Estudo para culto de doutrina da igreja Betel Geisel. Tema: Os atributos de Deus – Parte 04

Estudo ministrado pelo Pr Josias Moura no culto de doutrina da Igreja Betel

No estudo de hoje prosseguiremos no exame dos atributos de Deus. Os atributos que temos estudado acerca de Deus nos revelam detalhes importantes acerca de sua personalidade e caráter.

1)    A Espiritualidade de Deus

Entre os mais básicos dos atributos de grandeza de Deus está o fato de que ele é espírito; ou seja, Ele não é composto de matéria e não possui uma natureza física. Isso é afirmado com maior clareza por Jesus em João 4.24: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Também está implícito em várias referências à sua invisibilidade (Jo 1.18;  Itm. 1.17; 6.15,16).

Uma consequência da espiritualidade de Deus é que Ele não sofre as limitações inerentes ao corpo físico. Por exemplo, ele não é limitado a um determinado ponto geográfico ou espacial. Isso está implícito na afirmação de Jesus: “a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai” (Jo 4.21). Considere também a declaração de Paulo em Atos 17.24: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas”. E mais, Ele não é destrutível, ao contrário da natureza material.

Existem, é claro, numerosas passagens que dão a entender que Deus possui aspectos físicos, tais como mãos e pés. Como entender tais referências? Parece melhor compreendê-las como antropomorfismos, tentativas de expressar a verdade acerca de Deus por meio de analogias humanas.

Também há casos em que Deus apareceu em forma física, especialmente no Antigo Testamento. Esses casos devem ser entendidos como teofanias ou manifestações temporárias de Deus. Parece melhor entender literalmente as afirmações claras acerca da espiritualidade e invisibilidade de Deus e interpretar os antropomorfismos e as teofanias de acordo com elas. Aliás, Jesus mesmo indicou claramente que um espírito não possui carne nem ossos (Lc 24.39).

Nos tempos bíblicos, a doutrina da espiritualidade de Deus fazia oposição à prática da idolatria e ao culto à natureza. Deus, sendo espírito, não podia ser representado por nenhum objeto ou figura física. O fato de não se limitar a um espaço geográfico também combatia a idéia de que Deus podia ser contido e controlado. Em nossos dias, os mórmons sustentam que não apenas o Deus Filho, como também o Pai possui um corpo físico, embora o Espírito Santo não o possua. Aliás, o mormonismo alega que não pode haver um corpo imaterial.1 Isso é claramente contradito pelo ensino da Bíblia sobre a espiritualidade de Deus.

2)    A Personalidade de Deus

Além de ser espiritual e vivo, Deus é pessoal. Ele é um ser individual, com vontade, capaz de sentir, escolher e ter um relacionamento com outros seres.

O fato de que Deus tem personalidade é indicado de várias maneiras nas Escrituras. Uma delas é que Deus possui um nome. Ele possui um nome que atribui a si mesmo e pelo qual se revela. Nos tempos antigos o nome era escolhido com muito cuidado, dando-se atenção ao seu significado. Quando Moisés indagou como deveria responder quando os israelitas perguntassem o nome do Deus que lhe havia enviado, Deus se identifica como “Eu Sou” ou “Eu SEREI” (Javé, Jeová, o Senhor —Ex 3.14). Desse modo ele demonstra que Ele não é um ser abstrato ou uma força sem nome. Esse nome é usado para invocá-lo. Gênesis 4.26 indica que os humanos começaram a invocar o nome do Senhor. O Salmo 20 fala de gloriar-se no nome do Senhor (v. 7) e em clamar a ele (v. 9). O nome deve ser pronunciado e tratado com respeito, de acordo com Êxodo 20.7. O grande respeito dispensado ao nome é uma indicação da personalidade de Deus.

Outra indicação da natureza pessoal de Deus é o seu desejo de relacionar com o homem. A Bíblia descreve Deus como Aquele que conhece pessoas humanas e tem comunhão com elas. No primeiro quadro de seu relacionamento com elas (Gn 3), Deus chega a Adão e a Eva e fala com eles, dando a impressão de que tratava-se de uma prática costumeira. Ele é descrito com todas as capacidades associadas à personalidade: ele sabe, sente, deseja, age. Deus não é uma máquina ou um computador que supre automaticamente as necessidades das pessoas. Ele é um bom Pai que conhece e ama.

Além disso, nosso relacionamento com Deus não é uma rua de mão única. Deus é, com certeza, um objeto de respeito e reverência. Mas ele não recebe e aceita simplesmente o que oferecemos. Ele é um ser vivo, recíproco. Não é apenas alguém sobre quem ouvimos, mas alguém que encontramos e conhecemos. Por conseguinte, Deus deve ser tratado como um ser, não um objeto ou força. Ele não é algo que deva ser usado ou manipulado.

Deus tem valor para nós pelo que é em si, não pelo que faz. A razão do primeiro mandamento, “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20.3), é dada no versículo precedente: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito”. Os israelitas deveriam colocar a Deus em primeiro lugar por causa do que Ele é — e por gratidão, deveriam torná-lo seu único Deus. Por ser o que é, Deus deve ser amado e servido, não apenas de modo supremo, mas também exclusivo. Deus, como pessoa, deve ser amado pelo que é, não pelo que pode fazer por nós.

3)    A Santidade de Deus

Há dois aspectos básicos na santidade de Deus. O primeiro é sua singularidade. Ele está totalmente separado de toda a criação. É o que Louis Berkhof chama “majestade-santidade” de Deus.  A singularidade de Deus é afirmada em Êxodo 15.11: “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, que operas maravilhas?” Isaías viu o Senhor “assentado sobre um alto e sublime trono”. As bases do limiar tremeram e a casa ficou cheia de fumaça. Os serafins clamavam: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos” (Is 6.1-4). A palavra hebraica para “santo” (qãdõsh) significa “marcado” ou “removido do uso comum, ordinário”. O verbo da qual ela deriva sugere “cortar” ou “separar”. Embora o adjetivo sanfo fosse livremente aplicado a objetos, ações e pessoas envolvidas no culto nas religiões dos povos em torno de Israel, era usado com muita liberdade em relação à própria Divindade no culto da aliança de Israel.

O outro aspecto da santidade de Deus é sua absoluta pureza ou bondade. Isso significa que ele não é atingido nem manchado pelo mal que existe no mundo. Ele não participa do mal em sentido algum. Observe como Habacuque 1.13 dirige-se a Deus: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar”. Tiago 1.13 afirma que Deus não pode ser tentado pelo mal. Nesse sentido, Deus é totalmente diferente dos deuses de outras religiões. Tais deuses com freqüência se envolviam nos mesmos tipos de atos pecaminosos de seus seguidores. Jeová, entretanto, é livre de tais atos.

A santidade de Deus nos inspira a buscarmos santidade de vida para nós. Todo o código moral existente na Bíblia procede de sua santidade. O povo de Israel ouviu: “Eu sou o SENHOR, vosso Deus; portanto, vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo; e não vos contaminareis por nenhum enxame de criaturas que se arrastam sobre a terra. Eu sou o SENHOR, que vos faço subir da terra do Egito, para que eu seja vosso Deus; portanto, vós sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44,45).

Um ponto de repetida ênfase na Bíblia é que o crente deve ser imitador de Deus. Desse modo, porque Deus é santo, os que são seus seguidores também devem ser santos.

Deus não é apenas pessoalmente isento de toda perversidade ou mal. Ele também é incapaz de se  contaminar com a presença do mal. E como se ele fosse alérgico ao pecado e ao mal. Isaías, ao ver Deus, ficou muito mais consciente de sua própria impureza. Ele ficou desesperado: “Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio dum povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos,.” (Is 6.5). De modo semelhante, Pedro, por ocasião da pesca maravilhosa, percebendo quem Jesus era, disse: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador” (Lc 5.8).  Quando estes homens contemplaram a santidade do Senhor, sentiram a necessidade de mudança em suas vidas. Ao estudar acerca da santidade de Deus, somos levados a perceber que somos pecadores e precisamos da misericórdia de Deus e de sua ajuda para mudarmos nossas próprias vidas.

Na próxima semana continuaremos nosso Estudo. Não falte.

Pr Josias Moura.

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