Estudo do culto de doutrina da Igreja Betel. Tema: A prática da mordomia Cristã por meio do altruísmo

ESTUDO MINISTRADO PELO PR JOSIAS MOURA DE MENEZES NO CULTO DE DOUTRINA DA IGREJA BETEL

1. INTRODUÇÃO

Altruísmo é ver no outro o centro. Já o egoísmo, ao contrário, é querer colocar-se como o centro das atenções e dos interesses.

Um dos exemplos mais impressionantes de altruísmo, na nar­rativa bíblica, é o de José. O grande patriarca israelita, filho de Ra­quel, foi vítima inocente de uma grande “armação” dos seus irmãos. Foi parar no Egito como escravo. Teve dificuldades na terra estranha. Lá, sofreu injustiças e foi lançado numa prisão. Gênesis 50 é o capí­tulo consagrador de sua biografia. Foi o líder de coração magnânimo, altruísta, que teve tudo para se vingar dos irmãos, que o traíram de forma impiedosa, mas os recebeu de braços abertos (vs. 15-21).

Porventura seríamos capazes, vivendo uma experiência análoga à sua, de procedermos do mesmo modo que ele? Ele falou aos seus irmãos, ex-algozes: “Não temais, pois; eu vos sustentarei a vós outros e a vossos filhos. Assim os consolou, e lhes falou ao coração” (Gn 50.21).

2.  ENSINOS SIGNIFICATIVOS

1. A lição de Jesus. O Mestre se preparava para subir a Jerusalém. Na caminhada, preparou o espírito dos doze discípulos sobre sua iminente condenação à morte, pelos principais sacerdotes e escribas. Veio, então, a mãe de Tiago e João, com um original pedido. Uma solicitação nitidamente egoísta (Mt 20.20,21). De for­ma ambiciosa, relegando os companheiros de seus filhos, pediu os lugares de maior honra no Reino que Jesus anunciava para Tiago e João. Jesus aproveitou a oportunidade para dar a todos uma gran­diosa lição de altruísmo. Ele lhes disse: “…quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será vosso servo” (Mt 20.26,27). E arrematou, apresentando-se como exemplo: “tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (v.28).

2. O altruísmo foi tema de Jesus. A “dignidade do outro”, pedra angular da ciência antropológica (Fp 2.4), mereceu do Mestre da Galileia uma atenção máxima, Interesse que parece não ser o mesmo, da parte de muitos dos seus seguidores, neste fim de milênio de tanta injustiça. A parábola do bom samaritano foi contada para responder à pergunta de um homem que devia entender do assunto, pois era um interprete da lei. Ela indica que Jesus nunca foi indiferente ao sofrimento do próximo (Lc. 10:33-37). Lembremos que a figura central da história é um samaritano, considerado pelos judeus como pertencente ao outro lado, ao grupo social por eles discriminado, pois o classificavam como inferior e inimigo. Jesus mostrou as qualida­des daquele homem desprezado, cujas virtudes não se encontraram no sacerdote e no levita (Lc 10.31,32), pertencentes à classe dos discriminadores.

3. O apóstolo Paulo continuou o ensino de Jesus. A prática do altru­ísmo está associada a um espírito de amor e misericórdia. Uma comunidade que não tem tais características, terá problemas com a valorização do outro. Seus componentes serão competidores que trocam a pele da ovelha pela do lobo. O resultado será o oposto do que foi aconselhado aos filipenses, isto é, buscar o exercício do amor fraternal e da humildade. Paulo pediu aos santos em Cristo Jesus, residentes em Filipos, que completassem sua alegria, sendo unidos no amor de tal forma que “…não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fp 2.4).

3.  OUTRAS LIÇÕES PRÁTICAS

1. Recomendações paulinas sobre o próximo. O capítulo 12 de Roma­nos é muito rico neste campo em que estamos lidando. Na sua última parte, há indicações preciosas para o exercício da “koinonia” (comunhão). “O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem” (Rm 12.9). Paulo condena o comportamento do hipócrita. Ele está bem à vontade nisto, porque foi um exem­plo do reto proceder em relação ao próximo. Escrevendo aos irmãos da igreja de Corinto, disse que a si mesmo se recomendava como ministro de Deus, entre outras coisas, “…no amor não fingido” (2Co 6.6). Sua conduta era íntegra no lidar com todos no dia-a-dia, assim como devemos ser.

2. O amor está sempre de bem com o próximo. O desamor parece ser uma característica da sociedade que vive na cidade grande. Roma era o exemplo típico de grande metrópole. Por isso, os crentes daquela igreja receberam este ensino: “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Rm 13.10). Este grande tesouro deve ser repartido com todos. No final da primeira carta, os coríntios leram, para sua edificação: “Todos os vossos atos sejam feitos em amor” (lCo 16.14). Nosso próximo, como um ser criado à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26,27), é uma pessoa e tem um propósito a cumprir, como objeto do amor de Deus. Nós temos o dever de ajudá-lo.

3. O altruísmo manifesta-se em forma de solidariedade. Nas horas mais difíceis é que se manifesta o espírito de solidariedade de uma pessoa ou de uma sociedade. Sempre que acontece uma calamidade, vemos pessoas se movimentando no sentido de socorrer as vítimas, acudir os flagelados, salvar vidas, numa autêntica demonstração de amor ao próximo. Amor que, de modo geral, não se manifesta em circunstâncias normais. Toda ação do ser humano no sentido de ajudar ao seu semelhante é louvável. Mas é melhor que essa manifestação tenha como base o amor. Se for por amor, é altruísmo. Se tiver outra causa, como o interesse político ou a autopromoção, de nada vale a atitude, por mais bela que seja: “E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres, e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” (ICo 13.3).

4.  Aplicações finais:

1. O exemplo de José é uma motivação para nós praticarmos o altruísmo.

2. O egoísmo pode estar onde menos se espera. Como no caso da mãe de Tiago e João.

3. Disponibilidade para amar. Eis uma característica do verdadeiro cristão.

4. O exemplo de amor deve partir da liderança. Se somos ou queremos ser líderes, devemos praticar o amor.

5. Deus espera que nosso trabalho seja permeado de amor ao próximo.

5.  Perguntas para reflexão:

1. O que significa ter uma vida altruísta?  2. Que lições o bom samaritano tem para nós? 3. O que Fp 2.4 falou ao seu coração? 4. A fraternidade que o apóstolo Paulo recomenda aos romanos é possível hoje? 5. Qual a relação entre altruísmo e amor?

Na próxima semana estudaremos outro tema da prática da mordomia. Deus te Abençoe!  Pr Josias Moura

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