Estudo: A DIDÁTICA DO SOFRIMENTO (Estudo Bíblico para o culto de doutrina da Igreja do Betel Geisel)

A didática do sofrimento

Texto: 1 Pedro 4.7-19

Introdução

"Se existe sofrimento, Deus pode existir?" "Se Deus é bom e também onipo­tente, por que, então, existe o mal no mundo?" O sofrimento entrou no mundo pelo pecado. Hoje a natureza geme por causa do pecado. Os filhos de Deus gemem por causa do pecado. E o próprio Espírito geme intercedendo por nós. O sofrimento atinge a todos. O sofrimento é variado. Há sofrimento físico. Há dor amortecida e dor aguda. A dor causa sofrimento. Mas há muitas formas de sofrimento que não se irradiam da dor física.

O medo e a ansiedade podem produzir grande sofrimento. A humilhação, o desprezo, a solidão, a perda de um ente querido, o remorso, a destruição do casamento podem causar grande sofrimento.

O sofrimento emocional pode ser tão profundo como a dor física. O sofrimento é complexo: abrange a mente, as emoções, o físico e o espírito. A depressão profunda é uma terrível realidade para muitos.

Há a dor do faminto, do desam­parado, do órfão, da vítima, do enlutado, do perdido.

A Bíblia ensina: Deus não nos poupa do sofri­mento, mas caminha conosco pelo sofrimento (Is 43.1-3; SI 23.4); Deus trabalha as circunstâncias dolorosas da nossa vida e as canaliza para o nosso bem (Gn 50.20; Rm 8.28); Deus transforma as circunstân­cias adversas em benefício para nós (SI 84.5-7); Mesmo que as circunstâncias não mudem, Deus mesmo é a razão da nossa alegria (Hc. 3.17-18); Podemos nos alegrar nas próprias tribulações (Rm. 5.3-5; Tg. 1.2).

O apóstolo Pedro tem algumas lições a nos ensinar sobre a questão do sofrimento.

O PROPÓSITO DO SOFRIMENTO  v.1-11

O sofrimento nos ajuda a ven­cer o pecado – vv. 1-3. O sofrimento faz com que o pecado perca o seu poder em nossa vida. Enquanto o sofrimento endurece o ímpio, amolece o coração do crente. O exemplo do sofrimento de Cristo ajuda o crente a enfrentar o sofrimento com a mesma disposição. O crente não é melhor do que o seu Senhor. Se o mundo perseguiu a Cristo, vai infligir sofrimento a nós também. O sofrimento nos leva a entender que os prazeres do mundo e as paixões da carne não compensam. 0 sofrimento leva-nos a desmamarmos do mundo.

O sofrimento nos ajuda a tes­temunhar de Cristo – vv. 4-6. Os amigos não salvos se maravilham quando o crente não deseja participar das coisas que eles participam. Mesmo sofrendo o crente canta, louva, adora e agradece a Deus. Jó nas cinzas glorifica a Deus e diz: "O Senhor Deus deu e o Senhor tomou, bendito seja o nome do Senhor". Isso é um testemunho poderoso. Paulo e Silas na prisão cantam. Isso impactou os prisioneiros. Estevão mesmo apedrejado tem um brilho no rosto. Cristo mesmo pregado na cruz tem palavras de amor nos lábios.

O sofrimento nos ajuda a manifestar um terno amor pelos irmãos – vv. 7-9. O sofrimento produz em nós uma sensibilidade mais aguçada. Passamos a ver a vida e os outros com outros olhos. Tornamo-nos mais amáveis e generosos. O sofrimento nos ajuda a abrir o bolso, o coração e a casa para ajudar os irmãos. O sofrimento nos torna mais solidários. Grandes campanhas humanitárias são promovidas por pessoas que passaram por grande dor e sofrimento.

O sofrimento nos ajuda a co­locar os dons que Deus nos deu a serviço do seu povo – vv. 10-11. Precisamos servir uns aos outros, de acordo com o dom que recebemos. Nossa vida deixa de ser egoísta. Nosso propósito é abençoar os outros e edificar o povo de Deus. Nosso alvo é a glória de Deus e a exaltação de Cristo.

AS ATITUDES DO CRENTE EM RELAÇÃO AO SOFRIMENTO – v. 12-19

O crente precisa entender que o sofrimento não é incompatí­vel com a vida cristã – v. 12. O crente não pode estranhar o sofrimento como se fosse algo incompatível com a vida cristã. O crente até mesmo tem que esperar as provações. Vivemos num mundo caído e hostil. Vivemos cercados de uma hoste de inimigos infernais que nos espreitam. Vivemos oprimidos pelo pecado que tenazmente nos assedia.

Se o mundo perseguiu a Cristo, não perseguiria a nós também? "Quando a igreja for mais fiel ela será mais perseguida". "Todo aquele que quiser viver neste mundo piedosamente, será perseguido" (2 Tm. 3.12). "Irmãos, não vos maravilheis se o mundo vos odeia" (1 Jo3.13).

O crente precisa entender que o sofrimento é para nos provar e não para nos destruir – v. 12. O fogo ardente é o fogo da fornalha. É o cadinho onde o metal é purificado. O fogo só destrói a escória, enquanto purifica mais o metal. No Antigo Testamento, este vocábulo se aplica a um forno para fundição de minérios, no qual o metal era derretido para ser purgado dos elementos estranhos. O Salmo 66.10 (RC), diz: Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata.

Satanás queria destruir a Jó com o sofrimento, mas Deus queria revelar-lhe Sua soberania. Satanás queria esbofetear Paulo com o espinho na carne, mas Deus queria quebrantá-lo para que não se ensoberbecesse.

O crente precisa entender que é possível enfrentar o sofrimen­to com exultante alegria – v. 13. Jesus ensinou: Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós (Mt. 5.11-12 – RC).

O apóstolo Paulo demonstrou conseguir ter alegria nos problemas (Fp. 1.12). Ele cantou na prisão (At 16.22-33). Paulo demonstrou alegria apesar dos difamadores (Fp. 1.15-17). Paulo demonstrou alegria apesar da morte (2 Tm 4.6-8). Paulo se alegrava no sofrimento porque entendia que: as coisas espirituais estão acima das materiais; o futuro tem mais valor que o presente e o eterno mais do que o temporal (2 Co. 4.16-18). Ele sabia que Deus está no controle de cada situação (Rm 8.28).

Tiago diz que devemos ter motivo de toda alegria o passarmos por diversas provações (Tg. 1:2-4). Veja 1 Pe. 1.6-7.

O crente precisa entender que o sofrimento nos une profunda­mente a Cristo – v. 13. O sofrimento para o crente significa partilhar das suas aflições passadas – Não somos co-participantes do sofrimento vicário de Cristo. Este foi único, cabal. Mas quando sofremos hoje, sofremos da forma que Cristo sofreu, com o mesmo propósito com que Cristo sofreu. Os apóstolos consideram um privilégio sofrer por amor a Cristo (At 5.40-41). Paulo diz: Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele (Fp 1.29).

O sofrimento para o crente significa partilhar da sua glória futura – Precisamos olhar para o sofrimento presente pela ótica da glória futura. O caminho para a glória é estreito. Há espinhos. Há cruz. Há dor. Mas "…os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós" (Rm 8.18). "…a nossa leve e momentânea tribulação, produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação…" (2 Co 4.17). No céu, nossas lágrimas serão enxugadas, nossa dor passará. Não haverá nem luto, nem pranto, nem dor (Ap 21.4). Esta é a grande esperança cristã. O céu explicará para nós todo o mistério do sofrimento.

O crente precisa entender que o sofrimento nos leva a glorifi­car a Deus – vv. 14-16. Quando enfrentamos o sofrimento sem amargura, sem murmuração e revolta, mas nos submetemos a Deus, o Espírito da glória repousa em nós e isso promove a glória de Deus. Quando o povo de Deus canta no sofrimento a glória de Deus se manifesta. As aflições de John Bunyan nos deram O PEREGRINO. As aflições de William Cowper nos deram os belos hinos. As aflições de David Brainerd nos deram O DIARIO publicado, que mais tem despertado missionários no mundo inteiro.

O crente precisa aprender a avaliar o sofrimento – v. 15. Nem todo sofrimento é da vontade de Deus (v. 19) e nem todo sofrimento glorifica a Deus (v. 16). Há sofrimentos provocados pelo próprio homem (v. 15). O crente não pode ser um provocador de problemas. Ele respeita a vida alheia, os bens alheios, a honra alheia e a privacidade alheia (v. 15; 2 Ts 3.11).

O crente precisa entender que o juízo começa primeiro dentro da igreja – vv. 17-18. O projeto de Deus é nos transformar à imagem do seu Filho. Jesus aprendeu pelas coisas que sofreu. Ele nos disciplina porque nos ama. Ele nos corrige para nos educar. A igreja precisa dar exemplo na forma de se arrepender. Não podemos chamar o mundo ao arrependimento, se estamos vivendo em pecado. Não podemos exortar os outros, se nós mesmos não estamos andando com Deus. Antes de tratar com o mundo, primeiro Deus trata com a igreja. Aqueles que hoje vivem sem disciplina perecerão eternamente. Eles vão sofrer por toda a eternidade.

 

A PACIÊNCIA DO CRENTE EM RELAÇÃO AO SOFRI­MENTO- v. 19

Devemos entregar-nos a Deus-v. 19. A palavra "encomendar" é um termo bancário que significa "depositar em confiança". Pedro está exortando a todos os crentes que sofrem a entregar suas almas (vidas) aos cuidados de Deus. Deus nos criou e Ele é totalmente capaz de cuidar de nós. Pedro nos mostra neste texto que Deus não é apenas fiel, mas também soberano. Por isso, digno de toda confiança. Confie em Deus no sofrimento! Alegre-se nEle apesar das circunstâncias, como Jó e Habacuque.

Devemos continuar pratican­do o bem- v.19b. O sofrimento não deve nos endurecer, nem nos deixar apáticos. Ao contrário, nossa entrega a Deus leva-nos à ação. Devemos semear ainda que com lágrimas. Devemos amar, ainda que rejeitados. Devemos abençoar ainda que amaldiçoados. Devemos orar, ainda que perseguidos.

CONCLUSÃO

Como crentes em Cristo, precisamos crer que o sofrimento é uma prova de um Pai amoroso, e não um ardil para nos destruir. O sofrimento não é anormal nem estranho. O sofrimento é o caminho da glória, uma oportunidade para ser bem-aventurado e para glorificar a Deus. O sofrimento é uma oportunidade para nos entregarmos a Deus e fazermos o bem aos outros, dando testemunho da nossa fé.

3 thoughts on “Estudo: A DIDÁTICA DO SOFRIMENTO (Estudo Bíblico para o culto de doutrina da Igreja do Betel Geisel)

  1. Agradeço a Deus por ter encontrado esse site na net. Gosto muito de estudar e sempre estou buscando algo para edificar minha vida espiritual e me fazer refletir sobre como viver nesse mundo tão materialista com foco na felicidade imediatista, na libertinagem, ceticismo e tantas outras coisas que nos afastam da presença de Deus. Os materiais são ótimos e até já me inscrevi num curso a distância sugerido aqui.

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