Estudo doutrinario: A prática da mordomia no serviço cristão

ESTUDO MINISTRADO NO CULTO DE DOUTRINA DA IGREJA DO BETEL PELO PR JOSIAS MOURA.

Texto Básico: Ef. 4.11-16

1.     INTRODUÇÃO

A significação que a palavra mordomia possui tem levado muitos homens a se esquecer que não existe servo sem serviço e nem serviço sem servo. Se é servo, tem um serviço. O serviço não desmerece a ninguém. Jesus serviu fielmente e foi engran­decido por isso.

Na perspectiva da missão integral da igreja, o mordomo só tem uma missão: servir. Esta missão envolve ao mesmo tempo às áreas espiritual e social do homem. E não deve haver priorização de uma em detrimento da outra. O mordomo do Senhor não tem uma missão espiritual e outra social. Ele tem uma missão em benefício do homem completo, em todo tem­po e lugar.

São inúmeras as possibilidades de serviço no desenvolvi­mento da missão integral da igreja, para as quais a própria Bí­blia Sagrada chama a atenção. Serviço que requer qualificação específica: dons naturais e dons espirituais, todos dados por Deus. As listas de dons de ministério e dons espirituais apresen­tados por Deus (Rm 12.3-8; ICo 12.4-11, 27-31; 14.1-40; Ef 4.7-16; lPe 4.7-11; 2Pe 1.3-8) devem ser estudadas com muito carinho e consideração por todos que forem chamados para servir.

2.     A DISPOSIÇÃO PARA SERVIR

1. A primeira qualidade do mordomo. Antes de querer executar um serviço é preciso que o mordomo esteja disposto a servir em todo o tipo de serviço, todo o tempo, a todos os povos, em todo o mundo. O “vinde” de Mateus 4.19 precede o “ide” de Mateus 28.19. É preciso aprender com Jesus sobre o que fazer e como fazer, antes de ir fazer.

2. A segunda coisa é rendição completa. O mordomo também pre­cisa estar disposto a se render totalmente: tudo o que ele é, tudo o que tem, tudo o que pode, para que o Senhor Jesus use como Ele quiser. Vejamos o grande exemplo dado por Jesus em Jo 6.1-15, quando tratou diretamente com dois dos seus discípulos: Filipe e André. Eles não viam possibilidade nenhuma de serem supridas as necessidades de alimento para cinco mil homens. O Senhor Jesus lhes ensinou que quando o homem está disposto a entregar tudo o que tem para o serviço do Reino, mesmo que esse tudo seja pouco, como cinco pães e dois peixinhos, Ele transforma esse pouco numa abundância que, além de suprir a necessidade de todos, sobra um cesto cheio para cada um dos trabalhadores.

3. O campo de ação do mordomo. A missão do mordomo diz respeito ao serviço de Deus no campo espiritual e no social.

O trabalho na área espiritual pode ser:

a. Na vida devocional diária, pessoal, no secreto do seu quarto, na ora­ção, na leitura da Palavra de Deus, na meditação. O mordomo precisa ter comunhão íntima com Deus.

b. O serviço prestado na realização do culto a Deus, através da liturgia, a participação no louvor coletivo, através de cânticos, adoração, contribuição financeira.

c. Pela evangelização nos lugares próximos, com o aproveitamento dos leigos da igreja, na qualidade de líder do trabalho ou como auxiliar.

d. Transcultural, isto é, em relação às pessoas de outras culturas, como o trabalho missionário realizado em outras nações.

No que diz respeito ao social, este precisa ser visto também na esfera local e transcultural e deve ser desenvolvido através de assistência à saúde, auxílio a pessoas carentes e ensino profissionalizante. Tudo feito de modo equilibra­do, para que o cuidado do Senhor e o seu nome sejam conhecidos de todos os povos da terra.

3.     A FRAQUEZA DA BUSCA DE UM CARGO DE DESTAQUE

1. Um sentimento secularizado. Marcos registrou um momento de fraqueza de dois discípulos do Senhor, João e Tiago, que desejaram uma posição de destaque em relação aos demais, no Reino que Jesus iria estabe­lecer (Mc 10.35-45). O Senhor foi muito claro quando disse ter vindo ao mundo não para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por muitos (v.45). E explicou como funciona o Reino eterno, onde o menor será o maior. Afinal, estar no Reino do Senhor não consiste em ser servido, mas em servir a Deus e ao próximo, sujeitando-se ao domínio, ao poder, à soberania e à dignidade de Deus.

2. O modelo de Jesus é oposto ao deste mundo. Segundo Pedro o pastoreio do rebanho de Deus não pode ser feito conforme os parâmetros deste mundo (lPe 5.1-5). Porque neste mundo, tem maior valor o homem que explora o seu semelhante, que faz uso da arrogância, da usura da avareza, da ameaça. O modelo de Cristo não é o secularizado, que valoriza o domínio do homem pelo homem, quando busca destaque pessoal. Para nos ensinar esta lição, Jesus mesmo nos deu o exemplo: “pois ele, subsistin­do em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em seme­lhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humi­lhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.6-8).

3. Implicações do modelo de Cristo. O modelo de Cristo para o mordomo é muito importante em termos de comprometimento. Neste mun­do, quando um jovem se apresenta para o serviço militar, tem que deixar tudo. Não se admite um soldado evolvido com outros compromissos alheios aos interesses das forças armadas a que passa a pertencer. Se no mundo terreno isto é assim, no Reino de Deus não poderia ser diferente: “Nenhum soldado em serviço se envolve com negócios desta vida, porque o seu obje­tivo é satisfazer àquele que o arregimentou” (2Tm 2.4).

4.     DONS DE MINISTÉRIO E DONS DE SERVIÇO

1. Os dons espirituais. Devemos buscar com zelo os melhores dons (ICo 12.31). Os dons espirituais têm seu lugar no culto, sendo o seu objeti­vo a edificação da igreja (ICo 14.12). Os dons nunca são concedidos para engrandecimento da pessoa que os recebe. A glória de Deus será sempre de Deus: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem…” (Is 42.8). O serviço do mordomo do Senhor deve ser feito com dedicação, devendo o mordomo buscar de Deus os dons para cumpri-los. E deve pedir a Deus os dons, sabendo que o nome do Senhor é que será glorificado.

2. Os dons de serviço. E sobejamente conhecido que muitos desejam os dons espirituais, mas não buscam os dons de serviço. Entretanto, convém saber da importância desses dons e de sua necessidade: “se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina, esmere-se no fazê-lo; ou o que exorta, faça-o com dedicação; o que contribui, com liberalidade; o que preside, com diligência; quem exerce misericórdia com alegria” (Rm 12.7,8). São muitos os serviços necessários, indispensáveis. E existem outros dons de serviço. Paulo fala de “…socorros, governos…” (ICo 12.28), isto para não repetir os dons referidos noutros textos. Na verdade, todo serviço no Reino de Deus é feito por dom de Deus.

3. Os dons ministeriais. Embora os dons ministeriais também sejam para dedicação ao serviço, têm eles características próprias. Muitos há que desejam os dons ministeriais. Mas estes são dedicados exclusivamente àqueles que Deus separar para o ministério, conforme diz a Palavra de Deus: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamen­to dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo…” (Ef 4.11-12). O serviço, ou ministério, é exercido por todos os crentes. Os ministros têm a função de preparar a igreja para cumprir sua função.

5.     CONCLUSÃO

É do próprio Senhor Jesus que temos o exemplo de estar à disposição para o serviço do Reino de Deus. Além do mais, nos últimos momentos antes de sua morte, na hora da angústia maior, Ele disse: “Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e, sim, o que tu queres” (Mc 14.36). Mateus disse que Ele repetiu esta oração três vezes (Mt 26.39,42,44).

Negar-se a si mesmo é condição para o discipulado: “Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Os discípulos, quando foram cha­mados, estavam trabalhando. Imediatamente, deixaram tudo e o seguiram (Mt 4.18-22). Assim também o crente em Jesus precisa desprezar tudo e se tornar um trabalhador na obra de Deus. Desprezar as coisas deste mundo, no sentido de não se apegar a elas. Porque só se faz a obra de Deus com muito amor e apego ao Reino de Deus.

6.     PERGUNTAS RELATIVAS AO ESTUDO

1. Qual deve ser a principal coisa na vida do servo de Deus? 2. O que o servo ou mordomo deve desprezar e a que deve se apegar? 3. Em que lugar o servo do Senhor deve prestar serviço no aspecto espi­ritual? 4. E no aspecto social, qual é o seu campo de trabalho? 5. Por que não devemos buscar posição de destaque para nós?

Na próxima semana continuaremos nosso estudo. Não perca.

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