CURSO BÍBLICO: AS 07 IGREJAS DO APOCALIPSE. (Curso Bíblico para o culto de doutrina da Igreja do Betel Brasileiro geisel)

CURSO BÍBLICO: AS 07 IGREJAS DO APOCALIPSE

Estudo minisrado nas quintas feiras pelo Pr Josias Moura no culto de doutrina da Igreja do Betel Brasileiro Geisel.

Breve comentário de Apocalipse 1:9—3:22

Primeira Cena:
A Igreja no Mundo:
Sete cartas são ditadas

A cena de abertura do drama é uma estupenda visão do Cristo vivo, que dita a João uma série de cartas individuais dirigidas às sete igre­jas para as quais o livro inteiro está sendo escrito. O que é dito será considerado em seguida. Primeiro vamos notar a forma como as coisas são ditas:

Antes já tínhamos vislumbrado a repetição de modelos do Anti­go Testamento, onde os ensinos de Balaão e de Jezabel estão novamente se manifestando na vida da igreja nos tempos do cristianismo do No­vo Testamento. Agora que a cena toda se desenrola diante de nossos olhos, vemos quão rica é em tais repetições. Um modelo é adicionado a outro em forma de um intrincado poema, que positivamente rima.

Muitas dessas adições podem ser compreendidas sem que seja ne­cessário ter nenhum conhecimento anterior. Cada carta começa com uma descrição de Cristo repetindo a descrição total do Senhor no co­meço da cena. As cartas têm muitas semelhanças entre Si. Cada uma delas é iniciada com a indicação dos nomes dos remetentes e dos des­tinatários, continuando com declarações acerca destes últimos e con­tendo mensagens a eles. Cada uma das cartas termina com um man­damento e uma promessa. Apesar de João não ter declarado ser sua intenção, é quase impossível ler estas cartas sem perceber um ritmo cadenciado de sete batidas. Dessa forma, temos na primeira carta o seguinte: (1) À igreja em Éfeso; (2) Estas coisas diz o que segura na mão direita as sete estrelas; (3) Conheço as tuas obras, assim o teu la­bor como a tua perseverança; (4) Tenho porém contra ti; (5) Arrepen­de-te; (6) Ouça o que o Espírito diz; (7) Ao vencedor dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida.

Para os leitores familiarizados com outras partes da Bíblia, res­soa um eco mais profundo. A promessa aos vencedores será repetida em outras cenas mais adiante: A árvore da vida (2:7), no capítulo 22; o escape da segunda morte (2:11), no capítulo 20; e assim sucessiva­mente. O retrato de Cristo já foi mostrado em outras passagens da Bí­blia; a glória que Cristo demonstra aqui no Apocalipse é a mesma que ele demonstrou no monte da transfiguração (Mc 9:2-3). Se o autor é realmente o apóstolo João, a visão não seria novidade, pois estaria vendo em Patmos o que tinha visto antes em um monte na Palestina. A grande voz e o som como de trombeta (1:10) também é conhecido de passagens do Antigo Testamento, como Êxodo 19:6; Ezequiel 1:7; 43:2 e Daniel 7:9. O título de Filho do Homem, e a descrição geral que o acompanha, também podem ser encontrados no Antigo Testa­mento (Dn 7:13; 10:5ss).

Não são apenas as palavras e as frases encontradas nessas cartas que são repetidas. As advertências feitas às igrejas de Cristo corres­pondem, em muitos aspectos, às advertências feitas aos discípulos em Mateus 24 (por ex. 2:4 e Mt 24:12). A solene declaração "darei a cada um, segundo as suas obras" (2:23) está "in­variavelmente presente nos ensinos de Cristo", bem como nos de seus apóstolos.

Quem começar a procurar indícios deste tipo de ensino repetiti­vo em outros lugares, ficará surpreso com a quantidade de material existente. A repetição é um método comum pelo qual os salmistas "ri­mam" suas poesias. Muitas vezes o que ecoa de linha para linha não é tanto o som, mas o sentido:" ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. Fundou-a Ele sobre os mares e sobre as correntes a estabeleceu" (Sl 24:1-2). É a repeti­ção que dá força às vozes dos profetas: "Por três transgressões de Da­masco, e por quatro,… por três transgressões de Gaza, e por quatro… por três transgressões de Tiro, e por quatro, não suscitarei o castigo" (Am 1:3, 6, 9). Este método de repetição pode também ser encontra­do em grande escala nos tipos ou modelos da história bíblica que co­mo grandes pilares ajudam a compreender a estrutura do todo e são apresentados de forma magnífica na carta aos Hebreus. São igualmen­te encontrados em alguns dos menores tijolos que formam o edifício — frases minúsculas, a maioria escondida atrás do reboco das tradu­ções, embora pelo menos uma ou outra permaneça visível.

Muitas vezes as traduções eliminam repetições de palavras que existem no original porque os tradutores as consideram desnecessárias ou uma forma de expressão idiomática que não se traduz literal­mente. Assim, por exemplo, Lucas 22:15, na ERC, diz: "…desejei muito comer convosco…" e a ERAB, na tentativa de dar o sentido comple­to do texto grego, diz: "Tenho desejado ansiosamente comer convosco…" Porém, o que Lucas escreveu, no grego, seria literalmente "com desejo eu tenho desejado". Em Gênesis 31:30 há o mesmo tipo de frase: A ERAB, diz: "…tens saudade de casa…" ao passo que o hebraico re­pete a palavra principal: "com saudades tens saudade de casa…".

Um dos objetivos da repetição, como vimos antes, é mostrar quão relevante é a Bíblia. Se o que aconteceu no tempo de Balaão aconte­ceu novamente na época de João, a advertência é que há a possibili­dade de acontecer hoje também. Mas a repetição tem outro propósi­to. Repetições deste tipo passaram do Antigo Testamento hebraico, on­de esta era uma maneira comum de expressar ênfase, para o Novo Tes­tamento grego. Dizer algo duas vezes intensifica a idéia. A repetição, para os antigos, tinha o mesmo sentido que sublinhar para nós hoje.

É isso que Deus está fazendo constantemente. Deus tem básica mente apenas uma mensagem para o homem, a saber, as boas novas da salvação. Mas na intenção de comunicar isso ao homem, Deus sa­be que a afirmação feita somente uma vez não será suficiente. "Uma vez falou Deus", diz o salmista, mas "duas vezes ouvi isto" (Sl 62:11). É por esta mesma razão, creio eu, que são dados ao faraó dois sonhos diferentes com a mesma mensagem. Isso o impressionaria e concor­reria para a validade da interpretação (Gn 41:32). Aos discípulos tam­bém foram mostrados dois milagres diferentes que continham a mesma mensagem básica para ensinar-lhes uma lição particular (Mt 16:5-12). O propósito de se martelar um mesmo prego muitas vezes é óbvio: que­remos cravá-lo.

Deus utiliza-se fartamente deste método para nos ensinar, e com razão. A mente do homem é irremediavelmente centrífuga e em ter­mos de pensamentos está sempre saindo pela tangente. Precisa ser tra­zido de volta às mesmas grandes verdades centrais — deve ser obri­gado, literalmente, a concentrar-se. Deus enfatiza essas verdades mui­tas e muitas vezes, às vezes em forma de rascunhos, outras vezes em forma de um detalhado trabalho de bico de pena e outras ainda co­mo um explosivo quadro multicolorido. É provável, portanto, que ele faça o mesmo no Apocalipse. E a menos que tenhamos boas razões para discordar, devemos convir que as verdades propagadas no Apo­calipse são muito mais intensivas do que extensivas. Em outras pala­vras, o que nos é mostrado pelo Apocalipse assemelha-se muito mais a um trabalho de colorir um quadro cujo rascunho é bem conhecido por nós, do que a uma colagem feita sobre o quadro original.

1. Abertura da Primeira Cena:

A Igreja Centrada em Cristo (1:9-20)

Eu, João, irmão vosso e companheiro na tributação, no reino e na perseverança, em Jesus, achei-me na ilha chamada Patmos, por cau­sa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Achei-me em espíri­to, no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve em livro e manda às sete igre­jas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro, e, no meio dos candeeiros, um semelhante afilho de homem, com vestes talares, e cingido à altura do peito com uma cinta de ou­ro. A sua cabeça e cabelos eram brancos como alva lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés semelhantes ao bronze polido co­mo que refinado numa fornalha; a voz como voz de muitas águas. Ti­nha na mão direita sete estrelas, e da boca saía-lhe uma afiada espa­da de dois gumes. O seu rosto brilhava como o sol na sua força. Quan­do o vi, caí a seus pés como morto. Porém ele pôs sobre mim a sua mão direita, dizendo: Não temas; eu sou o primeiro e o último, e aquele que vive; estive morto, mais eis que estou vivo pelos séculos dos sé­culos, e tenho as chaves da morte e do inferno. Escreve, pois, as cousas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas. Quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita, e os sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igre­jas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.

Até o dia em que ouviu a voz como que de trombeta, João expe­rimentou, no banimento, muito mais as tribulações de Cristo do que o esplendor do reino do Senhor. As montanhas e as minas da ilha de Patmos eram ambiente próprio para causar depressão e não encora­jamento. Mas apesar de João estar fisicamente em Patmos (en Patmô), naquele dia do Senhor achou-se também em espírito (en Pneumati), da mesma forma que Jacó muito tempo antes, para quem o tra­vesseiro de pedra do exílio tornou-se o próprio portal do céu. A voz ecoou. João voltou-se: a cena daquela ilha mediterrânea sumiu nas suas costas e diante dele surgiu a visão de uma outra realidade.

Foi o círculo de sete candeeiros que primeiro lhe chamou a aten­ção. Os candeeiros representavam as igrejas, é a explicação que logo se segue. Mesmo que o versículo 20 não existisse, poderíamos chegar a esta conclusão através de outras passagens, tais como Filipenses 2:15-16. Aqueles que resplandecem como luzeiros no mundo, diz o apóstolo, são os que preservam a palavra da vida. Assim Cristo, que é a luz do mundo (Jo 8:12), dá aos discípulos o mesmo título (Mt 5:14).

O significado do outro conjunto de luzes, as estrelas, não é tão fácil de entender. As sugestões de que os anjos são os líderes das igre­jas, ou mensageiros delas, ou que representam o seu espírito, no sen­tido moderno de caráter ou etnia, levantam uma série de dificulda­des. Parece que o melhor a fazer é tomar as palavras pelo que elas va­lem no seu sentido básico. As Escrituras demonstram (e não somen­te os escritos apocalípticos) que, tanto indivíduos (Mt 18:10; At 12:15), como nações (Dn 10:13; 12:1), podem ter um anjo, um parceiro espiritual no nível celestial. Presumivelmente o mesmo poderia aconte­cer em relação às igrejas. De qualquer forma o anjo e sua igreja estão intimamente relacionados; a mensagem de Cristo é dirigida a ele ou à igreja indiscriminadamente; e tanto as estrelas como os candeeiros, embora de formas diferentes, iluminam o mundo.

Mas as luzes de menor intensidade, tanto no céu como na terra, empalidecem diante do resplendor do Sol. Esta cena de abertura é do­minada pela "glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus" (Tt 2:13). Sabemos, de acordo com o versículo 18, que a descrição não pode ser de nenhum outro. A visão de João (v.17) é realmente muito impres­sionante. João certamente o vê como Deus. E lhe atribui as caracterís­ticas divinas usando a mesma linguagem que Ezequiel e Daniel usaram para descrever Deus, e certamente João teria relembrado a reivindica­ção de Cristo em João 14:9: "…quem me vê a mim, vê o Pai…". Deste ponto em diante a centralidade de Cristo é o tema principal do Apo­calipse. Todas as coisas dependem do relacionamento com Ele.

Isso pode explicar um fato curioso. Os sete candeeiros certamente nos trazem à mente um outro candeeiro: o que foi colocado no taber­náculo de Moisés. Moisés , tal como João, teve uma visão da realida­de espiritual, na qual lhe foi ordenado que construísse uma réplica do que vira. Entre as coisas que ele diligentemente construiu estavam as sete lâmpadas unidas em um único candeeiro. Os candeeiros de João, no entanto, estão separados. Talvez devamos ver neles a igreja, seja assim para nós exatamente como ela aparece no mundo, isto é, con­gregações locais aqui e ali, que podem ser completamente isoladas e até destruídas (2:5). Mas no nível celestial a igreja está unida e é in­destrutível porque está centralizada em Cristo. Os candeeiros estão es­palhados pela terra; mas as estrelas estão seguras na mão de Cristo. Assim também deve ser para todo o seu povo. A tribulação, a rea­leza e a perseverança que Jesus conheceu, João também conheceu, e se queremos verdadeiramente ser seus companheiros, precisamos estar dispostos a compartilhar as mesmas experiências. En Patmô nós sofre­mos; mas en Pneumati nós reinamos. O objetivo prático, para o qual a revelação divina aponta, é fazer-nos ver o primeiro à luz do segundo. Mesmo a progressão iniciada na primeira cena, que se passa inteiramen­te neste mundo, até a oitava cena, que se passa inteiramente no futuro, serve para ilustrar o mesmo propósito. O cristão conhece este mundo porque nele habita. Mas quanto ao significado do mundo, para onde ele caminha, e por que o trata com tanto desprezo, são questões para as quais ele não consegue encontrar resposta. Ele começa a entender somente quando o fato é relacionado àquele mundo. Ele chega a ver um plano da História, a realmente entender o que está acontecendo, a perceber o seu próprio lugar no quadro, e como tudo irá terminar. Per­cebe o grande desenho do lado direito da tapeçaria, que explica o en­trelaçamento de fios e as pontas soltas que estão do lado que lhe é mais familiar. Assim ele aprende a relacionar em sua mente a igreja, como ele a vê, lâmpadas que brilham aqui e ali em um mundo mergulhado em trevas; lâmpadas constantementes ameaçadas de extinção, e a igre­ja como Cristo a apresenta, um conjunto de estrelas inextinguíveis na mão do seu criador. Está pronto a enfrentar a tribulação, por causa do que ele conhece acerca do reino: está pronto a enfrentar a tempestade porque sabe que suas fundações estão profundamente enraizadas na rocha. "A tribulação e o reino" produzem "a paciente perseverança". Este é o objetivo do livro do Apocalipse.

2. A Primeira Carta: À Igreja em Éfeso (2:1-7) Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Estas coisas diz aquele que con­serva na mão direita as sete estrelas e que anda no meio dos sete can­deeiros de ouro. 2Conheço as tuas obras, assim o teu labor como a tua perseverança, e que não podes suportar homens maus, e que puseste aprova os que a Si mesmos se declaram apóstolos e não são, e os achastes mentirosos; e tens perseverança, e suportastes provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. 4Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor.5 Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas6. Tens, contudo, a teu favor, que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio.7 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus.

Se a tradição que diz que João foi bispo na cidade de Éfeso é correta, sua pulsação deve ter acelerado quando ouviu que a primeira das se­te cartas destinava-se exatamente à igreja em Éfeso. Como é de se es­perar, uma igreja sempre reflete o caráter do seu líder. As duas faces do João do Novo Testamento — o apóstolo do amor e "filho do tro­vão" — são vistas novamente em duas histórias que a tradição legou, pertinentes aos últimos anos de João em Éfeso: de um lado sua recu­sa em ficar sob o mesmo teto (de um banheiro público) com um fa­moso herético da época chamado Cerinthus, e, do outro lado, a re­dução de toda a sua mensagem a uma única sentença, a qual, em ex­trema velhice, costumava repetir em todas as reuniões de que partici­pava: "Meus filhinhos, amai-vos uns aos outros". Podemos ver nos livros de Atos e Efésios que a igreja do Novo Testamento era caracte­rizada tanto pelo amor como pelo zelo. Como a cidade de Éfeso ti­nha a pretensão de ser a "metrópole", ou "cidade mãe" de toda a Ásia, dava à igreja em Éfeso, pelas suas atividades evangelísticas e cuidado pastoral, o direito de pretender o título de igreja mãe da província. É por isso que o apóstolo Paulo pôde escrever acerca"… do amor para com todos os santos", manifesto pela igreja de Éfeso (Ef 1:15).

Na época em que João escreve, alguns anos já se passaram. Co­mo estaria a igreja? O zelo parece não ter diminuído. As obras, o la­bor e a perseverança são louvados e, em especial, o valor que a igreja dava à sã doutrina. Embora a igreja suporte o sofrimento, é patente que não pode suportar o ensino falso, venha ele de homens perver­sos, pseudo-apóstolos, ou de nicolaítas em particular.3 De acordo com a carta escrita aos Efésios, não muito depois desta, por Inácio, bispo de Antioquia, a igreja estava tão solidamente firmada na ver­dade do evangelho que nenhuma seita despertaria sequer o interesse de ser examinada pelos seus membros. Éfeso era uma igreja que tinha levado a sério as advertências de Paulo quando do seu último encon­tro com seus líderes.4 Da mesma forma, a mensagem de Cristo não menospreza o cuidado deles pela pureza e o amor pela verdade. Oh! pudesse o povo do Senhor ter uma visão correta para saber quando e como dizer como o salmista: "Não aborreço eu, Senhor, os que te aborrecem?" (Sl 139:21a.)

Mas, na busca constante pela preservação da verdade, a igreja em Éfeso tinha perdido o amor, "qualidade sem a qual todas as outras não têm sentido".5 É digno de nota o fato de que somente na primeira e na última das sete cartas as igrejas são ameaçadas de completa des­truição, pela desanimadora, e puramente negativa, razão que é a fal­ta de fervente devoção. "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor", diz Cristo. Vê se me compreendes: "…odeias as obras dos nicolaítas as quais eu também odeio"; a teu favor tens teu zelo. Mas onde está o teu amor? Fica sabendo que do amor depende a tua própria existência como igreja.

Este tipo de erro é muito fácil de acontecer. Deve ser confessado por todos os cristãos que aceitaram o papel de bravos senhores defen­sores da verdade, e esqueceram-se de que deles se espera que sejam se­nhores de coração grande também.6 À igreja (de Éfeso), Cristo mostra-se zeloso pelo que é certo. Demonstra poder e vigilância — mas é a igreja que ele tem nas mãos e vigia (v.l). Também tem olhos pers­picazes para identificar o mal, mas é na igreja que ele o identifica. Tam­bém não pode suportar o mal, porém o mal que ele ameaça destruir é a própria igreja, se ela não se arrepender.

E, de fato, a primeira lâmpada do candelabro foi removida. Tanto a igreja como a cidade foram destruídas; a única coisa que restou foi um lugar chamado Agasalute, e isso, ironicamente, honra a memória de João e não de Éfeso.6 Permanece ainda a promessa de vida no paraíso a to­do indivíduo que, lembrando-se de onde caiu, arrepende-se e volta à prá­tica das primeiras obras e do primeiro amor. Fica o alerta às igrejas que não amam: "Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, ao ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei" (1 Co 13:12).

3. A Segunda Carta: à Igreja em Esmirna (2:8-11)

Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver; 9Conheço a tua tributa­ção, a tua pobreza, mas tu és rico, e a blasfêmia dos que a Si mesmos se declaram judeus, e não são, sendo antes sinagoga de Satanás. 10Não temas as cousas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tributação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. 11Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O vencedor, de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte.

Ninguém precisa conhecer a história da cidade de Esmirna para compreender a mensagem destinada a essa igreja, mas creio que é elu­cidativo o fato de que a beleza dessa cidade, que até rivalizava com Éfeso, era, por assim dizer, a beleza da ressurreição. Setecentos anos antes a velha cidade de Esmirna fora completamente destruída, per­manecendo em ruínas durante três séculos. A cidade que existia nos dias de João era, por assim dizer, uma cidade que havia ressuscitado.

Em flagrante contraste com os campos existentes hoje no local onde Éfeso existia, Esmirna permanece até hoje com o nome de Izmir, sendo a segunda cidade da Turquia asiática. A ressurreição, que ca­racterizava a cidade, haveria de marcar a igreja também.

O futuro imediato era de sofrimento e morte. Isso era uma cer­teza; um fato que envolve inúmeras lições para nós que vivemos de mo­do relativamente fácil nos dias de hoje. Como reagiríamos se amanhã a perseguição batesse à nossa porta? Muitas igrejas aprenderam a vi­ver debaixo desta perspectiva e creio que devemos fazer o mesmo. A grande tribulação, vista por João como o acontecimento final desta época, a qual ele próprio vê em miniatura, aparecia como uma cons­tante na experiência do povo de Deus. É uma provação. É a ação do diabo, mas serve aos propósitos e intenções de Deus.

A perseguição em Esmirna foi especialmente intensa devido ao fato de que a comunidade judaica local era o maior dos inimigos. Os judeus eram o povo de Deus do ponto de vista racial, mas não real (Rm 2:28), e de fato blasfemavam contra Deus quando perseguiam a igre­ja sob a alegação de estarem prestando culto a Deus (Jo 16:2). Foram talvez as pressões econômicas, exercidas por esses judeus, que leva­ram a igreja à pobreza. Talvez fossem as acusações difamatórias dos judeus (note-se o jogo de palavras, pois Satanás significa "difamador") que conduziram os cristãos à prisão e à morte.

Mas os cristãos não devem desanimar. O Cristo que desvenda esta possibilidade desanimadora passou por uma experiência semelhan­te. Como Esmirna, o Senhor "…esteve morto e tornou a viver" para garantir que eles também tornariam a viver. Por trás daqueles judeus estava Satanás; seu pai espiritual é o diabo e não Abraão (Jo 8:33,44). Mas Deus está por trás de tudo e é ele que controla todas as coisas. Uma grande lição é que o sofrimento é certo; outra, é que ele é limi­tado. Para a igreja de Esmirna a perseguição seria por "dez dias", em um futuro não muito distante. Mas, pela bondade de Deus, haveria o décimo primeiro dia e aí tudo estaria terminado. O fato de Deus estar no controle não quer dizer que Satanás esteja impedido de inflingir dor. Não há uma só passagem no Novo Testamento que prometa uma vida isenta de sofrimentos, aliás, como é notório, sem cruz não há coroa. Mas o que Deus garante é que, mesmo que a igreja venha a morrer no sentido físico, jamais sofrerá o dano da segunda morte.7 É assim que Paulo, tendo aprendido dupla lição, demonstra uma ati­tude verdadeiramente cristã face à tribulação: "porque para mim te­nho por certo que os sofrimentos do tempo presente não são para com­parar com a glória por vir a ser revelada em nós" (Rm 8:18).

A mensagem, portanto, é que os crentes de Esmirna não devem ser medrosos, mas fiéis. Não devem olhar para o sofrimento, mas para Deus que tudo tem sob controle.

4. A Terceira Carta: à Igreja em Pérgamo (2:12-17) Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Estas coisas diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes: 13Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. 14Tenho, toda­via, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a dou­trina de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e prati­carem a prostituição. l5Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas. l6Portanto, arrepende-te; e se não, venho a ti sem demora, e contra eles pelejarei com a espada da minha boca. l7Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe da­rei uma pedrinha branca e sobre essa pedrinha escrito um nome no­vo, o qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe.

Éfeso era a principal cidade da Ásia, mas Pérgamo era a capital, pois era lá a sede do governo imperial. Lá também havia o mais anti­go templo dedicado à prática da religião patrocinada pelo estado, a saber, a adoração do imperador. Não sabemos com certeza se Cristo se referia a isso quando falou do "trono de Satanás", mas sabemos o tipo de dificuldade que os cristãos em Pérgamo tinham que enfren­tar. Para eles, Satanás não era, como em Esmirna, um mero calunia­dor trabalhando por intermédio de um grupo de judeus mal intencio­nados. Satanás aparece como o "príncipe do mundo" segundo a ex­pressão literal do Evangelho de João (Jo 14:30); o que a primeira carta de João chama de "o mundo" (1 Jo 2:15ss) é, de fato, o grande inimigo da igreja em Pérgamo.

"O mundo" inclui o poder de outras instituições além da máquina do Estado. Há a enorme biblioteca de Pérgamo (a cidade devia o seu nome à palavra "pergaminho"), o ministério de cura executado pelos sacerdotes de Esculápio e, servindo como coroa à acrópole da cida­de, o altar grego asiático de Zeus, o salvador. Toda essa parafernália de uma "sociedade alternativa" orientada para as necessidades da mente, do corpo e do espírito, é acrescentada às demandas do próprio estado romano. Da mesma forma encontraremos na quarta cena a bes­ta que sai da terra junto com a besta que sai do mar, oferecendo ao homem um sistema de vida viável, fora do reino de Deus. Mas esta é outra história. Antecipar o que João diz adiante é a maneira mais efi­ciente de confundir as coisas.

Resumindo, Satanás trabalha em Pérgamo através das pressões de uma sociedade pagã. Satanás persegue; o sofrimento que viria so­bre os cristãos de Esmirna já pairava sobre os de Pérgamo, e pelo me­nos um cristão já havia sido martirizado (v.l3b). Ele segue; os nicolaítas que foram mencionados na carta aos cristãos em Éfeso acham-se aqui novamente e, apesar de não sabermos muita coisa a respeito de­les, o seu ensino parece ser do mesmo tipo do de Balaão, o qual havia conduzido o povo de Deus para o pecado em épocas passadas (Nm 31:16; 25:1-3). Creio que os dois pecados mencionados no versículo 14 podem ser entendidos literalmente. Ambos aparecem nos dias de Balaão e reaparecem nos dias do Novo Testamento (1 Co 5 e 8). O ca­minho que conduz à prática desses pecados é o tipo de tentação típi­ca do mundanismo de todas as épocas: "que mal há nisso? Todo o mundo faz, por que não você?"

Sedução ou perseguição é a dupla perversão que o mundo ofe­rece à igreja. Uma sociedade altamente permissiva pode ser estranha­mente severa para com todos os que se recusam a acompanhá-la. "Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mes­mo excesso de devassidão" (1 Pe 4:4). As ruas alegres da Feira da Vai­dade ainda podem conduzir à prisão ou à fogueira: ou você compra, ou é queimado. Antipas, ao que parece, foi o único membro da igre­ja em Pérgamo a sofrer o martírio. Mas o que o Senhor diz é impor­tante: "Não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas". Negar a fé era uma tentação constante, especialmente quando a outra opção era ser martirizado.

Para alguns a tentação é forte demais e por isso cedem. O com­promisso com o mundo se estabelece quase sem sentir. A distinção entre a igreja e o mundo torna-se obscurecida. Há muita tolerância e pou­ca disciplina. "A culpa de Pérgamo residia no oposto da culpa de Éfe­so; e quão tênue é a linha entre o pecado da tolerância e o pecado da intolerância. "8

De qualquer forma, no fim, é com Cristo que eles terão que pres­tar contas. O poder da espada não está com os governantes romanos, nem com o príncipe deste mundo, mas com Cristo (v.12). A espada de dois gumes certamente refere-se ao outro juízo que é necessário: discernir a verdade (Hb 4:12) e punir o mal (Rm 13:4). O Senhor es­tá pronto a usar a espada contra aqueles que, mesmo na igreja, não se arrependam.

O Senhor faz, entretanto, uma promessa àqueles que se arrepen­dem e vencem. Não é fácil entender especialmente o significado das pedrinhas brancas (v.17), apesar de haver várias opiniões a respeito. Desde que o contexto fala de festas com carne sacrificada aos ídolos e da festa do maná que Deus espalhou no deserto para Israel, a men­ção das pedrinhas pode se referir ao antigo costume de utilizar peque­nas pedras quadradas como ingresso nos espetáculos públicos. A pro­messa de vida eterna feita no final das duas cartas anteriores é repeti­da aqui em termos apropriados ao cristão que não se conforma com os prazeres do mundo, nem com os banquetes da carne sacrificada aos ídolos. Cristo faz ao vencedor um convite pessoal para participar de um banquete no céu, que consiste na comunhão com o próprio Cris­to: "porque quantas são as promessas de Deus tantas têm nele o sim"; e ele é o único e verdadeiro maná, o pão da vida que desceu do céu (2 Co 1:20; Jo 6:31-35).

5. A Quarta Carta: aos Cristãos de Tiatira (2:18-29)

Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes ao bron­ze polido: 19‘Conheço as tuas obras, o teu amor, a tua fé, o teu servi­ço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais numerosas do que as primeiras. 20Tenho, porém, contra ti, o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a Si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. 21Dei-lhe tempo para que se arrepen­desse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua prostituição. 22Eis que a prostro de cama, bem como em grande tributação os que com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. 23Matarei os seus filhos, e todas as igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mente e corações, e vos darei a cada um, segundo as vossas obras. 24Digo, todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram, como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre vós; 25tão somente conservai o que tendes, até que eu venha. 26Ao vencedor, e ao que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, 21e com cetro de ferro as regerá, e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; 28assim co­mo também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã. 29Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Os pecados da igreja de Tiatira, assim como os de Pérgamo, eram a imoralidade e a tolerância para com a adoração de ídolos. Tanto nes­ta, como naquela igreja, podemos interpretar literalmente esses peca­dos, se bem que eles caracterizam o adultério espiritual no qual o po­vo de Deus incorria constantemente. De acordo com a metáfora bí­blica, o verdadeiro Deus é o esposo de Israel, e os falsos deuses são os amantes de Israel (Jr 3; Ez 16; Os 2). Tanto Jezabel como Balaão foram estrangeiros que seduziram a noiva de Deus à prática desse ti­po de infidelidade (1 Rs 16:31; 2 Rs 9:22).

Há, no entanto, distinções entre as duas situações. Contra os cris­tãos cercados de Pérgamo, Satanás usa a pressão do mundo tentan­do comprimir os crentes "nos seus próprios moldes" (Rm 12:2 CIN). Mas onde a igreja já se faz notar pelo crescimento e pelo vigor (v.19) ele sabe que pode causar um prejuízo maior envenenando o interior, do que pressionando o exterior. Em Tiatira uma mulher assumia, ao mesmo tempo, o perverso caráter de Jezabel e a atividade profética de Balaão, e ensinava, como se fosse da parte de Deus mesmo, coisas novas e profundas que muitos membros daquela igreja forte e dinâ­mica já estavam predispostos a explorar.9

As acusações que João Wesiey sofreu de estar "buscando reve­lações extraordinárias e dons do Espírito Santo", feitas pelo Bispo Butler, são injustas. A verdade é que muitos tiveram essa tensão; e essas "revelações", quando divorciadas daquilo que as Escrituras de fato re­velaram, são coisas verdadeiramente horrendas. Essas vozes sinistras geralmente ecoam no meio de um entusiasmo espiritual subitamente despertado. Mal a Reforma tinha começado a criar impacto, João de Leyden proclamou-se messias em Münster. Ao mesmo tempo em que o grupo "Os meninos de Deus" apela à lealdade da juventude moder­na, os pais cristãos ficam chocados ao descobrir que seus filhos estão sendo incentivados a romper os laços familiares. "Não terás ou­tros deuses diante de mim" e "Honra a teu pai e a tua mãe", são man­damentos tradicionalistas enfadonhos quando comparados com a di­nâmica voz desses novos profetas.

O fato de que vozes deste tipo são inevitáveis em uma igreja vi­va, não é desculpa para que sejam deixadas à vontade; pelo contrá­rio. Quanto mais dinâmica a voz, mais severamente será julgada. O Cristo que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido virá julgá-la como o sol brilhante do meio dia (1:16), de modo infinitamente mais terrível do que o deus pagão, Apoio, cu­jo templo em Tiatira era famoso. A glória de Cristo sonda a mente e o coração de "Jezabel", e "nada refoge ao seu calor" (v.23; SL 19:6). Aqueles que não se arrependerem são ameaçados com tribulações e morte, certamente de cunho espiritual e, possivelmente (tanto nestas punições como na punição pelos pecados descritos nos versículos 20-21), com a morte física também. Àqueles que se arrependerem ele promete que, uma vez removida a barreira do pecado, eles se trans­formarão na maravilhosa igreja missionária que está dentro de Si mes­mos. O versículo 27 é uma adaptação grega do hebraico do Salmo 2:9. A primeira metade do versículo é ambígua em ambas as línguas, mas o curioso vocabulário empregado expressa de forma clara o duplo efei­to resultante da pregação do evangelho. Digo isso porque a "autori­dade sobre as nações", que é dada a Cristo no Salmo 2, e à igreja de Tiatira, é a autoridade para proclamar o reino de Deus. Quem rejei­tar entrar no reino será destruído, mas quem aceitar viverá (2 Co 2:15-16; Jo 20:23; Lc 24:47). E o que é mais importante, à igreja, fiel propagadora da luz do evangelho nas trevas deste mundo, Cristo pro­mete a Si mesmo como a "brilhante estrela da manhã" (22:16), a cer­teza de que a aurora chegará quando então a luz das lâmpadas será tragada completamente pela luz da eternidade.

6. A Quinta Carta: à Igreja em Sardes (3:1-6)

Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Estas coisas diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e estás morto. 2Sê vigilante, e consolida o res­to que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. 3Lembra-te, pois, de como tens re­cebido e ouvido, guarda-o, e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti. 4Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras, e andarão de branco junto co­migo, pois são dignas. sO vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. 6Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Apesar das falhas, Cristo reconheceu as coisas boas existentes em to­das as igrejas às quais se dirigiu. O que ele encontrou que recomen­dasse Sardes? Nada. A única coisa boa que a igreja possuía era uma boa reputação para a qual não existia, de fato, razão alguma. O veredito de Cristo sobre a condição da igreja é breve e devastador: "Tens nome de que vives e estás morto".

Não nos enganemos acerca de Sardes. Ela não é o que o mundo chamaria de igreja morta. Talvez ela seja considerada viva até mes­mo pelas suas igrejas irmãs. De fato, desde que Cristo determina a igre­ja a ser "vigilante" e a adverte de que a sua vinda para julgá-la será inesperada, quer me parecer que nem a própria igreja tinha consciência do estado espiritual em que se encontrava. Todos a reputavam como igreja florescente, ativa e bem sucedida; todos, com exceção de Cris­to. Suas obras não atingiam o padrão estabelecido por Cristo. Nin­guém naquela igreja tinha atingido a integridade necessária (v.2). Se Cristo ameaça não confessá-la diante de Deus a razão é que, apesar de todo o seu ativismo, ela não está, de fato, confessando a Cristo (v. 5; Mt 10:32).

Falha na integridade? Falha na confissão? Ninguém ficaria mais surpreso face às acusações do que a própria igreja. Mas "quando nos lembrarmos do que a palavra integridade significava, no sentido da vida cristã, aos cristãos em Esmirna, poderemos entender melhor o que João requeria da igreja em Sardes": segura, contemplativa como a cidade de Sardes, não sofria nem perseguições, nem heresias. "Ela tinha imposto a Si mesma a tarefa de evitar problemas, seguindo uma política baseada na conveniência e na circunspecção ao invés de no zelo fervoroso. "10

Talvez não seja correto dizer que a sua reputação é a única coisa boa que a igreja tem. Há algumas pessoas na igreja que ainda não es­tão mortas embora estejam morrendo (v.2). Umas poucas pessoas na igreja ainda não se contaminaram (v.4). Acima de tudo é menciona­da a primeira reação ao evangelho, "de como o tens recebido e ouvi­do" (v.3). A palavra importante é "como" e não "o que". Oh! Se ela tão somente pudesse recuperar o espírito de santidade e consagração, "o como" daqueles primeiros dias! Do contrário Cristo ameaça vir de surpresa para julgá-la, como o ladrão na noite. O que ele descre­ve nestes versículos pode ser entendido como sua vinda no fim dos tempos, como em Mateus 24:36-44, mas pode referir-se a uma pu­nição mais imediata. João "esperava que a vinda final de Cristo seria antecipada em menores, mas não menos decisivas apari­ções".11 A experiência da igreja em Sardes será igual à da cidade, a qual nunca fora tomada de assalto e se julgava impugnável, po­rém mais de uma vez fora capturada em surdina.

Mesmo a promessa do versículo 5 contém uma advertência. Não há menção do reino e do poder e da glória contidos nas outras car­tas como prêmio aos cristãos vitoriosos. Tudo o que Cristo prome­te aos vitoriosos de Sardes é que o nome do vencedor não será apa­gado do livro da vida, de modo nenhum, e que ele será vestido com as vestes brancas da justiça. Em outras palavras, tudo o que é ga­rantido aos cristãos em Sardes, é que eles serão aceitos por Deus, como para sublinhar a possibilidade de que a igreja, como um to­do, poderia até perder esse privilégio.

Se Cristo é o único que pode ver e expor a verdadeira condição da igreja em Sardes, ele é certamente o único que pode lidar com ela. E ele está pronto para fazê-lo. Ele é "aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas"; e quando ele menciona juntas as estrelas, que são os anjos representativos das igrejas, e os sete espíritos, duas coisas podem acontecer. Os sete espíritos são os olhos de Deus de quem nada se pode ocultar (5:6); daí procede a mensa­gem tão severa que acabamos de ouvir. Eles, os espíritos, são tam­bém o poder vivificador da parte de Deus e, em Sardes, como em todas as sete igrejas, Cristo tem nas mãos tanto a igreja necessita­da, como o espírito vivificador. Ele pode reconciliá-los, não somente para fazer diagnóstico da situação mas para revificar os mortos. Pre­cisamos estar certos de que se Sardes se lembrar, e der ouvidos, e se arrepender, ele a revificará.

7. A Sexta Carta: à Igreja em Filadélfia (3:7-13) Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o ver­dadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fecha­rá, e que fecha e ninguém abre. 8Conheço as tuas obras eis que te­nho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar — que tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra, e não negas te o meu nome. 9Eis que farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a Si mesmos se declaram judeus, e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés, e conhecer que eu te amei. l0Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam so­bre a terra. 11 Venho sem demora. Conserva o que tens para que ninguém tome a tua coroa. 12Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no san­tuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jeru­salém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome. 13Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Além de Esmirna, Filadélfia é a única igreja em que Cristo não en­contra faltas. Qualquer austeridade que pareça demasiada da parte de Cristo não é motivada pelas faltas encontradas, e sim pelos fatos que precisam ser enfrentados. Uma época de testes se aproxima, não certamente a última grande tribulação que João erradamente julga­va iminente, nem uma perseguição local, o que fica evidente pelas pa­lavras: "hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro". Este teste refere-se à perene perseguição, da qual todas as pequenas perse­guições e, especialmente, a grande tribulação, são partes integrantes. E a igreja não tem grande força para enfrentar esta batalha. Cristo não minimiza as dificuldades que deverão ser enfrentadas.

Ele encoraja a igreja. A igreja se defronta com uma oposição e (pos­sivelmente) com oportunidades, e a intenção de Cristo é ajudar a igreja a vencer a primeira e a confirmar a segunda.

O paralelo ente Filadélfia e Esmirna pode ser novamente encontrado no fato de Filadélfia ter que enfrentar a oposição dos da "sinagoga de Satanás" (2:9). Para entender bem a idéia da palavra "mentem", no grego, devemos pensar nessas pessoas como sendo pseudo-judeus. Eles reivin­dicam para Si, falsamente, a glória de serem o povo santo de Deus. Em contraste, Cristo se apresenta como "o santo, o verdadeiro" (v.7). Ele men­ciona antigas profecias segundo as quais o povo de Deus será, um dia, justificado, e o resto da humanidade se curvará diante desse povo. Cris­to diz à igreja que o cumprimento dessas profecias será o contrário do que era esperado pelos judeus de Filadélfia: eles é que terão de "prostrar-se aos teus pés" e reconhecer "que eu te amei". Oh! Que os cristãos se ani­mem, pois são os favoritos do Senhor.

Freqüentemente, no Apocalipse, João faz coro aos outros escrito­res apostólicos, ensinando que os privilégios e as promessas feitas aos ju­deus no Antigo Testamento foram herdadas pela igreja cristã.12 Esta doutrina, bem como o seu aspecto histórico, encontra-se nestes mes­mos versículos da carta aos cristãos de Filadélfia. Uma investigação acerca do significado da expressão "a chave de Davi" leva-nos até o livro de Isaías. Interessante notar que encontraremos menções do li­vro de Isaías espalhadas por todo o capítulo 3 do Apocalipse. A "cha­ve" aparece em Isaías 22:22, juntamente com a promessa de que o res­ponsável por ela, Eliaquim, encarregado da casa de Davi, teria a mes­ma autoridade que Cristo tem de abrir e fechar. Mas abrir e fechar o quê? A entrada da casa de Davi. E com que propósito? Os portões es­tão abertos, diz Isaías, "para que entre a nação justa que aguarda a fidelidade (26:2). Assim como o próprio Eliaquim é "fincado como estaca em lugar firme, e ele será como um trono de honra para a casa de seu pai" (22:23), da mesma forma, aos fracos, aos desprezados e aos estrangeiros, será dada a "minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome melhor" (56:5). As nações também virão em submissão humilde (60:11); "todos os que te oprimiam, prostrar-se-ão até as plantas dos teus pés" (60:14 cf 49:22, 23). Todas as idéias aqui dizem respeito ao acesso à casa de Davi, ao reino, à cidade e ao templo de Deus.13 O que se segue pode ser acompanhado passo a pas­so. O Senhor condena o legalismo dos judeus ("Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais o reino dos céus diante dos ho­mens; pois vós não entrais, e não deixais entrar os que estão entran­do" Mt 23:13) e transfere a autoridade de porteiro à igreja ("Dar-te-ei as chaves do reino dos céus" Mt 16:19). Dessa forma Pedro e os ou­tros cristãos têm o privilégio de dar as boas vindas não somente aos judeus, mas aos samaritanos e aos gentios como membros permanen­tes do reino (At 2, 8,10). Assim, todo conceito expresso nas palavras: chave, porta, cidade, templo e coluna torna-se cristão, e é a base para a transferência acima mencionada. Os judeus precisarão aprender "que eu te amei".

Este favor não merecido é a raiz de todo o resto. Em certo sentido Cristo guarda (ou preserva) o seu povo porque eles guardam (ou ob­servam) a sua palavra (v.10) e o incentivo que ele dá, tanto a Filadélfia como a Esmirna, é dirigido a todos os que lhe são leais. Mas a cadeia de causa e efeito vai mais fundo; eles obedecem aos mandamentos por­que ele os amou primeiro. E vai mais fundo ainda: o resultado final do amor de Cristo pela igreja é que a igreja de "pouca força" será estabe­lecida como uma coluna irremovível no templo da Jerusalém Celestial (v.12). Esta igreja será selada de modo triplo: pertence a Deus, perten­ce à cidade de Deus e pertence ao Filho de Deus. Sua terna promessa aos que se sentem dolorosamente cientes de suas próprias fraquezas e inseguranças, é que no final eles pertencerão ao Senhor.

Até que esse dia chegue, o Senhor os anima a suportarem as pres­sões e, como não poderia deixar de ser, ao serviço. Em outras passa­gens do Novo Testamento a expressão "uma porta" é figura de opor­tunidade (1 Co 16:9; 2 Co 2:12); e, apesar disso, como vimos, nestes versículos significa principalmente a segurança que eles tinham de en­trar na Nova Jerusalém; essa porta também é o único caminho pelo qual os outros podem entrar no Reino. Invertendo a figura apresen­tada por Isaías, mesmo os judeus poderiam ser convertidos da sina­goga de Satanás. Assim os cristãos são duplamente incentivados, pois o mesmo Cristo, que anula os opressores, amplia as oportunidades. A porta foi aberta por ele e ninguém poderá fechá-la. É motivo para os cristãos se animarem e usarem a força que têm no serviço que ele lhes confiou.

8. A Sétima Carta: aos Cristãos em Laodicéia (3:14-22)

Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: 15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fos­ses frio, ou quente! 16Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca; 17pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. 18Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras bran­cas para te vestires, afim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas. 19Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-te. 20Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo. 2lAo vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como tam­bém eu venci, e me sentei com meu Pai no seu trono. 22Quem tem ou­vidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

A arqueologia tem se encarregado de fornecer dados bastante interes­santes acerca da história relacionada com esta carta. Laodicéia era um centro bancário e produzia artigos têxteis. Também era famosa por produzir uma espécie particular de colírio (ver v.18). Era também uma estância hidromineral de águas mornas que vinham de fontes próxi­mas à cidade (ver v.16). Assim as palavras de Cristo à igreja contêm uma confortável mensagem, bem apropriada. Mesmo que não tivés­semos o conhecimento arqueológico, ainda assim não teríamos pro­blemas em identificar o juízo que Cristo faz da igreja. "Quem dera fosses frio ou quente!" Que condenação pior poderia existir para uma igreja do que o Senhor dizer que preferiria um cristianismo mais frio do que o encontrado efetivamente em Laodicéia.

Em outras cidades da Ásia temos observado que o estado da igreja geralmente corresponde ao estado da cidade. Em Laodicéia, entretan­to, isso não se repete; há um contraste entre a cidade e a igreja. A igreja é a imagem da cidade revertida como em um negativo. Financistas, médicos e fabricantes de tecidos se encontram entre os cidadãos mais notáveis da cidade; porém a igreja é considerada "miserável, pobre, cega e nua". "Laodicéia tinha falhado no propósito de encontrar em Cristo a fonte de toda a verdadeira riqueza, esplendor e visão. "14

A indiferença de Laodicéia é a pior condição em que uma igreja pode sucumbir. A situação de Laodicéia é pior que a de Sardes onde, pelo menos, existia um fio de vida. A única coisa boa em Laodicéia é a opinião da igreja sobre Si mesma e, ainda assim, completamente falsa. Ela tem a pretensão de ter todas as coisas, mas na realidade não tem nada. Devemos lembrar-nos de que em 1:16 há sete estrelas na mão de Cristo. Nós até podemos duvidar se ela era uma igreja verdadeira. Será que a linguagem de Cristo deveria nos chocar? É difícil pensar assim, frente ao descrito no versículo 16: "Estou a ponto de vomitar-te da minha boca". É o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira que pro­fere estas palavras, e elas são uma parte de todas as outras ameaça­doras escrituras que falam do Senhor, desgostoso com essa geração (Sl 95:10) e zombando dos homens (Sl 2:4).

Apesar disso Laodicéia tem uma chance. O fato de ser repreen­dida é uma prova de que o Senhor a ama (v.19); a ameaça de abando­no total, caso ela não se arrependa, é contrabalançada pela promes­sa de reestabelecimento total, caso ela se arrependa. Por causa dessa igreja desastrada, o Senhor se apresenta, no versículo 14, como "o prin­cípio da criação de Deus" (talvez a melhor tradução seja: a origem da criação de Deus), aquele que é capaz de descer até o caótico abismo do fracasso de Laodicéia e restaurá-la, assim como um dia ele fez com o mundo.

Isso só será possível se ela quiser. A soberania divina não é, de modo algum, prejudicada por isso. Cristo é o único que pode provi­denciar as riquezas, as roupas e o ungüento; ele é a voz persuasiva que aconselha Laodicéia a aceitar a oferta. Ele é o que vem, o que permanece, o que bate, o que chama. Sua soberania está implícita no fato de ele ser "a origem da criação" de Deus, verdade esta que a igreja de Laodicéia já conhecia através da carta de Paulo aos Colossenses (Cl 1:15-18; 4:16). Mas a pergunta crucial para a igreja é se ela abrirá a porta e deixará Cristo entrar. "Pois a única cura para a indiferença é a readmissão do Senhor excluído. "15

Mesmo que a igreja seja surda à chamada de Cristo, ele ainda as­sim se dirige a cada um dos membros individualmente, pois "quan­do Cristo diz: Eis que estou à porta e bato, se alguém… é clara a sua intenção de dirigir-se ao indivíduo. Mesmo que a igreja, como um to­do, não dê ouvidos à sua advertência, pode ser que um indivíduo o faça. "16 A todas as pessoas de Laodicéia que apresentarem evidências de arrependimento, o Senhor promete, nos versículos 20 e 21, uma ma­jestosa recompensa: "Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci, e me sentei com meu Pai no seu trono."

4 thoughts on “CURSO BÍBLICO: AS 07 IGREJAS DO APOCALIPSE. (Curso Bíblico para o culto de doutrina da Igreja do Betel Brasileiro geisel)

  1. A Paz do Senhor! Amado seus estudos tem me auxiliado muito. Estou a procura de uma APOSTILA P/ DISCIPULAR PRESIDIRIOS. Estou pesquisando a dias na internet, e no consegui encontrar nada.Quero dar uma sugesto a voc: PREPARE UMA APOSTILA COM CONTEDO ESPECFICO P/ EVANGELISMO/DISCIPULADO COM PRESIDIRIOS. NA INTERNET NO H NADA COM ESSE CONTEDO. Estamos carentes de material nesta rea. Precisa ser um material BEM ELABORADO, com lies que falem sobre: Perdo Divino, Salvao, Auto-estima, Libertao, Amor, Etc… Acredito que voc pode preparar esse material. Sou Pastor da Assembleia de Deus, e moro ao lado da delegacia municipal de minha cidade. Deus me dirigiu para fazer um trabalho de discipulado com os detentos. O chefe de polcia local me deu o maior apoio, fiz uma reunio com os detentos, eles ficaro ansiosos para comearmos. O problema que no tenho material adequado, e at agora, no vi esse tipo de material em nenhum lugar, nem em livrarias evanglicas.Fica aqui a minha sugesto. Creio que havendo interesse de sua parte, Deus ir te iluminar.

    Em 30 de outubro de 2012 23:12, WordPress.com

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