Texto para Debate sobre A ESCATOLOGIA DO ANTIGO TESTAMENTO–(Curso de teologia do Antigo Testamento do Instituto Biblico Betel Brasileiro)

Aula ministrada pelo Pr Josias Moura de Menezes no curso de Teologia Bíblica do Antigo Testamento.

Textos para debate sobre

a Escatologia do Antigo Testamento

Grupo 01: CRISTO, O ALVO ESCATOLÓGICO DO AT

A história da redenção é cristocêntrica. No Velho Testamento ela caminha linear e progressivamente na direção do Messias, objeto da esperança e da fé dos patriarcas e dos profetas. Os crentes do antigo Israel, firmados nos feitos de Javé, olhavam sempre para frente, para um Rei e um reino prometidos. Tal esperança alimentava-lhes a fé, sustentava-lhes a comunhão com Deus, mantinha-os firmes na luta, promovia-lhes a unidade. Os cristãos olham o passado para enxergarem o futuro. Sem a consciente e constante contemplação da manjedoura, símbolo da encarnação; da cruz erguida no Calvário, imagem do sacrifício vicário do Cordeiro; do túmulo vazio de Arimatéia, signo da ressurreição de Cristo, primícia da nossa; da mensagem apostólica, o Evangelho, estaremos privados dos elementos e das condições essenciais à visão adequada do reino porvir, para onde nos leva o Salvador e onde ele mesmo nos espera. Em Cristo, o redimido está no mais perfeito mirante, que lhe possibilita contemplar o pretérito no qual se firma, e visualizar o reino vindouro, para onde se destina. Quem se firma no que Cristo realizou, permanece no que realiza, e será partícipe do que realizará. Isso, porém, só é possível mediante a graça misericordiosa do Redentor. Para nós Cristo é o "Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim" ( Ap 22.13 ); morremos com ele na cruz; com ele ressuscitamos; com ele estamos em sua Igreja; com ele estaremos no reino escatológico.

PROFECIAS CUMPRIDAS

Que Cristo é o Messias esperado pelos judeus não há, segundo os registros sagrados, a menor dúvida. E, sendo assim, o reino messiânico foi instaurado por Jesus Cristo e está vigente em sua Igreja, contra a qual as portas do inferno não prevalecerão. O Rei messiânico e seu reinado não é mais, para os regenerados, uma promessa, mas realidade. Cristo reina em nós e sobre nós decidida e decisivamente.

Algumas profecias literalmente cumpridas em Cristo: Is 7.14: "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel" ( Cf. Mt 1. 22,23). Mq. 5.2: "E tu, Belém Efrata, pequenina demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade" ( Cf. Mt 2.5,6 ). Os 11.1; "Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho" ( Cf. Mt 2.14,15 ). Is 53.3: "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso ( Cf. Jo 1.11 ). Zc 9.9: "Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: Eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta" ( Cf. Mt. 21.4,5 ). Zc 11.12: "E eu lhes disse: Se vos parece bem, dai-me o meu salário; e se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário, trinta moedas de prata" ( Cf. Mt 26.15 ). Is 53.9: "Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca"( Cf. Mt 27.57-60 ). Sl l6.10: "Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção"( Cf. At 2.24-32 ). Outros cumprimentos: Zc 12.10 cf. Jo 19.34. Sl 22.18 cf Mc. 15.24. Sl 34.20 cf Jo 19.33. Sl 68.18 cf At 1.9. Jl 2.28-32 cf At 2. 16-21.

Como se observou pelos exemplos tomados, dentre muitos, o fim escatológico do Velho Testamento é Jesus Cristo, o Messias da promessa, Senhor da Igreja, centro da História universal, sujeito e objeto da história da revelação. A humanidade velha ainda existe para os que fazem opção por ela, preferindo continuar com o primeiro Adão. A nova era, porém, é realidade para os regenerados, servos e filhos do segundo Adão, Jesus Cristo, centro da humanidade, tanto de justos como de injustos. Cristo triunfou sobre todas as forças do mal, sabemos disso; mas estas somente deporão as armas e se renderão no juízo final. Em síntese: A escatologia bíblica foi cumprida em Cristo; está sendo realizada nele; será nele consumada no último dia.

GRUPO 02: O CONCEITO DA MORTE NO AT

"E lhe deu uma ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás" ( Gn 2. 16,17).

O primeiro homem, depois de convencido por Satanás de que a ordem divina limitava os poderes humanos, condicionava o homem à submissão irrestrita a um mandamento, colocando a criatura em plano inferior à do Criador, resolveu desobedecer, rompendo o pacto, na tentativa, segundo a proposta do maligno, de igualar-se a Deus.

O resultado foi desastroso. Como lhe havia sido previsto, o sofrimento e a morte entraram em sua vida e, por ela, na da humanidade inteira ( Cf Gn 3.16-19 ). A morte puniu o arquétipo transgressor em quem todos nós, essencial e originalmente, nos encontrávamos. Ficamos desprovidos da direção inteligente de um superior a nós. Perdemo-nos, egocentrizamo-nos, perecemos. Quem pode conhecer e dominar os mistérios do bem e do mal é somente o Criador, Senhor e Governador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, naturais e espirituais. Ao homem competia, conforme os postulados do pacto e dentro dos limites de sua humanidade, o honroso papel de servo. A penalidade da desobediência, segundo divina preconização de sentença, seria a morte. E efetivamente aconteceu, atingindo o espírito e o corpo, pois o homem foi criado por Deus como unidade "pneumossomática". E assim ele o quer de volta.

A MORTE ESPIRITUAL

A morte espiritual foi consequência imediata do rompimento do pacto de obras. O homem deixou de ser servo de Deus, com todo o seu ser voltado para o Criador, para ser escravo de si mesmo e vítima indefesa do tentador. O material dominou, em sua pessoa, o espiritual e ele morreu, isto é, separou-se do Criador, foi expulso do Jardim, formou uma civilização à sua moda, insubmissa, contra o governo divino. A rebeldia do ancestral humano não só se perpetuou nos seus descendentes, mas neles se ampliou, agravou-se, aprofundou-se. Cada um carrega o peso da queda humana ao qual soma a carga de suas próprias culpas. À decadência espiritual, expressa pela generalizada idolatria, somaram-se a miséria moral e os conflitos sociais. O pecado fez gerar uma sociedade competitiva na qual os fracos são vencidos e esmagados pelos fortes. Os mortos viraram fratricidas (herança caímica ), homicidas e suicidas. O aguilhão da morte fere o coração do ser humano e o transforma em matador potencial. O domínio da malignidade da morte sobre o indivíduo e as nações é um fato inegável. Comprovam-no as numerosas penitenciárias e também as guerras localizadas e gerais, vitimadoras de milhões de guerreiros, de gente pacífica, de indefesos e de inocentes. O mundo, posto no maligno pelo pecado, está espiritualmente morto, sendo, em consequência, agenciador da morte.

A MORTE FÍSICA

A morte física não eliminou o homem imediatamente após o ato pecaminoso da desobediência, mas passou a fazer parte de sua natureza. Quando nascemos, começamos a viver e a morrer concomitantemente. Todos somos pecadores e estamos morrendo; e o nosso fim se aproxima, "porque o salário do pecado é a morte" ( Rm 6.23 ).

Os animais e os vegetais, certamente, não foram colocados na terra para viverem eternamente, mas a mortalidade não fazia parte do homem antes da queda. Ele foi criado à semelhança de seu Criador, recebeu dele o fôlego de vida, o espírito ( Gn 2.7). Como Deus é imortal, "sua imagem" na terra deveria ser. A criação do homem, pois, foi diferenciada, e muito, da criação dos outros seres viventes. Não sabemos como era o seu corpo e as reais funções do alimento no seu organismo. Somos informados, no entanto, que o pecado o corrompeu, trazendo-lhe sofrimentos e morte. Semelhantemente, ignoramos completamente as razões e os efeitos da alimentação no corpo ressurreto do Segundo Adão, Jesus Cristo ( Lc 24.41,42 ). Não cremos, pois, como afirmam alguns, que a morte já estava presente na vida de Adão e Eva antes do pecado. O ser humano foi criado muito superior aos demais seres vivos, posto que dotado de dupla dimensão, material e espiritual, e revestido de incorruptibilidade, pois nele não havia pecado. A morte causa a separação entre o corpo e a alma, mas não definitivamente. Pela misericórdia de Deus, mediante a ressurreição, sua unidade será restaurada, e assim viverá eternamente. Os redimidos não devem temer a morte ( Sl 116.15; Lc 23.43; Jo 14.2; Fp. 1.21-23; II Co 5.8; I Co 15.54-57 ).

GRUPO 03: IM O R T A L I D A D E

O homem foi criado imortal, uma unidade vital indivisível, corpo e espírito, "pneumossoma". A Bíblia desconhece a dicotomia grega de um homem composto de elementos distintos e conflitantes, um transcendente, puro, nobre, espiritual e imortal, a alma ( psychê ), e outro impuro, indigno, corrupto e mortal, o corpo (soma, sarx ). A dignidade, a santidade e a imortalidade são dádivas do Criador ao homem integral, um ser psicossomático. Assim ele foi criado: "Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" ( Gn 1.26a ). A sua condição de superioridade é evidente: "Tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra" ( Gn 1.26b ). O homem, pois, foi criado para ser servo do Criador, semelhante a ele, e senhor da criação. O pecado interrompeu a unidade, a essencialidade e a idealidade do homem.

A morte devolve o seu corpo ao pó, mas não tem poder de retê-lo eternamente ali; e o Espírito volta a Deus, ficando nele preservado para o dia da ressurreição, pois o ideal, conforme os propósitos divinos na criação, não é um homem eternizado sem corpo, mas como realmente Deus o fez e o quer no paraíso: Um ser "pneumossomático". Portanto, a eternidade fica garantida tanto ao corpo, que sofre morte temporária, como à alma, ambos dignos e nobres. Cristo, o nosso protótipo, está com seu corpo ressurreto, ser humano perfeito, à destra do Pai no trono celeste. O fato de o nosso corpo voltar ao pó de onde viera, pelo processo de decomposição, não elimina a esperança de sua restauração pelo poder de Deus mediante a ressurreição. A destruição física causada pela morte não é definitiva. O homem da humanidade caída, no qual a imagem do Criador está desfigurada, restabelece-se na humanidade redimida em Cristo Jesus, o último Adão: "Porquanto, aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho" ( Rm 8.29a). "Somos transformados de glória em glória na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito" ( II Co 3.18b cf Cl 3.10; Hb 2.5-10).

A importância do corpo

"Então formou o Senhor Deus ( Javé Elohim ) ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida ( Ruach, Pneuma ) e o homem passou a ser "alma vivente", "Nephesh hayyâ" ( Gn 2.7).

Duas coisas devem ser observadas:

01- Deus, pessoalmente, como insuperável artífice, de matéria inadequada à escultura, formou o corpo do homem. Sendo uma obra de arte do Criador, seu valor é inestimável; deve ser preservado, conservado, admirado e engrandecido.

02- Deus vitalizou o homem com seu hálito, "Ruach", e, em decorrência dessa vitalização, ele passou a ser "nephesh hayyâ", ser vivente. O animal também é um ser vivente ( nephesh hayyâ ), mas a sua vida procede de uma ordenação de Deus à natureza: "Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: Animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez" (Gn 1.24). A vida do homem, portanto, procede do espírito, um dom de Deus. Ele não é "nephesh hayyâ" como os animais, pois a eles é muitíssimo superior, obra prima da criação, "imago Dei".

O novo homem, restaurado por Jesus Cristo, tem seu corpo eminentemente valorizado e nobilitado, pois foi transformado em templo do Espírito Santo ( I Co 6. l9 ), habitação de Deus. A ênfase do Novo Testamento não está na defesa de uma alma imortal independentemente do corpo, embora esta seja a realidade provisória do estado intermediário, mas na doutrina da ressurreição pela qual o nosso corpo mortal se revestirá de imortalidade ( I Co 15 ): "Porque é necessário que este corpo corruptível se revista de incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista de imortalidade" ( I Co 15.53 cf 15.42 -54; I Ts 4.13-18 ). O homem, pois, é uma unidade, corpo-alma, "pneumossoma"; assim se expressa na terra e se expressará no céu, eternamente, com seu corpo ressurreto, à semelhança de seu Senhor. O nosso protótipo é Jesus Cristo que, ressurreto, está à destra do Pai com seu corpo humano incorruptível.

A imortalidade, preservada no espírito humano durante o estado intermediário, não é própria do homem e, muito menos, inerente à sua alma, não imortal em si mesma: Vem de Deus, o único ser incriado, Criador, doador da vida, original e essencialmente imortal ( I Tm 6.15,16 ). Todos os demais seres foram criados, inclusive os anjos.

GRUPO 04: O ESTADO INTERMEDIARIO

E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu ( "Ec 12.7 ).

O chamado "estado intermediário" é o que abrange o período entre a morte e a ressurreição. O corpo volta a incorporar-se à matéria e a alma ( espírito ) é retomada por Deus, em se tratando de redimido, e fica sem sofrimento, mas também sem a plena realização, visto perder sua idealidade de ser humano completo, corpo-alma. Estar com Deus é estar no céu.

O ímpio, ao morrer, seu corpo toma o mesmo destino, temporariamente, do corpo do justo, isto é, experimenta a corrupção, mas sua alma vai para o hades onde, já em considerável situação de angústia, espera a ressurreição, que lhe agravará muitíssimo a condição, posto que, no corpo, sofrerá eternamente na geena ou lago de fogo.

Na linguagem apocalíptica o inferno, habitação dos réprobos, e a morte, serão ambos, no juízo final, lançados na geena: "Então a morte ( thánatos ) e o inferno ( hades ) foram lançados para dentro do lago de fogo ( Ap 20: 14a, 15 cf Mt 25.41-46 ). Hades é um lugar de onde os mortos ficam temporariamente aguardando o destino final. Ali, as almas dos reprovados ficam aprisionadas em sofrimentos prévios e relativos, aguardando o pior que está para vir, a geena ( gehenna ), habitação eterna de Satanás e suas hostes, dos perdidos e da morte, que é vida desqualificada, desprovida de virtudes, de esperança, de amor, de fé, de conforto e da presença de Deus. Na geena não haverá consolo e esperança, prevalecendo intensíssimo pranto e ranger de dentes ( Mt 5.22; 8.12,29; 10.28; 13.42,,50; 18.9; 22.13; 23. 15,33; 24.51; 25.30,41,46; Mc 9.43, 45, 47,48; Lc 13.28; Ap 19.20; 20.10,14,15 ).

Hades, como se notou, é a prisão, no estado intermediário, das almas dos que morreram sem Cristo. Em outra parte do Hades estão aqueles que morreram salvos. Eles estão no seio de Abraão.

Geena, por outro lado, será o estado final e eterno dos que se encontram no hades e dos perdidos que estiverem vivos na volta do Cordeiro. A palavra geena ( gehenna ), usada para denotar, metaforicamente, os tormentos eternos imitigáveis e inconsoláveis do ímpio ressurreto, depois do juízo final, vem de "gê hinnon", terra de Hinom, nome de um vale ao sul de Jerusalém, também denominado "Vale dos filhos de Hinon" ( II Cr 28.3; II Rs 23.10 ). Nesse vale ergueram-se, num local chamado Tofete, altares a Baal e a Moloque a quem se ofereciam crianças em sacrifício ( II Rs 16.3; 21.6 ). Tais práticas idolátricas foram condenadas veementemente por Josias ( II Rs 23.10 ); e Jeremias profetizou que o Vale se tornaria o local do juízo de Deus ( Jr 7.32; 19.6 ).

O ESTADO INTERMEDIÁRIO NO VELHO TESTAMENTO

O conceito de separação de alma e corpo como causa imediata da morte desenvolveu-se progressivamente no Velho Testamento. No início, acreditava-se que todos os mortos iam para o Sheol, um local subterrâneo, escuro, onde Deus não é lembrado ( Jó. 10.21,22; 26.5; Sl 6.5; 30.9; Sl 85.5,11; 155.17; Pv 1.12; 27.20; Is 5.14 ). Tinha-se por certo que no sheol não se prestava culto a Javé ( Sl 88.11; Is 38.18 ) por causa, certamente, da impureza cerimonial dos mortos. O isolamento do morto era um tipo de morte, caracterizada pelo afastamento de Deus, pela alienação da criatura em relação ao seu Criador.

ESTADO INTERMEDIARIO NO NOVO TESTAMENTO

O Velho Testamento já contém um embrião da escatologia neotestamentária, onde há, embora ainda muito vaga, uma esperança de sobrevivência no estado intermediário, o que provocou pronunciamentos esparsos sobre a ressurreição dos mortos ( Jó 14.13-22; 19.25-27; Sl 49. 15; Dn 12.2 ). No Novo Testamento a morte deixa de ser, para os justos, um estado de abandono e esquecimento, pois o Senhor da vida lembra-se deles e há de fazê-los voltar à existência plena. A ressurreição de Cristo ( Hb 2.14; 7.16 ) aprofundou e definiu a doutrina escatológica da sobrevivência no estado intermediário: "Foi precisamente para esse fim que Cristo morreu e ressurgiu; para ser Senhor tanto de mortos como de vivos"( Rm 14.9 ).

O hades, perdeu completamente o poder sobre a Igreja ( Mt 16.18,19; I Pe 3.18-20; 4.6; Ap 1.18). Os que morrem em Cristo passam, imediatamente, a viver com ele no seio de Abraão ( Fp 1.23; II Co 5.2-8; Lc 23.43; 16.22-31 ), mesmo sem a idealidade final, quando suas almas reunirem-se aos seus corpos incorruptíveis.

Quem passa à eternidade sem o Salvador vai, incontinentemente, para o hades, a ali ficará num lugar separado dos justos. Ali, em padecimentos relativos, espera o juízo final, quando, reincorporado, será mandado, pelo Justo Juiz, para a geena, local do sofrimento máximo do físico e da alma.

GRUPO 05: O CONCEITO DA RESSURREIÇÃO NO AT

A ressurreição geral de todos, e em particular a dos santos, já estava delineada no Velho Testamento como extensão da doutrina da sobrevivência do homem depois da morte. Deus, pela sua inquestionável soberania, traria os seus eleitos de volta à existência.

Eis alguns textos que sinalizam ou evidenciam a fé vetotestamentária na ressurreição:

a- "Pois não deixarás a minha alma na morte, nem permitirás que o teu santo veja a corrupção. Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra delícias perpetuamente"( Sl 16.10,11 ). Embora se aplique a Jesus Cristo ( At 13.35 ), este texto estabelece o princípio da ressurreição.

b- "A sepultura é o lugar em que habitam, mas Deus remirá a minha alma do poder da morte, pois ele me tomará para si"( Sl 49.14b,15 cf 73.24 ). Aqui, se não se clareia a ressurreição, pelo menos deixa assentado que o poder do sheol não é permanente sobre os eleitos.

c- "Vede agora que eu sou, eu somente, e mais nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver, eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão" ( Dt 32.39 ). O mesmo se lê em I Samuel 2.6: "O Senhor é que tira a vida, e a dá; faz descer á sepultura ( ao sheol ), e faz subir". Deus é Senhor da saúde e da doença, da vida e da morte; ele faz descer ao sheol, mas pode retirar de lá os seus escolhidos.

d- "Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus" ( Ex 3.6 ). Jesus, respondendo aos saduceus, negadores radicais da ressurreição, interpreta assim o presente versículo: "E quanto à ressurreição dos mortos o que Deus vos declarou: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e, sim, de vivos" ( Mt 22.31,32 cf Mc 12.26,27; Lc 20.37,38 ). Os patriarcas e todos os eleitos do velho pacto estão vivos e, segundo a promessa, hão de ressurgir.

e- "Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida, e a ligará. Depois de dois dias nos revigorará; ao terceiro dia nos levantará, e viveremos diante dele" ( Os 6.1,2 ). A expressão, "ao terceiro dia", significa: No tempo oportuno, preordenado. Segundo os planos de Deus, Israel seria reconduzido definitivamente à fé. Tal recondução é aplicada a Jesus Cristo que, por sua morte e ressurreição ao terceiro dia, tem reconciliado os homens com Deus.

f- "Eu os remirei do poder do inferno, e os resgatarei da morte: Onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição?" ( Os 13.14 ). Paulo cita livremente estas palavras, aplicando-as à vitória final de Cristo sobre a morte: " E quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte o teu aguilhão?" ( I Co 15.54,55 ). O versículo 54 é uma citação parafraseada de Isaias ( Is 25.8 ).

g- "Os vossos mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho, ó Deus, será como orvalho de vida, e a terra dará à luz os seus mortos" ( Is 26.19 ). A esperança na ressurreição aqui se configura tanto quanto na visão ezequiélica dos ossos secos ( Ez 37.4,7-14 ).

h- "Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e horror eterno" ( Dn 12.2 ). Chegamos, finalmente, ao texto vetotestamentário mais incisivo e mais convincente sobre a ressurreição geral dos mortos, inclusive com a afirmação de que a ressurreição tem por finalidade dar destinação final aos justos, a vida eterna, e aos ímpios, o castigo eterno. E tal separação ou juízo acontecerá imediatamente após a ressurreição, sem previsão de qualquer intervalo. Antes, porém, do dia em que todos os mortos hão ressurgir, haverá um tempo precedente de angústias terríveis, quando o Anjo Miguel aparecerá para guiar o povo de Deus. Aqueles cujos nomes estiverem registrados no rol de Deus serão salvos ( Dn 12.1 ). Daniel escreveu sob o pano de fundo do período macabaico, época em que renascia forte, entre os fariseus, a crença na ressurreição.

O Velho Testamento contém, sem sombra de dúvida, a doutrina da ressurreição geral e final de todos os mortos. Os justos levantar-se-ão para a glória eterna; os injustos, para sofrimentos intermináveis na geena.

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