preservada. Duas observações vêm a calhar nesse ponto. Primeiro, o que se encontra em Esdras e Neemias não tem nada a ver com o exclusivismo judeu posterior, que negava aos gentios os privilégios que os judeus deveriam tornar disponíveis para o mundo. Essas mulheres gentias expulsas foram mandadas embora com base em sua recusa de, como Rute ou Raabe o fizeram, reconhecer Jeová como seu único e suficiente Deus. Segundo, esse retrato de uma expulsão voluntária de esposas estrangeiras oferece mais evidências de que Esdras precedeu Neemias, pois é mais provável que tal problema ressurgisse depois de 27 anos (457 – 430 a.C.), do que após somente 5 anos (430 – 425 a.C.), de acordo com a data proposta por Bright para Esdras (o 37º ano de Artaxerxes).

Esboço sintético

Mensagem

O restabelecimento de Israel como comunidade adoradora na Terra Prometida exigia um reavivamento da verdadeira religião da aliança com a separação necessária das influências gentias para a lealdade ao Deus das promessas.

 I. A tentativa de restabelecimento sob o reinado de Zorobabel produziu o templo, mas não conseguiu produzir uma sociedade voltada para Deus e leal à aliança em Judá (1.1–11).

 A. O primeiro retorno sob Zorobabel trouxe um número representativo de israelitas, com apoio financeiro dos judeus de Babilônia, para a restauração de Israel (1.1–2.70).

 1. O edito de restauração de Ciro cumpre a palavra profética sobre o restabelecimento de Israel (1.1-4).

 2. A resposta judaica ao edito de Ciro é entusiasmada, mas mista em seus resultados (1.5,6).

 • Um pequeno número de judeus opta por retornar (1.5).

 • Um número maior de judeus contribui generosamente para o projeto de restauração (1.6).

 3. A resposta persa ao edito incluiu a necessária restauração, em Jerusalém, dos utensílios exigidos pelo culto adequado a Jeová (1.7-11).

 4. O registro dos exilados que voltaram oferece uma medida do compromisso de Israel com a tarefa de restauração (2.1-70).

 • As várias classes de pessoas e seu número são registrados (2.1-63).

 • O número total dos exilados que voltaram é dado (2.64-67).

 • Contribuições voluntárias, das pessoas influentes que voltaram, provam o compromisso geral com a tarefa de restauração (2.68,69).

 • O assentamento nas cidades de origem indica o desejo por uma ligação com o passado de Israel (2.70).

 B. A tentativa inicial dos israelitas em restaurar Israel como comunidade adoradora com a reedificação do templo fracassa quando deixam que a oposição estrangeira abafe seu zelo inicial (3.1–4.24).

 1. Os israelitas que voltaram mostram seu compromisso com uma restauração espiritual ao reconstruir o altar como seu primeiro ato na chegada a Jerusalém (3.1-3).

 2. Os israelitas que voltaram demonstram sua esperança em renovadas bênçãos de Yahweh ao celebrar a Festa das Cabanas e guardar os dias santos como prescrito na lei (3.4-6).

 3. Os israelitas que voltaram demonstram seu zelo e profunda ligação emocional com seu passado ao lançar o alicerce do templo e expressar alegria e saudades nesse evento (3.7-13).

 4. A resistência ao processo de restauração vem dos samaritanos e consegue parar o trabalho no templo por 16 anos (4.1-24).

 • A oferta de ajuda samaritana é rejeitada devido a sua situação religiosa (4.1-3).

 • Samaritanos e outros vizinhos desenvolvem intensa e duradoura resistência à restauração de Israel com intriga política na corte persa (4.4,5).

 • Essa oposição geral ao processo divino de restauração se estende além da reconstrução do templo, abrangendo também uma tentativa frustrada de reconstruir Jerusalém como cidade murada (4.6-23).

 • Os esforços israelitas são efetivamente abafados, por 16 anos, após sua chegada a Jerusalém (4.24).

 C. Uma nova tentativa de reconstruir o templo, motivada por pregação profética, é bem-sucedida apesar dos embaraços burocráticos causados por oficiais persas (5.1–6.22).

 1. O trabalho de construção se inicia com a repreensão e encorajamento de Ageu e Zacarias (5.1,2).

 2. A oposição reaparece por meio dos persas, mas Deus soberanamente a supera e o trabalho continua enquanto as autoridades persas investigam o assunto (5.3-17).

 3. O rei persa reafirma não apenas os direitos israelitas de reconstruir o templo, mas também exige que as despesas sejam cobertas por fundo persa com severas ameaças contra obstáculos ao projeto (6.1-12).

 4. A reconstrução se completa em 4 anos e Israel celebra sua nova libertação, o fim religioso de seu exílio, com alegria pela intervenção soberana de Yahweh em seu favor (6.13-22).

 II. O retorno de Esdras produz reformas na religião e estilo de vida que asseguram a identidade espiritual de Israel pela exclusão de influência estrangeira (7.1–10.44).

 A. Esdras é apresentado como o homem que Yahweh preparara para a instrução de Seu povo na vida pactual necessária para a completa restauração da terra (7.1-8).

 B. A aprovação de Esdras, encorajamento, apoio econômico e suporte político pelo rei Artaxerxes indicam que sua missão se alinha com o programa divino de restauração (7.11-26).

 C. A resposta de Esdras à contínua bondade de Deus é de louvor e busca de recursos humanos para completar sua crucial missão (7.27,28).

 D. O retorno de Esdras dá testemunho da fidelidade de Deus em levantar os recursos humanos necessários, trazer esse novo grupo em segurança e assegurar-lhes liberdade de ação através do decreto imperial de Artaxerxes (8.1-36).

 1. A genealogia desse grupo que voltou é apresentada (8.1-14).

 2. Esdras recruta os levitas e servos do templo para sua missão de instruir Israel na vida pactual exigida (8.15-20).

 3. A missão de Esdras começa sob o emblema da oração como algo superior às armas para a concretização dos propósitos de Deus (8.21-23).

 4. A jornada até Jerusalém termina em segurança e os donativos materiais são entregues ao templo em segurança, enquanto os que voltaram louvam a Yahweh por Sua proteção (8.24–35).

 5. A proteção burocrática da missão de Esdras é garantida quando o decreto de Artaxerxes é entregue aos oficiais persas em Abar-Naharah (8.36).

 E. A missão de Esdras é inaugurada com a resolução do problema crônico de Israel, os casamentos racial e religiosamente mistos (9.1–10.44).

 1. A condição espiritual de Israel é revelada a Esdras por líderes comunitários (9.1,2).

 2. A intensa reação de Esdras demonstra a gravidade do problema (9.3,4).

 3. A eloqüente intercessão de Esdras retrata a natureza arraigada desse pecado de Israel e a enormidade de sua culpa à luz das exigências pactuais (9.5-15).

 4. A reação do povo às denúncias veementes de Esdras é arrependimento e compromisso em mudar seu comportamento (10.1-12).

 • A multidão se junta a Esdras na expressão de seu sentimento de culpa e disposição de mudar (10.1-5).

 • Uma assembléia é convocada para tratar corretamente do problema que está generalizado (10.6-8).

 • A confrontação de Esdras com o povo convoca à confissão e separação das influências pagãs (10.9-11).

 • A reação do povo é a aceitação das sugestões de Esdras (10.12).

 5. O processo de tratamento do problema incluiu uma investigação particular do assunto e identificação pública dos transgressores (10.13-44).

 • Um pedido de tratamentos separados é apresentado e aceito (10.13-15).

 • Investigações são conduzidas e, em 4 meses, todos os casos são tratados (10.16,17).

 • A lista de ofensores é oferecida como advertência para as gerações futuras (10.18-44)

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