Estudos Bíblicos para grupos familiares, cultos de doutrina, EBD, etc. Tema: ELES FORAM FIÉIS TESTEMUNHAS

Esta série de estudos pode ser usada em muitas circunstâncias especiais. Esperamos que nossos leitores façam bom proveito deste material.

Pr Josias Moura de Menezes

1

ENOQUE

Aquele que andou com Deus

"Enoque viveu sessenta e cinco anos e gerou a Metusalém. Andou Enoque com Deus; e, depois que gerou a Metusalém,

viveu trezentos anos; e teve filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos. Andou

Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.” (Gn 5.21-24.)

Enoque não é um dos personagens bíblicos mais conheci­dos. Na verdade, ele pouco é mencionado nas Escrituras, e a maioria das pessoas nunca ouviu falar do seu nome. Enoque não passou à história como profeta, guerreiro, rei ou sacerdote. Nunca realizou um milagre, nem pregou um sermão nem fez nada memorável. Aparentemente, sua vida não chamou mais atenção na sua época do que o faz hoje. Entretanto, há algo que sabemos a respeito de Enoque: ele andou com Deus.

Extremamente discreto na terra, Enoque tornou-se uma ce­lebridade no céu. Foi um dos poucos homens que não experi­mentou a morte, pois Deus o levou diretamente para si. Assim como aquele patriarca, existem pessoas que jamais se tornarão famosas neste mundo – que nunca terão os seus nomes publi­cados nas revistas ou nos jornais — mas cuja história será regis­trada na eternidade. Será você uma delas? Com Enoque, apren­demos o fato de que é possível caminhar com Deus no mundo, para, um dia, andarmos com ele no céu.

O que significa andar com Deus?

Andar com Deus é conhecê-lo. Fazer a sua vontade. Sentir a sua presença. De fato, esta é a essência da fé cristã. O cristianis­mo não consiste num credo ou numa filosofia, mas num relaci­onamento. Há muitos que possuem uma religião, mas não uma relação. Conhecem doutrinas e observam rituais, mas não des­frutam de uma amizade sincera com o Criador. E por isso que Enoque é um personagem que tem tanto a nos ensinar. Não se fala que ele tenha professado um culto, guardado um código ou se envolvido numa cerimônia. Mas é dito que ele andou com Deus, e que o Senhor o tomou para si.

Certa ocasião, uma menina dava sua profissão de fé a fim de ingressar na igreja mediante o batismo. Devido à sua pouca idade, a congregação não estava segura de que ela estivesse preparada para dar esse passo. Então, alguém falou:

– Mariazinha, imagine que o diabo batesse à porta do seu coração. O que você faria?

– Isso é fácil, respondeu a menina. Eu diria: "Jesus, por fa­vor, você pode ir ver quem está batendo?" E quando a porta se abrisse, e o diabo desse de cara com ele, diria: "Desculpe, foi engano!", e sairia correndo.

Diante de tal resposta, todos se mostraram favoráveis ao ba­tismo da menina. Havia ficado claro que ela possuía um relaci­onamento com Cristo.

Você tem uma religião ou uma relação? A intimidade com o Altíssimo é a nossa maior necessidade. O salmista escreveu: "Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma" (Sl 42.1). Há um vazio no nosso peito que só o Senhor pode preencher. No fundo da alma de todo ser huma­no, sobrevive o desejo de andar com Deus. E Deus, por sua vez, deseja andar conosco. Ele se fez carne e habitou entre nós na Pes­soa de Cristo. "Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel (que quer dizer: Deus conosco)." (Mt 1.22,23.)

Como podemos andar com Deus?

Enoque provou que andar com Deus é algo possível, e que nunca é cedo para iniciarmos o aprofundamento da nossa vida espiritual. Afinal, ele alcançou uma notável intimidade com o Senhor, tendo "apenas" trezentos e sessenta e cinco anos! Claro que, para nós, isso parece um exagero. Mas, se considerarmos a idade que a Bíblia atribui aos contemporâneos de Enoque (seu pai, Jarede, viveu novecentos e sessenta e dois anos, e seu filho, Metusalém, novecentos e sessenta e nove), ele ainda era um "garoto" quando Deus o levou. Há muitos que pensam que a preocupação com os valores espirituais deve ser deixada para a velhice. Enoque, entretanto, ainda jovem andou com Deus.

Existem muitos recursos que o Senhor coloca à nossa dispo­sição para nos ajudar a conhecê-lo melhor. A leitura da Bíblia, a prática da oração, o louvor, a meditação, o culto e o jejum são alguns deles. Provavelmente, ninguém irá muito longe se des­prezar essas disciplinas espirituais. Contudo, nenhuma delas se constitui numa prática mágica. Elas são meios, e não fins em si mesmas. Fundamental é a nossa postura. É o nosso desejo sin­cero de caminhar com Deus.

Quem quiser andar com Deus deve procurar harmonizar a sua vontade com a dele, pois, como diz a Bíblia; "andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?" (Am 3-3.) Deve buscar uma vida de santidade, pois "eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniqüidades fazem separa­ção entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça" (Is 59.1,2). Mas, acima de tudo, precisa decidir andar com Jesus, pois só ele nos leva ao Criador. "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim", disse o Mestre (Jo 14.6). Andar com Jesus é andar com Deus.

Qual é o resultado de andar com Deus?

Quando andamos com Deus, desfrutamos suas bênçãos. Colhemos todas as dádivas e dons que ele semeou em nosso caminho. Mais do que isso: quando andamos com Deus, des­frutamos seu caráter. Tornamo-nos, cada dia, mais parecidos com ele. Duas pessoas que passam muito tempo juntas acabam se assemelhando, não é mesmo? Assim também o Espírito San­to vai, na medida em que caminhamos com Deus, forjando em nós a mente de Cristo. Finalmente, quando andamos com Deus, desfrutamos sua companhia. Ao deixarmos a vida na terra, passamos a gozar, eternamente, as venturas do céu. Foi isso o que ocorreu com Enoque. A Bíblia diz que "pela fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte; não foi achado, porque Deus o trasladara: Pois, antes da sua trasladação, obteve testemunho de haver agradado a Deus" (Hb 11.5).

Tal como aconteceu com Enoque, é certo que, se andarmos com Deus na terra, caminharemos com ele no céu. O tipo de vida que levamos aqui não será muito diferente daquele que teremos na eternidade, pois aqueles que optaram por afastar-se do Senhor serão banidos da sua presença, e os que procuraram aproximar-se dele, o verão face a face. De certo modo, céu e inferno nada mais serão do que a concessão, aos homens, da­quilo que eles priorizaram, elevado à sua máxima potência.

Pare por um instante e reflita: que tipo de vida você leva agora? Que tipo de existência terá na eternidade? Não é sábio ignorar tal questão, pois o tempo passa para todos, e estamos, a cada dia, mais perto de encontrarmos o Criador. O Padre Antô­nio Vieira, um dos maiores escritores do Brasil colonial, disse: "O terrível da morte não é o fim da vida, mas o começo da eternidade". Mas isso só é verdade se, em nossa existência terrena, optamos por caminhar longe de Deus. Tal opção impli­ca um total desperdício – da vida e da eternidade. Se a nossa escolha, porém, for por uma comunhão íntima, não teremos o que temer. Deus tomou Enoque para si. Ele fará o mesmo com qualquer um que se dispuser a caminhar com ele.

Enoque andou com Deus. E, ainda hoje, anda com ele, no céu. E quanto a você? As poucas linhas que falam sobre o patri­arca devem despertar, no seu interior, o desejo de buscar a co­munhão com o Senhor. "Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança." (Rm 15.4.) A história de Enoque não ficou registrada na Bíblia por causa dele, e sim por sua causa. Ela deve evocar, em sua alma, uma resposta de devoção.

Conta uma lenda que certa cidade foi coberta pelas águas de uma represa. Ruas, casas, praças, igrejas… tudo ficou submerso. Ainda de acordo com a lenda, nas noites de luar, quando o vento soprava mais forte, os pescadores conseguiam ouvir, de dentro dos seus barcos, o badalar dos sinos das catedrais enco­bertas. O balanço das ondas agitava os sinos, fazendo com que, das profundezas do lago, eles vibrassem os seus acordes numa saudosa melodia.

E você? Neste momento, quando lê sobre a história de Enoque – aquele que andou com Deus – não sente que se movimen­tam, nas profundezas da sua alma, pensamentos e emoções? Não percebe se agitarem, em seu peito, as notas da mais pura verdade, dizendo-lhe que para isso você foi criado, e que nisso residirá sua paz? Acredite: eu e você fomos feitos para caminhar com o Senhor! Então, não perca tempo. Não desperdice as opor­tunidades. Faça como Enoque. Disponha-se a andar com Deus.

2

ABRAÃO

Um pai exaltado

"Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência. "(Em 4.18.)

Você é pai? Convive com alguém que seja? Caso tenha res­pondido "Sim" a uma dessas duas perguntas, conhece de perto os extraordinários desafios que estão relacionados à paternida­de. Ser pai é algo nobre e compensador, mas é, também, uma responsabilidade muito grande. E, como afirma o dito popular, "não existe escola para ensinar a ser pai". Por isso, bons exem­plos nessa área se tornam especialmente valiosos.

A palavra "pai" está inseparavelmente ligada à figura de Abraão. A começar pelo significado do seu nome de nascimen­to – "Pai exaltado" – e daquele outro pelo qual o Senhor passou a chamá-lo – "Pai de multidões" (Gn 17.5). Os israelitas sempre se orgulharam de intitular-se "filhos de Abraão" (Jo 8.33), e de se referirem a ele como "Pai Abraão" (Lc 16.24). Além disso, o Novo Testamento o chama de "pai de todos os que crêem" (Rm 4.11). Não há dúvida: Abraão foi o pai que todo filho quer ter e que todo homem deseja ser.

Quais são as marcas de um pai exaltado?

Um pai exaltado é um homem de fé

A trajetória de Abraão foi marcada por seu relacionamento com Deus, e esse relacionamento, por sua vez, distinguiu-se pela fé. Ainda em Harã, "pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por he­rança; e partiu sem saber aonde ia" (Hb 11.8). Atender ao cha­mado divino, escolhendo andar pela fé, foi para Abraão uma decisão única e irreversível. Todavia, essa confiança demons­trada inicialmente precisou amadurecer ao longo dos anos… e das provas.

A Bíblia nos diz que a fé de Abraão lançou raízes desde o princípio, mas frutificou lentamente. Ele cometeu muitos erros, cada um dos quais aconteceu justamente quando a sua fé vaci­lou. Por duas vezes, escondeu que Sara fosse sua mulher, com medo de ser morto (Gn 12.13; 20.2). Também aceitou ter um filho com sua serva, Agar, por receio de que a promessa divina não se cumprisse (Gn 16.3). Abraão teve várias experiências negativas, mas amadureceu com elas. Assim, quando precisou enfrentar o teste supremo – a ordem para sacrificar Isaque -sua fé triunfou maravilhosamente (Gn 22.12).

Com Abraão, aprendemos que decidir crer é uma coisa que fazemos de uma vez por todas, mas aprender a crer é algo que leva tempo. "Eu não tenho fé", dizemos, muitas vezes, ao nos depararmos com situações difíceis ou reconhecermos nos­sas falhas pessoais. Nessas horas, o exemplo de Abraão nos serve de consolo. Se até o "Pai da fé" teve os seus momentos de dúvida, então certamente não somos um caso perdido! A histó­ria de Abraão nega, definitivamente, a idéia da "santificação instantânea"’. O crescimento é sempre um processo gradual. Ele não se assemelha a uma curva que fazemos de uma só vez, e sim a uma ponte que atravessamos devagar. Assim cresce, também, a nossa fé.

Ter fé em Deus (a qual se fortalece com o tempo e a experi­ência) é algo importante para qualquer pai. Primeiro, porque só com a ajuda de Deus ele poderá cumprir sua missão. Segundo, porque existem coisas que seus filhos precisam e que apenas o Senhor pode dar. E, em terceiro lugar, porque sua vida espiritual se constituirá num modelo para os seus descendentes. Um pai terreno que ensina os seus filhos a confiar no Pai celestial pre­senteia-os com um rico tesouro, que haverá de abençoá-los por toda a vida.

Um pai exaltado é um homem de caráter

Assim como se esforçou por andar corretamente diante do Senhor, Abraão se portou dignamente perante os homens. Ele foi alguém que, com suas palavras e ações, conquistou o res­peito de seus contemporâneos e das gerações que o sucede­ram. Abraão era um homem dedicado ao seu trabalho, fiel aos seus amigos, sóbrio em suas declarações e honrado nos seus atos. Uma pessoa honesta, corajosa e leal.

Quando o pai de Abraão, Terá, deixou Ur dos caldeus, ele se dispôs a acompanhá-lo. Chamado por Deus para peregrinar em Canaã, levou consigo o órfão Ló. Quando os pastores de ambos começaram a se desentender, generosamente permitiu que seu sobrinho escolhesse para si a melhor terra. Abraão também guer­reou para libertar Ló e outros cativos de exércitos invasores, re­cusou-se a receber despojos do rei de Sodoma e entregou os dízimos de seus bens a Melquisedeque. Ele recebeu anjos em sua casa e intercedeu pelos pecadores. Estabeleceu um pacto com Abimeleque e comprou uma propriedade de Efrom. Em cada uma dessas ações, Abraão procurou ser justo e misericordioso. Assim, tornou-se conhecido como um homem íntegro.

Um pai exaltado é alguém que zela pelo seu nome. Ele faz isso honrando os seus compromissos e cumprindo com a sua palavra. Infelizmente, vivemos numa época em que muitos, embora se di­zendo comprometidos com Deus, não evidenciam compromisso com a ética. Eles mentem, traem, distorcem, caluniam, encobrem e sonegam. Seu comportamento não é marcado pela santidade. Sua fala não se caracteriza pela verdade. Assim, por mais que de­sejem apontar um bom caminho para seus filhos, vêem suas me­lhores intenções desfazer-se sob o impacto de seu mau exemplo. É como disse um jovem ao pai que tentava corrigi-lo:

"O que você faz grita tão alto que eu não escuto o que você diz."

As pessoas que mais marcaram a minha vida não foram gran­des pregadores nem operadores de sinais. Foram homens e mulheres simples que, com seu proceder amoroso, me ensina­ram o que é ser um cristão. Ao longo dos anos, tenho buscado imitá-los, certo de que a prova da presença de Deus na vida de uma pessoa se manifesta no seu caráter.

Um pai exaltado é um homem de família

Isso é algo tão óbvio que, à primeira vista, nem precisaria ser mencionado. Entretanto, a verdade é que um grande núme­ro de homens não vive para seus lares. São pais ausentes, que relegam a educação dos filhos às esposas e gastam todo o seu tempo no trabalho. São pais omissos, que não acompanham o desempenho escolar das crianças nem se preocupam em co­nhecer suas companhias. São pais negligentes, os quais não se empenham em fornecer os valores morais e espirituais dos quais os pequeninos precisam para se tornar pessoas de bem.

Paternidade envolve responsabilidade. Não é um aspecto pe­riférico da vida de um homem: é sua prioridade! Aprendemos isso com o exemplo de Abraão. Ele foi alguém que viveu para os seus. Esforçou-se por ser um bom provedor, e também para estar por perto sempre que necessitassem dele. Foi atencioso com seu pai Terá, e generoso com seu sobrinho Ló. Tratou Sara com res­peito, e Isaque, com ternura. Embora fosse um dos homens mais ricos de sua época, considerava o lar seu verdadeiro tesouro. Outros personagens bíblicos não foram tão sábios. Jacó negli­genciou a educação dos filhos na sua ânsia de enriquecer, e Davi deixou de dar à sua família a atenção que ela merecia. Abraão, contudo, priorizou a sua casa. Por isso, até hoje seu nome está associado à palavra "pai".

Stephen Kanitz, colunista da revista Veja, relatou num de seus artigos certa experiência que marcou sua vida. Ele disse que, no começo da carreira, teve um almoço de negócios com um grande empresário. Tratava-se de alguém muito famoso, por quem nutria especial admiração. Para sua surpresa, no meio da refeição o homem começou a chorar. Mal podendo controlar os soluços, ele lhe disse:

"Amanhã é o casamento da minha filha, e eu simplesmente não a vi crescer."

Kanitz havia imaginado sair daquele encontro com algumas dicas profissionais, mas ao invés disso o que extraiu foi uma lição de vida. Decidiu que jamais colocaria sua profissão acima da família. Na sua opinião, essa foi a melhor escolha que fez. Afinal, nenhum sucesso no mundo compensa o fracasso no lar. Talvez seja a hora de rever suas prioridades. Filhos carecem de coisas que o dinheiro não pode comprar. Querem ver seus pais cuidando bem de suas mães. Desejam ouvir declarações de amor. Esperam receber manifestações de carinho. Precisam de conselhos, limites e disciplina. Necessitam de presença, afa­gos e elogios. Pais que se dedicam às suas famílias terão muito do que se alegrar mais tarde. Verão que tomaram a melhor de todas as decisões. Suas vidas serão um sucesso, e jamais um fracasso.

3

JOQUEBEDE

Uma mãe segundo o coração de Deus

"E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo

que era formoso, escondeu-o por três meses. Não podendo,

porém, escondê-lo por mais tempo, tomou um cesto de

junco, calafetou-o com betume e piche e, pondo nele o

menino, largou-o no carriçal à beira do rio."

(Êx 2.2,3.)

Abraão ficou conhecido como príncipe do Senhor (Gn 23.6) e amigo de Deus (Is 41.8). Mas é lembrado, acima de tudo, como um pai exaltado. Sua vida de fé, integridade e dedicação beneficiou todos os lares. O Senhor lhe falou: "Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3). Essa pro­messa se cumpriu fielmente. Da descendência de Abraão nas­ceu Jesus Cristo, aquele que faz a diferença na vida das pessoas e das famílias. Desejando ser uma bênção para o seu lar, Abraão abençoou todos os demais.

Busquemos em Deus a orientação para que não apenas a nossa família, mas muitas outras,sejam abençoadas. O mundo precisa de bons pais. Qual será a nossa contribuição nesse sen­tido? Orando por nós mesmos ou intercedendo por outros, esforcemo-nos para que os lares sejam agraciados com homens comprometidos com a paternidade. Disso resultará a felicidade das pessoas que nos cercam e a restauração da sociedade em que vivemos.

O poeta P. de Vires escreveu: "A mão que embala o berço é a mão que rege o mundo". De fato, não há como exagerar a importância da maternidade. Todas as mães são notáveis. Mas há algumas que se destacam, tornando-se inspiração para as demais.

A mãe de Moisés foi uma dessas mulheres especiais. Em Êxodo 6.20, somos informados de que o nome dela era Joquebede, que significa, em hebraico, "do Senhor é a glória". Ela foi uma mãe segundo o coração de Deus.

Quais são as marcas de uma mãe assim?

Sua motivação é o amor

Joquebede decidiu enfrentar Faraó e suas ordens. Recusan­do-se a entregar seu filho para ser morto, pôs em risco a própria vida. Durante três meses isolou-se dentro de casa, tentando manter em segredo a presença do bebê. Por que fez tudo isso? Não por obrigação ou interesse, mas por amor. A Bíblia diz que, "vendo que era formoso, escondeu-o". Mas que mãe não considera formoso o filho a quem ama?

Conta a fábula que a águia e a coruja firmaram um acordo.

Sendo as duas maiores caçadoras da floresta, perceberam que seriam beneficiadas estabelecendo um pacto de não-agressão.

— Eu não comerei os seus filhotes, e você não comerá os meus, falou a coruja.

— De acordo, respondeu a águia. Mas como poderei reco­nhecer seus filhotes?

— Isso é fácil, emendou a primeira. Quando você vir as cri­aturas mais lindas e encantadoras da mata, saberá que são eles.

Dito isso, as duas se separaram.

Semanas mais tarde, a águia encontrou o ninho da coruja. Deparando-se com uns animaizinhos muito feios, de penugem esbranquiçada e olhos esbugalhados, falou para si mesma: "Não existe possibilidade de que sejam da coruja". E devorou-os.

Chegando ao ninho e não achando seus pintainhos, a coruja ficou desesperada. Procurou a águia e lançou-lhe em rosto a quebra do trato. Admirada, a outra respondeu:

— Mas, comadre, como eu poderia saber que aqueles
monstrinhos eram seus filhotes?

Vem daí a expressão "mãe coruja", assim também como o ditado: "Quem ama o feio, bonito lhe parece". A fábula pode nos parecer engraçada, mas contém grande fundo de verdade. O fato é que, para aquela que ama, nenhum sacrifício ou exi­gência são grandes demais. Ela os enfrenta por amor, e nisso reside o segredo de sua vitória.

Seu diferencial é a sabedoria

Joquebede amou Moisés. Mas isso, por si só, não seria o bastante. Se quisesse salvá-lo, ela teria de agir com inteligência. E foi o que fez: vendo que não podia mais ocultá-lo, escolheu um cesto, impermeabilizou-o cuidadosamente e colocou-o num remanso do Nilo. Tudo foi planejado e executado com maestria.

Lemos nas Escrituras que "a mulher sábia edifica a sua casa" (Pv 14.1). Se toda mulher precisa de sabedoria, a mãe precisa ser duplamente sábia! Esta deve ser sua oração todos os dias: "Concede-me, ó Deus, um coração sábio". Os desafios da ma­ternidade são muitos e intrincados. Os perigos que cercam os filhos são numerosos e sutis. Uma mulher não protegerá sua família se não agir com inteligência.

Joquebede revelou sabedoria tanto para reter quanto para liberar seu filho. Manteve o pequenino Moisés junto de si en­quanto foi possível. Mas, quando chegou a hora, percebeu que tinha de levá-lo para fora de casa, e entregá-lo aos cuidados de Deus. Na vida de toda mãe, esses dois tempos se fazem presentes.

Algumas mães deixam os filhos sair de debaixo de suas vistas cedo demais. E outras (talvez em maior número) que­rem conservá-los sob suas asas por mais tempo do que o necessário. Discernir a hora certa é fundamental. É algo que exige sabedoria e coragem. Podemos pedir as duas coisas a Deus.

Seu emblema é a fé

Uma mãe segundo o coração de Deus faz da fé o seu escu­do. Joquebede confiou que o Senhor poderia conduzir para um lugar seguro o cestinho em que seu filho dormia. Acreditou que Deus operaria aquilo que ela mesma já não era capaz de fazer. Certamente, seu coração ficou apertado ao afastar-se de Moisés. Mas até a melhor das mães é limitada, e Joquebede sabia disso. Decidiu, portanto, confiar no Senhor.

Deus honrou a fé de Joquebede de uma forma maravilhosa. A filha de Faraó estava se banhando no rio e enxergou o cesto. "Abrindo-o, viu a criança; e eis que o menino chorava. Teve compaixão dele e disse: Este é menino dos hebreus." (Êx 2.6.) Então, a princesa não apenas adotou o bebê, como ainda con­tratou sua mãe para cuidar dele (Êx 2.7-10). Que conclusão ad­mirável para uma história de amor, sabedoria e fé!

O menino salvo das águas foi protegido pela filha do ho­mem que buscava matá-lo, e admitido na corte do império que procurava destruir seu povo. Quem poderia imaginar tal desfe­cho? Assim, aprendemos que o personagem principal dessa his­tória não é Moisés, sua irmã ou a princesa, e nem mesmo Joquebede. É o Senhor, que ouve as nossas orações e conduz os fatos de nossa vida de forma encantadora. Vale a pena con­fiar num Deus assim.

Uma mãe segundo o coração de Deus é uma mulher de fé. Ela renova diariamente, perante o Senhor, suas preces em favor de seus filhos. Ela não se desespera nem se deixa abater. Seu coração está firmado no Salvador.

Sua recompensa é a vitória

O amor, a sabedoria e a fé daquela mãe não ficaram sem recompensa. Joquebede teve a alegria de ver seu filho salvo. Desfrutou, também, do prazer de vê-lo tornar-se um homem de Deus. Moisés veio a ser um grande legislador e libertador. Mas isso não foi tudo. Seus dois irmãos – Arão e Miriã – também se destacaram. Ele se tornou sumo-sacerdote, e ela, profetiza em Israel. As três pessoas mais importantes daquela geração eram filhas de Joquebede. Que mãe não se sentiria orgulhosa com algo semelhante?

A mãe de George Washington pediu que, ao morrer, fosse gravada no seu túmulo uma única frase: "Maria, mãe de Washing­ton". Era assim que ela queria ser lembrada. Seu maior motivo de satisfação era a vida do seu filho. Não é esse, exatamente, o sen­timento de toda mãe? Ela deseja fazer eco às palavras da Bíblia: "Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade" (3 Jo 4).

Toda mãe deseja ser reconhecida pelo procedimento dos seus filhos. Portanto, cada filho deve se esforçar para não envergo­nhar sua mãe. Deve mostrar gratidão e respeito, andando sem­pre na verdade. Dessa maneira, não apenas alegrará o coração de sua mãe, mas cultivará sua própria felicidade. O único man­damento com promessa diz: "Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor, teu Deus, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que o Senhor, teu Deus, te dá" (Dt 5.16).

Uma mãe segundo o coração de Deus sempre enfrentará lu­tas. A vitória, entretanto, lhe sorrirá no final. É muito importan­te ter isso em mente, porque às vezes a situação parece insustentável, e o socorro, demorado. Nessa hora, as mães devem ter fé e confiar no resultado do trabalho que fizeram. Serão mais que vencedoras, pela graça do Senhor.

Joquebede foi uma bênção para seus filhos. Estes, por sua vez, abençoaram a nação de Israel. Dessa nação viria, mais tarde, o Salvador. Isso significa que Joquebede foi, de certa for­ma, uma bênção para cada um de nós.

Como é grande o alcance da obra de uma mãe dedicada! Às vezes, ela pode se sentir desanimada, pois seus esforços pare­cem passar desapercebidos. Entretanto, não há empreendimento maior do que a maternidade. Não existe investimento melhor do que aquele feito na vida dos filhos. A mão que embala o berço é a mão que rege o mundo. Vale a pena ser uma mãe segundo o coração de Deus.

4

JOSUÉ

A fórmula do sucesso

‘Pela fé, ruíram as muralhas de Jerico, depois de rodeadas por sete dias. "(Hb 11.30.)

O nome de Josué ficou eternamente ligado ao sucesso nas campanhas militares. De fato, ele parece ter sido um homem nascido para triunfar. Já nos primeiros dias que se seguiram à saída do Egito, destacou-se como líder numa batalha entre Israel e os amalequitas (Êx 17.9)- Aquela foi a primeira de muitas vitórias. Depois de cumprir eficientemente várias ou­tras missões, Josué’ ganhou o respeito e a confiança de toda a nação. Ele se tornou auxiliar imediato de Moisés, sendo pos­teriormente designado para sucedê-lo, introduzindo os hebreus na terra prometida.

Entretanto, houve um momento na vida de Josué em que ele se viu perante um obstáculo quase intransponível. Jerico – ci­dade considerada por muitos a mais antiga do mundo – inter­punha-se entre ele e a conquista de Canaã. O general israelita já havia travado muitas lutas, mas nunca sitiara uma cidade. E os muros de Jerico representavam um desafio e tanto. Eles com­punham uma inexpugnável fortificação estratégica, formada por um conjunto de duas espessas muralhas paralelas, cada qual com dois metros de largura e dez metros de altura2. Josué sabia que tomar Jerico não seria fácil. Entretanto, era uma tarefa ne­cessária: se os israelitas não o fizessem, teriam sempre uma cidade inimiga às suas costas, o que poria em risco a sua sobre­vivência.

Assim como Josué, também nos encontramos às vezes diante de problemas que parecem não ter solução. Grossas mura­lhas interpõem-se entre nós e nossos sonhos. Graves dificulda­des ameaçam barrar nosso avanço. Inimigos poderosos nos in­juriam e atacam, afirmando que jamais os superaremos. Em ocasiões semelhantes, qual é o nosso procedimento? Desisti­mos? Batemos em retirada? Ou será que nos lançamos desespe­rados ao conflito, colecionando frustrações e derrotas? Às ve­zes, o que fazemos é murmurar contra os céus, queixando-nos das adversidades. Josué, porém, agiu de uma forma que lhe garantiu a vitória. E nós temos a oportunidade de aprender com seu exemplo, identificando nas suas atitudes os ingredientes de uma verdadeira fórmula do sucesso.

Humildade

Josué assumiu uma postura humilde. Esse foi o primeiro passo na direção da vitória. A Bíblia diz que "estando Josué ao pé de Jerico, levantou os olhos e olhou; eis que se achava em pé di­ante dele um homem que trazia na mão uma espada nua; che­gou-se Josué a ele e disse-lhe: És tu dos nossos ou dos nossos adversários? Respondeu ele: Não; sou príncipe do exército do Senhor e acabo de chegar. Então, Josué se prostrou com o rosto em terra, e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?" (Js 5.13,14.) Prostrar-se em adoração foi um ato de hu­mildade e reconhecimento. Perguntar pelas ordens de Deus foi um indício de submissão e obediência. Assim, Josué mostrou que sabia qual era o seu lugar. Mais do que isso: ele percebeu que a situação estava lhe proporcionando a oportunidade de uma experiência mais íntima com Deus.

Grandes problemas trazem sempre grandes oportunidades. Eles nos dão a chance de reavaliar nossa capacidade. Permi­tem-nos exercitar nossa modéstia. Levam-nos a buscar uma maior dependência. Além disso, eles favorecem nosso cresci­mento espiritual, pois é nas horas das maiores provações que temos os vislumbres mais claros do poder divino. Depois de enfrentar sua "Jerico" pessoal, Jó disse ao Senhor: "Eu te co­nhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem" (Jó 42.5).

E Martinho Lutero escreveu: "Eu nunca entendi o significado da Palavra de Deus até que entrei em aflição". Homens e mulheres de fé têm aprendido, ao longo dos séculos, que as provações são seguidas de bênçãos.

Humildade é o reconhecimento dos nossos limites e a confi­ança no ilimitado poder de Deus. É um ingrediente fundamental para uma receita de sucesso. Como afirmou o sábio, "diante da honra vai a humildade" (Pv 18.12). Quando somos modestos, podemos contar com os recursos de Deus, e não apenas com os nossos. Josué, mesmo ocupando a mais alta posição de autori­dade em sua nação, não deixou de admitir suas limitações, de buscar a direção do Senhor e de se submeter a ele. Será que, nos momentos de lutas, temos feito o mesmo?

Confiança

O general israelita revelou ter confiança em Deus e nas suas orientações. As ordens que recebeu foram as seguintes: "Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro adiante da arca; no sétimo dia, rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. E será que, tocando-se longamente a trombeta de chifre de carneiro, ouvindo vós o sonido dela, todo o povo gri­tará com grande grita; o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá nele, cada qual em frente de si" (Js 6.3-5).

O que Deus mandou Josué fazer deve ter lhe parecido estra­nho. Ele bem poderia ter respondido: "Mas, Senhor, não é assim que se conquista uma cidade!" Josué era um guerreiro experi­mentado. Ele sabia que nenhuma batalha jamais havia sido vencida daquela maneira. Talvez tenha pensado: "Se eu passar essas or­dens adiante, meus soldados deixarão de me respeitar. E se fizer­mos o que Deus está falando, nossos inimigos dirão que ficamos loucos. Eles rirão de nós e falarão que o sol do deserto fritou nossas cabeças!" Entretanto, se algum desses pensamentos cru­zou a mente de Josué, logo foi varrido para longe. Ele decidiu fazer o que lhe fora mandado, porque confiava no Senhor.

Os dicionários definem fé como "confiança em alguém ou em alguma coisa, crença nos dogmas de uma religião, fideli­dade em honrar os compromissos". Mas a minha definição pessoal de fé é a seguinte: fé é confiar a ponto de obedecer. Toda vez que fazemos o que o Senhor nos diz, estamos exer­citando nossa fé. Mas quando dizemos que cremos em Deus e apesar disso não lhe obedecemos, enganamo-nos a nós mes­mos, porque a verdade é que não confiamos nele. É a certeza de que Deus nos ama e deseja o melhor para nós que nos leva a seguir suas orientações, mesmo quando não somos capazes de entendê-las. Os métodos do Senhor podem nos parecer estranhos, mas nunca deixam de ser eficazes.

O Senhor mandou que Naamã mergulhasse sete vezes no rio Jordão, e ele foi curado da sua lepra. O Salvador disse ao cego de nascença que se lavasse no tanque de Siloé, e ele voltou enxer­gando. A Bíblia nos manda amar nossos inimigos, perdoar aos nossos ofensores, vencer o mal com o bem e voltar a outra face aos nossos agressores. Diz aos que enfrentam problemas finan­ceiros que sejam fiéis na entrega de seus dízimos, e exorta os solitários a não se envolverem em relacionamentos contrários à vontade de Deus. Essas e outras orientações podem nos parecer difíceis. Porém, se as seguirmos com fé, veremos que elas nos conduzirão ao sucesso, porque o Senhor, que as deu, é fiel.

Persistência

O último ingrediente na receita vitoriosa de Josué foi a per­severança. O Senhor lhe disse que, para que os muros de Jerico caíssem, teriam de ser rodeados por sete dias, e no último dia, por sete vezes. Isso significa que durante um bom tempo o ge­neral israelita seguiu as diretrizes divinas sem que nada aconte­cesse. Aquilo certamente foi um grande teste para a sua fé. É dessa forma, igualmente, que a nossa confiança costuma ser provada. Seguir em frente quando nossos esforços parecem in­frutíferos não é fácil. Por outro lado, nunca ninguém alcançou nada sem empenho e persistência.

Uma mulher orou durante quarenta anos pela conversão do marido alcoólatra. Outra intercedeu vinte anos pelo filho re­belde até vê-lo render-se a Jesus. Muitos outros exemplos po­deriam ser somados a estes, ensinando-nos uma importante lição: Deus está disposto a dar-nos o triunfo, mas permitirá antes que lutemos por ele, a fim de fortalecermos nossos músculos espirituais. Assim, os que desistem diante da primeira demora podem acabar privados da bênção que lhes estava reservada. "Não é digno de saborear o mel quem se afasta da colméia por causa da picada das abelhas", escreveu Shakespeare. A vitória sorri para aquele que, à humildade e à confiança, acrescenta a perseverança.

Thomas Edison conseguiu fazer funcionar a primeira lâmpa­da elétrica na sua centésima tentativa. Naquela ocasião, um re­pórter lhe perguntou:

– Depois de fracassar noventa e nove vezes, não pensou em desistir?

– Eu não fracassei noventa e nove vezes. Apenas descobri, noventa e nove vezes, como algo não funcionava, respondeu Edison.

Essa é uma maneira interessante de ver as coisas! Não enca­re suas tentativas como insucessos, e sim como exercícios. Le­vante-se. Persevere. Tente outra vez. Mostre que sabe o que quer! Você não deve desistir dos seus sonhos, mas precisa pro­var que está à altura deles. Na hora certa, Deus estenderá suas mãos, e os muros cairão.

Mantendo uma postura adequada, Josué e os israelitas al­cançaram seu objetivo.

"No sétimo dia, madrugaram, ao subir da alva e, da mesma sorte, rodearam a cidade sete vezes; somente na­quele dia rodearam a cidade sete vezes. E sucedeu que, na sétima vez, quando os sacerdotes tocavam as trombetas, disse Josué ao povo: Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade… Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruíram as muralhas, e o povo su­biu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram." Os 6.15,16,20.)

A fórmula de Josué provou ser eficiente. Os israelitas vence­ram sua batalha mais difícil, e prosseguiram na conquista da terra que Deus lhes havia prometido. Da mesma forma, quando enfrentamos nossos desafios com humildade, confiança e per­sistência, podemos aguardar bons resultados. O Senhor não nos abandonará. Ele não deixará de nos conceder aquilo de que necessitamos e que sabe ser o melhor para nós. Então, sigamos em frente. Vamos colocar de lado o desespero e a afobação, e agir da maneira como Deus nos tem orientado. Afinal, não exis­te sucesso maior do que estar em harmonia com a vontade do Senhor.

5

BOAZ

Homem de valor

Tinha Noemi um parente de seu marido, senhor de muitos bens, da família de Elimeleque, o qual se chamava Boaz. "(M 2.1.)

Boaz é um dos personagens mais ilustres da Bíblia, embora seus feitos não sejam muito divulgados. A maior parte dos que lêem o Livro de Rute costuma vê-lo como um ator coadjuvante. Entretanto, suas ações foram tão nobres quanto as daquela que empresta seu nome ao livro.

Os contemporâneos de Boaz consideravam-no um homem valoroso (Rt 4.11). Hoje, homens de valor constituem uma das maiores necessidades das famílias, igrejas e sociedades. Como eles podem ser identificados? Que marcas devem exibir? En­contramos, na vida de Boaz, uma lição capaz de inspirar os homens de Deus em nossa geração.

Um homem de valor confia em Deus

O Livro de Rute começa dizendo que "nos dias em que julga­vam os juizes, houve fome na terra; e um homem de Belém de Judá saiu a habitar na terra de Moabe, com sua mulher e seus dois filhos. Esse homem se chamava Elimeleque" (1.1,2). Elimeleque e Boaz eram parentes, tinham aproximadamente a mesma idade, moravam na mesma terra e enfrentaram a mesma dificuldade. Mas, enquanto um resolveu sair, o outro decidiu ficar.

Embora o nome de Elimeleque significasse "Deus é Rei", ele não agiu como se confiasse na soberania divina. Quando a es­cassez se abateu sobre Belém, levou sua família para longe da terra prometida, acreditando que assim a salvaria. O tempo se encarregou de mostrar que havia cometido um erro. Como emigrante em Moabe, Elimeleque veio a falecer, juntamente com seus dois filhos (1.3-5).

Sendo cidadão de Belém, Boaz também enfrentou a seca e a fome. Entretanto, ele acreditava que a terra onde estava era san­ta. Cria que ela havia sido dada por Deus ao seu povo para que, ali, passasse os dias bons e ruins. Assim, Boaz decidiu perma­necer onde estava, aguardando a chuva e a provisão dos céus. Sua escolha se mostrou acertada, porque, no devido tempo, a prosperidade voltou à região (1.6).

Um homem de valor leva Deus e suas promessas a sério. Com­promete-se com a fé que professa, e espera confiantemente no Senhor. Será que essa tem sido a sua atitude? Ou está se afastan­do, nos momentos de adversidade, do lugar e da obra em que Deus o colocou? Infelizmente, Elimeleque deixou de confiar, e abandonou o centro da vontade de Deus. Isso trouxe sofrimento a ele e sua família. Não devemos trilhar o mesmo caminho.

Um homem de valor busca a excelência

O texto bíblico diz que Boaz era "senhor de muitos bens". Isso deve ter lhe custado algum esforço, pois ele não vinha de família abastada. Pelo contrário: sua mãe, Raabe, vivera como prostituta em Jerico (Mt 1.5). Sendo filho de uma mulher estran­geira com um passado tão questionável, é provável que a infân­cia de Boaz tenha sido difícil. Entretanto, ele soube dar a volta por cima.

Boaz era um homem que acreditava no valor do trabalho. Ele cria que alguém poderia se tornar aquilo que desejasse, desde que se dedicasse realmente. Alguns poderiam pensar que as origens de uma pessoa ditavam seu destino, mas não ele. Com esforço e persistência, construiu um belo patrimônio, pondo-o à disposição dos menos favorecidos.

O exemplo de Boaz nos faz lembrar de José, outro personagem bíblico que superou as adversidades por buscar a excelên­cia em tudo o que fazia. Vendido como escravo pelos próprios irmãos, José decidiu ser o melhor escravo da fazenda do seu senhor. Caluniado e lançado injustamente na prisão, ele se dedi­cou a ser o melhor prisioneiro da cadeia real. Quando, finalmen­te,: José’ foi retirado do cárcere e elevado à condição de governa­dor do Egito, realizou um trabalho impecável. Por quê? Porque já havia dado o melhor de si nas funções mais humildes.

"Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito", disse Jesus (Lc 16.10). A excelência é um hábito. Isso significa que você deve buscá-la em tudo o que realiza. Faça o máximo que suas forças lhe permitirem. Dê o melhor de si. Isso será notado e valorizado. Responsabilidades e oportunidades cada vez maiores lhe serão confiadas, e todos enxergarão, em você, uma pessoa de valor.

Um homem de valor se importa com os outros

O nome de Boaz significava "Filho da força", e ele decidiu usar tal força para abençoar os que estavam à sua volta. Embo­ra fosse um homem importante e poderoso, tratava seus empre­gados com consideração (Rt 2.4), permitia que os pobres reco­lhessem nas suas plantações as espigas que caiam (2.3) e ainda tomava providências para que ninguém os importunasse (2.9). Ele era forte o bastante para não pensar apenas em si.

Infelizmente, muitos homens que se acham fortes na verda­de não o são. Usando o poder físico e econômico somente para cuidar deles mesmos ou intimidar os demais, provam o quanto são fracos. Homens de valor, pelo contrário, são solícitos, al­truístas e prestativos. Eles se importam com as pessoas e não têm medo de demonstrar amor.

O egoísmo e o individualismo são marcas de nossa época. Temos nos deixado levar por tais tendências? Ou temos sido fortes o bastante para cuidarmos uns dos outros? Um rato aban­dona sua ninhada à própria sorte, mas um leão, pelo contrário, fica perto dos filhotes e luta por eles. A qual dos dois modelos nos assemelhamos?

Um homem de valor dignifica a sua esposa

A maneira como Boaz tratou Rute foi aquela com que toda mulher sonha ser tratada. Ele conquistou seu coração com as coisas que lhe disse e que fez. Uma mulher que tem um homem como Boaz ao seu lado sente-se orgulhosa do seu companhei­ro. Tem supridas as suas necessidades físicas e emocionais. Sente-se amada, compreendida, cuidada, valorizada, incenti­vada e protegida. De que formas Boaz dignificou Rute?

Primeiramente, ele foi gentil. Deu ordens aos seus empre­gados para que Rute não fosse importunada. Providenciou-lhe alimentação e descanso. Falou-lhe de modo afetuoso, tranqüilizando-a e elogiando-a (Rt 2). Assim, ela percebeu que tinha em Boaz um amigo. Alguém com quem sempre poderia contar.

Depois, Boaz foi cuidadoso. Quando ficou claro que ele e Rute se amavam, não permitiu que a paixão falasse mais alto. Ele preservou a integridade e a reputação de sua amada, dispondo-se a esperar pelo tempo certo – o tempo de Deus (Rt 3). Agindo desse modo, ele a valorizou, ao mesmo tempo em que revelou o próprio valor.

Finalmente, Boaz foi corajoso. Lutou pela mulher que ama­va e enfrentou todas as dificuldades para ficar ao seu lado. Ele confrontou um parente mais próximo que detinha o direito de casamento, e declarou perante os líderes de Belém sua inten­ção de desposar Rute (Rt 4). Agiu com nobreza e ousadia, como um verdadeiro cavalheiro.

A segurança e o carinho demonstrados por Boaz satisfize­ram as necessidades emocionais de Rute. Namoradas, noivas e esposas esperam o mesmo dos homens que estão ao seu lado. Assim, elas se sentirão estimuladas a dar o melhor de si. Exis­tem algumas pedras semi preciosas que, depois de serem em­punhadas por algum tempo, irradiam uma luz belíssima. Tor­nam-se brilhantes graças ao calor que absorvem da mão huma­na. O mesmo acontece com mulheres que se sentem dignifica­das por homens de valor. Elas se tornam ainda mais belas, ca­pazes e encantadoras… para grande alegria dos seus amados!

Um homem de valor abençoa os seus filhos

"Assim, tomou Boaz a Rute, e ela passou a ser sua mulher; coabitou com ela, e o Senhor lhe concedeu que concebesse, e teve um filho… e lhe chamaram Obede. Este é o pai de Jessé, pai de Davi." (Rt 4.13,17.) Ao fazer escolhas certas em sua vida, Boaz santificou seus familiares. Seu exemplo e atenção contri­buíram para que ele estabelecesse uma descendência piedosa. Tornou-se inclusive bisavô de Davi, o grande rei de Israel.

Ao invés de preocupar-se com influências negativas que pudesse ter recebido de seus pais, Boaz se dedicou a transmitir influências positivas a seus filhos. Demonstrou que bênçãos -e não maldições – ocupavam o seu pensamento. Seus descen­dentes, por sua vez, destacaram-se de tal forma que tiraram Belém do anonimato. Hoje, o mundo inteiro já ouviu falar da pequena cidade onde Jesus nasceu.

Quem quiser ser um homem valoroso precisa investir na vida de seus filhos. Deve dedicar-lhes o melhor de si e considerá-los sua prioridade. O sucesso profissional e o reconhecimento so­cial não podem vir antes do cuidado com a família. Boaz foi um homem rico, mas nenhuma de suas propriedades constituiu um tesouro tão valioso quanto o seu lar. Seus descendentes alegra­ram o coração de Deus e abençoaram inúmeras vidas. Você não se sentiria satisfeito podendo dar tal contribuição?

Boaz confiou em Deus em todos os momentos. Buscou a excelência em todas as coisas. Importou-se com os outros em todos os níveis. Dignificou sua esposa em todos os aspectos. Abençoou seus filhos em todas as horas. Agindo assim, ele se revelou uma pessoa de valor. E tantas virtudes não ficaram sem reconhecimento: quando o templo de Jerusalém foi construído, uma das suas colunas recebeu o nome de Boaz, em homena­gem ao ilustre israelita nascido em Belém (1 Rs 7.21)3.

Homens de valor constituem-se numa das grandes neces­sidades do mundo moderno. Eles são indispensáveis nos pa­lácios, nas cortes e nos templos. Têm o poder de fazer a diferença nas ruas, nas fábricas e nos campos. São, acima de tudo, necessários em seus lares, onde abençoam seus familiares com palavras, gestos e orações. Não há como exagerar a importân­cia de pessoas assim. Não há como acreditar num mundo melhor sem a presença de homens de valor.

6

ANA

Características da oração eficaz

"Levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente. E fez um voto, dizendo:

Senhor dos Exércitos, se benignamente atentares para a

aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te

não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao Senhor o

darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça

não passará navalha. "(1 Sm 1.10,11.)

Ana, a mãe do profeta Samuel, foi uma grande mulher. Tan­to isso é verdade que, ate’ hoje, muitas meninas recebem o seu nome. Mas o que Ana fez para se tornar tão importante? Ela orou. De fato, pode-se dizer que Ana foi alguém que entrou para a história por causa de uma oração.

A oração de Ana foi eficaz. Isso se constitui numa excelente fonte de informação para nós, porque nem todos os cristãos se sentem satisfeitos com sua vida de oração. Alguns têm, ate’ mes­mo, a impressão de que as suas preces não passam do teto.

Será que estamos orando o bastante, e que estamos fazendo isso da maneira certa? A Bíblia diz: "Pedis, e não recebeis, por­que pedis mal" (Tg 4.3). Devemos investigar essa possibilidade. Quais são as características de uma oração que alcança os seus objetivos?

Dependência

Tendo de lidar com um grande problema, Ana decidiu fazer de Deus o seu único recurso. Ela não podia ter filhos, e isso, na sua sociedade, era considerado a pior desgraça que poderia ocorrer a uma mulher. Para tornar a situação ainda mais delica­da, seu marido tinha outra esposa, a qual era fértil e lhe lançava o fato em rosto. Assim, "todas as vezes que Ana subia à casa do Senhor, a outra a irritava; pelo que chorava e não comia" (1 Sm 1.7).

Ana não foi a primeira mulher a sofrer com a infertilidade. Outras antes dela haviam passado pela mesma dificuldade. Iné­dita foi a sua atitude. Enquanto matriarcas como Sara e Raquel tentaram resolver tudo por si mesmas (dando servas a seus maridos para que engravidassem deles), Ana dependeu exclu­sivamente de Deus.

Muitas vezes procuramos nossas próprias soluções para os problemas, agindo de forma contrária à vontade do Senhor. Com isso, a oração perde espaço e valor em nossa vida. Você não pode ter um "plano B" se quiser prevalecer na oração! Precisa orar e depender da resposta de Deus, crendo que ela virá.

Quando Moisés subiu ao alto do Sinai para receber os dez mandamentos, os israelitas acharam que ele estava demorando demais. Concluíram que o Senhor os havia abandonado, e de­cidiram tomar suas próprias providências. Aquelas pessoas fi­zeram para si um bezerro de ouro e adoraram-no como seu deus. O resultado foi trágico: três mil homens morreram (Êx 32.28). Tudo porque no alto do monte Deus preparava grandes bênçãos, mas o povo, lá embaixo, achou que não podia espe­rar.

Não tenha medo de pedir ao Senhor a bênção de que preci­sa. "Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor al­guma coisa." (Tg 1.6,7.) É preciso confiar e esperar no Senhor.

Especificidade

Ana expôs ao Todo-Poderoso o anseio do seu coração, e fez isso de maneira especifica. Não apenas lhe pediu um filho, mas fez questão de dizer-lhe que queria um menino. Deus se alegra quando uma pessoa lhe fala exatamente o que deseja. Isso é um sinal de que ela sabe o que quer, e que tem fé suficiente para ser direta.

A Bíblia relata que "em Gibeão, apareceu o Senhor a Salomão, de noite, em sonhos. Disse-lhe Deus: Pede-me o que queres que eu te dê" (1 Rs 3-5). Salomão pediu sabedoria, e o Senhor fez dele o homem mais inteligente da Terra.

Bartimeu clamava pelas ruas de Jerico, suplicando miseri­córdia. "Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Res­pondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver. Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia Jesus estrada fora." (Mc 10.51,52.)

Muitas pessoas oram de maneira vaga e imprecisa, como se duvidassem do poder de Deus para atendê-las. Isso, certamen­te, não agrada ao Senhor! O nosso Pai sabe aquilo de que preci­samos, antes mesmo de o pedirmos. Ainda assim, ele deseja que pecamos, exercitando a nossa fé e lhe dizendo especifica­mente o que esperamos dele.

O pai de um menino endemoninhado, depois de levá-lo a muita gente sem que ninguém pudesse libertá-lo, disse a Jesus: "Se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos". O Salvador, porém, não gostou do que ouviu. Ele respondeu: "Se podes! Tudo é possível ao que crê". Imediatamente, o ho­mem começou a chorar. Ele falou: "Eu creio! Ajuda-me na mi­nha falta de fé!" Só então Cristo expulsou o espirito que pertur­bava aquele jovem, devolvendo-o são e salvo ao seu pai (Mc 9.23-27).

Você precisa ser claro nas suas orações. Assim, quando a resposta de Deus vier, não terá como confundi-la. Deve fazer os seus pedidos com fé, mesmo que a sua fé, como no caso do pai daquele menino, ainda não seja perfeita. Não se esqueça, porém, de acrescentar algo à sua súplica: o desejo de que a vontade de Deus prevaleça.

Ser específico na oração não significa ditar ordens aos céus. No Getsêmani, Jesus pediu claramente ao Pai que seu cálice passasse adiante. Mas concluiu: "Não seja o que eu quero, e sim o que tu queres" (Mc 14.36). E o apóstolo Paulo, ao ver negado o seu pedido para que o espinho na carne fosse extraído, disse: "De boa vontade, pois, mais me gloria­rei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo" (2 Co 12.9).

Precisamos estar sempre abertos às surpresas de Deus. Ana pediu ao Senhor um filho – e recebeu, no lugar disso, quatro filhos e duas filhas! (1 Sm 2.21.) O Senhor "é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pen­samos, conforme o seu poder que opera em nós" (Ef 3-20). É preciso ter fé para acreditar que ele pode nos dar o que pedi­mos, e mais fé ainda para crer que tudo o que vier a nos dar será, necessariamente, o melhor.

Comprometimento

Provavelmente, o aspecto mais importante da oração de Ana foi o seu voto. Ela prometeu que, se tivesse um filho, iria consagrá-lo como profeta ao serviço do Senhor. Aquele foi um compromisso ousado. Na Antigüidade, as pessoas idosas só podiam contar com os descendentes para o seu sustento. Por­tanto, além de abrir mão cia companhia do filho amado, Ana renunciava, com seu voto, a qualquer garantia de conforto na velhice.

Qual a razão de Ana ter feito semelhante promessa? Por que as pessoas formulam votos a Deus? Será para convencê-lo a fazer aquilo que elas desejam? Tal coisa não faria sentido. O Senhor se alegra em abençoar-nos. Ele derrama suas graças em nossa vida de forma generosa. Não é preciso "comprá-lo" com ofertas.

Não é por causa do Senhor que estabelecemos votos. Nós o fazemos por nossa causa! Um compromisso pode nos ajudar a firmar prioridades, a manter o foco no objetivo, a estabelecer um senso de valor para o que desejamos, e também a aperfei­çoar nossa fé.

Ana teve de refletir: "Para que eu desejo um filho? Para a minha própria satisfação, ou para o louvor do Senhor?" Você precisa se fazer a mesma pergunta. A Bíblia diz: "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Co 10.31). Suas orações visam a glória do Criador?

Com o seu nascimento, Samuel não apenas alegrou o cora­ção de Ana: ele enriqueceu o reino de Deus. Sua vida foi uma dádiva para os que conviveram com ele, pois "todo o Israel, desde Dã ate’ Berseba, conheceu que Samuel estava confirma­do como profeta do Senhor" (1 Sm 3.20). Da próxima vez que você pedir alguma coisa em oração, pense: "Estou disposto a entregar isso ao Pai, para a glória do seu nome?"

Assim como Ana, eu e minha esposa não podíamos ter fi­lhos. Estávamos dispostos a lançar mão de um tratamento mé­dico, mas nem mesmo os recursos mais avançados seriam ca­pazes de nos dar garantias de sucesso. Então, certo dia, eu pa­rei e refleti: "Tenho pedido a Deus um filho. Mas estou disposto a abrir mão dele e entregar sua vida ao Senhor?"

A oração que fiz em seguida foi a mais difícil da minha vida. As palavras pareciam ser extraídas de dentro de mim a fórceps. Com muita luta e em meio a lágrimas, eu disse a Deus que, se ele me desse um filho, a criança não seria minha, mas dele. Senti como se uma parte de mim estivesse sendo arrancada. Mas, depois de formular meu voto, fui inundado por uma gran­de paz. Conversei com minha esposa, e decidimos buscar o tratamento.

O Senhor respondeu às nossas orações. Concedeu-nos não apenas um filho, mas duas gêmeas lindas! E sempre que inter­cedo por elas, digo: "Lembra-te, Pai, de que elas são tuas filhas, antes de serem minhas". Tenho a certeza de que Deus tem pla­nos maravilhosos para a vida delas, e de que parte da minha responsabilidade como pai consiste em contribuir para que es­ses planos se cumpram. E aprendi algo muito importante: quan­do você abre mão diante de Deus de algo que deseja muito, ao invés de perdê-lo, ganha-o para sempre.

As Escrituras relatam que depois de orar, "a mulher se foi seu caminho e comeu, e o seu semblante já não era triste" (1 Sm 1.18). Esse é o resultado de uma oração eficaz! Até então, nada mudara ao redor de Ana. Ela continuava casada com um mari­do pouco sensível, e dividindo a casa com uma mulher inamistosa. Não recebera sequer uma promessa da parte de Deus. Entretanto, a Bíblia diz que o seu semblante já não era triste. Alguma coisa havia mudado em seu interior.

Faça a sua oração com dependência, especificidade e com­prometimento. Creia na resposta do Senhor, e descanse no seu poder. Você verá que uma paz incomparável se espalhará pelo seu interior. Antes que algo tenha mudado – ou até mesmo que uma garantia lhe tenha sido dada – você encontrará alívio. Suas preocupações terão sido transferidas para o lugar certo: as mãos do Criador.

7

SAMUEL

Ouvidos de servo

"Então, veio o Senhor, e ali esteve, e chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel! Este respondeu: Fala, porque o teu servo ouve. "(1 Sm 3.10.)

"Samuel" significa "o nome de Deus". Sua mãe chamou-o assim porque desejava que o nome do Senhor fosse exaltado em sua vida. Ela disse: "Do Senhor o pedi" (1 Sm 1.20). Tal declaração pode ser entendida como: "Tenho pedido ao Se­nhor (um nome de Deus) para ele"4. De fato, Samuel dignificou o nome de Deus perante o seu povo. Liderou a nação de Israel num avivamento espiritual e num longo período de paz.

Embora fosse apenas um menino, Samuel recebeu um chama­do para uma obra especial. Por que isso aconteceu? A Bíblia diz que "naqueles dias, a palavra do Senhor era mui rara; as visões não eram freqüentes" (1 Sm 3.1). Se Deus raramente falava a alguém, por que falou a Samuel? Porque aquele jovem sabia ouvir!

"Fala, porque o teu servo ouve", foi uma frase que marcou a vida de Samuel. Mais do que uma resposta a revelação inicial do Senhor, tal afirmação se constituiu numa diretriz que norteou seus passos e transformou-o num grande homem. Samuel não ouvia o Senhor de uma maneira qualquer. Ele o escutava com ouvidos de servo. O que isso significa?

O que são ouvidos de servo?

Um músico não ouve uma melodia da mesma forma que as outras pessoas. Ele a escuta com ouvidos de músico: analisa a harmonia, o ritmo, o volume, a afinação dos instrumentos e das vozes, e assim por diante. O mesmo se dá na esfera espiritual: se desenvolvermos ouvidos de servo, entenderemos a palavra de Deus de um jeito especial.

Que tipo de ouvidos são esses?

Ouvidos atentos. Deus falou "tendo-se deitado também Samuel, no templo do Senhor, em que estava a arca, antes que a lâmpada de Deus se apagasse" (1 Sm 3-3). Aquele moço pro­curou uma hora calma e um lugar tranqüilo para ouvir Deus falar. Esse é um grande exemplo para nós. Num mundo tão agitado – no qual tantos sons concorrem com a voz do Altíssimo – precisamos cultivar o hábito de orar e meditar, aquietando-nos e permanecendo atentos àquilo que Deus tem a nos dizer.

Já aconteceu de você estar conversando com alguém e, a certa altura, perceber que a pessoa não estava prestando aten­ção às suas palavras? O que você fez? Provavelmente apontou-lhe o fato ou, simplesmente, parou de falar. Afinal, por que con­tinuar se pronunciando se não há ninguém disposto a escutá-lo? Da mesma forma, o Espírito Santo deixará de falar-nos se não dermos importância à sua voz.

O profeta Isaías escreveu: "O Senhor Deus me deu língua de eruditos, para que eu possa dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos" (Is 50.4). Isaías era um homem que tinha o que falar porque dedicava tempo a ouvir. O mesmo pode ser dito a nosso respeito?

Ouvidos obedientes. O Senhor não se disporá a nos falar se não estivermos prontos a segui-lo. Antes de se revelar a Samuel, Deus havia falado a Eli. Advertira o sacerdote quanto ao mau comportamento de seus filhos e à sua omissão como pai. Toda­via, Eli não fez nada a respeito. Então, o Senhor decretou: "Na­quele dia, suscitarei contra Eli tudo quanto tenho falado com respeito à sua casa; começarei e o cumprirei. Porque já lhe dis­se que julgarei a sua casa para sempre, pela iniqüidade que ele bem conhecia, porque seus filhos se fizeram execráveis, e ele os não repreendeu" (1 Sm 3.12,13).

Ter ouvidos de servo significa estar pronto a obedecer. Quando dizemos: "Fala, porque o teu servo ouve", estamos pergun­tando a Deus: "Quais são as suas ordens?" Um servo não indaga alguma coisa ao seu senhor por simples curiosidade. Ele não diz: "Quero conhecer a sua vontade, mas não estou disposto a cumpri-la". Devemos estar cientes de que Deus só falará conosco se estivermos prontos a seguir as suas orientações.

Ouvidos voluntários. Ter uma boa disposição para fazer aquilo que o seu senhor espera é essencial para que um servo seja considerado fiel. Não basta obedecer: e’ preciso fazer isso de boa vontade. Não é suficiente cumprir uma obrigação: é ne­cessário envolver-se com a obra de tal maneira que se dedicar a ela seja considerado um privilégio.

Nos dias do profeta Ezequiel, muitas pessoas se dirigiam aos cultos a fim de ouvir a voz de Deus. Não a escutavam, porém, com um espírito voluntário. O Senhor disse ao profeta: "Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro. Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra" (Ez 33-31,32). Ouvir as pregações era, para aquelas pessoas, uma espécie de entretenimento. Parece que esse é um problema muito comum hoje em dia.

Um homem estava esperando por sua esposa na frente do templo. Quando uma senhora saiu, ele perguntou:

— O sermão já acabou?

— Não, respondeu a mulher, está começando agora.

— Como assim?, tornou o marido. Quer dizer que o pastor começou a pregar neste momento?

— Nada disso, respondeu ela. Ele já parou de falar. Mas é agora que nós vamos começar a praticar o que ele falou.

Aquela senhora sabia a diferença entre o sermão pregado e o sermão vivido. E quanto a nós?

O que pode nos impedir de ter ouvidos de servo?

Há muita gente sofrendo de "surdez espiritual". Essas pessoas não são capazes de ouvir a voz de Cristo, porque não se dispõem a escutá-lo com ouvidos de servo. Às vezes, chegam a reclamar dos pregadores e das igrejas. Mas o fato é que exis­te um tampão nas suas orelhas. É por isso que não se sentem abençoadas como os que estão ao seu lado.

O salmista escreveu: "Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 19-1). Como aquele homem era capaz de escutar a voz do Senhor tão clara­mente na natureza? Ele buscava o Criador com um coração sin­cero! Sua oração foi: "As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, ro­cha minha e redentor meu!" (Sl 19-14.)

Você também pode ouvir o Senhor claramente, e ser aben­çoado pela certeza da sua presença. Para isso, o que tem de fazer é desentupir os canais auditivos da sua alma.

Quais são as coisas que formam a "cera espiritual" dos seres humanos?

Pecado. A desobediência e a rebeldia endurecem o nosso coração, danificam a nossa sensibilidade e cauterizam a nossa consciência. Nenhum pecado é inofensivo. Se dermos lugar à iniqüidade em nossa vida, concessões aparentemente insignifi­cantes irão se somar umas às outras até formarem uma crosta impenetrável.

Dwight L. Moody, grande avivalista do século XIX, escreveu na primeira página de sua Bíblia: "Este livro me fará evitar o pecado, ou o pecado me fará evitar este livro". Eis aí uma gran­de verdade! Se você sente que Deus não lhe tem falado podero­samente, deve investigar sua vida e procurar por pecados não confessados. Há uma grande chance de que o problema esteja aí, pois as nossas transgressões nos afastam da Palavra do Se­nhor.

Orgulho. Quando passamos a confiar demais em nós mes­mos, deixamos de procurar a orientação dos céus. É como se disséssemos: "Eu já sei de tudo; para que ouvir o Senhor?" Com relação aos israelitas que caíram nesse erro, o profeta escreveu: "Fizeram o seu coração duro como o diamante, para que não ouvissem a lei, nem as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas que nos prece­deram; daí"veio a grande ira do Senhor dos Exércitos" (Zc 7.12). Não alimente um espírito arrogante. Quando o homem está cheio de si, não sobra nenhum lugar para Deus.

Mágoa. Existem ocasiões em que o grito do aborrecimento e o clamor da amargura abafam a voz do Redentor. O ressenti­mento e a mágoa são poderosos "tampões espirituais". Eles têm a capacidade de interromper nossa comunicação com Deus. Por isso a Bíblia diz: "Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor" (Ec 11.10).

Você já escutou a expressão "cego de raiva"? Pois bem: o ressentimento talvez não afete a nossa visão, mas certamente avaria a nossa audição! Não é possível escutar a voz de Cristo e a do orgulho ferido ao mesmo tempo. Por maiores que sejam as ofensas que tenhamos sofrido, precisamos perdoá-las. Caso contrário, nossa conexão espiritual será rompida, e o diabo le­vará vantagem sobre nós (2 Co 2.11).

Preguiça. Certa ocasião Jesus falou a um grupo de pessoas que o procuravam apenas porque admiravam os seus mila­gres. O Salvador confrontou aqueles homens e expôs-lhes o alto preço do discipulado. "Tendo ouvido tais palavras, disse­ram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?" (Jo 6.60.) Em seguida, aquelas pessoas viraram as costas e deixaram de se­guir a Cristo.

Há muitos que não ouvem a voz de Deus simplesmente por­que não querem escutá-la. O que o Senhor tem a dizer-lhes não é o que gostariam de ouvir. Se o Todo-Poderoso lhes aponta um caminho difícil, acham mais fácil se fazer de desentendi­dos, afirmando que não sabem de nada. Precisamos nos livrar da cera da preguiça. Se o pior cego é aquele que não quer ver, então o pior surdo é o que não está disposto a escutar.

Com os seus ouvidos de servo, Samuel se tornou um grande homem. Ele se firmou como um líder querido e um juiz respei­tado pelo seu povo. As Escrituras dizem que "o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra" (1 Sm 3.19). Por quê? Porque ele sabia falar? Não! Porque sabia ouvir!

Ser capaz de ouvir a voz do Senhor e’ algo muito importante. Peça a Deus que lhe dê ouvidos de servo. Dependa do auxílio divino para ser uma pessoa atenta, obediente e prestativa. Disponha-se a combater incansavelmente o pecado, o orgulho, a mágoa e o comodismo. A sua felicidade – assim como a de muita gente – depende disso.

Quando somos capazes de escutar a voz de Deus, recebe­mos conforto, orientação, capacitação e discernimento. Nossa existência se reveste de um novo significado. Nossos temores dão lugar à confiança. Nossas lutas são convertidas em vitórias. O que poderia ser mais importante? Estabeleçamos, portanto, o firme propósito de sermos bons ouvintes do nosso Deus. Como Samuel, digamos: "Fala, porque o teu servo ouve".

8

DAVI

Derrubando gigantes

"Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens contra mim com

espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra

ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus

dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado."

(1 Sm 17.45.)

No clássico infantil João Mata-Sete, um humilde alfaiate sai à rua gabando-se de haver matado sete moscas com um só gol­pe. Os aldeões pensam que ele está se referindo a sete gigantes (havia um ameaçando a região), e nomeiam-no seu defensor. O pobre João não vê como se esquivar da tarefa, e acaba passan­do por maus bocados. Ele sabia exterminar insetos, mas acabar com gigantes… bem, isso era muito diferente!

A Bíblia conta a história de um rapazinho que, ao contrário do personagem da fábula, era um verdadeiro exterminador de gigantes. Ele derrotou Golias, um terrível guerreiro de quase três metros de altura, o qual vestia uma armadura de bronze de noventa quilos e empunhava uma lança cuja ponta pesava onze quilos (1 Sm 17.4-7). O nome do rapaz era Davi. Ele veio a ser conhecido como "o homem segundo o coração de Deus".

Assim como Davi, nós também nos deparamos com muitos gigantes em nossa vida. São problemas para os quais não ve­mos solução, obstáculos que nos parecem intransponíveis e adversários determinados a nos destruir. Como podemos supe­rar tais ameaças? A julgar pelo exemplo de Davi, existem quatro atitudes que devemos tomar se quisermos derrubar gigantes. Você gostaria de saber quais são elas?

Sejamos corajosos

A primeira virtude exibida por Davi foi a coragem. Enquanto os soldados se mostravam paralisados de medo, o jovem pastor de ovelhas se apresentou para o combate. Golias desafiou os israelitas durante quarenta dias, dizendo: "Dai-me um homem, para que ambos pelejemos" (1 Sm 17.10). Porém, ainda que o rei Saul oferecesse uma grande recompensa para aquele que lutasse, nenhum voluntário apareceu. As coisas só mudaram quando Davi chegou ao arraial. Ele disse ao rei: "Não desfaleça o coração de ninguém por causa dele; teu servo irá e pelejará contra o filisteu" (1 Sm 17.32).

Há uma definição de coragem que aprecio bastante. Ela diz: "Coragem não é a ausência de medo; é a disposição de seguir em frente apesar do medo". A ousadia tem muito mais a ver com atitude do que com sentimento. Não sabemos ao certo se o pequeno Davi ficou apreensivo diante da visão do brutamontes filisteu. Mas de uma coisa temos certeza: ele se moveu, e isso fez a diferença!

No livro O Peregrino, de John Bunyan, há um trecho especi­almente belo. Cristão, o personagem principal da história, está caminhando rumo ao céu quando, de repente, encontra dois le­ões. Ao vê-lo, as feras rugem e rosnam, dispostas a fazê-lo em pedaços. Ele deseja seguir adiante; porém, ao olhar para os leões postados em ambos os lados da estrada, fica petrificado. O impasse continua até o momento em que Cristão, pela fé, dispõe-se a prosseguir. Ao passar entre as feras, descobre que elas estavam amarradas com cordas cujo comprimento era, exatamente, o ne­cessário para que seguisse em segurança.

Se você deixar seus gigantes pessoais barrarem o seu pro­gresso, nunca será um vencedor. Se ficar intimidado com suas ameaças, acreditando que eles são maiores do que o Deus a quem você serve, irá se paralisar. Olhará para os lados à pro­cura de uma saída, ou voltará atrás em busca de segurança. Embora sentir medo seja algo normal, você não foi chamado para viver pelos seus sentimentos, e sim pela fé. Portanto, te­nha coragem.

Sejamos autênticos

Quando soube que Davi estava disposto a enfrentar Golias, o rei de Israel se propôs a ajudá-lo. Parece que, para Saul, qualquer coisa estava boa, desde que o seu pescoço não cor­resse risco! Ele "vestiu a Davi da sua armadura, e lhe pôs so­bre a cabeça um capacete de bronze, e o vestiu de uma coura­ça" (1 Sm 17.38). Contudo, a oferta do rei foi recusada. Davi falou que não estava acostumado a usar aquelas coisas e dei­xou-as de lado.

O que é bom para uma pessoa não é, necessariamente, bom para outra. Essa é a segunda lição que aprendemos com o nos­so exterminador de gigantes. O rei de Israel era o homem mais alto do povo, ao passo que Davi tinha estatura mediana. Saul era experimentado em batalhas, enquanto Davi só sabia guar­dar ovelhas. Uma espada nas mãos do rei poderia ser útil, mas Davi se sairia melhor com sua funda de pastor. Tais diferenças tinham de ser levadas em conta na hora de enfrentar o inimigo.

"A comparação é a morte da auto-estima", escreveu John Powell5. Sempre que nos comparamos a uma pessoa – tentan­do fazer as coisas exatamente à sua maneira – não nos saímos bem. O resultado é que ficamos decepcionados e passamos a menosprezar a nós próprios. Davi, porém, escolheu não imitar ninguém. Ele resolveu ser ele mesmo, e na hora da luta sua decisão se mostrou correta. Lembre-se: Deus está disposto a usá-lo como você é, aproveitando suas características e habili­dades, e até mesmo suas dificuldades.

Sejamos dedicados

Autenticidade é importante, mas não é tudo. Se quisermos derrubar gigantes, teremos de encarar a nossa tarefa com dedi­cação. Davi optou por enfrentar Golias com uma funda. Logo, precisaria de pedras. Então, "tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco pedras lisas do ribeiro, e as pôs no alforje de pastor, que trazia, a saber, no surrão; e, lançando mão da sua funda, foi-se chegando ao filisteu" (1 Sm 17.40). Davi não pegou o primeiro pedregulho que encontrou no chão. Saiu a escolher cuidadosamente os seixos que utilizaria, até encontrar os melhores. Preparou-se para a batalha com todo o esmero.

Quando nos vemos diante de um desafio, precisamos dar o melhor de nós. Ainda que nosso sucesso repouse nas mãos di­vinas, certamente o Senhor não se disporá a fazer aquilo que está ao nosso alcance. Nosso lema deve ser: "Ore como se tudo dependesse de Deus, e trabalhe como se tudo dependesse de você".

Não me esqueço de um episódio ocorrido quando eu estava na terceira série. Era dia de prova, e um de meus colegas, ao se deparar com as questões, ficou desesperado. Ele disse à profes­sora que não sabia a matéria.

— Mas você estava ciente de que o teste seria hoje. Por que não estudou?, perguntou ela.

O garoto respondeu:

— Eu não tive tempo de estudar porque passei o dia inteiro rezando para que Deus me ajudasse a fazer uma boa prova.

O resultado? Toda a turma foi aprovada e saiu de férias, en­quanto ele ficou para recuperação!

Não existe vitória sem empenho. Davi foi ao encontro do gigante bem preparado. Já aprendera a fazer da dedicação um hábito. No começo da história, quando seu pai lhe dissera que fosse até o acampamento de Israel, a Bíblia afirma que ele "se levantou de madrugada, deixou as ovelhas com um guarda, carregou-se e partiu, como Jessé lhe ordenara" (1 Sm 17.20). Davi não saiu de casa sem antes confiar a alguém os animais que estavam sob sua responsabilidade. Ele era um jovem dedi­cado. Sigamos seu exemplo.

Sejamos consagrados

Finalmente o cenário está pronto, e a luta vai começar. Davi e Golias se encontram no vale de Elá e lançam-se ao combate. Filisteus e israelitas prendem a respiração. Quem será o vence­dor? Neste momento, Davi lança mão da sua "arma secreta". Ele exibe a quarta e última virtude necessária para derrubar gigantes. Ele diz ao adversário: "Tu vens contra mim com espada, e com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado".

Armado com o nome do Senhor, Davi enfrentou Golias. Ele tinha comunhão com Deus e fé nas suas promessas. Esse foi o maior segredo do seu triunfo. Coragem, autenticidade e dedica­ção são características de todas as pessoas bem-sucedidas, mas se quisermos conquistar vitórias milagrosas precisaremos de algo mais. Deveremos ter uma vida consagrada e honrar a Deus em todas as coisas. Precisaremos agir em seu nome.

Quando o oeste norte-americano estava sendo ocupado, muitos colonos atravessavam milhares de quilômetros em rús­ticos carroções. Enquanto a maioria dos pioneiros preferia via­jar sem parar, algumas famílias detinham-se aos domingos para descansar e cultuar ao Senhor. Tal decisão era criticada pelos demais, que lhes diziam que a jornada se tornaria mais lenta e perigosa. Mas as carroças dessas famílias se quebravam menos freqüentemente, e os animais que as puxavam quase nunca adoeciam. Assim, com sua escolha inspirada pela fé, elas aca­bavam chegando antes ao seu destino, e recebendo as melho­res terras.

Será que, assim como aqueles homens e mulheres, você tem enfrentado seus desafios em nome do Senhor? Tem depositado nele a sua confiança? Tem feito dele o seu conselheiro? Você tem a opção de agir pela carne e contar apenas com seus pró­prios recursos, ou pode se mover pelo espírito e avançar na dependência de Deus. A estratégia da fé poderá parecer loucu­ra para muitos. Quem não terá pensado isso da atitude de Davi? No final, porém, ela será recompensada.

Neste exato momento, alguns gigantes pessoais se movem em sua direção. Eles lhe gritam toda sorte de ameaças, buscan­do fazer com que bata em retirada ou se lance ao combate atabalhoadamente. Tais gigantes não podem ser tolerados. Eles se colocam entre a sua vida e as bênçãos que o Senhor lhe tem reservado. Você não pode simplesmente ignorá-los. Precisa vencê-los.

O gigante que atravessou o caminho de Davi foi lançado por terra. O pequeno pastor "meteu a mão no alforje, e tomou dali uma pedra, e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa; a pedra encravou-se-lhe na testa, e ele caiu com o rosto em terra" (1 Sm 17.49)- Após tanta provocação e ansiedade, a luta em si foi surpreendentemente rápida! Encare os seus gigantes, e não se espante se o mesmo acontecer com você.

Querido leitor, erga os olhos acima dos gigantes. Enxergue aquele que é maior do que os que se levantam para derrubá-lo. Com ousadia, autenticidade, dedicação e fé, você alcançará as vitórias que lhe foram prometidas. Que Deus seja exaltado em sua vida!

9

ABIGAIL

A serviço do Rei

"Tendo ido os servos de Davi a Abigail, no Carmelo, lhe

disseram: Davi nos mandou a ti, para te levar por sua

mulher. Então, ela se levantou, e se inclinou com o rosto em

terra, e disse: Eis que a tua serva é criada para lavar os pés

aos criados de meu senhor. "(I Sm 25.40,41-)

Existem personagens bíblicos que, embora sejam mencio­nados em uma única passagem, deixam ótima impressão. Esse é o caso de Abigail. Inteligência, beleza, coragem e humildade se misturavam na vida daquela mulher, tornando-a uma pessoa muito especial.

O nome de Abigail significa "motivo de alegria" (o que ela era, sem dúvida). Seu marido, por outro lado, causava tristeza a muita gente. A Bíblia diz que Nabal (em hebraico, "tolo"), ape­sar de descender de família nobre, "era duro e maligno em todo o seu trato" (1 Sm 25.3). Acostumara-se a lidar com as pessoas com brutal desconsideração.

Com a sua grosseria, Nabal provocou a ira do rei Davi. Des­se modo ele colocou em risco a própria vida e a sobrevivência dos seus familiares. Como Abigail lidou com tal situação? E quanto a nós? De que maneira agimos em circunstâncias seme­lhantes? Como podemos nos colocar a serviço do Rei quando a situação é desfavorável?

Tão sensata quanto formosa, Abigail nos ensina que…

Precisamos ter iniciativa

Ao tomar conhecimento de que Nabal havia ofendido Davi e seus soldados, Abigail agiu rapidamente. Ela "tomou, a toda pres­sa, duzentos pães, dois odres de vinho, cinco ovelhas prepara­das, cinco medidas de trigo tostado, cem cachos de passas e duzentas pastas de figos, e os pôs sobre jumentos, e disse aos seus moços: Ide adiante de mim, pois vos seguirei de perto" (1 Sm 25.18,19)- Levou assim provisão para o rei e seus homens.

Alguma coisa precisava ser feita, e Abigail se dispôs a fazê-la rapidamente. Não ficou esperando pelos outros, nem aguardan­do a conjuntura ideal. Quem deseja servir o Rei dos reis deve mostrar a mesma disposição. Não fique esperando uma circuns­tância perfeita ou uma convocação por escrito. Se o Senhor deseja algo, apresse-se a fazê-lo.

Conheço a história de um homem que, nos cultos de oração de sua igreja, gostava muito de usar a expressão "toca com o teu dedo". Ele dizia: "Toca com o teu dedo, Senhor, no problema de fulano, na necessidade de beltrano", e assim por diante. Certo dia, ele estava fazendo exatamente isso quando, de repente, se calou. As pessoas que estavam ao seu lado abriram os olhos e lhe pergunta­ram o que havia acontecido. Assustado, ele respondeu:

"Pareceu-me ter escutado uma voz me falando bem alto: ‘O dedo é você!’"

Assim como aquele homem, nem sempre enxergamos nos­sas responsabilidades. Entretanto, muitas vezes o Senhor dese­ja usar-nos em resposta às nossas próprias orações. Tome a iniciativa. Aproxime-se do Rei. Descubra a sua vontade. Apres­se-se a cumpri-la.

Precisamos dar o melhor

Abigail não mostrou apenas presteza, mas também capri­cho. Ela se apressou em levar provisões para Davi e seu exérci­to, ofertando-lhes o que tinha de melhor em sua casa. Seu pre­sente constituiu-se de pães fresquinhos, vinho de qualidade, ovelhas assadas e figos em pasta. Ela sabia que somente as primícias agradariam ao rei.

Nós, cristãos, também devemos dar o melhor ao Rei Jesus. Uma vez que tenhamos nos decidido a servi-lo, não podemos fazer isso de qualquer maneira. As primícias do nosso tempo, dinheiro, ha­bilidade, gestos, emoções e pensamentos devem pertencer a ele. A letra de um antigo hino diz: "No serviço do meu Rei eu sou feliz, venturoso e decidido; quanto tenho no serviço gastarei, no serviço do meu Rei". Disponha-se a dar, para Deus, o me­lhor daquilo que você é e possui. Não o adore com sobras. Não o sirva com restos. Ele deu a própria vida para salvá-lo. O que lhe dará você?

Precisamos ser sábios

Abigail mostrou inteligência na maneira como tratou Davi, e, também, na forma como lidou com seu marido. A Bíblia diz: "Voltou Abigail a Nabal. Eis que ele fazia em casa um banquete, como banquete de rei; o seu coração estava alegre, e ele, já mui embriagado, pelo que não lhe referiu ela coisa alguma, nem pouco nem muito, ate’ ao amanhecer" (1 Sm 25.36).

Que sujeito tolo! Enquanto todos corriam perigo, ele bebia despreocupadamente! O texto diz que o seu banquete era como o de um rei; entretanto, não havia sinal de realeza em seu com­portamento. Nabal podia ate’ querer ser um príncipe, mas esta­va mais para sapo…

Prudentemente, sua esposa não lhe relatou nada do que acon­tecera. Ela sabia que dialogar com um bêbado seria impossível. Assim como identificara o momento certo de falar, percebeu que aquela era a hora de guardar silêncio. Agiu como uma mulher sábia.

"Pela manhã, estando Nabal já livre do vinho, sua mulher lhe deu a entender aquelas coisas; e se amorteceu nele o cora­ção, e ficou ele como pedra. Passados uns dez dias, feriu o Senhor a Nabal, e este morreu." (1 Sm 25.37,38-) O que terá provocado em Nabal tamanho abalo? O susto por sua vida ter corrido perigo? A raiva por sua esposa ter agido sem sua autori­zação? A tristeza por ter sido privado de parte de seus bens? Seja como for, o choque foi tão grande que ele sofreu uma espécie de derrame, e pouco tempo depois faleceu. A sabedoria e a tolice nunca deixam de produzir seus fartos.

Como Abigail, eu e você também devemos ser sensatos. Pre­cisamos identificar a hora certa de falar e o jeito correto de fazê-lo. Exercitar a sensibilidade e a tolerância. Descartar o destempe­ro e a amargura. Nos nossos relacionamentos, haveremos de co­lher aquilo que plantarmos. Semeemos, pois, com inteligência.

Precisamos ser humildes

Quando Davi soube que Nabal havia morrido, ficou feliz porque a justiça fora feita por Deus, e não por suas próprias mãos. Ele também se lembrou da mulher que, com sua iniciati­va, o havia impedido de derramar sangue inocente. Então, "man­dou Davi falar a Abigail que desejava tomá-la por mulher" (1 Sm 25.39).

Abigail era agora uma rica viúva, e estava sendo pedida em casamento por aquele que seria o rei de Israel. Qual foi a sua resposta? Ela se inclinou e disse que agiria como seiva, lavando não apenas os pés de seu futuro esposo, como também os dos seus criados (1 Sm 25.41). Evidenciou a grandeza de caráter própria de uma rainha.

Lavar os pés de alguém era considerado, pelos judeus, um serviço humilhante – algo que somente um escravo faria. Por isso, na véspera de sua morte, Jesus "levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido" (Jo 13.4,5). O Rei dos reis deixou-nos esse exemplo de hu­mildade, e disse: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros" (Jo 13.14).

Nenhum de nós se revoltaria contra a idéia de lavar os pés de Cristo, mas fazer o mesmo aos seus servos é outra história. Foi por isso que a atitude de Abigail agradou tanto a Deus. Embora fosse convidada para tornar-se rainha, ela disse que seria uma serva. Uma grande lição de fé.

Houve um rei da Grécia antiga que, tendo muitos filhos, decidiu criá-los no meio do povo, fora dos muros de seu palácio. "Um dia, um deles será rei em meu lugar", dizia ele. "Quan­do essa ocasião chegar, quero que ele seja um soberano justo e bom, lembrando-se das necessidades das pessoas simples en­tre as quais viveu".

O Rei do Universo também enviou o seu Filho para viver entre as pessoas comuns. Por isso a Escritura nos exorta: "Ten­de em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se hu­milhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai" (Fp 2.5-11). Aleluia!

Lembre-se: não há lugar para vaidade no serviço do Rei. Disponha-se a servi-lo servindo ao próximo. Não considere ne­nhum trabalho simples demais, nem espere reconhecimento dos homens. Nisso residirá sua verdadeira grandeza.

Bonita e inteligente, dinâmica e bondosa, fiel e consagrada: Abigail deixou ótimas impressões na sua passagem pelas Escri­turas. Em harmonia com o seu nome, ela trouxe alegria a todos os que estavam à sua volta. Fez isso com uma vida de dedica­ção e serviço.

O nome e o destino de Abigail não foram obra do acaso. Ela se colocou, de coração, a serviço do rei. Demonstrou pronti­dão ao tomar a iniciativa. Ofereceu o melhor de tudo aquilo que possuía. Agiu com equilíbrio, sabedoria e prudência. Foi humilde nas suas palavras e gestos.

E quanto a você? Deseja estar, também, a serviço do Rei? Almeja ser feliz e fazer feliz? Então, agora é a hora! Não deixe a oportunidade se perder. Inspire-se no exemplo de Abigail, e coloque-se a serviço do Rei.

10

JABEZ

O caminho da bênção

"Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe

chamou-lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz.

Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que

me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a

tua mão e me preserves do mal, de modo que não me

sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha

pedido. "(1 Cr 4.9,10.)

O nome Jabez significa "sofrimento, tristeza". Sua mãe o chamara assim em virtude das dores sentidas no parto. Tal fato poderia se constituir numa preocupação para Jabez. Ele talvez receasse que seu nome pudesse ter um caráter profético, influ­indo negativamente no seu destino.

Entretanto, não foi isso o que aconteceu. Jabez foi exaltado aci­ma dos seus contemporâneos. Numa época em que as pessoas acreditavam que a maldição de um nome só poderia ser anulada pela adoção de outro, ele provou que fé e santidade eram tudo o que alguém precisava para ser grandemente abençoado.

Vamos acompanhar a história de Jabez, e descobrir como ele se transferiu do solo escorregadio da incerteza para o terri­tório seguro da bênção de Deus.

Jabez buscou a bênção

Tanto "bênção" quanto "maldição" são palavras que apare­cem na Bíblia e fora dela. Entretanto, o significado que as Escri­turas conferem a esses termos é completamente diferente da­quele que as antigas nações lhes atribuíam.

Os povos pagãos acreditavam que as pragas e maldições possuíam força em si mesmas. Uma vez pronunciadas, elas obrigariam os deuses, os demônios ou os poderes sobrenatu­rais a prejudicarem determinada pessoa. Por isso, esses povos viviam com medo de imprecações e baixarias. Lançavam mão de toda sorte de amuletos ou contra feitiços, numa tentativa de manter as forças do mal à distância.

O povo de Israel, porém, fora informado por Deus de que bênçãos e maldições nada mais eram do que a conseqüência de suas boas e más escolhas. Na Bíblia, as bênçãos são o resul­tado da obediência ao Senhor, e as maldições, o fruto da deso­bediência6.

Pouco antes de os israelitas entrarem em Canaã, Deus fez a seguinte advertência: "Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os manda­mentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldi­ção, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes" (Dt 11.26-28).

Uma vez que bênção e maldição são reflexos da proximida­de ou afastamento de Deus, fica claro que aqueles que buscam ao Senhor não precisam temer maldições. Jabez compreendeu isso, pois o texto diz que ele foi "mais ilustre do que seus ir­mãos". Quando se propôs a ser um homem ilustre – ou seja, honrado, digno e fiel -Jabez colocou-se debaixo da bênção, e fechou as portas para qualquer possibilidade de maldição.

Em nossos dias, há muitos cristãos que, por ignorarem essa verdade bíblica, andam sobressaltados. Receiam que possa ha­ver alguma maldição hereditária ou obra maligna em suas vi­das, apesar de caminharem com Deus. Assim, eles se privam da paz e segurança que Cristo oferece. Para essas pessoas, o exemplo de Jabez se constitui numa importante lição.

Jabez suplicou a bênção

Além de se conduzir de uma maneira abençoada, Jabez pe­diu a Deus, especificamente, que o abençoasse. Ele fez a seguinte oração: "Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição!" Ele se dirigiu ao Senhor com toda a sua fé.

É significativo o fato de Jabez não haver buscado nenhum inter­mediário. Ele não procurou videntes, profetizas nem sacerdotes. Não empreendeu nenhuma romaria ou peregrinação. Pelo contrá­rio: foi diretamente a Deus, pois acreditava que seria ouvido.

Não existem fórmulas mágicas no caminho da bênção. Não há necessidade de palavras especiais, cerimônias rebuscadas, lugares exclusivos, objetos místicos ou mediadores de espécie alguma. O Senhor está atento à nossa prece e disposto a abençoar-nos. Por­tanto, busquemo-lo com ousadia. A Bíblia diz: "A bênção do Se­nhor enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto" (Pv 10.22).

Muitas pessoas estão buscando a bênção no lugar errado, atra­indo, assim, desgosto para si próprias. Elas se tornam alvo da exploração de homens inescrupulosos ou chegam, até mesmo, a se envolver com práticas ocultistas. O resultado é decepção e sofrimento. Você precisa saber que, neste exato momento, o Se­nhor está pronto a abençoá-lo. Obedeça aos mandamentos dele. Fale-lhe das suas necessidades. Tome o caminho certo.

Duas meninas que voltavam da escola viram, em uma vitri­ne, uma linda boneca. Elas pegaram um panfleto da loja em que havia uma foto do brinquedo, e pensaram: "Como seria bom se o papai comprasse para mim!" Em seguida, decidiram fazer algo a respeito.

A primeira correu para casa e chegou lá quando o pai volta­va do trabalho. Ela beijou o seu rosto, tirou os seus sapatos, trouxe seus chinelos prediletos e o fez sentar-se no sofá. Em seguida assentou-se aos seus pés, enquanto acariciava o folhe­to que havia trazido da loja e dava longos suspiros. O pai sorriu e passou a mão pela sua cabeça.

Então, a outra menina também chegou da escola. Depois de cumprimentar alegremente o seu pai, ela lhe mostrou o panfle­to com a foto da boneca e disse:

— Pai, compra pra mim?

Ele lhe respondeu:

— Está bem, filha. Amanhã eu passo na loja e trago para você. A essa altura, a outra protestou.

— E quanto a mim?, gritou indignada.

— Se você também queria, só precisava pedir, falou o pai. Às vezes, tentamos manipular nosso Pai celestial ao invés

de, simplesmente, dizer-lhe o que queremos. Contudo, se o conhecêssemos melhor, não agiríamos assim. Deus é bom e generoso. Ele está sempre pronto a conceder-nos o que sabe ser o melhor para nós. Por isso, "esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito" (1 Jo 5.14,15).

Jabez recebeu a bênção

Jabez suplicou ao Senhor que o abençoasse, "e Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido". Seus temores foram afasta­dos, e suas inquietações, dissipadas. Nenhuma falsa profecia se cumpriu na sua vida. Todas as palavras negativas que ele ouviu caíram por terra. Por outro lado, cada um dos projetos que Deus tinha para a sua existência se realizou. Será que o Senhor fez isso porque amava mais a Jabez do que a mim ou a você? Cer­tamente que não! Ele tem traçado, igualmente, um caminho de vitórias para nós.

O Senhor deseja abençoar-nos. Ele nos ama e enviou o seu Filho para salvar-nos. Quer conduzir-nos a uma existência de realização e triunfo. Não deixe que nada ou ninguém o con­vença do contrário. Não permita que o medo lance raízes no seu coração.

O Senhor deseja alargar nossas fronteiras. Isso não diz respeito somente ao aspecto material da nossa vida. Deus tam­bém quer ampliar nossos pensamentos e estender nossos rela­cionamentos. Ele almeja fazer-nos crescer moral e espiritual­mente.

O Senhor deseja estender-nos a sua mão. Ele nos garante a sua presença, a sua companhia. Promete-nos que nunca nos virará as costas. Assegura-nos que jamais nos negará auxilio. Na hora da dificuldade, segure na mão de Deus. Comprove o quanto ele é fiel.

O Senhor deseja preservar-nos do mal. Não precisamos temer as maldições. Todo o furor e malícia do inferno não se equiparam ao poder do Salvador. Mantenha-se perto de Deus, e deixe o resto cora ele. Você verá que não há com o que se preocupar.

O Senhor deseja livrar-nos da aflição. Isso não quer dizer que nossa vida será isenta de lutas e tribulações. Significa que seremos vitoriosos nos combates e cresceremos através dos desafios. Após cada temporal o sol brilhará novamente, e mai­ores alegrias florescerão.

Acredito que o Pai celestial está ainda mais interessado em aben­çoar-nos do que nós em sermos abençoados. Ele sabe do que nós precisamos, antes mesmo de lhe pedirmos (Mt 6.32). Não derrama suas graças com economia ou medida (Jo 3-34). "Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?" (Rm 8.31,32.) É claro que sim.

Jabez tinha um desejo que contrastava com as suas circuns­tâncias. As experiências de sua infância pareciam empurrá-lo na direção do fracasso, e a opinião popular era de que ele ja­mais seria feliz. Entretanto, Jabez reverteu esse quadro. Bus­cou, suplicou e recebeu a bênção. Em sua rápida passagem pelas Escrituras, deixou uma bela impressão.

Você também deseja ser abençoado, e a verdade é que exis­te um Deus pronto a abençoá-lo. Ele observa sua vida com olhos de amor, e move-se ao seu encontro com poder e bondade. Sendo assim, tudo o que você precisa fazer é tomar a direção certa. Não se deixe impressionar com augúrios. Não se permita intimidar com maldições. Não deposite sua confiança em pala­vras, cerimônias, pessoas, lugares ou objetos. Tome, isso sim, o caminho da bênção – e siga por ele até a vitória final.

11

JOSAFÁ

Prevalecendo através do louvor

"Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o Senhor emboscadas contra os filhos de Amom e de Moabe e os do Monte Seir que vieram contra Judá, e foram desbara­tados."‘(2 Cr 20..22.)

Louvar a Deus é um privilégio. Alguns cantam hinos por obrigação ou empolgação, mas isso não é louvor. O ato de lou­var envolve muito mais do que letras e melodias. É algo que nasce no coração. O louvor é o reconhecimento das obras de Deus, assim como a adoração é o reconhecimento dos seus atributos. Louvamos a Deus por aquilo que ele faz. Adoramos a Deus por aquilo que ele é.

No capítulo 20 de 2 Crônicas, há uma história belíssima sobre o poder do louvor. Ela diz que, certo dia, o rei Josafá recebeu a notícia de que um grande exército, formado por amonitas, moabitas e edomitas, se dirigia para Jerusalém. A primeira coisa que ele fez foi temer. A segunda foi buscar ao Senhor(v. 3).

O rei convocou todos os seus súditos e orou, dizendo: "Ah! Nosso Deus, acaso, não executarás tu o teu julgamento contra eles? Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti" (v. 12).

A essa oração tão sincera, o Senhor respondeu com a pro­messa de que os inimigos seriam vencidos sem que o povo precisasse lutar. "Então, Josafá se prostrou com o rosto em ter­ra; e todo o Judá e os moradores de Jerusalém também se prostraram perante o Senhor, e o adoraram." (V. 18.) A partir daí, coisas espantosas começaram a acontecer.

Josafá e seus servos prevaleceram através do louvor. E quanto a nós? Será que também temos experimentado o incrível poder que está presente na adoração? Temos identificado o momento certo de parar de pedir e começar a agradecer? O que é que al­cançamos quando nos propomos a exaltar e louvar ao Senhor?

Vitória

O inimigo que vinha contra os judeus era numeroso, mas a partir do instante em que receberam a promessa de livramento, eles se puseram a louvar. "Pela manhã cedo, se levantaram e saí­ram ao deserto de Tecoa; ao saírem eles, pôs-se Josafá em pé e disse: Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém! Crede no Senhor, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis. Aconselhou-se com o povo e ordenou cantores para o Senhor, que, vestidos de ornamentos sagrados e marchando à frente do exército, louvassem a Deus, dizendo: Rendei graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre." (Vv. 20,21.)

Que marcha diferente foi aquela, na qual os soldados, no lu­gar de espadas e lanças, levaram instrumentos musicais! E peran­te tal demonstração de fé, algo extraordinário aconteceu: Deus fez com que a coalizão inimiga se desentendesse e começasse a lutar entre si. "Tendo Judá chegado ao alto que olha para o deser­to, procurou ver a multidão, e eis que eram corpos mortos, que jaziam em terra, sem nenhum sobrevivente." (V. 24.)

Os israelitas venceram a batalha sem precisar disparar uma única flecha, armados, apenas, com o poder do louvor. Quan­do louvamos, coisas maravilhosas acontecem! As vezes pensa­mos que as pessoas mais agradecidas são as que receberam mais bênçãos, mas a verdade é que elas são mais abençoadas porque agradecem mais. Na guerra espiritual, o louvor é a arma definitiva, contra a qual o inimigo não possui defesa.

Identifique a hora de parar de suplicar e começar a agrade­cer. Não glorifique ao Senhor apenas pelo que ele fez: exalte-o também, pelo que vai fazer. Descarte o pessimismo e a murmuração, e prevaleça pelo louvor. Dizem que o gorjeio mais boni­to é o do rouxinol, porque esse pássaro só canta de noite. Da mesma forma, não há adoração tão bela quanto a que é presta­da nas sombras da provação.

Intimidade

A experiência de louvar em meio às lutas proporcionou aos israelitas uma visão mais nítida de Deus. A Bíblia diz que, após despojarem seus inimigos, "ao quarto dia, se ajuntaram no vale da Bênção, onde louvaram o Senhor" (v. 26). Perceba: eles sim­plesmente não conseguiam parar de louvar! Estavam encanta­dos com a beleza do Senhor.

Embora sirvamos a um grande Deus, nem sempre nos da­mos conta disso. Contudo, ao encará-lo pelas lentes de louvor, enxergamos mais claramente a sua majestade, e somos con­quistados por seu amor. O salmista disse que Deus está "entronizado entre os louvores de Israel" (Sl 22.3). Quando adoramos ao Senhor, o percebemos perto de nós.

Há muitos anos, realizou-se um concurso de poesias, no qual dois dos candidatos se propuseram a recitar o Salmo 23, o Salmo do Bom Pastor. O primeiro deles era um ator profissional. Ele conquistou a platéia com sua entonação perfeita e gestos gracio­sos. Ao terminar a apresentação, foi longamente aplaudido.

Então, subiu ao palco um velho pastor. Com sua voz débil e oscilante, ele repetiu as mesmas palavras que haviam sido pro­nunciadas minutos antes. Quando parou de falar, não se ouvi­ram aplausos, mas a multidão estava profundamente emocio­nada. Lágrimas escorriam pela face de homens e mulheres. Nin­guém falava ou se movia.

Percebendo que o discurso do homem de Deus calara mais fundo no coração dos ouvintes, o artista se voltou para ele e disse:

— Como você foi capaz de me superar, se não conhece os recursos dramáticos que eu domino tão bem?

O ancião lhe respondeu:

— É que você conhece o Salmo do Pastor. Eu, porém, co­nheço o Pastor do Salmo.

Quanto mais exaltamos a glória do Senhor, mais percebe­mos o quanto ele é excelso, e mais desejamos exaltá-lo. As Es­crituras dizem que "voltaram todos os homens de Judá e de Jerusalém, e Josafá, à frente deles, e tornaram para Jerusalém com alegria, porque o Senhor os alegrara com a vitória sobre seus inimigos. Vieram para Jerusalém com alaúdes, harpas e trombetas, para a casa do Senhor" (w. 27,28). Depois da prova­ção, do louvor e da conquista, o povo continuou adorando a Deus, porque havia se tornado mais íntimo dele.

Louvar ao Senhor contribui para o nosso crescimento espiritual. Permite-nos vislumbrar a glória do Criador. Portanto, o que estamos esperando? Exaltemos o nome de Deus com todo o nosso ser! O Pai procura adoradores "que o adorem em espírito e em verdade", por­que estes são os que privam de sua intimidade (Jo 4.23).

Testemunho

Além de vitória e intimidade, o louvor dos habitantes de Je­rusalém lhes possibilitou o testemunho de sua fé. "Veio da par­te de Deus o terror sobre todos os reinos daquelas terras, quan­do ouviram que o Senhor havia pelejado contra os inimigos de Israel. Assim, o reino de Josafá teve paz, porque Deus lhe dera repouso de todos os lados." (2 Cr 20.29,30.) Um belo final para uma história maravilhosa.

Todas as nações reconheceram o poder do Senhor e o fato de que ele estava com Josafá. O resultado foi que, até o fim de seus dias, o rei não precisou se preocupar com os inimigos, pois ninguém ousou atacá-lo. E quanto a mim e a você? O mun­do sabe que temos um grande Deus, e que ele está conosco? Se o louvarmos, certamente que sim!

Cristãos murmuradores e mal-agradecidos não costumam ser grandes divulgadores do evangelho. Por outro lado, quando lou­vamos ao Senhor pelos seus atos, anunciamos as boas-novas da salvação. Crentes derrotados e pessimistas não brilham. Mas aque­les que adoram a Deus com entusiasmo são a luz do mundo.

Durante muitos anos pastoreei uma igreja cujo templo ficava em frente a um bar. Houve ocasiões em que isso nos trouxe problemas. Na maior parte das vezes, porém, ofereceu-nos ex­celentes oportunidades.

Lembro-me do caso de um homem que, sem emprego nem família, vivia de boteco em boteco. Certa noite de domingo, ele foi beber naquele estabelecimento e ficou enlevado com a músi­ca que vinha do outro lado da rua. Na semana seguinte, ele vol­tou, mas, ao invés de entrar no bar, foi para a igreja. Converteu-se, abandonou o vicio, casou-se e voltou a trabalhar. Tornou-se alguém feliz, amado e respeitado. E tudo começou com o louvor!

Da próxima vez que você cantar um hino, pergunte a si mes­mo: "Será que uma pessoa que esteja passando, agora, pela rua, sentirá vontade de conhecer a Deus pela maneira como eu o lou­vo? Ele será capaz de detectar alegria e gratidão em minha voz?"

Quando adoramos ao Senhor com entusiasmo, mostramos que vale a pena estar em sua presença e desfrutar da sua comu­nhão. Que pregação seria melhor do que essa? Nosso louvor se constitui num poderoso instrumento de testemunho. Portanto, não podemos deixar de louvar. Não apenas porque assim so­mos vitoriosos e alegramos o coração de Deus, mas também porque, dessa forma, abençoamos aqueles que nos rodeiam.

A experiência de Josafá e dos moradores de Jerusalém mos­tra-nos que, quando louvamos, grandes coisas acontecem, ini­migos são derrotados, Deus e seu povo se tornam mais próxi­mos, e o respeito e a admiração tomam conta das nações.

Sendo assim, não deixe de louvar. Tudo o que o diabo gos­taria é que você parasse de adorar a Deus. Ele deseja vencê-lo através do queixume e do desespero. Quer vê-lo agindo preci­pitadamente ou deixando-se paralisar pelo medo. Porém, lem­bre-se de uma coisa: você foi feito para exaltar ao Senhor!

Na verdadeira adoração reside a nossa realização. A Bíblia diz que fomos "feitos herança, predestinados segundo o propó­sito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, a fim de sermos para o louvor da sua glória" (Ef 1.11,12). Portanto, abramos o coração e soltemos nossa voz. Prevaleçamos através do louvor.

12

DANIEL

Resistindo às pressões

"Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; então, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não contaminar-se. "(Dn 1.8.)

Às vezes penso que nós, seres humanos, somos muito se­melhantes a massa de modelar: dependendo da pressão à qual somos submetidos, podemos assumir qualquer formato. Isso representa um problema, pois existem forças que tentam nos transformar em algo diferente daquilo que Deus quer que seja­mos. Como podemos resistir a elas?

Daniel e seus amigos nos ensinam uma preciosa lição nesse sentido. Eles foram levados para a corte babilônica e pressiona­dos, de todas as formas, a adotar os costumes e deuses dos pagãos. Entretanto, permaneceram firmes e alcançaram gran­des vitórias.

Daniel sofreu pressões

Ao lermos a história de Daniel, percebemos que vários arti­fícios foram usados na tentativa de modelar o seu comporta­mento. Os caldeus acreditaram que poderiam transformá-lo em "um deles". De fato, não pouparam esforços nesse sentido.

Daniel e seus amigos foram retirados de seu ambiente familiar. Arrancados de Jerusalém como prisioneiros de guerra, eles se viram, de repente, numa cidade muito maior e diferente. Assim como um jovem que adentra uma faculdade ou uma grande empresa, eles devem ter experimentado certa insegurança. Além disso, já não podiam contar com a ajuda dos parentes, amigos e irmãos de fé para manter as suas convicções.

Daniel e seus amigos foram expostos a ensinamentos estranhos. O rei ordenou que se lhes ensinasse "a cultura e a língua dos caldeus" (Dn 1.4), os quais tinham profundo conhe­cimento de astronomia e arquitetura, mas também eram terrí­veis feiticeiros. Não deve ter sido fácil para os quatro rapazes conviver com aquela mistura de erudição e esoterismo.

Daniel e seus amigos tiveram os seus nomes substituídos. Eles ganharam apelidos! Os funcionários do palácio tentaram ridicularizá-los, trocando seus nomes – que tinham significa­dos nobres – por outros de sentido idolatra ou pejorativo. As­sim, Daniel, cujo nome significava "Deus é juiz", passou a ser chamado de Beltessazar, ou "Bel proteja o rei". Hananias, "Deus é misericordioso", recebeu o nome de Sadraque, "Tenho muito medo". Misael, "Quem é como Deus?", foi chamado de Mesaque, "Tenho pouca importância". E Azarias, cujo nome significava "Deus é meu socorro", tornou-se conhecido como Abede-Nego, que quer dizer "Servo de Nabu"7. A intenção dos babilônios era intimidar os quatro amigos, além de tentar convertê-los ao seu próprio estilo de vida.

Daniel e seus amigos receberam propostas tentadoras. "Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia." (Dn 1.5.) À primeira vista, aquilo poderia parecer algo bom. Entretanto, os manjares reais eram consagrados aos deuses pagãos. Ingeri-los significaria tomar parte num culto idolatra. Você já reparou que ainda hoje, quan­do a intimidação falha, aqueles que procuram nos modelar lan­çam mão de ofertas atraentes como um último recurso? E que nem sempre é fácil resistir à sedução das mesas fartas, dos pra­zeres mundanos ou do dinheiro fácil?

Diante de tantas influências, o que Daniel e seus amigos poderiam fazer? Ceder parecia fácil (ou mesmo inevitável), e é certo que outros judeus o fizeram. Mas aqueles jovens decidi­ram tomar um caminho diferente. Eles fizeram a opção de não se contaminar.

A decisão de Daniel

Apesar de todas as pressões, a Bíblia diz que "resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se". E essa resolução foi mais for­te do que tudo. Graças a ela Daniel e seus companheiros pros­peraram em Babilônia, venceram o fogo da fornalha, fecharam a boca dos leões, frustraram as intrigas adversárias, testemu­nharam a decadência dos reis e a queda do império. Não houve força no mundo capaz de dobrar sua determinação.

Talvez você esteja se perguntando: "Como eu posso ter uma firmeza semelhante à de Daniel? Reconheço que freqüentemente a coação do grupo, do ambiente e do mundo é poderosa de­mais para mim. Gostaria de ser sólido como uma rocha, mas me percebo, na maioria das vezes, maleável como a argila. O que preciso fazer para resistir às pressões?"

Quando os cientistas querem ir ao fundo do mar, precisam ser baixados dentro de sinos de metal, cujas paredes possuem vários centímetros de espessura. Isso acontece porque a pres­são exercida pela água naquelas profundidades é incrivelmente grande. Sem proteção, os exploradores seriam esmagados. Mas quando eles chegam ao fundo do abismo e olham através das grossas escotilhas, o que é que enxergam? Peixes nadando na maior tranqüilidade! Como é que a pressão do oceano não os afeta? É que esses peixes possuem uma elevada pressão interna. Ela exerce uma grande força de dentro para fora, compensando o empuxo das toneladas de água que os comprimem. De fato, tal pressão é tão grande que, quando esses peixes são levados para a superfície, simplesmente explodem!

Da mesma forma, o segredo daqueles que resistem às pres­sões à sua volta reside no fato de que possuem uma pressão ainda maior em seu interior. Como escreveu o apóstolo Paulo, "o amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5.14). Esse amor a Deus se revela uma força mais poderosa do que as influências externas. É graças a ele que resistimos.

Algumas pessoas tentam vencer as tentações cercando-se de regras e proibições. Tais coisas representam, para elas, o mes­mo que o sino de metal para os oceanógrafos: conserva-os intactos, mas rouba-lhes a liberdade. Os fariseus, por exemplo, se apegavam à Lei, acreditando que isso os tornaria santos. Mas Jesus lhes disse que deveriam amar a Deus sobre todas as coi­sas e ao próximo como a si mesmos. Em outras palavras, falta­va-lhes uma força interior – a força do amor – sem a qual não conseguiriam agradar ao Pai.

Daniel amava ao Senhor, e esse foi o segredo da sua vitória. Eu e você podemos aprender com o seu exemplo. Cultivando nosso relacionamento com Deus, seremos capazes de resistir a todas as pressões. Conservaremos a fé sem abrir mão de nossa liberdade.

Como anda a sua comunhão com Deus? A resposta a essa pergunta irá determinar se você tem a constância de uma rocha ou a flexibilidade de uma massa de modelar. Não deixe de in­vestir na sua intimidade com o Pai! Não deixe de olhar para Jesus! Em tempos conturbados como estes que vivemos, isso determinará o sucesso ou o fracasso.

Daniel resolveu, firmemente, não se contaminar. Estabeleça o mesmo alvo. E não se esqueça: apenas uma força muito gran­de agindo em seu interior poderá sobrepujar as influências com as quais a sociedade tenta moldá-lo. Lembre-se de quem você é, do valor que o Senhor lhe atribuiu, do propósito para o qual ele o chamou. Só isso evitará que você se transforme em mais um pedaço de massa.

13

ESTER

Nascida para reinar

"O rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele favor e benevolência mais do que todas as virgens; o rei pôs-lhe na cabeça a coroa real e afez rainha em lugar de Vasti. "(Et 2.17.)

Sangue azul corre nas suas veias. Está em seu DNA. Você descende de uma estirpe de reis e de rainhas, e seu nome se acha inscrito entre os vultos mais ilustres. Como ê que eu sei de tudo isso? Simplesmente porque a Bíblia o diz! Em Apocalipse 5-9,10, Cristo é exaltado da seguinte forma: "Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra".

Fazer parte da família de Deus é pertencer à mais nobre li­nhagem, é nascer para reinar. E se há uma história que nos lembra dessa verdade, é aquela registrada no Livro de Ester. Ali somos apresentados a uma jovem que veio a assentar-se no trono da Pérsia. Ester era uma pessoa nascida para reinar – as­sim como você. Tal qual ela, você também poderá encontrar seu lugar de honra e influência neste mundo.

Naturalmente, não precisamos de cetro ou de coroa para viver como reis. De acordo com o texto de Apocalipse, os que reinam sobre a terra não são os grandes e os poderosos, mas os filhos e filhas de Deus. Estes é que seguem as pisadas do Rei dos reis, colaborando para a expansão do reino dos céus. Mes­mo que nossa casa não se pareça com um castelo e nossas roupas não sejam feitas de seda reluzente, nossa vida pode (na verdade, deve) passar longe da mediocridade.

Como podemos viver de acordo com a natureza de alguém que nasceu para reinar?

Alcançando favor

Por que Ester foi amada pelo rei e escolhida para ser rainha? "Porque era uma mulher bonita", poderíamos responder. Mas esse não foi o verdadeiro motivo. Ela era de fato uma jovem formosa (Et 2.7). Entretanto, sua antecessora, Vasti, também era belíssima e, apesar disso, foi deposta (Et 1.11). O segredo do encanto daquela filha de Deus residia no seu caráter. A Bíblia diz que" Ester alcançou favor de todos quantos a viam" (Et 2.15). Ela conquistou o coração das pessoas. Não fez isso com a sua aparência, mas com a sua personalidade.

A rainha Vasti era orgulhosa e prepotente, e por isso caiu em desgraça. Ela acreditava que, em virtude da posição que ocupava, todos deveriam fazer suas vontades. Arrogantemente, afrontou o rei e a nobreza, e isso lhe custou a coroa. Mas Ester não incorreu no mesmo erro. Pelo contrário: demonstrou ser uma pessoa bon­dosa e leal, alcançando graça aos olhos dos que a cercavam. Em outras palavras, Ester entendeu que admiração e respeito eram coisas que precisavam ser conquistadas, e não impostas.

Em seu best-seller O Monge e o Executivo, James Hunter afir­ma que algumas pessoas que ocupam posições de liderança pro­curam exercer suas funções através do poder. Ele define poder como sendo "a faculdade de coagir alguém a fazer algo, em virtu­de de posição ou de força". Todavia, cedo ou tarde, essas pessoas fracassam, pois tentar impor alguma coisa a alguém não costuma surtir bons resultados. Para Hunter, a boa liderança é aquela que se baseia na autoridade. Ele define a autoridade como sendo "a habilidade de levar as pessoas a fazerem algo de boa vontade, graças à influência pessoal". Segundo o autor, apenas através da autoridade podemos afetar a vida de alguém de forma benéfica e duradoura. E sempre que agimos corretamente e demonstramos estar buscando o bem do próximo, conquistamos autoridade8.

Quer seja você uma imperatriz ou uma dona-de-casa, um banqueiro ou um motorista, precisa alcançar o favor daqueles que o cercam. Deus não trouxe você ao Reino para se deleitar com os benefícios do poder, mas para exercer autoridade em prol de seus semelhantes. Lembre-se: não será o seu cargo, títu­lo, graduação acadêmica ou situação financeira que conquista­rá o respeito das pessoas. Será o seu comportamento.

Dependendo de Deus

Aqueles que têm um coração real batendo dentro do peito nunca se esquecem do Rei dos reis. Homens e mulheres nasci­dos para reinar devotam a vida a Deus. Eles o buscam em todas as horas e procuram honrá-lo de todas as formas. Sua nobreza reside na profundidade da sua fé e na firmeza do seu compro­misso. Eles procuram fazer a vontade do Senhor com humilda­de e confiança, e contam com o seu auxílio em cada momento.

Veja o exemplo de Ester: Ela era uma mulher de jejum e ora­ção. Estava decidida a obedecer a Deus mesmo que isso resul­tasse na sua morte. Quando seu tio Mordecai lhe fez saber que os israelitas se achavam sob ameaça, ela respondeu: "Vai, ajunta a todos os judeus que se acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci" (Et 4.16).

Os verdadeiros reis admitem uma autoridade acima da sua pró­pria e a ela se submetem. Os que agem de forma diversa podem até ostentar um título real, mas não possuem legítima nobreza. São tiranos insensíveis e déspotas vaidosos. Eles causam mal a si mes­mos e aos outros, quer estejam à frente de uma nação, de uma empresa, de uma igreja ou de uma casa. Governam em função de si mesmos e não se vêem como servos do próximo. Não buscam a dependência de Deus e não se tornam veículos de suas bênçãos.

Como são diferentes os que honram ao Senhor! Conta-se que quando o herdeiro do Duque de Hamilton estava à morte, reti­rou sua Bíblia de debaixo do travesseiro e leu a seguinte passa­gem: "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada" (2 Tm 4.7,8). Em seguida, voltou-se para o seu irmão mais novo e lhe disse:

"E agora, querido irmão, dentro em pouco você será um duque, mas eu serei um rei."9

Que bela declaração! Mas a verdade é que aquele jovem já era um rei. Ele possuía um espirito nobre e portava-se como um príncipe de Deus.

Mostrando amabilidade e sinceridade

As Escrituras dizem que, depois que o perigo havia passado, Ester e Mordecai "expediram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras amigáveis e sinceras" (Et 9-30). Palavras amigáveis e sinceras — eis aí uma combinação difícil! Muitas vezes abrimos mão de uma coisa em benefício da outra. Mas pessoas que nasceram para reinar não podem cometer tal erro.

Se nossas palavras forem amigáveis, mas não sinceras, nos tornaremos omissos ou dissimulados. É fácil ceder à tentação neste ponto e buscar alcançar um estado de paz a qualquer preço. Porém, não é isso o que o Senhor espera de nós. Ele diz: "Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens" (Rm 12.18). Nosso horror ao conflito não pode ser maior que nosso amor à verdade. A sinceridade não pode ser sacrificada no altar da amabilidade.

Se, por outro lado, nossas palavras forem sinceras, mas não amigáveis, feriremos nossos semelhantes e não lhes proporcio­naremos bem nenhum. Conheço alguns cristãos que dizem: "Eu sou franco!", quando de fato deveriam dizer: "Eu sou mal-edu­cado!" A verdade despida de amor fere ao invés de curar. Por isso a Bíblia diz: "Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo" (Pv 16.24).

Sendo assim, preste atenção: você não deve ser omisso nem briguento, nem hipócrita nem grosseiro. Pese cuidadosamente suas palavras antes de pronunciá-las. Use-as para abençoar vi­das, e não para desabafar sua irritação ou colocar panos quen­tes. Aqueles que foram chamados a dar sua contribuição para o reino de Deus precisam aliar sinceridade à amabilidade. Peça ao Senhor que o ajude nesse sentido. Afinal, se você fracassar aqui, não alcançará sucesso em nada.

Mães que conversam com os filhos, patrões que orientam os empregados, estudantes que dialogam com os colegas e pasto­res que falam à sua congregação devem perguntar a si próprios: "Estou usando palavras amigáveis e sinceras?" Se a resposta for negativa, terão encontrado a raiz dos seus problemas! Quando somos convocados ao Reino, mas não falamos como reis, per­demos a oportunidade de influenciar positivamente os que es­tão ao nosso redor.

Com Ester aprendemos uma importante lição: que a realeza não reside na árvore genealógica ou no prestígio social de uma pessoa, mas sim no seu coração. Antes de ser coroada, aquela jovem já possuía a altivez de uma rainha. Foi assim que se tor­nou um exemplo de fé. E quanto a nós? Bem, talvez nunca colo­quemos os pés num palácio, nem venhamos a tomar decisões sobre negócios de Estado. Todavia, também nascemos para rei­nar. Alcançando o favor dos que nos cercam, buscando a de­pendência de Deus e equilibrando amabilidade com sincerida­de, faremos a diferença.

David Livingstone foi um grande missionário que dedicou a vida à evangelização da África. Ao morrer, teve seus restos mor­tais sepultados na Abadia de Westminster. Normalmente, apenas os membros da nobreza britânica recebiam essa distinção. Livingstone, que nascera num lar humilde da Escócia, jamais poderia sonhar com tamanho privilégio. Mas sua vida havia be­neficiado tantas pessoas, que os integrantes da realeza acredita­ram que eles é que seriam honrados abrindo uma exceção!

Lembre-se: independentemente do seu sobrenome ou da sua condição social, você nasceu para reinar. Portanto, leve uma vida digna. Busque a excelência em tudo aquilo a que se dedicar. Não se esqueça de que o Rei dos reis acompanha seus passos, e que um dia ele o recompensará por todo o bem que fizer. Procure viver de tal modo que abençoe os que estão ao seu lado e alegre o coração do Criador. Você verá que essa é uma vida que vale a pena. É uma vida cheia de beleza, propósito e valor.

14

JOSÉ E MARIA

Um casal especial

"Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: estando

Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem

antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo. Mas

José, seu esposo, sendo justo e não a querendo infamar,

resolveu deixá-la secretamente. Enquanto ponderava nestas

coisas, eis que lhe apareceu, em sonho, um anjo do Senhor,

dizendo: José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua

mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo.

Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque

ele salvará o seu povo dos pecados deles." (Mt 1.18-21.)

Muito se fala sobre Maria e José como pais, mas quase nada tem sido dito a respeito deles como esposos. Entretanto, sua história de amor é uma das mais belas de que se tem notícia. Nem Romeu e Julieta, nem Tristão e Isolda, formaram um par tão belo quanto José e Maria.

Vamos recordar alguns episódios da história daquele casal a fim de extrair lições para os relacionamentos em nossos dias. Afi­nal, quais são as marcas que definem um casal realmente especial?

Um casal especial enfrenta os desafios da vida

As árvores mais fortes são as mais açoitadas pelos ventos. De igual forma, parece que os pares mais felizes são aqueles que enfrentam os mais severos desafios ao longo dos anos.

Já no começo do seu relacionamento, José e Maria se viram diante de situações difíceis. De acordo com o costume da épo­ca, os dois devem ter se casado muito novos. (Maria, com apro­ximadamente treze anos; José, um pouco mais velho.) Apesar da pouca idade e da falta de experiência, logo precisaram to­mar importantes decisões.

Um anjo apareceu a Maria e anunciou-lhe que seria a mãe do Salvador (Lc 1.31)- José, porém, ao saber que a mulher que desposara estava grávida, planejou deixá-la secretamente. Ele sabia que não era o pai da criança, e decidiu não tomar parte no que acreditava ser uma situação irregular.

A Lei de Moisés estabelecia que os adúlteros deveriam ser apedrejados. José amava Maria, e não queria que nada parecido acontecesse com ela. Ele calculou que se abandonasse a cidade às pressas, as pessoas o culpariam pela gravidez e poupariam sua jovem esposa. José estava procurando agir da maneira que considerava mais certa. Ainda assim, estava errado.

A vida impõe muitos dilemas a um homem e uma mulher que desejam caminhar juntos. Para Maria e José, um desses di­lemas foi colocado pelo próprio Deus: o nascimento, em sua casa, do Salvador do mundo. Mas eles também tiveram de lidar com suas dificuldades pessoais – como, por exemplo, a insegu­rança de José.

Todos enfrentamos desafios em nossos relacionamentos. Pode ser o nascimento de um filho com necessidades especiais, a mudança para uma nova cidade ou a emergência de uma crise financeira. Às vezes, o teste maior reside na superação das falhas dos próprios cônjuges. De uma coisa, porém, estejamos certos: Deus quer que marido e mulher enfrentem essas provas juntos. A separação não faz parte dos seus planos.

Um casal especial conta com o auxílio de Deus

O casamento de Maria e José estava por um fio. Ia acabar antes mesmo de começar. Eles se amavam, mas não estavam encontrando, em si mesmos, recursos suficientes para solucio­nar seus problemas.

Foi então que Deus interveio. Através de um sonho e do comunicado de um anjo, o Senhor mudou o rumo dos aconte­cimentos. José foi convencido da verdade e recebeu Maria em sua casa. Juntos eles esperaram pelo nascimento do bebê que haveria de trazer salvação à humanidade.

O casamento daqueles jovens de Nazaré foi salvo porque Deus falou. Ele fala ainda hoje. Está pronto a socorrer relacionamentos em crise e amparar casais angustiados. Contudo, será que esses casais estão prontos a ouvir a voz do Senhor? Eles o estão buscan­do? Estão contando realmente com o auxílio que vem dos céus?

O mais comum é que um dos cônjuges (quando não os dois) busque apenas a própria vontade e desconsidere os planos di­vinos. Ao contrário do que ocorreu no lar de José e Maria, nes­ses casamentos não há sonho. Não há anjo. Não há dependên­cia de Deus.

Um casal que deixa o Senhor de fora das suas considerações está voltando as costas para o seu maior aliado. Perceba: José estava absolutamente decidido a seguir determinada direção. Sua alma estava cheia de ciúme e de tristeza. Entretanto, ele permitiu que seus planos fossem mudados, e suas emoções, transformadas, por uma intervenção do Senhor.

Dispondo-se a contar com o auxilio de Deus, José fez com que a vitória se tornasse possível. Lembre-se disso sempre que enfrentar crises em seu relacionamento.

Um casal especial alcança vitória nas lutas

Toda história de amor pede um final feliz, e com Maria e José não poderia ser diferente. A Bíblia diz que "despertado José do sono, fez como lhe ordenara o anjo do Senhor e rece­beu sua mulher. Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus" (Mt 1.24,25).

Poucos meses depois, o menino Jesus nasceu, na pequena ci­dade de Belém. Maria "deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria" (Lc 2.7). Daquele berço tão humilde, o lar de José e Maria foi abençoado, juntamente com toda a humanidade.

Além de terem o privilégio de ver o Filho de Deus crescen­do em sua casa, José e Maria foram contemplados com uma numerosa família. Os moradores de Nazaré sabiam disso, pois quando Cristo, anos mais tarde, pregou na cidade, eles disse­ram: "Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E não vivem aqui entre nós suas irmãs?" (Mc 6.3.)

Maria e José constituíram uma família grande e feliz. Isso não quer dizer que os dois não tenham se deparado com outros problemas ao longo dos anos. Entretanto, a crise maior foi su­perada, e eles saíram dela com sua relação aperfeiçoada.

Quando um de nossos ossos se quebra, o organismo, quase instantaneamente, se põe a restaurá-lo. E depois que o osso fraturado se solda, ele se torna mais resistente do que todos os outros ossos do corpo. De igual modo, o casal que passa por problemas e, com a ajuda do Senhor, consegue superá-los, vê o seu relacionamento solidificar-se.

Acredite: existe uma vitória reservada para todos os casais que ousam confiar no Senhor! Os que esperam em Deus e vão à luta com o seu auxílio não deixam a batalha na condição de meros sobreviventes. Eles saem do combate como vencedores. Sua união não emerge desfigurada da crise, e sim fortalecida.

Ao longo de meus anos de ministério, tenho testemunhado o que Deus pode fazer na vida de homens e mulheres que en­tregam a ele o seu relacionamento.

Lembro-me de Paulo e Elisabeth que, depois de haverem se divorciado, conheceram Jesus, casaram-se novamente e tiveram um filho. E também de Sérgio e Camila, os quais superaram um episódio de traição e foram abençoados com um casal de gêmeos.

Eu também poderia lhe falar sobre Alberto e Célia, que vence­ram juntos o problema do alcoolismo. Ou de Pedro e Luísa, que viram seu filho ser liberto das drogas pelo poder do Senhor.

O Deus que abençoou essas vidas é o mesmo Deus de Maria e de José. Ele é, também, o nosso Deus. O Senhor está profun­damente interessado em nossos relacionamentos, assim como estava atento ao que se passava com aquele casal de Nazaré.

Com o auxílio do Senhor, muitos têm superado as maiores dificuldades. Portanto, busque-o e confie no seu poder. Ele ja­mais virará as costas para você.

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JOÃO BATISTA

Fiel para viver e morrer

"Apareceu João Batista no deserto, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados. "(Mc 1.4.)

Alguns homens e mulheres deixaram marcas profundas na história da humanidade. Todos eles, sem exceção, encontra­ram algo pelo que estavam dispostos a viver e a morrer. Esse ideal ou vocação foi o que tornou suas vidas especiais.

Albert Sabin dedicou sua existência à erradicação da parali­sia infantil. Madre Teresa de Calcutá consumiu os seus anos socorrendo os miseráveis da índia. Martin Luther King disse: "Eu tenho um sonho", e por esse sonho viveu e morreu. Da mesma forma, John Huss dispôs-se a ser queimado vivo na de­fesa do verdadeiro cristianismo.

O Senhor Jesus declarou certa vez: "Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista" (Mt 11.11). João foi uma pessoa totalmente com­prometida com a sua missão e com aquele que o havia comissionado. Ele foi fiel ate’ à morte, e recebeu a coroa da vida.

Inspiremo-nos no exemplo de João Batista para viver uma vida que valha a pena ser vivida. Comprometamo-nos com Cristo de tal forma que fazer sua vontade seja o nosso andar e o nosso respirar. Sejamos fieis a ponto de viver e morrer por Jesus.

Aceitemos o desafio

João foi o último profeta da Antiga Aliança e o primeiro missionário do Novo Testamento. Ele aceitou um grande desafio, respondendo "Sim" ao chamado de Deus e tornando-se o por­ta-voz do Messias. Sem dúvida, isso teve um preço. João preci­sou deixar o convívio da sua família e morar no deserto. As pedras se tornaram o seu travesseiro, e o céu, o seu cobertor. Ele confrontou o povo com os seus pecados, e os fariseus com a sua hipocrisia. Demonstrou obediência e coragem.

Nem sempre é fácil aceitar os desafios que o Senhor coloca diante de nós. Muitas vezes nos intimidamos e somos tentados a virar as costas à nossa missão. Moisés buscou esquivar-se ao chamado de Deus. Jeremias achou que não estava qualificado para ser um profeta. Jonas procurou fugir da tarefa que havia recebido. Demas abandonou a obra missionária por amor ao mundo presente. Mas, diante do seu chamado, João não titu­beou. Ele falou: "Eis-me aqui". E o Senhor operou grandes coi­sas por meio dele.

Deus tem uma grande obra a realizar através de você. Sua insegurança, porém, poderá levá-lo a esconder-se, fazendo com que perca a oportunidade de viver experiências memoráveis. Há dois erros que você precisa evitar. Primeiro, confiar orgu­lhosamente em si mesmo. Segundo, desconfiar, incredulamente, de Deus.

Alguém já disse que o lugar mais rico do mundo é o cemité­rio. Ali estão enterrados milhões de sonhos, projetos, conquis­tas e realizações. Corpos de homens e mulheres, para os quais Deus planejara grandes coisas, jazem inertes em suas sepultu­ras, depois de terem desperdiçado suas oportunidades por medo ou desobediência. Não podemos deixar que isso aconteça conosco. Encaremos os desafios, em nome do Senhor.

Glorifiquemos ao Senhor

João Batista foi fiel o bastante para obedecer, e Deus honrou sua fé. A Bíblia diz que "saiam a ter com ele Jerusalém, toda a Judéia e toda a circunvizinhança do Jordão; e eram por ele batizados" (Mt 3-5). João se tornou conhecido e respeitado. E quando estava no auge da popularidade, o que ele fez? Rendeu toda a glória a Jesus! Apontou para o Salvador e disse às multi­dões que o seguissem. Viu o número de seus discípulos enco­lher na medida em que os de Cristo aumentava. "Convém que ele cresça e que eu diminua", afirmou (Jo 3-30).

João, que já havia sido aprovado no teste da escassez, pas­sou também na prova da abundância. Quase sempre este é o exame mais difícil. Os marinheiros dizem que as calmarias são mais perigosas do que as tormentas. De igual modo, afastamo-nos mais facilmente de Deus nos momentos de triunfo do que nas horas de combate.

Já vi muitas pessoas voltarem as costas para Deus após ha­verem sido grandemente abençoadas. Testemunhei palavras lisonjeiras e falsas amizades arrancarem homens e mulheres da presença do Senhor. Observei a vaidade e a ingratidão transfor­marem sinceros pregadores em superstars religiosos. Percebi indivíduos apegarem-se aos bens materiais até perderem com­pletamente o seu primeiro amor. De maneira trágica, alguns dos que conquistaram as mais belas vitórias foram derrotados pela insensatez do próprio coração.

Sir Francis Drake, famoso almirante inglês, em certa ocasião foi apanhado por uma tempestade quando navegava no rio Tâmisa. Ao ver que seu navio corria o risco de afundar, ele exclamou:

"O quê!? Eu, que desafiei a imensidão e a fúria dos sete ma­res, vou me afogar numa banheira?"

Muitas vidas têm sido levadas ao naufrágio da mesma forma. Precisamos nos lembrar de que, se quisermos permanecer de pé diante dos homens, teremos de nos conservar de joelhos perante Deus. Rendamos, pois, toda glória ao Senhor.

Permaneçamos firmes

A fidelidade com que João Batista encarou o seu ministério acabou por colocá-lo em rota de colisão com os poderosos da sua época. Muitos ficaram insatisfeitos com a sua defesa intran­sigente da verdade. O rei Herodes, repreendido por causa de seu casamento irregular, mandou que o profeta fosse atirado no cárcere. Mais tarde, durante uma festa, o mesmo Herodes orde­nou que João fosse decapitado (Mc 6.17-29).

João Batista morreu cumprindo a sua missão. Mas deve­mos nos lembrar de um fato: o rei Herodes, responsável por sua morte, morreu também. Afinal, tais fatos se deram há cerca de dois mil anos. Quanto a isso não houve diferença entre os dois, assim como não há diferença entre eles e nós (somos todos mortais). A distinção residiu no que cada um fez durante a sua vida, e no lugar para onde foram depois da sua morte.

Há dois mil anos, João Batista está no céu. Ele desfruta as maravilhas da eternidade. Contempla a face do Senhor. Escu­ta o louvor dos anjos. Caminha pelas ruas de ouro. Assenta-se nas praças de cristal. E daqui a dois mil anos, ele ainda estará lá. Sua alegria se aperfeiçoará, tornando-se cada vez maior. E assim será para todo o sempre.

E quanto a Herodes? Há dois mil anos, ele está no inferno. Aquele homem incrédulo padece sofrimentos indescritíveis, confinado no lago de fogo preparado para o diabo e seus anjos. E daqui a dois mil anos, ainda estará lá. A consciência de que isso se estenderá por toda a eternidade o atormenta, intensifi­cando o seu desespero. E assim será para sempre.

Os primeiros cristãos, assim como João Batista, mostraram extrema coragem. Muitos deles selaram a sua fé com o martírio. Estêvão e Filipe foram apedrejados. Paulo e Tiago foram mortos à espada. Tome e Mateus viram-se traspassados por lanças. Pedro, André, Tiago, Filipe, Bartolomeu e Simão foram crucifi­cados. Marcos foi queimado vivo. A Tiago, irmão de Jesus, lan­çaram do pináculo do templo. Tadeu foi morto a flechadas. João viu-se exilado na ilha de Patmos10. Todos eles permaneceram firmes em meio às perseguições, mostrando-se fiéis para viver e morrer.

Se somos seguidores de Cristo, é certo que estaremos com aqueles grandes homens. Entretanto, é preciso que estejamos dispostos a testemunhar de nossa fé como eles fizeram. Nem todos são chamados para morrer por Cristo, mas cada um de nós deve viver para ele. Nos momentos de adversidade e injustiça, precisamos nos lembrar das palavras de Jesus, que disse: "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Ap 2.10).

Durante a Guerra do Golfo, um manifestante exibia, numa passeata, um cartaz com os seguintes dizeres: "Não há nada pelo que valha a pena morrer". Protestar contra a guerra pode ser algo válido, mas aquele homem estava errado. A verdade é que se você não tem algo pelo que esteja disposto a morrer, então não possui uma razão pela qual viver. Esse é o motivo de tanto cinismo e insatisfação no mundo atual.

Todas as pessoas morrem, mas há algumas que nunca vi­vem. E o pior é que depois de morrerem elas continuarão sem vida, pois não buscaram a Jesus. É por isso que o exemplo de João Batista é tão importante para nós. Ele nos recorda o alto preço do discipulado. Somos aceitos graciosamente na presen­ça do Senhor, mas caminhar ao seu lado nos custa a própria vida.

Você almeja ser fiel para viver e morrer? Está disposto a acei­tar o desafio, glorificar ao Senhor e permanecer firme? Se este é o desejo do seu coração, o Pai celestial lhe concederá essa gra­ça. Somos frágeis e limitados, é verdade. Mas o poder de Deus se aperfeiçoa em nossa fraqueza (2 Co 12.9). Ele nos toma pelas mãos e nos faz andar em triunfo (2 Co 2.14). Assim como João, eu e você podemos fazer de nossa vida algo extraordinário, pela graça de Deus e para o louvor do seu nome. Aleluia!

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MARIA DE BETÂNIA

Escolhendo a boa parte

"Respondeu-lhe o Senhor: Marta!Marta! Andas inquieta e . te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é neces­sário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada. "(Lc 10.41,42.)

Lázaro, Marta e Maria eram amigos íntimos de Jesus. Toda vez que o Mestre ia a Jerusalém, hospedava-se na casa deles em Betânia. Ter o Salvador sob o seu teto era um grande privilégio para aquela família. Infelizmente, porém, nem sempre sabe­mos aproveitar os privilégios que nos são dados.

Assim como os irmãos de Betânia, você e eu recebemos a graça de ter o Senhor em nossa vida. Mas será que estamos identificando e valorizando esse fato? Estamos escolhendo a boa parte? A verdade é que há muitas pessoas que têm tudo para serem felizes, mas se deixam levar por escolhas equivocadas. Será este o nosso caso?

Ocupados demais para escolher a boa parte

A Bíblia diz que Lázaro tinha "uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupa­da em muitos serviços" (Lc 10.38,39). Estar na presença de Cris­to era uma grande oportunidade que Maria tratou de aproveitar. Marta, porém, estava ocupada com muitas coisas. Seus interes­ses e afazeres eram tantos que ela não tinha tempo para assen­tar-se aos pés de Jesus.

Sempre existem aqueles que acham que estão atarefados demais para fazer de Cristo a sua escolha. Esses indivíduos es­tão concentrados em prosperar financeiramente, conquistar a realização profissional, aprofundar relacionamentos e uma sé­rie de outras coisas. Têm tempo para tudo, menos para o Se­nhor. Cuidam do corpo, da casa, da carreira e da conta bancá­ria, mas não do coração.

Colocar qualquer coisa – por mais legítima que seja – à fren­te do Salvador é fazer a escolha errada. Será que temos cometi­do essa falta? Precisamos nos lembrar de que Jesus, embora seja muito ocupado, sempre tem tempo para nós. Portanto, é hora de revermos as nossas prioridades.

Preocupados demais para escolher a boa parte

Às vezes, o fato mais triste com relação ao nosso ativismo é que nos entregamos a múltiplos afazeres com a intenção de agradar a Jesus. Esse era o caso de Marta. No fundo, ela queria fazer a coisa certa. Não desejava ser vista como uma dona-de-casa preguiçosa ou desleixada. Por isso se esforçava tanto. Sua vontade era que Cristo a apreciasse pelo que ela fazia. Não sabia, porém, que o Senhor a amava pelo que ela era.

Quando penso nisso, lembro-me do exemplo de João Wesley. Ele foi um dos grandes vultos do cristianismo, mas durante muitos anos viveu uma "religiosidade de Marta". Em 1729, fun­dou com alguns amigos uma sociedade religiosa conhecida como "Clube Santo". Juntos eles se propuseram a levar uma vida impecável, reunindo-se diariamente para ler a Bíblia, auxi­liar os pobres e visitar os encarcerados.

No seu esforço para agradar a Deus, Wesley chegou a servir como missionário entre os índios. Sua alma, porém, não en­contrava paz. Como admitiria posteriormente, ele possuía uma "fé de servo", e não uma "fé de filho". Tremendamente frustra­do, retornou para a Inglaterra. Durante a travessia do Atlântico, escreveu em seu diário: "Fui para a América a fim de converter os índios; mas e a mim, quem converterá?"

Tentando obter a salvação pelos méritos, Wesley havia per­dido de foco a salvação pela graça. Entretanto, recebeu uma segunda oportunidade. Em 1738, ao ouvir uma mensagem ba­seada na Carta aos Romanos, ele compreendeu o significado da justificação pela fé. Esta verdade iluminou, como um raio, a noite escura de sua alma. "Senti que confiava somente em Cris­to para a minha salvação", escreveu, "e recebi a certeza de que ele havia tirado o meu pecado e me livrado da morte."11

Depois dessa experiência, Wesley adentrou uma nova fase em sua vida e ministério. Ele percorreu toda a Grã-Bretanha ensinando a Palavra de Deus e levando milhares de pessoas a confessarem Jesus Cristo como seu Salvador. Assim, o Senhor operou um grande avivamento, cujos efeitos ainda hoje podem ser sentidos em todo o mundo.

Talvez você também ande tão preocupado que não esteja escolhendo a boa parte. Assim como Marta, você tem olhado para si mesmo, e não para Cristo. Ao mesmo tempo, indivíduos bem-intencionados elogiam seus esforços e aconselham-no a empenhar-se ainda mais, levando-o às fronteiras de um esgota­mento espiritual. Então, o que fazer? É hora de parar e assentar-se aos pés de Jesus! "Aprendei de mim", disse o Mestre, "por­que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma." (Mt 11.29.)

Angustiados demais por não escolher a boa parte

Pessoas que tentam ganhar o favor do Senhor pelas suas obras acabam insatisfeitas, angustiadas e esgotadas. Foi isso exata­mente o que aconteceu com Marta. Depois de algumas horas de frenética atividade, ela se voltou para Cristo e reclamou: "Se­nhor, não te importas que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha?" (Lc 10.40.)

Marta temia ser criticada ou rejeitada, e por isso se esforçava para oferecer a melhor recepção possível. Por outro lado, res­sentia-se de Maria (julgando-a negligente) e de Jesus (conside­rando-o injusto). Não é sempre isso o que acontece? Aqueles que se enredam nas malhas do legalismo não conseguem se sentir contentes. Ao mesmo tempo, censuram os que desfrutam da alegria proporcionada pela graça de Deus.

"Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas", disse Je­sus à sua anfitriã (Lc 10.41). Foi um diagnóstico preciso. Embo­ra o Príncipe da Paz estivesse em sua casa, Marta não tinha paz. Da mesma forma, há muitas pessoas que, embora possuam al­gum conhecimento de Cristo, sentem-se frustradas e descon­tentes. Por conta de uma escolha infeliz, vêem-se privadas da real felicidade.

Felizes demais por escolher a boa parte

O Mestre procurou corrigir o rumo que Marta dava à sua existência. Ele falou: "Pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada" (Lc 10.42). Precisamos compreender essa verdade. Pou­cas coisas são necessárias para viver; e para viver para sempre, só precisamos de Jesus.

Ao contrário de Marta, Maria de Betânia assumiu uma atitu­de espiritual correta. Ela entendeu que precisava se render ao Senhor. Optou por construir uma relação de intimidade com Cristo, buscando-o pelo que ele era, e não pelo que poderia lhe dar. Priorizou a comunhão com o Salvador, o aprendizado dos seus ensinos, a adoração do seu nome, a devoção à sua pessoa. Em outras palavras, escolheu a boa parte.

Quando consideramos Cristo o nosso maior tesouro e o va­lorizamos sobre todas as coisas, assumimos a única postura que pode nos levar à realização pessoal. Jesus disse que nin­guém poderia arrancar de Maria o que ela escolhera. Por quê? Porque o amor do Senhor é constante! Mas se priorizarmos ou­tras coisas (tais como sucesso, aprovação ou reconhecimento), viveremos intranqüilos. Não porque tais coisas sejam erradas em si mesmas, mas porque não são permanentes.

Conta uma lenda que certo homem encontrou uma flor má­gica. Ao tocar com ela a encosta de determinada montanha, uma caverna se abriu diante dele, dando-lhe acesso a incríveis tesouros. Na parede da caverna estava escrita a seguinte frase:

"Você pode carregar tudo o que quiser. Não se esqueça, porém, de levar o melhor".

O homem tratou de apanhar uma enorme quantidade de jóias. Ele encheu os seus bolsos com diamantes, pérolas, esmeraldas e rubis, e usou seu chapéu para carregar pulseiras e colares de ouro. Ao chegar do lado de fora, porém, se deu conta de que esquecera algo dentro da gruta. Não trouxera consigo a flor mágica! Então, todas as riquezas que havia trazido sumiram, e a entrada da caver­na desapareceu para sempre.

"Não se esqueçam de escolher a boa parte", alerta-nos o Salvador. Entretanto, quantas vezes trocamos o Deus das bên­çãos pelas bênçãos de Deus! Em quantas ocasiões perdemos nossa paz por não valorizarmos a presença do Senhor! Como Maria, deveríamos lançar-nos aos pés de Jesus. Talvez devêsse­mos também lhe pedir perdão por nossa cegueira espiritual, e suplicar-lhe a graça de não o perdermos mais de vista.

A letra de um belo hino diz: "Minha possessão eterna, és o meu maior amor; bem maior que o bem da vida, és meu Deus, meu Salvador". Essa poesia expressa a maneira como Maria de Betânia e muitos cristãos olharam para Jesus. Você deve culti­var a mesma visão. Precisa optar pelo melhor, e saber que o melhor é Cristo.

Não se esqueça de que um dia Jesus também se viu diante de uma escolha. Naquela ocasião, ele escolheu você. O Senhor deixou sua glória no céu e enfrentou a cruz por sua causa. Para ele, nada foi mais importante do que a sua salvação. Então, não perca o Redentor de foco. Nisso residirá sua satisfação e sua paz.

Que tal fazer agora uma oração? Diga ao Senhor: "Amado Jesus, ajuda-me a não desviar os olhos de ti. Que nem as triste­zas nem as alegrias da vida ocupem o lugar que, por direito, é teu. Leva-me a aprofundar um relacionamento de comunhão contigo, de tal modo que o teu amor e santidade me encantem. Atrai-me para junto do teu coração, e faz-me permanecer ali. Amém".

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LÍDIA

Alegrias de uma nova vida

"No sábado, saímos da cidade para junto do rio, onde

nos pareceu haver um lugar de oração; e, assentando-nos,

falamos às mulheres que para ali tinham concorrido. Certa

mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de

púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o

coração para atender às coisas que Paulo dizia. Depois de

ser batizada, ela e toda a sua casa, nos rogou, dizendo: Se

julgais que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa e aí

ficai. E nos constrangeu a isso. "(At 16.13-15.)

Há um versículo que diz: "E assim, se alguém está em Cris­to, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Co 5.17). Realmente, entregar-se a Cristo sig­nifica tornar-se uma nova pessoa e experimentar uma nova vida. E tanto essa nova pessoa quanto essa nova vida são significati­vamente melhores do que as anteriores.

A vida que Jesus oferece é abundante e eterna. É repleta de alegrias. Naturalmente, não se trata de uma existência sem pre­ocupações. Contudo, todos os problemas são enfrentados e solucionados com o auxílio de Deus. E grandes realizações e privilégios, que não poderíamos desfrutar de outra forma, tor­nam-se realidade.

Podemos identificar algumas das venturas dessa nova vida na experiência de Lídia, uma moradora de Filipos que abraçou a fé cristã. Ela conheceu o evangelho através da pregação de Paulo, tornando-se a primeira convertida da Europa. Ao aceitar Jesus como Salvador, Lídia recebeu bênçãos que Deus deseja conceder também a nós.

Uma pessoa que buscou

Lídia era o que poderíamos chamar de uma empresária de sucesso. Ocupava-se da venda de púrpura, um tecido muito apreciado pelos ricos da sua época. Isso significa que a sua clientela pertencia à alta sociedade. Com o seu trabalho, ela tinha condições de garantir o sustento de toda a sua família. Lídia era, também, uma mulher religiosa. O texto sagrado diz que ela era "temente a Deus", ou seja, alguém que levava a sério as questões espirituais.

Apesar de tudo de bom que havia na sua vida, aquela mu­lher reconhecia que lhe faltava alguma coisa. Os missionários foram encontrá-la à margem de um rio, num lugar sossegado aonde as pessoas iam para orar e meditar. Lídia estava à procu­ra de algo que desse sentido à sua existência. Tinha uma vida boa, porém incompleta.

Assim como Lídia, cada um de nós pode sentir que, sem Cristo, o coração fica privado de algo essencial. Agostinho de Hipona escreveu: "Ó Deus, tu nos criaste para ti, e nossas al­mas não encontram descanso enquanto não descansam em ti". Assim como os pássaros foram feitos para voar, o homem foi feito para se relacionar com Deus. É algo que está em nossa natureza, que faz parte de nós. Instintivamente percebemos isso e, de alguma maneira, tentamos preencher o vazio do nosso coração.

O exemplo de Lídia nos mostra que não existe vida tão boa que não precise ser melhorada. De igual modo, não há existên­cia tão ruim que Deus não possa melhorar. É necessário que cada ser humano reconheça essa verdade e busque a Deus sin­ceramente. Tal procura não deixará de apresentar resultados. "Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração", diz o Senhor (Jr 29-13).

Um coração que se abriu

Quando os missionários começaram a anunciar a Palavra de Deus, muitas mulheres que estavam à beira do rio escutaram.

Lídia escutou também. Mas houve uma diferença essencial: ela creu. A Bíblia diz que "o Senhor lhe abriu o coração para aten­der às coisas que Paulo dizia" (At 16.14). As outras abriram os ouvidos, mas Lídia abriu o coração.

Nos dias em que vivemos, o evangelho tem sido pregado em todos os lugares e de todas as formas. Torna-se cada vez mais difícil encontrar alguém que não tenha ouvido falar de Jesus. Entretanto, o coração de muitos permanece fechado para o Sal­vador. Assim, eles continuam sem alegria e sem salvação.

"Até o diabo pode dizer que Jesus é Senhor, mas apenas o salvo pode dizer que Jesus é seu Senhor", escreveu Martinho Lutero. Aqueles que se limitam a ouvir e não tomam uma deci­são ao lado de Cristo não se beneficiam dos méritos de seu sacrifício. "Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naque­les que a ouviram." (Hb 4.2.)

A busca por felicidade só tem fim quando atendemos àquele que fala às nossas almas. Lembre-se: não é suficiente saber, é preciso agir. Se você ainda não tomou a sua decisão, mire-se no exemplo de Lídia. Com toda a sua fé, entregue a vida a Jesus e disponha-se a segui-lo. Apenas esta atitude lhe dará acesso a uma nova vida.

Uma família que mudou

A graça do Senhor foi derramada sobre Lídia, mas não ficou restrita a ela. Afinal, Deus não quer apenas nos abençoar: quer também usar-nos como instrumentos de suas bênçãos. Assim, muitas alegrias sobrevieram àquela mulher:

Lídia teve a felicidade de se batizar. Ela cumpriu o man­damento do Senhor e passou a fazer parte de sua igreja. Na Bíblia aprendemos que o batismo não salva, mas que todo sal­vo deve se batizar. É uma questão de obediência e testemunho, e também um privilégio.

Lídia teve a satisfação de ver sua família salva. O texto diz que foi batizada "ela e toda a sua casa" (At 16.15). Uma vez que tenhamos conhecido Cristo e experimentado suas bênçãos, passamos a desejar que os nossos queridos desfrutem a mesma alegria. Este foi um desejo que Lídia viu se realizar. Graças ao seu testemunho e intercessão, todo o seu lar foi transformado.

Lídia teve a alegria de servir a Deus. Ela colocou sua casa e seus bens à disposição do Senhor, convidando Paulo, Silas, Lucas e Timóteo para serem seus hóspedes. Trabalhar na obra de Deus é uma das grandes venturas cristãs. A maravilhosa sen­sação de contribuir para a expansão do Reino dos céus é algo que não tem preço.

Muitas pessoas, assim como Lídia, experimentaram as ale­grias de uma nova vida. Lembro-me do exemplo de minha tia-avó, irmã de meu avô materno. Ela se chamava Josina, mas todos a conheciam como Loló. Minha tia foi uma pessoa que, durante boa parte da vida, sofreu de distúrbios psiquiátricos. Em alguns de seus acessos de loucura, fugia de casa e se embrenhava pelos mangues, vindo a ser resgatada, dias depois, coberta de lama e de ferimentos. Meu avô levou-a a muitos médicos, e procurou várias clínicas. Fez também com que ela o acompanhasse aos centros espíritas que costumava freqüentar. Seu estado, porém, se agravava cada vez mais.

Certo dia, alguns vizinhos, que eram evangélicos, pergunta­ram se a Loló poderia ir com eles à igreja. Meu avô (que já tentara de tudo) resolveu dar a sua permissão. Então eles leva­ram minha tia ao culto e à escola bíblica dominical. Para a sur­presa da família, quando ela voltou para casa, estava lúcida e tranqüila. A doença havia ido embora. E não apenas isso: Tia Josina havia desenvolvido um enorme amor por Jesus. Nunca mais deixou de freqüentar os cultos, de aprender sobre a Bíblia e de partilhar sua fé.

Foi através da cura e da conversão de Loló que o evangelho entrou na casa dos meus avós. Depois de algum tempo, eles a acompanharam na sua decisão. Entregaram a vida a Cristo, ba­tizaram-se e se tornaram cristãos dedicados. Criaram todos os seus filhos na igreja, de modo que os benefícios de sua fé atin­giram a terceira e quarta gerações. Minha tia foi o belo instru­mento usado por Deus para derramar sua graça sobre nós.

Lembro-me da Loló já velhinha, sempre sorridente e anima­da para os passeios que a família costumava realizar. Já faz tempo que o Senhor a tomou para si. As alegrias da nova vida que ela experimentou, entretanto, ainda se refletem por toda parte. Recentemente eu estive numa casa humilde, no alto de um morro, e fui informado de que, décadas antes, aquelas pes­soas já haviam sido evangelizadas por minha tia.

Fazer parte de uma igreja, testemunhar a salvação da família e contribuir para obra de Deus são alguns dos prazeres que se seguem ao gozo maior de pertencer a Jesus. Lídia e muitos ou­tros encontraram tal satisfação. E quanto a você?

As alegrias de uma nova existência são oferecidas, por Deus, a todos os que crêem. Explicando os motivos de sua vinda ao mundo, o Senhor Jesus declarou: "Eu vim para que tenham vida e tenham em abundância" (Jo 10.10). A vontade do Salvador é conceder-nos uma vida plena, aqui e na eternidade. Foi para isso que ele morreu e ressuscitou.

Lídia tinha um negócio rentável, uma bela família e uma re­ligiosidade sincera. Entretanto, quando abriu o coração para a Palavra de Deus, conheceu algo ainda melhor. Hoje, muitos estão buscando o que aquela mulher já possuía! Esquecem-se, porém, de imitar a decisão que ela tomou. Com isso, privam-se da real felicidade.

Todo o conhecimento e sucesso de uma pessoa não podem dar sentido à sua existência. Todos os relacionamentos e rique­zas que alguém acumular são insuficientes para preencher o vazio do seu coração. É somente por meio de Cristo que temos acesso ao regozijo de uma nova vida. Ou entendemos isso – e fazemos algo a respeito – ou viveremos sem alegria e sem paz.


18

PAULO

"Tudo posso naquele que me fortalece"

"Tanto sei estar humilhado como também ser honrado;

de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho

experiência, tanto de fartura como de fome; assim de

abundância como de escassez; tudo posso

naquele que me fortalece. "(Fp 4.12,13.)

Um dos versos bíblicos mais apreciados é Filipenses 4.13. "Tudo posso naquele que me fortalece" é uma frase que muitos adotam como lema de vida. Às vezes, porém, as pessoas reci­tam esse texto como se fosse uma espécie de "mantra", ou uma declaração de "pensamento positivo". Será que isso é correto?

Quando Paulo disse que em Cristo podia todas as coisas, não queria que pensássemos que, por termos fé, conseguiría­mos tudo o que desejássemos. Pelo contrário: ao escrever tais palavras ele estava numa cadeia, sofrendo privações. Mas Deus o fortalecia para superar as adversidades, e era isso o que ele queria nos ensinar.

Se eu depositar minha fé em Cristo – como Paulo fez — tam­bém poderei afirmar: "Tudo posso naquele que me fortalece". E tal qual o apóstolo, entenderei exatamente o que isso significa. Saberei que, com o auxílio do Senhor:

Posso enfrentar a tristeza sem me desesperar

Paulo disse que suas experiências de vida incluíam humilha­ção, fome e escassez. Ao longo dos anos, ele havia passado por vários momentos difíceis. E essas dificuldades não eram resulta­do de pecado ou falta de fé, mas da sua consagração a Deus. Por ocasião da sua conversão, o Senhor já advertira: "Eu lhe mostra­rei quanto lhe importa sofrer pelo meu nome" (At 9-l6).

Todavia, Jesus havia se mostrado fiel, sustentando Paulo nas horas de provação para que ele enfrentasse a tristeza sem cair no desespero. "Tanto sei estar humilhado como também ser honrado", ele disse. Paulo sabia o que fazer. Conhecia a forma certa de agir. Não ignorava o fato de que manter a serenidade era indispensável para vencer.

Crer em Cristo não significa viver sem sobressaltos, mas po­der atravessar as lutas com equilíbrio. E isso é muito importan­te, pois perder o controle durante as emergências é algo bastan­te sério. Quando um navio enfrenta tempestades, os tripulantes com maior chance de sobrevivência são os que não entram em pânico. De igual forma, temos maiores probabilidades de su­cesso quando encaramos as crises sem nos desesperarmos.

As tempestades são muito diferentes entre si. Algumas são mais longas do que as outras. Algumas acontecem de dia, e outras durante a noite. Há temporais mais fortes e mais fracos, com ou sem relâmpagos, de chuva ou de granizo. Mas existe uma coisa que todas as tempestades têm em comum: elas pas­sam! Mais cedo ou mais tarde as nuvens se dispersam e o sol volta a brilhar. Portanto, lembre-se de que, não importa qual seja a sua tempestade, ela não durará para sempre. Para superá-la sem maiores prejuízos, você deve conservar sua fé.

Posso desfrutar a alegria sem me descuidar

Além de saber enfrentar a necessidade, Paulo estava acostu­mado a lidar com a abastança. "De tudo e em todas as circuns­tâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome, assim de abundância como de escassez", escreveu. O apóstolo tinha consciência de que as alegrias poriam à prova sua fideli­dade. Havia muitos momentos em que ele se sentia extrema­mente feliz. Nessas horas, seu desejo era permanecer depen­dente do Senhor.

Um dos nossos maiores desafios é poder desfrutar as coisas agradáveis sem nos deixar dominar por elas. Deus nos concede bens, relacionamentos e experiências maravilhosas. Não há nada de errado em apreciá-las. Contudo, nossa hierarquia de valores precisa estar bem definida. Se perdermos o Senhor de foco, perderemos tudo o mais.

Deixe-me exemplificar isso com uma história. Havia, em certa igreja, um senhor chamado José. Desde a sua conversão ele se mostrara um cristão dedicado. De maneira especial, o irmão José gostava de colocar o seu velho automóvel – um fusca 1972 – a serviço da obra de Deus. Para levar pessoas aos cultos ele subia morros, descia vales e transpunha lamaçais. Também usava seu carro para transportar cestas básicas e divulgar os eventos da igreja. Agindo assim, ele se sentia útil e feliz.

Deus abençoou o irmão José, de modo que ele progrediu bas­tante. Pôde, inclusive, trocar de carro, adquirindo um veículo novinho em folha. Mas foi então que algo aconteceu. José passou a não disponibilizar mais seu automóvel para os trabalhos da igreja.

"As crianças vão sujar o estofamento, e os buracos estraga­rão os amortecedores", dizia ele. "Tenho de proteger o meu investimento!"

Aos poucos, o Sr. José foi deixando de participar das ativida­des da igreja e de ter comunhão com os irmãos. Meses depois, parou até de freqüentar os cultos. Nos domingos pela manhã, podia ser visto na frente de sua casa, lavando o seu carro novo…

"Eu sei ser honrado", disse o apóstolo Paulo. "Sou capaz de apreciar a fartura e de desfrutar a abundância. Consigo me ale­grar com todas essas coisas, sem colocar nelas o meu coração. Tudo posso naquele que me fortalece." É pela graça de Jesus que podemos usufruir, de forma plena e saudável, as alegrias da vida.

Posso encarar os desafios sem me intimidar

Além de tristezas e alegrias, o dia-a-dia de Paulo era cheio de desafios. Ele se via continuamente diante de situações deli­cadas, de oportunidades únicas e de realizações incríveis. Gran­des deveres pesavam sobre os seus ombros, e conquistas notá­veis sempre eram possíveis. Tudo isso poderia parecer demais para um homem comum.

O que tranqüilizava o coração do missionário era a certeza de que, em Cristo, seria capacitado para fazer frente a qualquer situação. Ele não precisava se intimidar diante das responsabi­lidades, pois o Senhor o fortaleceria a fim de que fosse bem-sucedido. Por isso encarava com entusiasmo cada novo desa­fio, cada nova oportunidade.

Quando Teresa de Ávila se preparava para construir um or­fanato, algumas pessoas lhe perguntaram:

— Como você espera conseguir isso, tendo apenas três xelins?
A religiosa respondeu:

— Com três xelins, não existe nada que eu possa fazer. Po­rém, com Deus e três xelins, não há nada que eu não possa fazer.

E construiu o orfanato!

A verdade é que Deus não chama os capacitados, e sim ca­pacita os chamados. Portanto, quando se vir diante de uma vo­cação, sonho, tarefa ou desafio, não se deixe intimidar! Em Cristo, você pode todas as coisas. Seja confiante, ousado e otimista. Todavia, lembre-se de algo muito importante: o segredo está em confiar no Senhor, e não em si próprio. Humildade, depen­dência e confiança serão vitais para o seu sucesso. É pela força que vem dos céus que você pode ser mais que vencedor.

Poucos deixaram marcas tão profundas na história da hu­manidade quanto o apóstolo Paulo. Eu e você também pode­mos ter uma vida intensa e marcante. Está ao nosso alcance suportar a tristeza sem nos desesperarmos, desfrutar a alegria sem nos descuidarmos e encarar os desafios sem nos intimidar­mos. O que temos a fazer é depender do Senhor.

A fim de usufruirmos uma existência vitoriosa, precisamos ter um relacionamento íntimo com Jesus. Paulo disse que, em Cristo, podia todas as coisas. Mas o que é estar em Cristo? An­tes de tudo, é estar na condição para a qual ele nos leva a partir do momento em que nos salva. Mas é também lhe entregar o coração de tal forma que nos sintamos mergulhados em seu amor.

Se alguém deseja tingir uma roupa, precisa imergi-la numa solução de água e tinta, deixando-a ali por tempo suficiente para que a cor impregne as fibras do tecido. De igual modo, devemos submergir a nós mesmos nas profundezas do amor de Deus até vê-lo entranhado em cada fibra do nosso ser. Pelo estudo da sua palavra, pela busca da sua vontade e pela exaltação do seu nome, estaremos cada vez mais em Cristo, e Cristo em nós.

Estando em Cristo, você pode todas as coisas. Permanecen­do nele, você é mais que vencedor. Portanto, volte-se de cora­ção inteiro para Jesus. Não há outra decisão tão necessária, e nenhuma experiência é mais feliz.

19

TIMÓTEO

Honrado por Deus

"Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes,

segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a

mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida

eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a

boa confissão perante muitas testemunhas." (1 Tm 6.11,12.)

Timóteo é uma das figuras mais fascinantes da Bíblia. Ainda jovem, ele se destacou por sua lealdade, consagração, respon­sabilidade e fé. Verdadeiramente, o significado do seu nome em grego, "honrado por Deus" – se achava em total harmonia com o seu caráter.

Quais são as marcas de uma pessoa a quem Deus se alegra em honrar?

Timóteo foi um homem de Deus

O apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, referiu-se a ele como "homem de Deus". No Antigo Testamento, poucos indi­víduos (Moisés, Samuel, Davi, Elias e Eliseu) receberam esse titulo. No Novo Testamento, apenas Timóteo. Que privilégio! Todos os que conheciam aquele jovem atestavam seu compro­metimento com o Senhor e sua obra. E quanto a nós? Aqueles que nos conhecem podem dizer o mesmo a nosso respeito? Jamais experimentaremos honra maior do que sermos identifi­cados como pessoas de Deus.

Timóteo fugiu do mal

Depois de denunciar aqueles que ensinavam falsas doutrinas e se entregavam à cobiça, Paulo disse a Timóteo: "Tu, porém, foge dessas coisas". Uma das razões pelas quais aquele jovem se destacou foi que ele evitou tudo o que era errado ou potencial­mente nocivo. Na verdade, não apenas evitou, mas fugiu! Assim como José (que se desvencilhou da mulher de Potifar quando esta tentou seduzi-lo), Timóteo não testou seus limites.

Pessoas honradas por Deus não condescendem sequer com a aparência do mal. Dizem que a pomba receia tanto o gavião que a simples visão de uma de suas penas é suficiente para deixá-la sobressaltada. Assim devemos nós, igualmente, temer o pecado e seus efeitos. Jamais olhemos para a impiedade como algo inocente. Fujamos de todo mal.

Timóteo perseguiu o bem

Que vida agitada é a do cristão: ao mesmo tempo em que ele foge, também persegue! Foi por isso que o apóstolo Paulo lembrou a Timóteo que ele deveria seguir "a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão". O verbo utilizado no original grego é o mesmo que descreve o empenho de um caçador em perseguição à sua presa. Isso significa que o bem é algo que devemos caçar, buscar, perseguir ativamente. Na maior parte das vezes, bons sen­timentos, palavras e atitudes não são coisas que surgem facilmen­te. Devemos nos esforçar para alcançar e produzir tais coisas.

Timóteo lutou o bom combate

Embora fosse uma pessoa tímida e sensível, Timóteo reve­lou ser, também, muito corajoso. Ele combateu "o bom comba­te da fé". Isso nos lembra o fato de que não devemos ser apenas combativos: precisamos escolher, com sabedoria, as lutas em que haveremos de tomar parte. Brigar por opiniões, caprichos e vantagens não é uma atitude cristã. O bom combate – o comba­te da fé – se caracteriza por razões justas e formas justas. Lutemos pela verdade, e façamos isso com amor. Assim alcan­çaremos a aprovação que vem dos céus.

Timóteo apoderou-se da vida eterna

Enquanto fugia do mal e perseguia o bem, aquele jovem pas­tor ia tomando posse da vida eterna. Os valores que desfrutare­mos plenamente no futuro (alegria, santidade, paz, comunhão, etc.) já podem, parcialmente, ser usufruídos no presente. Não devemos pensar na vida eterna como algo que experimentare­mos depois da morte. Precisamos vê-la como uma realidade que adentramos a partir do momento da nossa conversão. Se entre­gamos nossa vida a Cristo e andamos nos seus caminhos, come­çamos a apoderar-nos da vida eterna. E se não o fazemos é por­que estamos, de algum modo, desperdiçando as bênçãos de Deus.

Timóteo alcançou bom testemunho

Concluindo suas declarações a respeito de Timóteo, Paulo disse que ele fez uma "boa confissão perante muitas testemu­nhas". Todos os que conheciam Timóteo podiam dizer coisas positivas sobre ele. Ao invés de ser pedra de tropeço para os que cogitavam abraçar o cristianismo, sua vida foi um incenti­vo para aqueles que queriam servir a Deus.

Pelo fato de ter acompanhado Paulo em suas viagens missionárias e de haver se tornado líder da igreja de Éfeso, Timó­teo sempre esteve em evidência. Documentos históricos relatam que João (o autor do Livro de Apocalipse) era membro da igreja que ele pastoreava. Você já pensou como deve ter sido, para Timó­teo, pregar todo domingo tendo João sentado à sua frente? Que responsabilidade! Mas ele se desincumbiu da tarefa com grande êxito, e alcançou um bom testemunho para a glória do Senhor.

O nome de Timóteo significa "honrado por Deus". Você acha que tal significado se mostrou uma realidade na vida dele? É claro que sim! Para aqueles que acreditam que juventude e san­tidade não andam juntas, ele mostrou que é perfeitamente pos­sível agradar a Deus nos primeiros anos e servi-lo, cada vez melhor, com o passar do tempo.

Indivíduos a quem o Senhor honra tornam-se conhecidos como pessoas de Deus. Eles se mantêm sempre em movimen­to, fugindo do mal e perseguindo o bem. Encaram o legítimo combate, apoderam-se da vida eterna e alcançam um testemu­nho favorável dos que os cercam. Deus almejou isso para Ti­móteo, e deseja o mesmo para nós.

Ser honrado pelos homens é uma coisa relativa e passageira. Receber a aprovação do Senhor, porém, é algo que devemos buscar. Certamente nosso Pai celestial se alegrará em apontar-nos como seus filhos. Ele diz em sua Palavra: "Aos que me honram, honrarei" (1 Sm 2.30). Sendo assim, esforcemo-nos por ter uma vida honrada por Deus.

20

JOÃO

Encontrando paz nas tribulações

"Conheço as tuas obras- eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar – que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e pros­trar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei." (Ap 3.8,9.)

O apóstolo João foi uma das figuras mais importantes do cristianismo primitivo. Dedicado, ele conquistou lugar entre as discípulos mais íntimos de Jesus. Flexível, permitiu que Deus o transformasse de "filho do trovão" em "apóstolo do amor". Produtivo, escreveu um evangelho, três cartas e o livro de Apocalipse, abençoando milhões de leitores.

Já idoso, João viu-se exilado na ilha de Patmos, onde rece­beu uma revelação de consolo para as igrejas atribuladas. Na verdade, a visão acabou trazendo conforto para o próprio após­tolo, que também estava sendo perseguido. Semelhantemente, aquilo que Deus lhes prometeu tem aplicação para a nossa

vida.

Quando um avião é surpreendido por tempestades, eleva-se a maiores alturas, pois o piloto sabe que acima das nuvens o sol continua a brilhar. E quanto a nós? Será que podemos as­cender até o ponto de vista de Deus, encarando as adversida­des de cima e encontrando paz? Sim, e é isso o que o Apocalipse nos ensina. Tal como João e seus contemporâneos, descobri­mos que é possível encontrar paz nas tribulações.

Encontramos paz nas tribulações quando lembramos que Jesus nos conhece

Eis uma verdade maravilhosa: talvez não sejamos populares na terra, mas nos tornamos famosos no céu! O cristão mais hu­milde não é um estranho para Jesus. O Senhor declarou: "Co­nheço as tuas obras". Ele disse também: "Sei que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome". Nada do que João e seus irmãos estavam fazendo ou experimentando passava despercebido aos olhos de Deus.

Jesus conhece as nossas obras. Ele atenta para tudo o que fazemos, e não deixará nosso esforço sem recompensa. Não desanime quando se deparar com a ingratidão. Não desista quan­do suas contribuições parecerem insignificantes. Lembre-se de que Deus está observando, "para retribuir a cada um segundo as suas obras" (Ap 22.12).

Jesus conhece a nossa pouca força. O Senhor está ciente dos nossos limites. Ele não permitirá que enfrentemos prova­ções acima do que podemos suportar. Promete-nos o seu so­corro, bem como o seu livramento. Ele realmente cuida de nós.

Jesus conhece a nossa fidelidade. Ele valoriza o fato de que guardamos a sua palavra e não negamos o seu nome. As vezes nossa fé nos custa um alto preço; porém, não é nada que se compare ao sacrifício do Salvador. Não hesitemos, pois, em testemunhar.

Quando você se lembra de que Cristo o conhece, experi­menta paz em meio às provações. Recorda-se de que ele o con­sola, ajuda, fortalece e recompensa. Tal lembrança enche você de coragem e esperança. Não se esqueça: você pertence ao cir­culo exclusivo dos amigos de Jesus! Nenhum outro privilégio se compara a isso.

Encontramos paz nas tribulações quando lembramos que Jesus tem posto uma porta aberta diante de nós

"Eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta", disse o Mestre. Ele afirmou isso para que soubéssemos que existem caminhos desimpedidos à nossa frente. Assim como João have­ria de alcançar a vitória apesar das perseguições, nós também podemos estar certos de que o Senhor nos conduzirá em triun­fo (2 Co 2.14). Tal certeza não deve nos abandonar, mesmo que passemos por dificuldades.

Alguns países do hemisfério norte têm seus mares congela­dos durante o rigoroso inverno. Isso representa um problema para os navios, os quais ficam impedidos de chegar aos portos por causa da crosta de gelo. O que fazer? É aí" que entram em ação os navios quebra-gelo. Eles são projetados especialmente para romper as barreiras de gelo e neve, abrindo um caminho seguro pelo qual as outras embarcações possam passar.

De modo semelhante, Jesus tem estabelecido à nossa frente um caminho seguro. Para fazer isso ele entregou a própria vida, quebrando todas as barreiras, enfrentando e vencendo a morte. Os portais do céu estão abertos para os que se entregam a Cris­to. Os acessos a uma vida abundante são franqueados aos que o acompanham. Devemos observar o caminho que Jesus abre à nossa frente e segui-lo de perto, com toda a fidelidade.

Quando lembramos que o Senhor colocou diante de nós uma porta aberta, nossas forças são renovadas. Afinal, ele é "o san­to, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá" (Ap 3.7). Quem poderá obstruir uma porta que Jesus abriu? Prossigamos, pois, com ousadia.

Encontramos paz nas tribulações quando lembramos que Jesus nos ama

A certeza de que somos amados pelo Filho de Deus nos dá firmeza para vencermos qualquer aflição. João (o discípulo amado) sabia disso. Ele se achava exilado numa ilha rochosa por pregar o evangelho. Seus amigos estavam sendo persegui­dos em todo o império pela mesma razão. Entretanto, o apósto­lo não tinha dúvida de que o Senhor os amava. Essa confiança fazia com que ele mantivesse a serenidade e seguisse adiante.

Chegará um dia em que os nossos adversários saberão o quanto Deus nos quer bem. "Eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei", prometeu Jesus. Os que haviam sido humilhados serão exaltados, e seus perseguidores se cobri­rão de vergonha. O fato de passarmos por aflições não significa que Deus não se importa conosco. Pelo contrário: ele nos ama, e assegura-nos que um dia todos saberão disso.

A promessa do Salvador é maravilhosa. Contudo, ainda que seja desejável que o mundo saiba que Jesus nos ama, é infinita­mente mais importante que nós mesmos saibamos disso! Em momentos difíceis, talvez nos peguemos questionando o amol­do Senhor. Entretanto, não deveríamos duvidar daquele que ousou morrer em nosso lugar. Outras convicções até poderão nos abandonar, mas não a certeza do amor de Deus12.

Conta-se que o pregador Dwight Moody mandou instalar, na frente do seu púlpito, letras iluminadas a gás formando a frase "Deus é amor". Certa noite, um mendigo que passava diante do templo olhou pela porta e viu as letras incandescentes. "Não, isso não pode ser verdade", disse para si mesmo. "Deus não pode me amar, pois não passo de um pecador". Entretanto, a frase parecia brilhar perante seus olhos com palavras de fogo. Durante toda a semana, não foi capaz de esquecê-la.

No domingo seguinte, ele foi até o templo, sentou-se num dos últimos bancos e ficou a encarar as letras que teimavam em não sair de sua mente. Não ouviu a mensagem; contudo, quan­do o culto terminou, Moody foi encontrá-lo, sentado no mesmo lugar, chorando como uma criança. O pregador então lhe ex­pôs o evangelho e conduziu-o a uma decisão ao lado de Cristo. Inicialmente, aquele homem reagira contra a possibilidade de que o Senhor pudesse amá-lo. Ao final, porém, tal certeza trans­formou o seu viver.

Muitas coisas tentarão dizer-nos que Deus não nos ama. Todavia, não existe nada tão certo em todo o Universo quanto o amor do Senhor por nós. Nunca devemos nos esquecer de que ocupamos um lugar especial no coração do Criador. Essa con­vicção deve falar mais alto em nossos passos do que qualquer adversidade. Ela irá encher de paz a nossa alma e guiar-nos, como um farol, no rumo da vitória.

Tribulações fazem parte da vida. É possível que você, agora mesmo, esteja passando por uma delas. Contudo, a Palavra de Deus é categórica ao nos afirmar que, com Cristo, somos capa­zes de vencer as adversidades. Na Bíblia o Senhor deixou regis­trada a seguinte promessa: "Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel" (Is 41.10).

Lembre-se: Jesus conhece você, tem colocado uma porta aberta à sua frente, e o ama com um amor infinito. Se você conservar os olhos fixos nessas verdades, encontrará paz nas tribulações. Como Pedro – que foi capaz de andar sobre as águas enquanto olhou para Cristo – você se colocará acima das tem­pestades, e desafiará o ímpeto dos furacões.

A fé é a arma que Deus nos confiou para fazer frente às ad­versidades. É a força que nos move para perto do Criador. É a bússola que nos orienta quando tudo parece incerto. É a razão da nossa coragem, o motivo do nosso louvor, o segredo da nos­sa paz, o crivo da nossa salvação. "Sem fé é impossível agradar a Deus." (Hb 11.6.) Mire-se no exemplo de João, dos cristãos primitivos e de todos aqueles deixaram lições de fé. Você será mais que vencedor, em nome de Jesus

 

NOTAS

1. Paul Gardner. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 11.

2. Werner Keller. E a Bíblia Tinha Razão. 17" ed. São Paulo: Edições Melhoramentos, 1992, p. 178.

3. J. D. Douglas. O Novo Dicionário da Bíblia. São Paulo: Edições Vida Nova, 1983, p. 787.

4. Paul Gardner. Op. cit., p. 577.

5. John Powell. Felicidade: Um Trabalho Interior. 8ª ed. Belo Horizonte: Editora Crescer, 1999, p. 13-

6. Ricardo Gondim. O Evangelho da Nova Era. São Paulo: Editora Abba Press, 1993, p. 108.

7. Joyce G. Baldwin. Daniel: Introdução e Comentário. São Pau­lo: Edições Vida Nova e Mundo Cristão, 1983, p. 86.

8. James C. Hunter. O Monge e o Executivo. 18ª ed. Rio de Janei­ro: Editora Sextante, 2004, p. 26.

9. Moysés Marinho de Oliveira. Manancial de Ilustrações. 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora Juerp, 1990, p. 250.

10. John Foxe. O Livro dos Mártires. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2005. p. 17.

11. John Stott. Firmados na Fé. Curitiba: Editora Encontro, 2004, p. 33.

12. Marcelo Aguiar. O Brilho de Uma Lágrima. Belo Horizonte: Editora Betânia, 2003, p. 145.

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