Estudo Bíblico para a Escola dominical da igreja Betel Brasileiro Geisel. Tema: Vencendo o gigante da ira

Vencendo o gigante da ira

Efésios 4.26-32

26- Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. 27- Não deis lugar ao diabo. 28- Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha que repartir com o que tiver necessidade. 29- Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para prover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. 30- E não entristeçais ao Espírito Santo de Deus, no qual estais selado para o dia da redenção.

Texto base:

31 – Toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias e toda a malícia seja tirada de entre vós. 32- Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.

1. VISÃO GERAL DO ASSUNTO

A ira é um estado emocional caracterizado pelo acúmulo de irritação tal que leva o indivíduo a um descontrole emocional sem precedentes. Isso pode levá-lo a ações com­prometedoras.

O rei Salomão comparou o homem que se apressa em irar-se ao tolo (Ec 7.9). Sabe-se que tolo é aquele in­capaz de agir corretamente, com bom senso, em conseqüência de sua simplicidade em demasia. Tal comparação não é boa porque fere o amor próprio. Mas não é só ao tolo que o homem iracundo é comparado. É também chamado de insensato, isto é, aquele que é falto de razão, demente, louco (Pv 27.3).

É fato que todas as pessoas têm seus momentos de ira, de rancor, de raiva. Mas essa situação não deve perdurar por muito tempo. São situações momentâneas, passa­geiras (Ef 4.26), para não se tornar pecado.

A ira é fruto da carne. O apóstolo Paulo fez inúmeras recomendações às várias igrejas, através de suas cartas. Demonstran­do seu extraordinário zelo pela vida espiritual dos crentes, advertiu-os a não praticarem as obras da carne porque são contrárias e desagradá­veis ao Espírito Santo. O crente precisa ater-se a esses maravilhosos ensinos e ficar vigi­lante; evitando, assim, a prática de tais obras. Essas atitudes são incompatí­veis com a vida de santidade e do­mínio próprio. O Espírito Santo é quem capacita o crente a fugir ou a controlar-se. Mas é necessário que haja boa vontade da parte de cada um, a fim de que o Espírito Santo encontre condições para atuar.

No texto básico da lição, estão algumas sugestões dadas, pelo pró­prio apóstolo, para o crente banir o nervosismo que provoca a ira:

  • Não dormir irado; antes do anoitecer reconciliar-se e perdoar os ofensores;
  • Não cultivar a ira para que ela não cresça e chegue a atitudes extremas.
  • Não usar palavras ofensivas ou agressivas que suscitem a ira de alguém;
  • Usar palavras que edifiquem, até mesmo em situações de discórdias;
  • Evitar entristecer o Espírito Santo, perdendo o controle da situação;
  • Evitar qualquer espécie de atitudes que despertem a ira.

A ira é proibida por Deus. O rei Salomão foi usado por Deus, em toda a sabedoria, para advertir acerca da ira. Ele diz que o homem que se ira facilmente fará coisas loucas e tam­bém aquele de maus pensamentos não será apreciado (Pv 14.17). O conselho bíblico é, pois, para que o homem esteja sempre retar­dando irar-se (SI 37.8; Pv 15.18; 16.32; Tg 1.19).

2. CONSEQÜÊNCIAS DA IRA HUMANA

Como todos os demais pecados, a ira traz conseqüências. Porque ela desenvolve outras tantas situ­ações prejudiciais ao próximo.

A ira tem ligações negativas. Ela pode desencadear situações desastrosas que finalizam com a prática do mal, porque está ligada:

  • Ao orgulho, sentimento que leva o homem a humilhar seus semelhantes (Pv 21.24);
  • À crueldade, que torna o homem insensível, endure-cendo-lhe o coração para a prática do mal (Pv 27.3,4);
  • A malícia e à blasfêmia (Ef 4.22), que são manifestações próprias do "velho homem", isto é, o homem sem Cristo.
  • A desavença e à contenda (Pv21.19; 29.22; 30.33) que levam o homem a situações desagradáveis por pequeno que seja o motivo.
  • A ira leva à prática do mal se não for controlada.

O apóstolo aconselha não dei­xar a ira se consumar, porque, des­sa forma, consumar-se-á o pecado (Gn 49.5-7; Nm 22.27; Mt 2.16).

A ira traz o juízo de Deus. Se o cristão age de modo a dar lugar à ira, essa desenvolve no seu coração o desejo de vingança, o que é muito desagradável a Deus, que fará juízo.

A ira frutos indesejáveis. Como já foi dito anteriormente, o excesso ou a constância da ira produz frutos indesejáveis, isto é, frutos carnais que prejudicam a vida espiritual. Muitas coisas desagradáveis poderão acontecer àquele que, por orgulho ou soberba, não se humi­lhar para mudar de atitude. Em lugar de alegria, paz e felicidade, brotarão a tristeza, as brigas, discussões, mágoa, amargura, guerra, desunião e o desejo ardente de vingança.

3. ARGUMENTOS ACERCA DA IRA DE DEUS

Alguém poderá questionar que, sendo a ira um estado condenado por Deus, como então o próprio Deus pode se irar? Entendamos porem, que a ira de Deus é completamente diferente da ira do homem em sua natureza.

A ira de Deus é entendida pela Sua indignação ao pecado (Rm 1.18; 2.8). A ira de Deus é suavizada por Sua misericórdia e Seu amor para levar o homem ao arrependimento (Rm 2.4; 5.9). No entanto, se este se torna um reincidente e rebelde ou rejeita o evangelho, certamente sofrerá a conseqüência do seu pecado (Hb. 3.18,19; Rm 2.5; 1 Ts. 2.16). Logo, não se trata de ira, mas sim de justiça a condenação daqueles que negarem a oportunidade de salvação concedida por Deus.

Como a ira de Deus se manifesta? A ira de Deus é reconhecida como indignação irritação contra toda desobediência e iniqüidade humana, atitudes que são extrema­mente aborrecidas e condenadas por Deus.

A ira de Deus é levada a efeito tendo em vista duas finalidades: a) Manter a ordem legal da criação; b) Retribuir àqueles que impiamente transgridem os Seus preceitos.

Deus não pratica juízo sem nenhum propósito ou porque quer ver o sofrimento do homem. Deus é justo, e Sua justiça nunca deve ser questionada (Rm 9.18,20-22). Os atos de Deus são justos e sábios, manifestos quando a ira de Deus é provocada pelas ati­tudes humanas contrárias à Sua vontade.

A ira de Deus tem algumas características: a) Manifesta-se também por meio de julgamento e afli­ções (SI 78.43-51); b) Ninguém pode resisti-la (SI 76.7); c) Está reservada para os fins dos tempos, para o julgamen­to final (Mt5.41; Ap 6. 17).

Deus é longânimo e tardio em irar-se (SI 103.8; Nm 14.18). Mas Ele tem um tempo determinado para exercer as Suas misericórdias. No entanto, aqueles que abusam da bondade divina, sofrerão o cas­tigo eterno.

CONCLUSÃO

Jesus é o escape para o homem. Para quem quiser livrar-se do juízo divino ainda existe tempo. O próprio Deus enviou Seu Fi­lho para livrar o homem do castigo eterno, da ira vindoura (Rm 3.23-25). Ela é desviada de todo aquele que se arrepende e confessa seus pecados (Lc 15.18-20; Ef 4.32; Hb 10.16-18).

O cristão é renovado para produzir o fruto do Espírito, para viver em novidade de vida em união e paz com todos. Mesmo que seja levado a situações que produzam ira em seu coração, não deverá alimentá-la para causar danos ao próximo.

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