Artigo interessante acerca da vida pós morte.

O artigo abaixo, aborta uma questão muito interessante. Sugerimos porem aos nossos leitores, que façam  uma leitura crítica, confrontando as ponderações abaixo com o ponto de vista bíblico e cristão.  

Pr Josias Moura

 

Vida Após a Morte

Por Bispo Alexander (Mileant).

Traduzido por Elga Drizul / Olga Dandolo



Conteúdo: Introdução. O que a alma vê "no outro" mundo. Avaliação de relatos contemporâneos sobre a vida após a morte. Relatos de suicidas. Estudos Ortodoxos a respeito do mundo espiritual. A jornada da alma para o céu, "julgamento." Paraíso e inferno.Conclusão.

Suplemento: crítica sobre o estudo da reencarnação.



Introdução

"Eu estava deitado na sala da UTI do hospital infantil de Seattle, Estado de Washington, EUA, – conta o garoto Dean de 16 anos, cujos rins pararam de funcionar, – quando, de repente, senti-me em pé, movendo-me com incrível velocidade através de um espaço escuro. Eu não via paredes em minha volta, no entanto, parecia ser algo como um túnel. Não sentia vento, porém, percebia que me deslocava com incrível velocidade. Apesar de não entender o porque e para onde eu estava voando, sentia que no final do meu vôo algo muito importante me esperava e eu queria chegar ao meu destino o mais rápido possível.

Finalmente, eu me via em um lugar repleto de luz brilhante e então percebi que havia alguem perto de mim. Era alguém alto, com longos cabelos dourados; vestia roupa branca amarrada no meio com um cinto. Ele não dizia nada, mas eu não tinha medo pois, uma enorme paz e amor emanavam dele. Se não era Cristo, devia ser um de Seus anjos." Depois disto, Dean sentiu que retornou ao seu corpo e voltou a sí. Estas impressões, tão curtas mas muito marcantes, deixaram uma marca profunda na alma de Dean. Ele tornou-se um jovem muito religioso, o que influenciou positivamente toda a sua família.

Este é um dos relatos típicos, reunidos pelo médico pediatra americano Dr. Melvin Morse e publicados no livro "mais próximo da Luz" (Closer to the Light) [7].

Ele observou o primeiro caso de morte temporária em 1982, quando conseguiu fazer reviver a menina Catarina de 9 anos, que se afogou numa piscina pública. Catarina conta que, durante o tempo em que esteve morta, encontrou-se com uma adorável "senhora" que disse chamar-se Elizabeth, – era provavelmente o seu Anjo da Guarda. Elizabeth acolheu com muito carinho a alma de Catarina e conversou com ela. Ciente de que Catarina ainda não estava pronta para passar para a vida espiritual, Elizabeth permitiu que ela retornasse ao seu corpo. Durante este período de sua carreira médica, o Dr. Morse trabalhava em um hospital da cidadezinha de Pocatelo, no estado de Idaho, EUA.

O relato da menina teve um profundo efeito nele, que até então era céptico em relação a tudo que era espiritual, uma impressão tão forte, que ele resolveu estudar mais profundamente a questão sobre o que acontece com uma pessoa logo após a sua morte. No caso de Catarina, Dr. Morse admirou-se particularmente com a descrição detalhada de tudo que sucedeu na hora em que se encontrava morta clinicamente, – tanto no hospital, como em sua casa – como se ela estivesse alí presente. Dr. Morse verificou e se convenceu da veracidade de todas as observações de Catarina.

Após ter sido transferido para o Hospital Infantil Ortopédico de Seattle, e mais tarde, ao Centro de Medicina de Seatle, Dr. Morse começou a estudar sistematicamente a questão da morte. Ele questionava muitas crianças, as quais tiveram a experiência com a morte clínica; comparava e documentava seus relatos. Além disso, ele continuava a manter contato com seus jovens pacientes e observava o seu desenvolvimento intelectual e espiritual a medida que eles cresciam. No seu livro, "Closer to the Light," Dr. Morse afirma que todas as crianças que ele conheceu, que sobreviveram à morte temporária, ao crescer, tornaram-se jovens sérios e religiosos, moralmente mais puros que outros jovens que não passaram por isto. Todos eles aceitaram suas experiências como manifestação da misericórdia de Deus e como um sinal superior de que é preciso viver para o bem.

Relatos semelhantes sobre a vida após a morte, até há pouco tempo, eram publicados apenas na área da literatura religiosa. As revistas populares e livros científicos, via de regra, evitavam esses temas. Um número enorme de médicos e psiquiatras mantinham uma postura negativa em relação a quaisquer manifestações espirituais e não acreditavam na existência da alma. E há apenas vinte anos, durante o aparente triunfo do materialismo, alguns médicos e psiquiatras se interessaram seriamente sobre a questão da existência da alma. O impulso para este movimento foi o livro do Dr. Raymond Moody "Vida após vida"[1], publicado em 1975. Nesse livro, Dr. Moody coletou uma série de relatos de pessoas que tiveram experiência com a morte clínica. Relatos de alguns conhecidos levaram Dr. Moody a interessar-se pela questão, e quando começou a juntar informações, para seu espanto, descobriu que existem muitas pessoas, as quais, na hora em que tiveram morte clínica, tiveram visões fora de seus corpos. Porém, essas pessoas não contavam a ninguém a esse respeito para não serem ridicularizadas e consideradas pessoas loucas.

Logo após o lançamento do livro do Dr. Moody, a imprensa sensacionalista e a TV divulgaram amplamente os dados coletados por ele. Começaram as discussões acaloradas sobre o tema da vida após a morte e houve até debates públicos. Então, uma série de médicos, psiquiatras e líderes espirituais considerando-se afetados em seu campo de perícia por fontes incompetentes, resolveram conferir os dados e as conclusões do Dr. Moody. Muitos deles ficaram surpresos quando verificaram a veracidade das observações do Dr. Moody, – ou seja, que mesmo após a morte a existência do homem não termina, e sua alma continua a ouvir, pensar e sentir.

Entre as pesquisas sérias e sistemáticas sobre a questão da morte, deve-se mencionar o livro do Dr. Michael Sabom "Lembranças da Morte" (Recollections of Death) [5].O Dr. Sabom é professor de medicina na universidade de Emory e médico no hospital para veteranos na cidade de Atlanta. Em seu livro, podemos encontrar dados precisos e documentados, bem como profundas análises a respeito do assunto em pauta.

Também é valiosa a pesquisa sistemática do psiquiatra Kenneth Ring, publicada no livro "Life at Death" (Vida na Morte)[6]. Dr. Ring montou um questionário para ser respondido pelos sobreviventes à morte clínica. Nomes de outros médicos que se envolveram nessa questão estão citados na parte da bibliografia. Muitos deles começaram suas observações, sendo céticos. Mas, vendo casos novos que confirmavam a existência da alma, mudavam sua perspectiva.

Neste artigo, relataremos alguns casos de pessoas que sobreviveram à morte clínica, compararemos estes dados com os ensinamentos cristãos tradicionais sobre a vida da alma no outro mundo e daremos conclusões comparativas. No suplemento, examinaremos o ensino teosófico sobre a reencarnação.

O que a alma vê

no "outro" mundo

A morte não é como muitos a imaginam. Na hora da morte, teremos que ver e passar por muitas coisas para as quais não estamos preparados. O objetivo desse artigo é o de ampliar e expandir e pormenorizar nossa compreensão sobre a inevitável separação do nosso corpo mortal.

Para muitos, a morte é como dormir sem sonhar.Você fecha os olhos, adormece e nada mais existe, apenas a escuridão. Só que dormir termina ao amanhecer e a morte é para sempre. A muitos, o desconhecido é o que mais assusta: "O que acontecerá comigo?" E então procuramos não pensar na morte. Entretanto lá no nosso íntimo sempre existe o sentimento do inevitável e uma ansiedade inquietante. Cada um de nós terá de atravessar esta fronteira. Deveriamos pensar e nos preparar para isto. Alguém pode perguntar: "Mas pensar e se preparar para que? Isto não depende de nós. Chega a nossa hora, morremos e pronto. Mas enquanto ainda há tempo, é preciso tomar tudo da vida, tudo aquilo que ela pode nos proporcionar: beber, comer, amar, conseguir o poder e a glória, o respeito, ganhar dinheiro, etc. Não se deve pensar sobre nada desagradável e difícil e, claro, nem cogitar sobre a morte." Muitos agem assim.

E, mesmo assim, às vezes, outros pensamentos perturbadores passam pela nossa cabeça: "E se não for assim? E se a morte não for o fim, e após a morte do corpo, eu, inesperadamente para mim mesmo, de repente me encontrar em condições completamente novas, conservando a capacidade de ver, ouvir e sentir?" E o mais importante: "E se, o nosso futuro no além, de alguma forma depender do como vivemos a nossa vida e de como éramos antes do momento de cruzar a soleira da morte?"

Reunindo os relatos das pessoas que sobreviveram à morte clínica, emerge o seguinte quadro do que a alma vê e experimenta, ao separar-se do corpo. Quando a morte se processa e a pessoa atinge o limite de desfalecimento, ela ouve quando o médico a considera morta. Em seguida, ela vê seu "sosia" – um corpo inerte – deitado abaixo dela, e os médicos e as enfermeiras tentando revive-la. Essas imagens inesperadas provocam um grande choque na pessoa, porque, pela primeira vez na vida ela se vê do lado de fora. E aí ela verifica que as suas capacidades habituais – ver, ouvir, pensar, sentir etc. – continuam a funcionar normalmente, só que agora independentes do seu envolucro exterior. Flutuando no ar, acima dos outros que se encontram no quarto, a pessoa instintivamente tenta comunicar-se, dizer algo ou tocar alguém. Mas, para seu horror, percebe que está isolada dos outros: ninguém a ouve, nem sente o seu toque. Além disso, ela fica admirada ao sentir uma sensação inacreditável de alívio, serenidade e até mesmo alegria. Não há mais aquela parte do "eu" que sofria, exigia algo e queixava-se sempre de tudo. Sentindo tal alivio, a alma do morto normalmente não quer voltar ao seu corpo.

Na maioria dos casos documentados da morte temporária, a alma, após observar por alguns momentos o que se passa ao redor, volta ao seu corpo físico, e nesse momento, o conhecimento do outro mundo é interrompido. Mas, às vezes, a alma dirige-se adiante para o mundo espiritual. Alguns descrevem essa sensação como movimento num túnel escuro. Após isso, as almas de algumas pessoas vão para um mundo de grande beleza, onde, às vezes elas encontram parentes, que morreram anteriormente. Outras, vão parar numa região de luz e encontram-se com um ser de luz, do qual emanam grande amor e compreensão. Alguns afirmam que é o nosso Jesus Cristo, outros que é um anjo. Mas, todos concordam que é alguém repleto de bondade e compaixão. Alguns ainda, vão parar em lugares tenebrosos e, voltando, descrevem terem visto seres cruéis e repugnantes. Ás vezes, o encontro com o misterioso ser luminoso é acompanhado de uma "revisão" da vida, quando a pessoa começa a lembrar do seu passado e faz uma avaliação moral dos seus atos. Após isto, alguns vêem algo semelhante a uma cerca ou fronteira. Eles sentem que, uma vez ultrapassada esta fronteira, não poderão voltar ao mundo físico.

Nem todos os que sobreviveram à morte temporária passaram por todas essas fases. Uma porcentagem significativa de pessoas que voltaram à vida, não se lembram de nada que aconteceu com eles "lá." As etapas citadas são colocadas em ordem de sua freqüência relativa, começando com as que ocorrem mais freqüentemente e terminando com as que são mais raras. Segundo os dados do Dr. Ring, aproximadamente um de cada sete que lembram-se da existência fora do corpo, viu a luz e conversou com o ser de luz.

Graças ao progresso da medicina, a reanimação dos mortos passou a ser um procedimento quase padrão em muitos hospitais atuais. Antigamente, isso quase não existia. Por isso, existe uma certa diferença entre os relatos da vida pós – morte na literatura antiga, mais tradicional, e na moderna. Os livros religiosos mais antigos, relatando sobre a aparição da alma dos mortos, contam sobre visões no paraíso ou no inferno e sobre encontros com anjos ou demônios. Esses relatos podem se chamar de descrições do "cosmo distante," já que retrata o mundo espiritual distante de nós. Os relatos modernos, anotados pelos médicos – reanimadores, ao contrário, descrevem principalmente quadros do "cosmo próximo" – as primeiras impressões da alma que acaba de deixar o corpo. Esses relatos são interessantes pois complementam a primeira categoria de relatos (dos tempos mais antigos) e nos dão a possibilidade de entender com mais clareza aquilo que espera cada um de nós Entre estas duas categorias, está a descrição de K. Ixcul, publicada pelo Arcebispo Nikon em 1916 nas "Páginas da trindade" sob o título "Inacreditável para muitos, mas aconteceu" que abrange os dois mundos – o "distante," e o" próximo." Em 1959, o "Mosteiro da Santíssima Trindade" reeditou esta história numa brochura separada.Vamos apresenta-la aqui de uma forma abreviada. Este relato envolve elementos da literatura antiga e contemporânea sobre o mundo após morte.

K. Ixcul era um típico jovem intelectual da Rússia antes da revolução. Ele foi batizado quando criança e cresceu no meio ortodoxo, mas com era comum entre os intelectuais, era indiferente à religião. Às vezes entrava numa igreja, comemorava as festas de Natal e Páscoa, até comungava uma vez por ano, mas considerava muitos ensinamentos da religião ortodoxa como sendo superstições arcaicas, inclusive o ensinamento sobre a vida após a morte. Ele tinhacerteza que com a morte terminava a existência do homem..

Certa vez, ele teve pneumonia. A doença se tornou séria e demorada, e enfim ele foi internado no hospital. Ele não pensava sobre a morte que se aproximava e esperava ficar bom logo e recomeçar as suas atividades habituais. Certa manhã, ele de repente, sentiu-se muito bem. A tosse passou, a febre baixou. Ele pensou, que enfim, estava curado. Mas, para seu espanto, os médico ficaram preocupados e trouxeram oxigênio. E depois – calafrios e completa apatia por tudo que estava em sua volta. Ele conta:

"Toda a minha atenção concentrou-se em mim mesmo… é como se ocorresse bipartição… apareceu o homem interior – o mais importante, que tinha total indiferença ao corpo exterior e ao que ocorria com ele… Era espantoso ver e ouvir e ao mesmo tempo sentir desinteresse em relação a tudo. O médico faz uma pergunta, eu ouço, entendo, mas não respondo – não tenho porque falar com ele… E de repente, fui puxado para baixo, para a terra, por uma força enorme. Eu me agitei. "Agonia" – disse o médico. Eu entendia tudo, não sentia medo.

Lembrei-me ter lido que a morte é dolorosa, mas não sentia dor. No entanto, sentia um pesar. Eu era puxado para baixo… Eu sentia que algo deveria desprender-se… Fiz um esforço para me libertar e de repente, senti-me leve. Eu senti paz. Lembro-me claramente do restante. Eu estou em pé no meio do quarto. A minha direita, formando semi – circulo em torno da cama, estão os médicos e as enfermeiras. Eu estava surpreso – o que eles estão fazendo lá, já que eu não estou lá, estou aqui. Aproximei-me para olhar. Deitado sobre a cama, estava eu. Ao ver o meu "dublê," não me assustei, mas fiquei surpreso – como é possível? Eu quis tocar a mim mesmo – minha mão atravessou, como se tivesse atravessado o vazio. Não consegui também tocar os outros. Não sentia o chão… Eu chamei o médico, mas ele não reagiu. Eu entendi que estava completamente só, e entrei em pânico.

Olhando o meu corpo físico, pensei: "Será que eu morri?" Mas, isto era difícil de admitir. Eu me sentia mais vivo que antes, sentia tudo e entendia. Após um certo tempo, os médicos saíram do quarto, os dois enfermeiros começaram a discutir as peripécias da minha enfermidade e da morte, e a auxiliar, virando-se para o ícone, fez o sinal da Cruz e em voz alta desejou-me o habitual: "Que ele tenha o Reino dos Céus, e paz eterna." E mal ela pronunciou estas palavras, apareceram dois anjos. Um deles, eu imediatamente o reconheci, era o meu Anjo da Guarda, o outro eu desconhecia. Os dois anjos, pegando-me sob os braços, levaram-me para a rua, direto através da parede do hospital. Já escurecia e nevava. Eu via isso, mas não sentia nem o frio e nem mudança de temperatura. Nós começamos a subir rapidamente." Mais adiante continuaremos o relato do Ixcul.

Graças às novas pesquisas na área da reanimação e coletando diversos relatos dos sobreviventes à morte clínica, há possibilidade de formar um quadro detalhado, sobre o que a alma vivencia logo após a separação do corpo. Claro, que cada caso tem suas características individuais, que os outros não tem, E isto é natural, porque quando a alma vai parar no "além" é como se ela fosse um bebe recém – nascido com a visão e audição ainda não desenvolvidos. Por isso, as primeiras impressões das pessoas, que "emergiram" no "outro mundo," tem caráter subjetivo. No entanto, no seu conjunto, elas ajudam a formar um quadro bastante completo, ainda que não totalmente compreensível para nós.

Vamos, a seguir, relatar os momentos mais característicos das experiências do "outro mundo" cuja fonte são os livros modernos sobre vida após a morte.

1. Visão do "dublê." Tendo morrido, o homem não se dá conta disso, imediatamente. E só depois de ver o seu "dublê," deitado embaixo inerte, e se convencer que ele é incapaz de comunicar-se, ele percebe que a sua alma saiu do corpo. Às vezes, acontece que, após um desastre inesperado, quando a separação com o corpo físico ocorre brusca e inesperadamente, a alma não reconhece o seu corpo e pensa que está vendo alguém parecido com ele. A visão do "dublê," e a incapacidade de comunicar-se provoca um grande choque na alma, de modo que ela não tem certeza se isto é sonho ou realidade.

2. Consciência não rompida. Todos, sobreviventes à morte temporária, testemunham que conservaram totalmente o seu "eu" e todas as suas capacidades mentais, sensoriais e de vontade. Mais que isso, a visão e a audição tornam-se até mais aguçadas, o raciocínio fica mais claro e torna-se mais enérgico e a memória torna-se lúcida. Pessoas que faz tempo perderam alguma capacidade em conseqüência de alguma doença ou da idade, de repente sentem que a recuperam. O homem percebe que pode ver, ouvir, pensar etc., não tendo órgãos físicos. É fantástico, por exemplo, que um cego de nascença tendo saído do corpo, viu tudo o que era feito com o seu corpo pelos médicos e enfermeiros e mais tarde, após relatar todo o ocorrido, ele voltou a ser cego. Os médicos e psiquiatras, que associam as funções de pensar e de sentir aos processos químico – elétricos no cérebro, devem levar em conta esses dados modernos, compilados por médicos – reanimadores para entender corretamente a natureza humana.

3. Alívio. Normalmente, a morte é precedida pela doença e sofrimento.Ao sair do corpo a alma se alegra, pois nada mais dói, nada oprime, nada sufoca, a mente funciona claramente, os sentimentos apaziguados. O homem começa a identificar-se com a alma, e o corpo parece ser algo secundário e inútil, como tudo material. "Eu saio, e o corpo é um invólucro vazio" – explica um homem, que sobreviveu à morte temporária. Ele assistiu à sua cirurgia cardíaca como se fosse um "espectador." As tentativas de reanimar o seu corpo, absolutamente não o interessavam. Aparentemente, ele tinha se despedido mentalmente da vida terrena e estava pronto para iniciar uma nova vida. Entretanto, permanecia com ele o amor pela família e preocupação com os filhos que deixava. Deve-se notar, que mudanças radicais no caráter do indivíduo não ocorrem. O indivíduo permanece o mesmo que era. "A suposição que, abandonando o corpo, a alma imediatamente passa a conhecer e entender tudo, é falsa. Eu vim para esse novo mundo do mesmo jeito como saí do velho," – conta K. Ixcul.

4. O Túnel e a Luz. Após a visão do seu próprio corpo físico e do ambiente que o rodeia, algumas almas continuam no outro mundo espiritual. Enquanto outras, não passam pela primeira fase ou não reparam nela e vão direto para o segundo estágio. A passagem para o mundo espiritual, alguns descrevem como sendo uma viagem através do espaço escuro, lembrando um túnel, no final do qual eles vão parar numa região de luz não terrena. Existe um quadro do século XV de Jerônimo Bosh "Ascensão ao Empírico" que representa algo semelhante à passagem da alma pelo túnel. Isso significa que mesmo naquele tempo alguém já tinha acesso a esse conhecimento.

Eis, a seguir, dois relatos contemporâneos a respeito do assunto: "Eu ouvia, quando os médicos anunciaram a minha morte, mas nesse momento, era como se eu estivesse nadando em um espaço escuro. Não há palavras para descrever a sensação. Era completamente escuro ao redor, e só longe, muito longe, via-se luz. Era uma luz muito brilhante, mesmo que parecesse pequena inicialmente. À medida que eu me aproximava, a luz aumentava. Eu me deslocava velozmente em direção à luz e sentia que dela emanava o bem. Sendo cristão, lembrei-me das palavras de Cristo: "Eu sou a luz do mundo" e pensei: "Se isto é a morte, sei quem está esperando por mim" [1, pág.62].

"Eu sabia que estava morrendo" – conta uma outra pessoa, – e nada podia fazer, para comunicar isto, já que ninguém me ouvia… Eu estava fora do meu corpo – isto com certeza, porque eu via o meu corpo lá na mesa de operação. Minha alma tinha saído do corpo. Por isso, sentia-me perdido, mas depois vi essa luz diferente. Inicialmente, era pouca luz, mas depois tornou-se mais brilhante. Eu sentia o calor da luz. A luz cobria tudo, mas não me atrapalhava a visão da sala de cirurgia, médicos, enfermeiras, etc… Inicialmente, eu não entendi o que estava acontecendo, mas depois a voz da luz perguntou-me, se eu estava pronto para morrer. A luz falava, tal qual um homem, mas não havia ninguém. Era a Luz que perguntava… Agora eu entendo, que a Luz sabia que eu não estava pronto para morrer, mas queria me testar. A partir do momento que a Luz começou a conversar, eu fiquei bem, eu sentia que estava seguro e que a Luz me amava. O amor, que emanava da Luz, era inimaginável, indescritível" [1, pág.63].

Todos os que viram a Luz e depois tentaram descreve-la, não conseguiram achar as palavras adequadas. A Luz era diferente da luz que conhecemos por aqui. "Aquilo não era uma luz, mas sim uma ausência da escuridão, total e absoluta. Essa Luz não criava sombras, não era visível, mas estava em todo lugar e a alma permanecia na Luz" [5, pág.66]. A maioria testemunha sobre a Luz, como sendo um ser moralmente bondoso, e não como uma energia impessoal. As pessoas religiosas tomam essa Luz por Anjo, ou até mesmo por Jesus Cristo – em todo caso, por alguém que leva paz e amor. No encontro com a Luz, eles não conversavam em nenhum idioma. A Luz se comunicava com eles mentalmente. E aí, tudo estava tão claro, que era absolutamente impossível esconder algo da Luz.

5. Revisão e julgamento. Alguns, que sobreviveram à morte temporária, descrevem a etapa de revisão da vida que tiveram. Às vezes, a revisão ocorria durante a etapa da visão da Luz, quando o homem ouvia da Luz a pergunta: "O que você fez de bom?" A pessoa entendia que a pergunta não era feita para saber algo, mas para que a pessoa pudesse recordar a sua vida. E assim, após a pergunta, o filme da vida terrena da pessoa passa perante a sua visão espiritual, começando na tenra infância. O filme da vida se move como uma seqüência de quadros de episódios da vida, um após o outro, e a pessoa vê claramente e com detalhes tudo o que aconteceu com ela. Nesse momento, a pessoa revive e moralmente reavalia tudo aquilo que ela falou e fez.

Eis um dos casos típicos, que ilustra o processo da revisão: "Quando a Luz chegou, perguntou-me: – "O que você fez em sua vida? O que pode me mostrar?" ou algo semelhante a isso. E então, começaram a aparecer esses quadros. Eram quadros muito nítidos, coloridos, tridimensionais e em movimento. Toda a minha vida passou por mim… Eis eu, ainda uma menina pequena, brincando com a irmã perto do riacho… Depois, os acontecimentos da minha casa… escola… casamento… Tudo seguia na minha frente com mínimos detalhes. Eu revivia esses acontecimentos… Eu via os fatos quando fui cruel e egoísta. Senti vergonha de mim mesma e desejava que isto nunca tivesse acontecido. Mas, era impossível mudar o passado…" [1, pág. s65-68]

Reunindo muitos relatos de pessoas que passaram pela revisão da vida, deve-se concluir que ela sempre deixa nelas uma impressão profunda e benéfica. Realmente, durante a revisão, a pessoa é forçada a reavaliar seus atos, fazer o balanço do seu passado e assim é como se fizesse um julgamento sobre si mesmo. Na vida diária, as pessoas escondem o lado negativo do seu caráter e escondem-se atrás da máscara de virtude, para parecer melhores do que realmente são. A maioria das pessoas estão tão acostumadas com a hipocrisia, que param de ver o seu verdadeiro eu – freqüentemente orgulhoso, ambicioso e avarento. Mas, no momento da morte, essa máscara cai e a pessoa se vê tal qual realmente é. Principalmente, no momento da revisão, torna-se visível cada um de seus atos ocultos, até em cores e tridimensional, – ouve-se cada palavra dita, acontecimentos esquecidos são revividos de forma diferente. Nesse momento, tudo conseguido durante a vida – situação sócio-econômica, diplomas, títulos, etc… – perde seu sentido. A única coisa que serve para avaliação é o lado moral dos atos. E, nessa hora, a pessoa se julga não apenas pelo o que ela fez, mas também, como seus atos e palavras influenciaram outras pessoas.

Eis como uma outra pessoa descreveu a revisão da sua vida: "Eu senti-me fora do meu corpo, flutuando sobre um edifício, e vi o meu corpo deitado lá embaixo. Depois, uma luz me envolveu e nela eu vi como se fosse um filme, toda a minha vida. Senti-me muito envergonhado, porque muito do que eu antes considerava normal e aprovava, agora entendi que não era bom. Tudo era extremamente real. Eu sentia que um julgamento ocorria comigo e que uma razão superior me comandava e me ajudava a ver. O que mais me impressionou foi que me foi mostrado não apenas o que fiz mas como meus atos influenciaram outros… Aí eu entendi, que nada se apaga e nem passa em branco, mas que tudo, até cada pensamento tem conseqüências." [2, pág.s34-35]

Os próximos dois trechos de relato de pessoas que sobreviveram à morte temporária, ilustram como a revisão os ensinou a encarar a vida de uma nova forma…"Eu nunca contei a ninguém o que eu passei no momento da minha morte, mas, quando voltei à vida, senti-me dominado por um desejo enorme e ardente de fazer algo de bom para os outros. Eu sentia vergonha de mim mesmo..". "Quando voltei, resolvi que era necessário que eu mudasse. Sentia arrependimento, e a minha vida passada não me satisfazia em absoluto. Resolvi iniciar um outro modo de vida, completamente diferente." [2, pág.s25-26]

Agora imaginemos um bandido, que durante a sua vida causou muito sofrimento a outros – enganador, mentiroso, denunciador, ladrão, assassino, estuprador e sadista. Ele morre, e vê todas as maldades que praticava em todos os seus horrendos detalhes. E aí a sua consciência, há muito adormecida, inesperadamente até para ele mesmo, acorda sob a ação da Luz e ele sente remorsos terríveis dos males praticados. Que tortura insuportável, que desespero deve dominá-lo quando ele nada mais pode fazer, nem para corrigir, nem sequer esquecer. Isto vai se tornar para ele o início de tormentos insuportáveis, dos quais não haverá para onde fugir. A consciência do mal praticado, o dano que causou à sua alma e da alma de outros, vai se tornar para ele um "verme imorredouro" e um "fogo inapagável."

6. Um Novo Mundo. Algumas diferenças nas descrições das experiências da vida após a morte, se explicam pelo fato que aquele mundo é totalmente diferente do nosso, no qual nascemos e no qual se formaram todas as nossas noções. No outro mundo, o espaço, o tempo e objetos tem um conteúdo totalmente diverso ao qual os nossos órgãos dos sentidos estão acostumados. A alma, que vai para o mundo espiritual pela primeira vez, experimenta algo semelhante ao que pode experimentar, por exemplo, um verme subterrâneo quando sobe pela primeira vez à superfície da terra. Ele vê pela primeira vez a luz solar, sente o seu calor, vê a bela paisagem, ouve o canto dos pássaros, sente o perfume das flores (supondo que um verme tem os órgãos dos sentidos). Tudo isto é tão novo e belo, que ele não encontra palavras, nem exemplos para contar sobre isto aos habitantes do mundo subterrâneo.

Da mesma forma, as pessoas, que durante a sua morte encontram-se no outro mundo, vêem e sentem muitas coisas que são incapazes de relatar. Assim, por exemplo, as pessoas perdem a noção da distância, tão comum para nós. Alguns afirmam que eles puderam, sem dificuldade, somente com a ação do pensamento transportar-se de um lugar para outro, independente da distância. Assim, por exemplo, um soldado, ferido gravemente no Vietnã, durante a cirurgia, saiu do seu corpo e observou as tentativas dos médicos para revivê-lo. "Eu estava lá, mas o médico, é como se estivesse e ao mesmo tempo não estivesse lá. Eu o toquei, e foi como se simplesmente o atravessasse… Depois, de repente, eu estava no campo de batalha, onde fui ferido e vi enfermeiros, recolhendo os feridos. Eu quis ajuda-los, mas, de repente fui parar na sala de cirurgia novamente… Era como se, num piscar de olhos, bastando desejar, eu me materializasse aqui ou lá…" [5, pág. 33-34]

Há outros relatos semelhantes de deslocamentos inesperados. Ocorre "um processo puramente mental e agradável. Basta desejar – e lá estou eu." "Eu tenho um grande problema. Estou tentando transmitir algo que sou obrigado a descrever em três dimensões… Mas, o que ocorria realmente não era em três dimensões." [1, pág.26]

Se perguntar a alguém que experimentou a morte clínica, quanto tempo durou este estado, normalmente ele não é capaz de responder. As pessoas perdem completamente a noção do tempo. "Poderia ter sido alguns minutos, ou alguns milhares de anos, não há nenhuma diferença." [2, pág.101; 5, pág.15]

Outros, que sobreviveram à morte temporária, aparentemente foram parar em mundos mais distantes do nosso mundo físico. Eles viram a natureza do "outro lado" e descreveram – na em termos de morros, plantas verdes de um verde que não existe na Terra, campos inundados por uma luz dourada maravilhosa. Há descrição de flores, árvores, pássaros, animais, canto, música, campos e jardins de uma beleza incrível, cidades… Mas eles não encontravam as palavras certas para transmitir suas impressões.

7. O aspecto da alma. Quando a alma abandona o seu corpo, ela não reconhece de imediato. Assim, por exemplo, desaparecem marcas da idade; as crianças se vêem adultos, os velhos – moços [3, pág.75-76]. As partes do corpo, por exemplo, mãos ou pernas perdidas por algum motivo, aparecem novamente. Os cegos voltam a enxergar.

Um operário caiu do alto sobre os cabos de alta tensão. Como conseqüência de queimaduras, perdeu as duas pernas e parte da mão. Durante o tempo de cirurgia ele experimentou o estado da morte temporária. Tendo saído do corpo, ele nem reconheceu o seu próprio corpo físico, tão danificado este se encontrava. No entanto, ele reparou em algo que o surpreendeu ainda mais: seu corpo espiritual estava completamente sadio.[3, pág.86]

Na península de Long Island no estado de Nova York, vivia uma velhinha de 70 anos, que tinha perdido a visão desde os 18 anos. Ela sofreu um ataque cardíaco, e tendo parado no hospital, passou pela experiência da morte temporária. Tendo sido reanimada algum tempo depois, ela contou o que viu durante a reanimação. Ela descreveu detalhadamente diversos aparelhos usados pelo médicos. O mais fantástico era que, somente agora, no hospital ela tinha visto esses aparelhos pela primeira vez na vida, já que na sua juventude, antes da cegueira, eles sequer existiam. Ela ainda contou ao médico que o tinha visto numa roupa azul. Claro que, tendo voltado à vida, voltou a ser cega, como era antes.[3, pág.171]

8. Encontros. Alguns relatam encontros com parentes ou conhecidos já falecidos. Esses encontros às vezes aconteciam em condições terrenas, e às vezes em ambientes do outro mundo. Assim, por exemplo, uma mulher que passou pela morte temporária, ouviu os médicos dizendo para seus parentes, que ela estava morrendo. Tendo saído do corpo, viu os seus parentes e amigos falecidos. Ela os reconheceu e eles estavam alegres por reencontrá-la. Outra mulher viu seus parentes que a cumprimentavam e apertavam suas mãos. Eles estavam vestidos de branco, estavam contentes e pareciam felizes…..".e de repente, virando de costas para mim, começaram a afastar-se. A minha avó, virando-se por sobre o ombro, me disse: "Nós te veremos mais tarde, não desta vez." Ela tinha morrido aos 96 anos, mas lá parecia ter 40-45 anos, sadia e feliz." [1, pág.55]

Um homem conta que, enquanto ele estava morrendo de ataque cardíaco em um canto do hospital, sua irmã estava à morte, de coma diabético, no outro canto do hospital. "Quando saí do corpo, – conta ele- de repente encontrei a minha irmã. Fiquei muito contente, porque gosto muito dela. Conversando com ela, quis segui-la, mas ela, virando-se para mim, mandou eu permanecer aonde eu me encontrava, explicando que a minha hora ainda não tinha chegado. Quando voltei, contei ao meu médico que tinha encontrado a minha recém – falecida irmã. O médico não acreditou. No entanto, atendendo ao meu pedido insistente, ele mandou a enfermeira averiguar e soube que a minha irmã tinha falecido recentemente, tal qual eu contei." [3, pág.173]

A alma, chegando ao outro mundo, caso encontre alguém, serão pessoas que eram próximas a ela. Algo familiar atrai as almas. Por exemplo, um pai idoso encontrou no outro mundo seus seis filhos já falecidos. "Eles lá não tem idade" – conta ele. Aí deve-se esclarecer que as almas das pessoas falecidas não ficam perambulando por onde querem, de acordo com a sua vontade. A Igreja Ortodoxa ensina que, após a morte do corpo físico, Deus determina para cada alma o lugar apropriado para sua permanência temporária – paraíso ou inferno. Por isso, encontros com parentes mortos devem ser encarados não como regra, mas como exceção, permitida por Deus por serem úteis para pessoas que ainda devem viver na Terra. É possível que nem sejam encontros, e sim visões. Deve-se admitir que aí há muitas coisas que vão além de nosso entendimento.

Basicamente, os relatos das pessoas que foram parar "do outro lado" dizem a mesma coisa, mas os detalhes variam. Às vezes, eles vêem o que esperavam ver. Os cristãos vêem anjos, a Virgem Maria, Jesus Cristo, os Santos. Os não religiosos vêem templos, figuras de branco ou jovens, e às vezes, não vêem nada, mas sentem a "presença."

9. A Linguagem da Alma. No mundo espiritual, as conversas ocorrem por meio apenas do pensamento e não por meio de alguma linguagem. Por isso, quando voltam, as pessoas tem dificuldade em relatar as palavras exatas da conversa com a Luz, Anjo ou alguém que elas encontraram [1, pág.60]. Conseqüentemente, se no outro mundo todos os pensamentos são ouvidos, devemos aprender aqui, no mundo em que vivemos, a sempre termos bons pensamentos, para não nos envergonharmos do que pensamos involuntariamente.

10. O Limiar. Alguns, estando no outro mundo, contam de algo que parece ser uma divisa ou fronteira. Alguns a descrevem como sendo uma cerca ou grade na extremidade de um campo, outros como beira de um lago ou de um mar, outros ainda como um portão, rio ou nuvem. A diferença na descrição decorre de novo da recepção subjetiva de cada um. Por isso, não há como definir com exatidão a aparência dessa fronteira. O importante, no entanto, é que todos a compreendam exatamente como uma fronteira, atravessando a qual, não há mais retorno ao mundo anterior. Depois dela, começa a viagem para a eternidade. [1, pág.73-77; 5, pág.51]

11. O Retorno. Às vezes, é dado ao recém – falecido a possibilidade de escolha – ficar "lá" ou retornar à vida na Terra. A voz da Luz pode perguntar, por exemplo: "Você está pronto?" Assim, o soldado ferido seriamente no campo de batalha, viu seu corpo aleijado e ouviu a voz. Ele pensava que quem conversava com ele era Jesus Cristo. Foi lhe dado a possibilidade de voltar ao mundo terrestre, onde ficaria aleijado ou ficar no "além." O soldado preferiu voltar.

Muitos são atraídos de volta pelo desejo de concluir a sua missão terrena. Tendo voltado, eles afirmavam que Deus permitiu a eles retornar e viver porque a missão da vida deles não estava concluída. Eles ainda manifestavam a certeza de que a volta deles foi resultado de sua própria escolha. Esta escolha foi satisfeita porque ela era fruto do senso de dever e não por motivos egoístas. Assim, por exemplo, alguns deles eram mães querendo voltar para seus filhos pequenos. Mas, também havia aqueles que foram mandados de volta, contrariando o desejo deles de permanecer lá. A alma deles já foi preenchida com sentimento de alegria, amor, paz, ela estava bem ali, mas a sua hora ainda não chegou, ela ouve uma voz, ordenando-lhe que volte. As tentativas de reação para não voltar ao corpo não adiantaram. Alguma força puxava-os de volta.

Eis, a seguir, um caso contado por uma paciente do Dr. Moody: "Eu tive um ataque cardíaco, e estava num espaço escuro. Eu sabia que deixei meu corpo e estava morrendo… Eu pedi a Deus para me ajudar e logo escapei da escuridão e vi uma neblina cinzenta pela frente, e depois vi pessoas. Suas figuras eram semelhantes às da Terra e eu vi algo semelhante a uma casa. Tudo estava iluminado por uma luz dourada, muito suave, não tão áspera como na Terra. Eu sentia uma alegria não terrena e queria passar pela neblina, mas aí apareceu o meu tio Carl, que havia morrido há muito tempo. Ele atravessou-se no meu caminho e me disse: "Volte. A sua tarefa na Terra ainda não está terminada. Volte imediatamente." Assim, contra a sua vontade, ela voltou ao corpo. Ela tinha um filho pequeno que não sobreviveria sem ela.

A volta ao corpo às vezes ocorre instantaneamente, às vezes coincide com a utilização de choque elétrico ou outras técnicas de reanimação. Todas as sensações desaparecem e a pessoa sente que está de novo na cama. Alguns sentem a entrada no corpo como se fosse um empurrão. Inicialmente, sentem-se desconfortáveis e com frio. Às vezes, após a volta ao corpo, ocorre uma breve perda de consciência. Os médicos reanimadores e outros observadores notam que, no momento da volta à vida, a pessoa geralmente espirra.

12.Uma Nova Atitude em Relação à Vida. Pessoas que estiveram lá apresentam grandes mudanças. Segundo afirmativa de muitos deles, ao voltar, procuram viver melhor. Muitos deles passaram a crer em Deus com mais convicção, mudaram seu modo de vida, tornaram-se mais sérios e mais profundos. Alguns até mudaram de profissão, indo trabalhar em hospitais e asilos de velhos, para ajudar os que necessitam. Todos os relatos de pessoas que passaram por morte temporária, falam de fenômenos totalmente novos para a ciência, mas não para o Cristianismo. Mais tarde, analisaremos os casos atuais de visões do outro mundo, sob a ótica do ensino Ortodoxo.

Avaliação dos relatos

atuais da vida após a morte

Após tomar conhecimento dos livros atuais sobre a vida após a morte, o leitor tem a impressão que a morte não tem nada de assustadora, que, ao ir para o "além," sensações agradáveis automaticamente o aguardam tais como: serenidade, alegria e a permanência na Luz que a todos ama e perdoa; isto porque não há distinção entre os justos e os pecadores, os que crêem e os que não crêem. Este fato colocou em alerta alguns pensadores cristãos e os fez suspeitar desse tipo de literatura. Começaram a perguntar: "Será que essa visão da Luz não seria sedução (engodo) diabólica astuta a fim de adormecer a vigilância dos cristãos? – Viva como quiser, vai para o paraíso de qualquer jeito."

Por essa razão, os pesquisadores John Ankenberg e John Weldon mantém uma posição negativa em relação a toda literatura atual sobre estados "próximos à morte" , vendo neles apenas truques ocultos [9]. Mesmo assim, examinando com atenção os relatos atuais de pessoas que sobreviveram à morte clínica, tem-se a convicção que a maioria deles realmente teve visões reais, e não seduções diabólicas. O problema principal não são as visões, e sim a sua interpretação feita por médicos e psiquiatras, distantes do Cristianismo.

Em primeiro lugar, nem todos os mortos temporariamente mereceram ver a Luz. Já mencionamos os estudos detalhados do Dr. Ring, que mostram que a Luz aparece a uma relativamente pequena porcentagem de pessoas que tiveram experiências de morte temporária. Dr. Maurice Rawlings [4], que reanimou pessoalmente muitos moribundos, afirma que, percentualmente, o numero de pessoas que vêem trevas e horrores é o mesmo do que as que vêem a Luz.

Essa é a opinião também do Dr. Charles Garfield que lidera pesquisas na área dos estados próximos à morte. Ele escreve: "Nem todos morrem de uma forma tranqüila e agradável… Entre os pacientes questionados por mim, há quase o mesmo número de pessoas que experimentaram sensações desagradáveis (encontros com seres semelhantes ao demônio) quanto as que tiveram sensações agradáveis. Alguns deles experimentaram ambas as sensações" [10, pág.54-55]. Há base para supor que muitos, às vezes conscientemente, outros inconscientemente, calam sobre suas sensações desagradáveis pós – morte. A impressão do Dr. Rawlings é que algumas visões são tão horríveis, que o inconsciente das pessoas que as viram, automaticamente as apaga da memória. No seu livro, Dr. Rawlings traz exemplos dessas amnésias. Psiquiatras, tratando de pessoas que sofreram traumas na infância (tais como estupro ou espancamento) sabem sobre esquecimento seletivo semelhante. Além disso, pessoas que tiveram visões luminosas as relataram com mais vontade do que as pessoas que tiveram visões terríveis. Isso porque, aquilo que a pessoa vê "lá" deve estar de acordo com aquilo que ela mereceu com sua vida virtuosa ou pecaminosa. Desta forma, há dois fatores que desequilibram a preponderância dos relatórios: a) o processo da amnésia seletiva e b) não querer espalhar coisas ruins a respeito de si mesmo.

Carl Osis testemunha que, durante a pesquisa da questão da morte entre os hindus, revelou-se que durante o processo da morte, aproximadamente um terço dos hindus experimenta medo, depressão e grande nervosismo pela aparição de "yamdats – o anjo da morte hindu e outros monstros do além (3). Aparentemente, a religião hindu com seu misticismo pagão, pode proporcionar ao homem uma aproximação com forças das trevas do além, o que se manifesta depois em visões assustadoras nos momentos que precedem a morte.

Da literatura dos Santos Padres sabemos que a sedução demoníaca – é um perigo real. O Apóstolo Paulo adverte que: "o Satanás toma o aspecto do Anjo da luz" (4). Ao mesmo tempo, o diabo não tem poder para seduzir qualquer um, quando e como ele quer: suas ações são limitadas por Deus. Se o homem é orgulhoso e deseja ardentemente ver algo sobrenatural, milagroso, algo que outras pessoas não conseguem, ele se encontra em grande perigo de tomar o demônio por anjo. Na literatura espiritual, este estado chama-se "sedução" (pvélest em russo). Correm perigo cair em "sedução" os noviços voluntariosos, servidores de Deus vaidosos, profetas e curadores autodenominados e também pessoas que praticam mística pouco saudável tal como: meditação transcendental, ioga, espiritismo, ocultismo, etc… Dos relatos das pessoas que passaram por morte temporária não se apreende que eles praticassem algo semelhante. Na maioria dos casos, eram pessoas comuns que por força de uma ou outra doença física morreram, mas, graças aos esforços dos médicos e ao sucesso da medicina moderna, foram reanimadas. Elas não esperavam ter nenhuma visão sobrenatural e aquilo, que lhes foi dado ver, foi obra da misericórdia divina, para que elas encarassem a vida de uma forma mais séria. É difícil concordar com a idéia que Deus tenha permitido ao demônio seduzir estes sofredores, pouco tentados na vida espiritual. Além disso, de acordo com os relatos coletados por Dr. Morse [7], essa Luz foi vista por muitas crianças, as quais, por força da sua pureza e inocência, encontram-se sob a proteção do Supremo.

Nos livros ortodoxos a respeito da vida pós morte, há relatos sobre aparições dos demônios aos moribundos e sobre a passagem das almas pela fase de "mítarstvo – russo" (sobre isso relataremos abaixo). No entanto, esses livros mostram que os demônios, normalmente, começam a atemorizar a alma após a chegada do anjo-da-guarda, que a acompanha no caminho ao trono de Deus. Além disso, na presença do anjo, os demônios são obrigados a mostra-se com sua real aparência abominável.

Ainda a respeito dos relatos modernos sobre a descrição da Luz, fica pendente uma questão, que é ,como harmoniza-los com os tradicionais relatos cristãos. Na literatura ortodoxa, o reino da Luz é descrito a medida que se aproxima do Céu, enquanto que na literatura atual, as pessoas viram a Luz, não tendo ainda cruzado a linha misteriosa que separa o nosso mundo do outro. Nós pensamos que as pessoas que experimentaram a morte temporária, ainda não estiveram no paraíso ou inferno verdadeiro.

Quando os anjos apareciam aos santos, eles irradiavam luz; os apóstolos no monte Tabor viram Luz espiritual, apesar de fisicamente estarem ainda nesse mundo. Deus, por sua misericórdia, mostra essa Luz maravilhosa para reforçar a vida na virtude. O contato com essa Luz sempre revela sentimentos de paz e felicidade. A luz do demônio, ao contrário, traz consigo um sentimento de obscura inquietação. Ela incute no homem um sentimento de superioridade, promete conhecimentos, mas não há amor nela, é uma luz fria.

Deve-se acrescentar, que a revisão da vida pela qual as pessoas passaram ao ter o contato com a Luz, quando tiveram de reavaliar moralmente os seus atos e a conseqüente melhora no modo de vida, nos leva a crer que as visões destas luzes eram visões do bem, e não seduções diabólicas. Porque diz-se "pelos seus frutos vai reconhece-los" (Mat. 7:16). Não é o demônio que procura afastar o homem de Deus? É possível que ele iria ajudar os homens a reforçar a fé e a virtude?

No entanto, em um plano mais amplo, uma pessoa de fé deve ser muito cuidadosa com visões e experiências místicas. Assim, em conseqüência ao surgimento de grande número de casos de pessoas que reviveram após a sua morte clínica, alguns médicos e psiquiatras começaram a propor a criação de um novo ramo da ciência acerca da alma e da vida pós – morte. Não há dúvida que é sempre possível comparar, coletar e sistematizar informações sobre o que as almas viram ao "outro mundo." No entanto, deve-se entender que o papel de médicos e psiquiatras resume-se à compilação dos casos. Isto porque nós, os vivos, não temos o contato direto com o mundo espiritual, portanto não há possibilidade de planejar e controlar os estados pós – morte como se fossem experiências de laboratório.

Além disso, devemos lembrar-nos que a vida do homem encontra-se nas mãos de Deus. Somente Ele determina o momento da morte e o destino da alma, após a separação dela do corpo. Por isso, as tentativas de realizar experiências nessa área entram em conflito com a vontade de Deus e levam o experimentador ao contato com os espíritos caídos do além. Como resultado disso, os dados coletados por eles não serão verdadeiros e as conclusões estarão erradas. O monge Seraphim Rose escreve sobre isto: "Muitos pesquisadores atuais reconhecem, ou pelo menos referem-se com simpatia ao ensino oculto na área de estados fora de corpo por um único motivo, ou seja, que ele se baseia em experiências que também é a base da ciência. Mas experiências no mundo material diferem substancialmente das "experiências" na área de estados fora do corpo. No mundo material, os objetos estudados e as leis da natureza são moralmente neutros e portanto podem ser pesquisados com objetividade e a experiência repetida por outros. Mas, no caso em questão, os objetos estudados estão ocultos dos homens, dificilmente captados e freqüentemente manifestam vontade própria com o intuito de enganar o observador" [8, pág.127-128]. Isso ocorre porque a esfera do mundo espiritual próximo de nós está repleta de seres conscientemente malévolos, demônios, que são especialistas na área de sedução. Eles tomarão parte, prazerosamente, em qualquer experiência e a direcionarão convenientemente.

Por isto, devemos levar muito a sério a advertência do monge Seraphim. Assim, atualmente, uma série de pesquisadores, tendo iniciado com casos fidedignos de morte clínica, passaram a experiências pessoais na área dos estado fora-do-corpo. Tendo ignorado o ensino cristão e a experiência de muitos séculos da Igreja Ortodoxa, eles começaram a estudar estados do corpo "astral "e embrenharam-se no ocultismo. Infelizmente, isso ocorreu com o Dr. Moody, com uma psiquiatra chamada E. Kubler-Ross e alguns outros. Dr. Moody, por exemplo, tendo escrito 3 livros valiosos com dados confiáveis, começou a fazer experimentos nas áreas de teosofia e meditação transcendental. Recentemente, ele editou um livro sobre esse tema, chamado "Coming Back" (O Retorno), no qual ele aborda delírios hindus típicos sobre reencarnação. (Veja no suplemento a análise sobre esse ensino).

Relatos dos suicidas

Enquanto que as almas das pessoas que morreram de forma natural experimentam alívio e até alegria no outro mundo, as almas dos suicidas ao contrário, experimentam inquietação e sofrimento. Um especialista na área de suicídio ilustrou esse fato com a sábia frase: "Se você despede-se da vida com a alma agitada, vai passar para o outro mundo também com alma agitada." Os suicidas se matam para "acabar com tudo," mas acontece que lá para eles, está tudo apenas começando.

Eis alguns relatos modernos que ilustram o estado dos suicidas no outro mundo: um homem que amava ardentemente a sua mulher, tentou suicídio quando ela morre. Ele tinha esperança de unir-se com ela para sempre. No entanto, tudo ocorreu de outra forma. Quando o médico conseguiu reanimá-lo, ele disse: "Eu fui parar em um outro lugar, não o mesmo dela. Era um lugar terrível… E eu imediatamente entendi que cometi um enorme erro" [1, pág.143].

Alguns suicidas que retornaram à vida descreveram que após a morte, eles foram parar numa espécie de prisão ou calabouço e sentiam que ficariam lá por um longo período. Eles tinham consciência que isto era um castigo pela violação da lei estabelecida, de acordo com a qual, cada pessoa deve suportar uma determinada carga de sofrimentos. Negando-se a isto por sua própria vontade, eles deverão suportar em outro mundo uma carga ainda maior.

Um homem, que passou pela morte temporária, conta o seguinte: "Quando eu me encontrei lá, compreendi que duas coisas são absolutamente proibidas: matar-se e matar alguém. Se eu decidi me matar, é como se eu atirasse na face de Deus, o dom que Ele me deu. Ao tirar a vida de outra pessoa – significa interromper o plano que Deus preparou a ela" [1, pág.144].

A impressão comum dos médicos-reanimadores é que o suicídio é punido severamente. Dr. Bruce Greyson, psiquiatra do setor do pronto socorro junto a Universidade de Connecticut, tendo estudado essa questão, testemunha que ninguém, dentre os que passaram pela morte temporária, por nada quer acelerar o fim da sua vida [3, pág.99]. Apesar do "outro mundo" ser incomparavelmente melhor que o nosso, a nossa vida aqui tem um significado preparatório muito importante. Somente Deus decide quando o homem está suficientemente maduro para a eternidade.

Beverly, de 47 anos, contou como ela está feliz por estar viva. Desde a infância, ela sofreu muito nas mãos de pais cruéis que judiavam dela diariamente. Já na maturidade, ela não podia contar sobre sua infância sem ficar nervosa. Uma vez, quando estava com 7 anos, levada ao desespero pelos pais, atirou-se de cabeça para baixo e quebrou a cabeça no cimento. Durante a sua morte clínica, sua alma viu as crianças, suas conhecidas, em torno do seu corpo inerte. De repente, uma luz brilhante apareceu, e uma voz desconhecida lhe disse: "Você cometeu um erro, sua vida não lhe pertence e você deve voltar." Beverly retrucou: "Mas ninguém me ama e ninguém quer cuidar de mim." "Isto é verdade" – disse a voz -" e no futuro ninguém vai cuidar de você. Por isto, aprenda a se cuidar." Após estas palavras, Beverly viu neve em sua volta e uma árvore seca. Mas, de algum lugar veio o calor, a neve derreteu e os galhos secos da árvore cobriram-se de folhas e de maças maduras. Aproximando-se da árvore ela começou a colher as maças e a comê-las prazerosamente. Aí ela entendeu que, assim como na natureza, cada vida tem seus períodos de inverno e de verão, os quais constituem um todo no plano de Deus. Quando Beverly reviveu, ela começou a encarar a vida de uma nova forma. Tendo crescido, casou-se com um bom homem, teve filhos e foi feliz. [ 7, pág.184]

Ensino Ortodoxo

sobre a vida após a morte

Apesar da experiência diária demonstrar que a morte é o destino imutável de cada um e uma lei da natureza, a Sagrada Escritura ensina que inicialmente, a morte não entrava nos planos de Deus para o homem. A morte não é uma norma estabelecida por Deus, seria mais um desvio dela, uma enorme tragédia. O Livro Gênesis relata que a morte penetrou na nossa natureza como conseqüência da transgressão do mandamento de Deus pelos primeiros homens. De acordo com a Bíblia, a finalidade da vinda de Cristo na Terra, foi devolver ao homem a vida eterna que ele perdeu. Aí, não estamos falando da imortalidade da alma, porque ela, pela sua natureza não está sujeita ao aniquilamento, mas sobre a imortalidade do homem como um todo, composto de corpo e alma. A recuperação da unidade da alma com o corpo, deve ocorrer simultaneamente para todas as pessoas durante a ressurreição geral dos mortos.

Algumas religiões e sistemas filosóficos (por exemplo, hinduismo e estoicismo) pregam a idéia que o principal no homem é a alma, o corpo é apenas um invólucro temporário, no qual a alma se desenvolve. Quando a alma alcança um determinado nível espiritual, o corpo deixa de ter utilidade e deve ser largado, tal qual roupa velha. Livre do corpo, a alma sobe para um degrau mais alto da existência. A religião cristã não compartilha tal entendimento sobre a natureza humana. Mesmo dando preferência ao princípio espiritual no homem, ainda assim ela o vê como um ser dual por princípio, constituído por duas partes que se complementam: a espiritual e a material. Existem seres simples sem corpo físico tais como anjos e demônios. No entanto, o homem tem uma outra constituição e outra finalidade. Graças ao corpo, sua natureza não é somente mais complexa, mas também mais rica. A união do corpo e alma determinada por Deus, é uma união eterna.

Quando, após a morte, a alma abandona o corpo, encontra-se em condições estranhas para ela. Realmente, ela não tem vocação para existir como um fantasma, e tem dificuldade em adaptar-se às novas condições, tão pouco naturais para ela. Eis porque, para eliminar totalmente todas as conseqüências destrutivas do pecado, é vontade de Deus ressuscitar os homens criados por Ele. Isto acontecerá durante a Segunda vinda do Salvador, quando pela Sua palavra toda poderosa, a alma de cada homem voltará ao seu corpo renovado e recuperado. Devemos enfatizar, que ela não entrará em uma" nova forma," mas vai se reunir com o corpo que lhe pertenceu antes, mas renovado e imortal, adequado para as novas condições de vida.

No que se refere ao estado temporário da alma, desde o momento da separação do corpo, até o dia da ressurreição universal, a Sagrada Escritura ensina que a alma continua a viver, sentir e pensar. "Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos, já que com Ele todos estão vivos," – disse Cristo (5). A morte, sendo uma separação temporária do corpo, é citada na Sagrada Escritura ora como partida, ora separação, ora adormecer (6). É claro que a palavra adormecer (vem de dormir) refere-se não à alma, mas sim ao corpo, que após a morte, é como se repousasse dos seus trabalhos. A alma, ao separar-se do corpo continua a sua vida consciente, como antes.

A justiça dessa afirmação pode-se constatar na parábola do Salvador sobre o homem rico e Lázaro (7) e do milagre da transfiguração no monte Tabor. No primeiro caso, o ricaço, estando no inferno, e Abraão estando no paraíso, estavam discutindo a possibilidade de enviar a alma de Lázaro para a Terra para prevenir que os irmãos do ricaço fossem para o inferno. No segundo caso, os profetas Moisés e Elias que viveram muito antes de Cristo, conversam com o Senhor sobre os sofrimentos vindouros Dele. Mais ainda, Cristo disse aos judeus que Abraão assistiu a Sua vinda, deve ser do paraíso, e alegrou-se (8). Esta frase não teria sentido caso a alma de Abraão se encontrasse em estado de inconsciência, como alguns sectários ensinam sobre a vida da alma após a morte. O livro de Apocalipse relata como as almas dos justos no Céu reagem sobre os acontecimentos na Terra (9). Todas estas passagens da Escritura nos ensinam a acreditar que realmente a atividade da alma continua, mesmo após a separação com o corpo.

A Escritura ainda ensina que, após a morte, Deus determina um local para a permanência temporária da alma, de acordo com o merecimento alcançado quando vivia no corpo: paraíso ou inferno. Essa determinação é precedida pelo chamado julgamento particular. Este julgamento não deve ser confundido com o chamado julgamento final que ocorrerá quando o mundo acabar. Ao que diz respeito ao julgamento "particular," a Escritura nos ensina o seguinte: "É fácil para o Senhor recompensar o homem pelos seus feitos, no dia da sua morte" (10). E depois: "O homem deve morrer uma vez, e depois o julgamento" – deve ser individual (11). Há base para supor que, no estágio inicial, após a morte, a alma encontra-se pela primeira vez em condições completamente novas para ela, necessitando da ajuda e da orientação do seu anjo-da-guarda. Assim, por exemplo, na parábola do rico e do Lázaro é dito que anjos pegaram a alma de Lázaro e levaram-no para o Céu. De acordo com o ensinamento do nosso Salvador, os anjos cuidam das "pequenas forças" – crianças (nos dois sentidos: o direto e o figurado).

Sobre o estado da alma, antes do Julgamento Final, a Igreja Ortodoxa nos ensina o seguinte: "Cremos que as almas dos mortos ou sofrem ou regozijam-se de acordo com os seus feitos. Separadas dos corpos, elas passam imediatamente para a alegria ou para a tristeza e sofrimento. Mas, ainda não são alegria nem sofrimento absolutos, porque estes só os receberá após a ressurreição de todos os mortos quando a alma se reunirá com o corpo na qual viveu na virtude ou pecaminosamente" (12).

Desta forma, a Igreja Ortodoxa distingue dois estados da alma no outro mundo: um para os justos e outro para os pecadores – paraíso e inferno. Ela não reconhece o ensinamento católico-romano sobre o purgatório, já que não há na Sagrada Escritura, nenhuma referencia sobre este estado intermediário. A Igreja Ortodoxa ainda ensina que os tormentos dos pecadores no inferno podem ser aliviados ou até mesmo cessados pelas orações por eles e pelas boas ações realizadas em sua memória.É daí que se tem o costume de, durante a Liturgia, encaminhar ao padre papéis com os nomes dos vivos e dos mortos.

A alma no seu caminho ao Céu

Já mencionamos alguns relatos atuais sobre a etapa da "revisão," pelo qual alguns passam imediatamente após a separação do corpo. Obviamente, esta fase tem algo em comum com o "julgamento particular" ou com o preparo para ele.

Nos relatos sobre a vida dos santos e na literatura espiritual, existem contos sobre o anjo da guarda que acompanha a alma do falecido em direção ao Céu, para adorar a Deus. Freqüentemente, os demônios, ao ver a alma a caminho do Céu, rodeiam-na com a intenção de assustá-la e leva-la consigo. O caso é que, de acordo com a Sagrada Escritura, após o seu expurgo do Céu, os anjos amotinados apoderaram-se do espaço, se é possível chamá-lo assim, entre o Céu e a Terra. Por isto, o apóstolo Paulo chama o satanás de "príncipe reinante nos ares" e seus demônios de espíritos do mal que habitam "sob o Céu" (13). Estes espíritos errantes, vendo a alma guiada por um Anjo, cercam-na e acusam-na pelos pecados cometidos durante a sua vida terrena. Sendo muito arrogantes, eles tentam assustar a alma, leva-la ao desespero e possui-la. Nesse ínterim, o anjo da guarda ampara e defende a alma. Isto não deve leva-lo a pensar que os demônios tenham algum direito sobre a alma do homem, já que eles também estão sujeitos ao julgamento de Deus. O que os leva a cometer este ato é que durante a vida terrena, a alma os obedeceu em algumas coisas. A lógica dos demônios é simples: "Já que você agia como nós, seu lugar é conosco."

Na literatura religiosa, esse encontro com os demônios chama-se "mitárstvo," (14) (pedágio, obstáculo). Tal encontro com os espíritos do mal é descrito por K. Ixcul, cuja narrativa iniciamos anteriormente. Eis o que aconteceu após os dois Anjos terem vindo buscar a sua alma: "Nós começamos a subir rapidamente. E a medida que subíamos, um espaço cada vez maior se abria perante a minha vista, e, finalmente, ele atingiu proporções tão grandes que eu fiquei apavorado ao conscientisar-me da minha insignificância perante esse deserto infinito. A minha vista tinha algumas particularidades. Primeiro: estava escuro, mas eu enxergava perfeitamente, e a minha vista recebeu a capacidade de enxergar no escuro; segundo: eu conseguia ver com tal amplitude, o que certamente não poderia fazer com minha vista comum.

A noção do tempo apagou-se na minha mente e eu não sei quanto ainda subimos, quando, de repente, ouviu-se um rumor indefinido e depois, apareceu de algum lugar, gritando e berrando, uma multidão de seres horrendos. "Demônios!" – eu entendi com incrível rapidez, e senti-me dominado por um pavor desconhecido até este momento. Tendo me cercado, eles exigiam que eu lhes fosse entregue, tentavam arrancar-me dos braços dos Anjos, mas provavelmente, não tinham autoridade para isso. No meio desse barulho inacreditável e muito agudo para a audição como eles próprios eram para a visão, uivos e berros, às vezes, eu conseguia distinguir algumas palavras e até frases completas.

"Ele é nosso: ele renegou a Deus" – de repente, eles berraram quase a uma só voz e com tamanha insolência atiraram-se sobre nós, que o medo congelou todo e qualquer pensamento.

"Isso é mentira!" – eu quis gritar, mas minha memória amarrou-me a língua. De alguma forma incompreensível, de repente, lembrei-me de um acontecimento insignificante que ocorreu na minha juventude, e do qual eu nem poderia lembrar.

Eu me lembrei que, ainda no tempo da escola, reunido com colegas, nós, tendo discutido a respeito dos trabalhos escolares, passamos a conversar sobre temas abstratos e elevados, conversas que tínhamos freqüentemente.

"Eu não gosto de temas abstratos," – disse um dos meus colegas, – e nesse caso, é uma total impossibilidade. Eu posso acreditar em uma ciência, digamos, inexplorado, na força da natureza, e possa admitir a sua existência, mesmo não vendo sua manifestação clara, porque ela pode ser ou insignificante ou juntar-se em suas ações com outras forças, e portanto, difícil de ser captada; mas crer em Deus como ser pessoal e todo poderoso, crer, quando não vejo nenhuma manifestação clara desse ser – já é um absurdo. Dizem: acredite. Mas porque devo acreditar em Deus, quando posso igualmente crer que não há Deus. Não é verdade? Pode ser que Ele não exista?" – perguntou o colega, olhando diretamente para mim.

"Pode ser que não" – disse eu.

Essa frase era só de palavras vãs, vazias a conversa sem nexo do meu colega, não podia sucetar em mim dúvidas a respeito de existência de Deus. Eu nem mesmo seguia a conversa, e agora, ocorreu que essas palavras vãs não tinham sumido sem deixar rastros, eu devia argumentar, defender-me da acusação… Essa acusação era aparentemente o argumento mais forte que os demônios tinham contra mim, era como se, com esse argumento, eles tivessem recebido novas forças para me atacar e com urros terríveis ficara rodando em nossa volta, não deixando-nos seguir em frente.

Me lembrei de uma oração e comecei a rezar, invocando a ajuda dos santos que conhecia e cujos nomes vinham-me à memória. Mas isso não amedrontava os meus inimigos. Pobre ignorante, cristão somente de nome, eu lembrei-me quase pela primeira vez sobre Aquela, que se denomina Defensora dos Cristãos.

Mas, é possível que o meu apelo a ela foi tão ardente já que a minha alma estava tão aterrorizada que mal eu pronunciei o seu nome, apareceu uma névoa branca que começou a envolver rapidamente a horrenda multidão do demônio. Ela os ocultava da minha vista antes que eles se afastassem de nós. Urros e gritos ainda se ouviam por muito tempo, mas pela diminuição do volume eu entendi que a terrível perseguição estava ficando atrás.

O sentimento de pavor tinha me invadido tão totalmente, que eu nem sequer tinha consciência, se durante o terrível encontro o nosso vôo continuou ou se tínhamos parado; por um tempo, eu entendi que estávamos nos movendo, subindo, novamente o infinito espaço aéreo.

Tendo percorrido uma certa distância, vi uma luz brilhante na minha frente; se parecia com a luz do sol, mas era muito mais forte. Lá, provavelmente, é um reino de luz. "Sim, reino, domínio completo de Luz "- eu intuía com algum sentido especial o que ainda não via, – porque com esta luz não há sombra. "Mas, como pode ser luz sem sombra?"- imediatamente manifestaram-se meus conceitos terrenos.

E de repente, nós penetramos rapidamente na esfera dessa Luz, e ela praticamente me ofuscou. Eu fechei os olhos, cobri o rosto com as mãos, mas isso não ajudava, já que minhas mão não formavam sombras. Além disso, esse tipo de defesa nada significava aqui.

Mas aconteceu algo mais. Majestosamente, sem via, mas com poder e inflexivelmente ecoaram palavras: "Não está pronto!" – E depois… depois uma parada instantânea no nosso vôo alucinante para cima – e rapidamente começaram a descer.

Mas, antes de abandonar essas esferas foi me dado conhecer mais uma ocorrência divina. Mal essas palavras soaram de cima, que nesse mundo, pareceu-me que cada partícula, cada átomo respondeu.

Um eco de milhões de vozes repetiu as palavras numa linguagem inaudível para audição, mas sensível e inteligível para o coração e a mente, exprimindo total concordância com a afirmativa. E nesta unidade de vontade havia tamanha harmonia divina, e nessa harmonia uma alegria tão grande, difícil de expressar, que, comparando-a com nossos encantos e deslumbramentos terrenos esses parecem um triste dia sem sol. Esse eco de milhões de vozes soou como um acorde musical inimitável, e a alma respondeu despreocupadamente a ele, querendo, num impulso ardente, integrar-se a essa harmonia divina.

Eu não entendi o sentido verdadeiro das palavras que se referiam a mim, e não entendi que devia voltar à Terra e viver como antes. Pensava que seria carregado para algum outro local e um tênue sentimento de protesto nasceu em mim, quando surgiram perante mim, inicialmente sem nitidez, como na névoa matutina os contornos da cidade, e depois já nítidas as ruas, minhas conhecidas e o hospital. Aproximando-se do meu corpo inerte, o Anjo da guarda disse: "Você ouviu a determinação do Deus?" E, apontando para o meu corpo ordenou: "Entre nele e comece a preparar-se!" após isto, ambos os Anjos tornaram-se invisíveis para mim."

Após isto, K. Ixcul conta sobre o seu retorno ao corpo, que já tinha ficado no necrotério durante 36 horas e como e como os médicos ficaram impressionados com o milagre de sua volta à vida. Pouco tempo após esse acontecimento, K. Ixcul entrou para o mosteiro e morreu monge.

Paraíso e Inferno

O ensinamento da Sagrada Escritura sobre a bem-aventurança dos justos no paraíso e o sofrimento dos pecadores no inferno pode ser achado na brochura "Sobre o fim do mundo e a vida futura" (15). O que vem a ser Céu? Onde fica?

Na linguagem coloquial, o Céu fica "em cima" e o inferno "em baixo." As pessoas, que viram durante a sua morte clínica o estado do inferno, sempre descrevem a aproximação ao inferno como descida. Apesar de "em cima" e "em baixo" serem noções relativas, não é correto considerar o Céu e o inferno apenas como estados diferentes; são dois locais diferentes, se bem que não há como descreve-los geograficamente. Anjos e almas dos mortos só podem estar em um determinado local, seja ele Céu, inferno ou Terra. Não podemos demarcar o local do mundo espiritual porque ele se encontra fora das coordenadas do nosso sistema de tempo – espaço. Aquele espaço é de um outro tipo, o qual começando aqui estende-se numa nova dimensão não percebida por nós.

Diversos casos da vida de santos mostram como esse espaço de outro tipo "interpenetra" o espaço do nosso mundo. Assim, os moradores de uma ilha viram a alma do São Germano do Alasca, que subiu num feixe de fogo, e o ancião Serafim Glinsky presenciou a ascenção da alma de São Serafim de Sarov. O profeta Eliseu viu o profeta Elias ser levado ao Céu numa liga de fogo. Por mais que queiramos penetrar lá com o nosso pensamento, há um fato limitante que aqueles "locais" encontram-se fora do nossa espaço tridimensional.

A maioria dos relatos modernos de pessoas que sobreviveram à morte clínica, descreve locais e estados "próximos" ao nosso mundo, ainda desse lado da "fronteira." No entanto, também se encontram descrições de locais, que lembram paraíso ou inferno, sobre os quais falam as Sagradas Escrituras.

Assim, por exemplo, nos relatos do Dr. George Ritchy Betty Malts, Maurice Rawlings, entre outros, existem representações do inferno – "serpentes, monstros, fedor insuportável e demônios." Em seu livro "Retorno ao amanhã," Dr. Ritchy relata o ocorrido com ele em 1943, quando teve visões do inferno. Lá, a dependência dos pecadores dos desejos terrenos era insaciável. Ele viu assassinos que estavam como que acorrentados às sua vítimas. Os assassinos choravam, pedindo perdão às vitimas mas estas não os ouviam. Eram lágrimas e pedidos inúteis.

Thomas Welch conta que, trabalhando em uma serraria em Portland, estado de Oregon, EUA, ele escorregou e caiu no rio, e enormes toras caíram sobre ele. Os operários levaram mais de uma hora para achar o seu corpo e tirá-lo das toras. Não vendo nele nenhum sinal de vida, eles consideraram-no morto. Thomas, no estado de morte temporária, encontrava-se a beira de um enorme oceano de fogo. Ele ficou paralisado de terror, ao ver ondas de enxofre incandescentes. Era a Geena de fogo e não existem palavras para descrevê-la.

Ai, na beira da Geena de fogo, ele reconheceu algumas pessoas conhecidas, que já haviam falecido. Todos estavam paralisados de terror observando as ondas de fogo que se moviam. Thomas entendia que não havia nenhuma possibilidade de sair dali. Começou a lamentar que se preocupou pouco com a sua salvação. Ah, se ele soubesse o que o aguardava, ele teria vivido de outra maneira.

Nesta hora percebeu que alguém estava caminhando, ao longe. O rosto do desconhecido refletia enorme força e amor. Thomas entendeu imediatamente, que é o Senhor e que só Ele poderia salvar a sua alma, condenada a Geena. Thomas teve esperança que o Senhor o notasse. Mas o Senhor passou por ele, com olhar fixo em algum ponto distante. "Ele vai sumir e ai é o fim" – pensou Thomas. De repente, o Senhor virou o seu rosto e olhou para Thomas. Isto era tudo que era necessário, apenas um olhar do Senhor. Num momento Thomas encontrou-se em seu corpo e reviveu. Ele ainda não tinha aberto os olhos, e já ouvia as orações dos operários à sua volta. Após muitos anos, Thomas ainda lembrava de tudo que viu "lá" nos mínimos detalhes. Esse caso era impossível de esquecer (16).

O Pastor Kenneth E. Hagin lembra que, em abril de 1933, quando ele morava em McKinney, estado do Texas, seu coração parou de bater e a alma saiu do seu corpo. "Após isto, eu comecei a descer cada vez mais para baixo, e quanto mais eu descia, mais escuro e quente ficava. Depois, comecei a distinguir nas paredes das cavernas o brilho de alguns fogos tenebrosos, provavelmente do inferno. Até que, uma grande labareda lançou-se e puxou-me.

Já se passaram muitos anos dessa época, e eu até hoje vejo na minha frente essa labareda do inferno.

Tendo alcançado o fundo do precipício, eu senti a presença de algum espírito, que começou a guiar-me. Nessa hora, por sobre as trevas do inferno, soou-se uma Voz majestosa. Eu não entendi o que foi dito, mas senti que era a voz de Deus. A força dessa voz fez tremer todo o reino subterrâneo das trevas, como folhas de árvore que tremem com a força do vento. Imediatamente, o espírito que estava me empurrando, soltou-me e um redemoinho carregou-me de volta para cima. Aos poucos, surgiu a luz terrena. Eu estava de novo no meu quarto, e "pulei" dentro do meu corpo, como alguém pula dentro das calças. Aí vi a minha avó, que começou a falar-me: "Queridinho, pensei que você tivesse morrido." Passado algum tempo, Kenneth tornou-se pastor de uma das igrejas protestantes e dedicou a sua vida a Deus. Esse caso, ele descreveu na brochura: "Meu Testemunho." [4, pág.91]

Dr. Rawlings dedica um capítulo inteiro, no seu livro, aos relatos das pessoas que estiveram no inferno. Umas, por exemplo, viram um campo enorme, no qual os pecadores lutando sem descanso, aleijavam e matavam uns aos outros. O ar estava cheio de berros insuportáveis, xingamentos e maldições. Outras descrevem locais de trabalho inútil, onde demônios cruéis atormentam as almas de pecadores, obrigando-as a carregar fardos pesados de um lugar para outro. [4, cap. 7]

A insuportável tortura do inferno ainda é ilustrada em dois contos dos livros ortodoxos: um homem débil, tendo sofrido por muitos anos, implorou ao senhor pedindo o fim de seus sofrimentos. Um anjo apareceu-lhe e disse: "Seus pecados exigem purificação. O Senhor ofereceu-lhe trocar um ano de sofrimento na terra, suficiente para purificar-se, por três horas de sofrimento no inferno. A escolha é sua." O sofredor pensou e escolheu três horas no inferno. Após isso, o anjo levou a sua alma ao local do inferno.

Trevas, faltas de espaço, espíritos do mal por toda parte, gritos de pecadores, sofrimentos. A alma do débil entrou num estado de terror e desespero indescritíveis, mas os seus gritos só eram respondidos pelo eco infernal e o crepitar da labareda de Geena. Ninguém prestava atenção aos seus gemidos e gritos, todos os pecadores estavam ocupados com os seus próprios martírios. Ao sofredor parecia, que séculos se passaram e que o Anjo esqueceu-se dele.

Até que enfim, o Anjo apareceu e perguntou: "Que tal, irmão?" "Você me enganou" – gritou o sofredor. – Não são três horas, são muitos anos que estou padecendo em terríveis martírios!"

"Anos? – perguntou o Anjo – só passou uma hora e você deve ficar aqui mais duas horas." Então o sofredor começou a implorar-lhe para retornar à terra, onde aceitava sofrer o tempo que fosse necessário, querendo apenas sair deste local terrível. "Tudo bem, respondeu o Anjo – Deus vai lhe demonstrar a sua imensa misericórdia."

Voltando novamente ao seu leito, o sofredor, a partir daquele momento, já suportava com mansidão os seus sofrimentos, lembrando das horas no inferno, infinitamente piores (17).

Eis o conto de dois amigos, um dos quais retirou-se para um mosteiro e levava lá um modo de vida Santo e o outro permaneceu no mundo e vivia pecaminosamente. Quando o amigo pecador morreu repentinamente, o seu amigo monge começou a implorar a Deus que lhe revelasse o destino do amigo. Certa vez, o seu amigo morto apareceu-lhe em sonho e começou a contar os seus martírios insuportáveis e que um verme que nunca dormia, o devorava. Falando isso, ele subiu a sua calça até o joelho e mostrou a sua perna que estava coberta por um verme horrível, que o devorava. Um cheiro tão fétido emanava da ferida que o monge acordou. Ele saiu correndo do seu pequeno aposento e deixou a porta aberta. O mau cheiro espalhou-se por todo o mosteiro. Já que o tempo não diminuía o mau cheiro, todos os monges tiveram de mudar-se. E o monge que viu o prisioneiro do inferno jamais, em toda a sua vida, livrou-se desse mau cheiro que o impregnou (18).

As descrições do Céu, ao contrário dessas imagens horríveis, são sempre jubilosas e radiantes. Assim, por exemplo, Tomé N., cientista mundialmente conhecido, afogou-se na piscina, quando tinha 5 anos. Felizmente, um de seus parentes reparou, tirou-o da água e levou-o para o hospital. Quando os parentes todos reuniram-se no hospital, o médico anunciou-lhes que Tomé reviveu. "Quando eu estava embaixo da água, – contava Tomé, – senti que estava voando através de um túnel longo. Do outro lado do túnel, eu vi a Luz, era tão brilhante, que era possível senti-la. Lá eu vi Deus, sentado no trono, e embaixo, pessoas ou provavelmente anjos em volta do trono. Quando eu me aproximei de Deus, Ele me disse que a minha hora ainda não tinha chegado. Eu gostaria de ficar lá, mas, de repente, estava de novo no meu corpo." Tomé afirma que esta visão ajudou-o a encontrar o caminho de via correto. Ele quis tornar-se cientista, para conseguir entender com mais profundidade o mundo criado por Deus. Sem dúvida, ele alcançou grande sucesso nessa direção. [7, pág.167]

Betty Maltz descreveu em seu livro "Eu vi a eternidade" publicado em 1977, como imediatamente após a morte, ela se encontrou numa colina verde. Ela estava surpresa com o fato de caminhar livremente e sem dores apesar de Ter três cicatrizes da cirurgia. Sobre ela – o céu azul. Não havia sol, mas a luz estava em todos os lugares, sob os seus pés descalços – a grama de um verde tão intenso, como não se havia visto na Terra; cada planta parecia viva. A colina era íngreme, mas as pernas se moviam com facilidade, sem esforço. Flores coloridas, arbustos, árvores. A esquerda dela – uma figura masculina, com um manto. Betty pensou: "Será que é um anjo?" Eles caminhavam calados, mas ela entendeu que ele não era um estranho e que ele a conhecia. Ela sentia-se jovem, saudável e feliz. "Eu sentia que tinha tudo que algum dia tenha desejado, era tudo, o que algum dia quis ser, caminhava em direção ao lugar, onde sempre sonhei estar." Depois, toda a sua vida passou perante o seu olhar. Ela viu todo o seu egoísmo, e ficou envergonhada, mas sentia amor e proteção em torno dela. Ela e seu companheiro chegaram a um maravilhoso palácio prateado, "mas sem torres." Música, canto. Ela ouve a palavra "Jesus." Parede de pedras preciosas, portões de pérolas. Quando os portões se entreabriram por um instante, ela viu uma rua iluminada por luz dourada. Não viu ninguém nessa luz, mas entendeu que era Jesus. Ela quis entrar no palácio, mas lembrou do pai e voltou ao corpo. Essa experiência trouxe-a mais próxima a Deus. Ela agora, gosta bastante de lidar com as pessoas.

São Salvio de Albi, hierarca gálico do século VI, voltou à vida após ter estado morto a maior parte do dia e contou para seu amigo Gregori Turski, o seguinte: "Quando a minha cela tremeu há quatro dias e você me viu morto, eu fui carregado por dois anjos e levado para bem alto no Céu, e então, sob meus pés viam-se não somente essa mísera Terra, mas também o sol, a lua e as estrelas. Depois, fui levado através de um portão que brilhava mais que o sol e fizeram-me entrar num prédio, onde o chão brilhava como ouro e prata. Aquela luz é impossível descrever. Esse lugar estava cheio de pessoas e se estendia tão longe em todas as direções que não se via o final. Os anjos abriram caminho entre a multidão e nós entramos no lugar, que o nosso olhar já distinguia, ainda quando estávamos não muito distantes. Acima desse lugar pairava uma nuvem clara, que era mais luminosa que o sol, e ouviu-se uma voz semelhante ao som de muitas águas.

Depois, fui cumprimentado por certos seres, uns vestidos como sacerdotes, outros com roupas comuns. Os meus guias me explicaram que estes eram Mártires e outros, Santos. Enquanto eu estava parado, sentia um aroma tão agradável que não sentia necessidade nem de comida ou de bebida, como se estivesse alimentado pelo aroma.

Depois, a voz da nuvem falou: "Esse homem deve voltar à terra, já que ele é necessário à Igreja." E eu caí de joelhos e chorei: "Oh, Senhor, por que me mostraste tudo isto, para tirar de mim de novo?" Mas, a voz respondeu: "Vai em paz. Eu vou olhar por você enquanto não trouxer você para esse lugar novamente." "Então, chorando, saí pelo mesmo portão pelo qual tinha entrado."

Outra visão extraordinária do Céu, foi descrita pelo Santo André, um eslavo, que nasceu retardado e que morou em Constantinopla no século IX. Uma vez, durante um inverno rigoroso, o Santo André estava deitado na rua, morrendo de frio. De repente, sentiu um calor incomum e viu um belo jovem com o rosto, radiante como o sol. Esse jovem levou-o ao paraíso, no terceiro Céu. Eis o que o Santo André relatou, ao voltar à terra:

"Eu permaneci durante duas semanas, graças à vontade de Deus, num local maravilhoso… eu me vi no paraíso e maravilhado com a beleza desse local maravilhoso e divino. Havia muitos pomares, com árvores altas, as quais balançavam o seu topo, alegravam a minha vista, e um perfume agradável emanava de seus galhos. É impossível comparar em beleza estas árvores com alguma árvore terrena. Nesses pomares, havia infinitos pássaros com asas douradas, brancos e multicoloridas. Esses pássaros estavam posados nos galhos das árvores do paraíso e cantavam tão lindamente que eu me esqueci de mim mesmo. Após isso, pareceu-me estar em pé acima da "crosta" do Céu, na minha frente um jovem com a face, radiante como sol, vestido num manto vermelho… Quando o segui, vi uma cruz grande e bela, semelhante ao arco-íris e em volta – cantores semelhantes ao fogo, que contavam e glorificavam o Senhor, crucificado por nós. O jovem que ia na minha frente, aproximou-se da cruz, beijou-a e fez o sinal para eu fazer o mesmo… Tendo beijado a cruz enchi-me de jubilo indescritível e senti o aroma mais forte ainda.

Seguindo adiante, olhei para baixo e foi como se visse a profundeza do mar. O jovem, virando-se para mim, disse: "Não tema, devemos subir mais ainda" – e deu-me a sua mão. Quando eu me agarrei nela, já estávamos acima da segunda "crosta." Lá eu vi homens divinos, a sua alegria que não dá para transmitir em palavras… E aí subimos acima do terceiro Céu, onde vi muitas forças celestes, cantando e glorificando a Deus. Aproximamo-nos de uma cortina brilhante, como um raio, na frente do qual estavam jovens com aspecto flamejante… E o jovem que me guiava disse: "Quando a cortina se abrir, você vai ver Cristo. Você deve curvar-se perante o trono da glória Dele..". Eis que uma mão flamejante abriu a cortina e eu, tal qual profeta Isaías, vi o Senhor sentado no trono alto e serafins voando ao redor Dele. Ele vestia roupa vermelha; o rosto Dele era radiante e Ele me fitava com amor. Tendo visto isso, caí de joelhos perante Ele, reverenciando-O e ao trono de sua glória.

Não dá para exprimir com palavras a alegria que senti ao ver sua face. Até mesmo agora, lembrando dessa visão, eu me sinto pleno de alegria indescritível. Tremendo estava eu, deitado perante o meu Senhor. Após isso, toda a tropa celeste entoou uma melodia divina e então, nem sei como, eu estava novamente no paraíso (19).

É interessante notar que, quando Santo André, não vendo a Virgem Maria, perguntou onde Ela estava e o Anjo respondeu: "Você esperava ver a Rainha? Elá não está aqui. Ela descendeu ao mundo "desarranjado" para ajudar as pessoas e consolar os angustiados. Eu até te mostraria o Seu Santo Lugar, se tivéssemos mais tempo, mas agora, você precisa voltar."

E assim, segundo relatos da vida dos santos e contos em livros ortodoxos, a alma vai para o céu, depois de abandonar este mundo e de atravessar o espaço entre este mundo e o Céu. Não raramente, essa travessia é acompanhada por intrigas da parte dos demônios. Além disso, a alma é sempre levada pelos Anjos do Céu, ela nunca vai para lá por sua própria iniciativa. Sobre isto, escreveu o nosso Santo Padre João Crisóstomo: "Então os anjos levaram Lázaro… já que a alma não pode, por ela mesma, ir para o outro mundo, para ela, isto é impossível. Se nós mudando de cidade, temos necessidade de um guia, quanto mais necessita de guia a alma, arrancada do corpo e a caminho de uma outra vida."

Evidentemente, os relatos modernos sobre a Luz e locais de beleza divina transmitem não a visita real desses locais, mas apenas "visões" e "antegozo" deles à distância.

A visita real ao Céu é sempre acompanhada de sinais evidentes da graça divina: às vezes, aroma divino, juntamente com o fortalecimento milagroso de todas as forças do homem. Por exemplo, o aroma divino alimentou de tal forma o Santo Savelio que durante mais de três dias, ele não necessitava nem de alimento nem da água, e somente quando ele contou sobre isto, o aroma sumiu. A experiência profunda da visita ao Céu é acompanhada de sentimento de respeito perante a magnificência de Deus e do reconhecimento da sua própria insignificância. Além disso, a experiência pessoal do Céu é impossível descrever porque: "os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e a mente não pensou aquilo que Deus preparou par aqueles que O amam" e "agora, nós enxergamos como se fosse através de um vidro turvo, adivinhando, depois, veremos face a face." (20)

Conclusão:

A imortalidade da alma, a existência do mundo espiritual e a vida após a morte – são temas religiosos. O cristianismo sempre soube e ensinou que o homem é mais do que a combinação de elementos químicos, que além do corpo ele tem a alma, a qual no momento da morte não morre, mas continua a viver e desenvolver-se em novas condições.

Dois mil anos de cristianismo e criou-se uma ampla literatura sobre o mundo após a morte. Em alguns casos, o Senhor permite às almas dos mortos aparecerem para seus parentes ou conhecidos, para preveni-los sobre o que os aguarda no outro mundo e assim incentivá-los a viver na verdade. Graças a isto, os livros religiosos contam muitos relatos sobre o que as almas dos mortos viram no outro mundo, sobre anjos, sobre intrigas dos demônios, sobre o jubilo dos justos no paraíso e sobre o tormento dos pecadores no inferno.

No último quarto de século, foram documentados muitos relatos de pessoas que sobreviveram à morte clínica. Uma porcentagem significativa desses relatos inclui a descrição do que as pessoas viram no local próximo à sua morte. Na maioria dos casos, as almas dessas pessoas não tiveram tempo para estar no paraíso ou no inferno, ainda que às vezes contemplaram estes estados.

Tanto os relatos mais antigos da literatura religiosa, como as modernas pesquisas dos médicos, confirmam o ensinamento da Sagrada Escritura sobre o fato que após a morte do corpo, alguma parte do homem (chamem-na como quiserem – "ser," "consciência," "Eu," "alma") continua a existir, ainda que em condições completamente novas. Essa existência não é passiva, porque o ser continua a pensar, sentir, desejar, etc… – semelhante ao que fazia durante a sua vida terrena. O entendimento dessa verdade fundamental é extremamente importante para construir corretamente a sua vida.

No entanto, nem todas as conclusões destes médicos devem ser levadas a sério. Às vezes, eles emitem opiniões, baseadas em informações incompletas e incorretas. O cristão deve confrontar tudo que se relaciona ao mundo espiritual com o ensinamento do Evangelho, para não deixar-se enredar por divagações filosóficas e opiniões pessoais dos autores dos livros, que escrevem sobre esse tema.

O valor principal das pesquisas modernas nas questões da vida pós-morte, é o de que, se confirma de uma maneira imparcial e científica, a verdade da existência da alma no outro mundo.

Além disso, elas podem ajudar a uma pessoa de fé, a entender melhor e a preparar-se para aquilo que ela encontrará após a sua morte.

Suplemento

Crítica sobre

o ensino da reencarnação

Em substituição ao ensino cristão sobre a salvação do homem em Cristo, mais e mais se espalha o ensino oculto e teosófico danoso sobre a reencarnação. De acordo com a versão hindu antiga desse ensinamento, a alma, após a morte, vai temporariamente para o plano astral, de onde ela volta a habitar num outro corpo – planta, inseto, animal ou outro homem (21). O corpo, onde a alma vai encarnar, é determinado pelo "Karma" – ou atos bons ou ruins que ela coletou na sua vida anterior. Caso a pessoa fazia o bem, sua alma reencarna em seres mais evoluídos e desenvolvidos, caso vivia mal, sua alma é castigada reencarnando num ser inferior. O processo de reencarnação se repete até que a alma se liberte completamente do "Karma" por meio de perda total de interesse à vida, e então ela se une ao absoluto (Brahma) ou (de acordo com o budismo) se dissolve no Nirvana.

O ensino sobre a reencarnação afirma que, como havia um tempo, quando o homem não existia, vai chegar um tempo quando ele não vai existir. O homem começou a evoluir de entes inferiores, por exemplo, de plantas ou peixes e vai evoluir até um super homem. Por isso, o homem atual é um ser transitório. Ele se encontra totalmente sob o poder das forças cósmicas, que o direcionam a uma meta incompreensível para ele, onde não haverá mais nada de humano.

Apesar de existirem várias versões sobre o ensino da reencarnação, no Ocidente, é popular a versão "humanizada," de acordo com o qual a alma do homem só reencarna em corpo humano, mais ou menos nobre, mas não nas formas inferiores de vida.

O ensino sobre a reencarnação em todas as suas variantes vai contra o que a Sagrada Escritura diz sobre a natureza e a finalidade do homem. Esta falsa religião, não tem nenhum dado objetivo a seu favor e é totalmente baseada na fantasia. No entanto, atrai seguidores, porque, de um lado promete a "imortalidade da alma (no seu sentido primitivo pagão) e, de outro lado, nega o julgamento de Deus e o castigo no inferno, e libera o pecador do senso deresponsabilidade e medo pelos seus atos ruins. A conclusão lógica desse ensinamento é que, se o homem peca nessa vida, na sua próxima encarnação ele poderá consertar. Após um número ilimitado de ciclos de reencarnação, cada homem alcança finalmente o mesmo que os outros homens: união com o absoluto. A diferença está apenas no número de ciclos.

Além disso, o ensino sobre a reencarnação tem uma explicação para qualquer "paixão" ou até mesmo a qualquer ofensa ao direito alheio .Por exemplo, se um sodomita sente atração por outro homem, é por causa que ele era uma mulher em uma de suas vidas anteriores. Se uma esposa é infiel ao seu marido, pode ser que o seu amante era o seu marido numa vida anterior e assim por diante.

Entretanto, esse ensino é uma fantasia sem nenhuma prova, com uma atração aparente, que na realidade é bem deprimente. Primeiro, o que é que reencarna após a morte do homem? Aparentemente não é a mesma alma que nós identificamos com o nosso "eu" O nosso "eu" se reconhece como um ser único e ininterrupto durante toda a vida. O nosso "eu" cresce em conhecimento, admite experiência, desenvolve seus talentos. De acordo com o ensino da reencarnação, toda essa bagagem espiritual conseguida com muito esforço, com a morte se apaga, e o homem, no seu novo corpo deve começar a aprender do zero: no momento da nova encarnação a sua consciência é uma folha de papel em branco. Se a pessoa sofre por causa de um mau "Karma," que conseguiu na sua vida passada, então ela nunca poderá entender o porque do seu castigo. Já que ela de nada se lembra. Disso, resulta que ela sofre por atos cometidos em estado de inconsciência, o que é injusto e inaceitável em todos os sistemas judiciais.

Além disso, se todos os homens, cedo ou tarde atingem a mesma meta, então para que esforçar-se ou tentar desenvolver as suas qualidades, fazer o bem? E que recompensa é essa, dissolver-se no Nirvana, onde não há pensamento, nem sentimento e nem vontade? No discernimento da personalidade, existe um contraste muito grande entre os ensinamentos teosóficos da reencarnação e os de ensinamento Cristãos, no que diz respeito ao homem.

O ensino sobre a reencarnação elimina a pessoa ou alma. Em sua evolução cósmica ela é apenas algo mutável, e não o núcleo permanente do homem. Durante as encarnações, a identidade do homem não se mantém. Para a teosofia, o elemento que se mantém nas reencarnações não é a identidade, mas individualidade que se entende, certamente, como conjunto de algumas funções e sinais. A individualidade é uma categoria biológica natural, formada por processo evolutivo. Daí resulta que o destino do homem é determinado por forças cósmicas.

O ensino sobre reencarnação, na realidade, não resolve problemas da imortalidade, porque não conserva a memória das vidas anteriores, necessária para a unidade da identidade. O reencarnado já é uma outra pessoa e talvez nem mesmo homem, mas algo diferente.

A visão do mundo da teosofia é hostil à pessoa e portanto, hostil ao homem. O Deus teosófico é impessoal, assim como é o homem. E a divindade, o homem e a natureza – são manifestações do absoluto.

O ensino cristão afirma exatamente o oposto. O elemento essencial que herda a eternidade é justamente a pessoa. A pessoa criada por Deus e que tem em si a imagem e a semelhança de Deus. A pessoa não é produto da evolução cósmica e não está sujeita à dissociação ou dissolução. Neste aspecto, há uma grande vantagem do cristianismo sobre a teosofia. De acordo com o cristianismo, o homem pode aperfeiçoar-se constantemente, pode entrar em contato com Deus e assemelhar-se a Ele num certo grau, mas conservando a sua natureza humana. O homem não é produto das esferas inferiores da vida cósmica – ele foi criado por Deus e de alguma forma semelhante a Ele. É sob esta visão que o homem está predestinado para a vida eterna consciente.

O ensino sobre a reencarnação, também entra em conflito com o ensinamento Cristão da redenção. Isto se vê claramente no exemplo evangélico do astuto ladrão que foi crucificado com Jesus e que num instante, ao se dirigir à Cristo, herdou o reino dos Céus (evitando, portanto, o Karma hindu). A redenção, criada por Cristo, liberta o homem do domínio dos processos cósmicos e do domínio do destino. A redenção acontece por força da graça divina, o que os infinitos ciclos dos corredores cósmicos da teosofia, não são capazes de produzir.

Os relatos modernos sobre a vida pós – morte são valiosos porque eles, radicalmente derrubam o ensino oculto sobre a reencarnação. Realmente, em todos os casos anotados por doutores – reanimadores, a alma pós – morte continua a reconhecer-se como a mesma que vivia no corpo antes da morte. Se ela quis voltar a este mundo, foi somente para concluir uma missão inacabada. Encontrando as almas dos parentes e amigos falecidos, a alma do temporariamente morto, reconhecia neles as pessoas vivas e elas por sua vez também a reconheciam. Em todos os casos, as almas dos mortos conservaram o seu "EU."

Desta forma, negando a conservação da personalidade, o ensino sobre a reencarnação nega a imortalidade em geral e faz do homem brinquedo dos cegos processos cósmicos. Ela é tão falsa quanto pessimista.

Mas, Cristo ressuscitou!

Com a sua força, nós também ressuscitaremos com nossos corpos renovados para a vida eterna e consciente. Glória a Ele para sempre. Amém.

Bibliografia

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Notas de rodapé

(1) Em 1959 o mosteiro de Santíssima Trindade reproduziu esse relato em uma brochura separada.

(2) Near Death Experiences (Experiências próximas à Morte).

(3) OASIS, Karl and Haraldson, Erlendur, "At the Hour of Death," (Na hora da morte), NEW YORK, AVON BOOKS, 1972, pág. 90.

(4) 2ª Epistola aos Corintios 11:14.

(5) Mateus 22:32, Eclesiaste 12:7.

(6) 2 ª Epistola de S. Pedro 1:15, Filémon 1:23, 2ª Epistola Timóteo 4:6, Aros 13:36.

(7) Lucas 16 (capitulo).

(8) João 8:56.

(9) Apocalipse 5-9 (capítulos).

(10) Sirah 11:26.

(11) Epistola Hebreus 9:27.

(12) Epistola dos patriarcas orientais sobre a fé Ortodoxa, parag. 18.

(13) Epístola aos Efésios 6:12, 2:2.

(14) Sobre esse tema, dentre os Pais da Igreja, falam Efrem Sirin. Afanasio o Grande, Macario o Grande, João Crisóstomo e outros. Essa idéia foi desenvolvida em maiores detalhes pelo São Cirilo da Alexandria em "Palavras sobre a saída da alma." Uma viagem figurada desse caminho está na vida do Vasili o Novo (10º século), onde a falecida Benaventurada Fedora Conta, o que ela viu e sentiu após a separação do corpo. Pode-se achar sobre "Mitarstvo" ainda no livro "Os eternos mistérios do além." Lendo esses contos, deve-se levar em conta que há muito de figurativo, já que o ambiente real do mundo espiritual é completamente diferente do nosso.

(15) Folheto Missionário n.º 47.

(16) O seu caso ele descreveu no libreto "Oregon’s Amazing Miracle" (O milagre impressionante de Oregon), Christ for the Nations, Inc, 1976.

(17) Da cartas de Sviatogoretz, pág. 183, carta 15, 1883.

(18) Do livro "Os eternos mistérios do além," publicação do mosteiro de Santo Panteleimon, no Afon.

(19) É interessante acrescentar, que quando São André, não tendo visto a Virgem Maria, perguntou, onde Ela está, o anjo explicou-lhe: "Você pensava ver aqui a rainha? Ela não está aqui. Ela desceu para o mundo dos sofrimentos – ajudar as pessoas e consolar os tristes. Eu poderia mostrar-lhe o lugar santo Dela, mas agora não há tempo, já que você deve voltar."

(20) 1. Corintios 2:9 e 13:12.

(21) Claro que nessa lista devem ser acrescentados os micróbios e os vírus, desconhecidos para os antigos hindus.

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