Sermão: Esgotamento espiritual; Ponto de partida para uma experiência de avivamento.

(PALAVRA MINISTRADA PELO PR JOSIAS MOURA, NO ANIVERSÁRIO DE 22 ANOS DA IGREJA MISSIONÁRIA  DO BETEL EM APODI/RN, NO DOMINGO A NOITE, DIA 25 DE OUTUBRO)

“1  Acabe fez saber a Jezabel tudo quanto Elias havia feito e como matara todos os profetas à espada.  2  Então, Jezabel mandou um mensageiro a Elias a dizer-lhe: Façam-me os deuses como lhes aprouver se amanhã a estas horas não fizer eu à tua vida como fizeste a cada um deles.  3  Temendo, pois, Elias, levantou-se, e, para salvar sua vida, se foi, e chegou a Berseba, que pertence a Judá; e ali deixou o seu moço.  4  Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.  5  Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come.  6  Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.  7  Voltou segunda vez o anjo do SENHOR, tocou-o e lhe disse: Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo.  8  Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. ” (1 Reis 19:1-8 RA)

1.  Introdução

Elias serve para nós como exemplo de um homem avivado, por ser cheio de fé e ousadia. Nos capítulos anteriores ao texto que lemos, observamos Elias exercendo fé sobrenatural ao pedir a Deus que enviasse chuva. Observamos também neste contexto, Elias travando grandes batalhas espirituais contra os 400 profetas de baal. Em todos estes momentos observamos um personagem dinâmico, atuante, corajoso, cheio de fé, e preparado para enfrentar os adversários espirituais que surgiam.

As vezes, como Elias, estamos vivendo momentos de muito ativismo. Somos atuantes na Igreja, estamos evangelizando, nós alegramos na presença de Deus, nos sentimos satisfeitos na igreja por experimentarmos a presença de Deus. E de repente nós sobrevém um cansaço, um esgotamento espiritual, um abatimento.

E foi isso que aconteceu também com Elias. Aqui no capitulo 19, temos uma descrição de Elias em um estado emocional e espiritual completamente diferente. Elias esta aqui, abatido, fugindo de Jezabel, temendo as suas ameaças e escondendo-se no deserto. Vemos o profeta cansado, deprimido e pedindo a Deus pela própria morte. Neste estado Elias, procura refugio no isolamento, e vai para o deserto. Estes momentos são o que definimos como um grande esgotamento espiritual.

É importante entendermos que o esgotamento espiritual é o ponto de partida para que Deus possa iniciar uma experiência poderosa de avivamento.

2.  Ao se encontrar esgotado, Elias começa a travar grandes  lutas espirituais através da oração.

Observe o que diz o verso 4: “Ele mesmo, porém, se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse: Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais.”

Assentado debaixo daquele zimbro no deserto, Elias começa a entrar no primeiro estágio de uma experiência de reavivamento, que é a oração.

Compreenda meu irmão, que todo avivamento é precedido de oração. As chuvas torrenciais do Espirito não caem sem que antes os joelhos se dobrem. Deus não sarará a nossa terra sem que primeiro seu povo se humilhe e ore fervorosa e perseverantemente (2 Cr 7.14).

Jonathan Edwards, um grande homem de fé e oração nos ensinou que:

“Quando Deus tem algo muito grande para realizar em favor da igreja, o desejo dele é que esse seu ato seja precedido por orações extraordinárias do seu povo.”

Muitos crentes estão vivendo tempos de estiagem e sequidão, porque falam de oração, mas não oram; escutam grandes sermões sobre oração, mas não dobram os joelhos; muitos possuem vastos conhecimentos e informações acerca da oração, mas não comparecem as vigílias.

Em muitas igrejas do nosso Brasil, as campanhas estão cheias, os cultos festivos são bem freqüentados, e a reunião de oração está em estado de coma, está na UTI prestes a morrer.

O pastor Hernandes Dias Lopes diz que: “…quando o povo começa a buscar avivamento, a primeira necessidade que sente é orar. E quando a igreja ora, ela mesma é transformada, sua vida ganha novo vigor, e maravilhas começam a acontecer.”

Compreenda que a ausência de oração, nos priva de bênçãos que são nossas. Veja o que a palavra: “Nada tendes, porque não pedis.” (Tg 4.2.) Jesus ensina-nos: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á.” (Mt 7.7.) Deus ordena-nos: “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei cousas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jr 35.3.). Portanto, a oração libera as bênçãos que Deus tem planejado nos dar.

Ilustração. O avivamento na Coréia do Sul, neste século, começou com uma reunião de oração ao meio-dia. Depois de um mês, um irmão propôs acabar com a reunião. “Estamos perdendo tempo”, argumentou. “Já oramos um mês e nada mudou, nada aconteceu. Temos sermões a serem pregados e visitas a serem feitas. Não podemos ficar aqui desperdiçando o nosso tempo.” A maioria, porém, decidiu continuar orando, até que Deus fendeu o céu e desceu poderosamente. O resultado? Mais de um milhão de pessoas convertem-se a Cristo por ano.

Oração que não aguarda a resposta não é verdadeira. Quem ora, faz como Habacuque: sobe à torre de vigia e espera a resposta de Deus (Hc 2.1). Quem ora age como Jacó: agarra-se ao Senhor e não o larga até receber a bênção (Gn 32.26). Quem ora, espera grandes coisas do grande Deus; fala como o leproso falou a Jesus: “Senhor, se tu quiseres, tu podes” (Mt 8.2). Quem ora sabe que a oração produz convulsões e revoluções bombásticas na Historia (Ap 8.3-5), por isso se mantém na expectativa.

Devemos insistir em oração por avivamento como a atitude do amigo, na parábola de Lucas 11:5-8, que bateu à porta do seu vizinho á meia-noite e recusou ir embora sem os três pães que estava a pedir.

Se queremos avivamento, temos de orar assim, insistindo, importunando e lutando com Deus. Como Mônica, mãe de Agostinho, que lutou trinta anos com Deus até ver o filho salvo. Disse o historiador Ambrósio mais tarde: “Um filho, alvo de tantas lágrimas, jamais poderia perder-se.” Devemos orar como Ana, que derramou sua alma aflita diante de Deus, até que o Senhor lhe deu um filho.

Se desejamos de fato ver um grande mover do Espírito Santo, que venha trazer vigor para os salvos e salvação para os perdidos, temos que ter como desafio bombardear o céu com as nossas orações. Devemos importunar a Deus, e insistir como fez Jacó: não te deixarei ir, se me não abençoares.” (Qn 32.26.) Ou fazer como aquela viúva que batia à porta do juiz iníquo até que ele julgou a sua causa (Lc 18.1-8). Ou como Abraão que intercedeu insistentemente em favor de Ló e sua família.

E dessa forma que temos orado por avivamento?

A oração por avivamento não abre mão da resposta. Certamente você esta perguntando: Por quanto tempo demorará a resposta? George Müller teve mais de três mil orações respondidas. Todavia, dois amigos pelos quais ele orou a vida toda, até o dia da sua morte, continuaram com o coração endurecido. Um converteu-se no dia da sua morte; o outro, no dia do seu sepultamento.

O profeta Oséias diz: “… é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha e chova a justiça sobre vós.” (10.12.)

Jesus disse aos discípulos, antes de ser assunto aos céus: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lc 24.49.) E eles, em obediência à Palavra de Cristo, “… perseveravam unânimes em oração…” (At 1.14), até que o Espirito foi derramado sobre todos. “Ao cumprir-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos no mesmo lugar; de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E  apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.” (At 2.1-4.)

O avivamento na África do Sul demorou doze anos desde que começaram a orar por ele. Não podemos desistir. Deus não age segundo o nosso cro-nograma. Ele não obedece à nossa agenda. Ele é soberano e livre, nosso dever é orar “até que…”

Se você esta esgotado e precisa de um avivamento. Creio que ele deve começar com oração. Foi assim com Elias.

3.  Ao se encontrar esgotado, Elias começa a ser alimentado e fortalecido por Deus.

Observe o que diz o texto em 1 Reis 19:5,6: “Deitou-se e dormiu debaixo do zimbro; eis que um anjo o tocou e lhe disse: Levanta-te e come. Olhou ele e viu, junto à cabeceira, um pão cozido sobre pedras em brasa e uma botija de água. Comeu, bebeu e tornou a dormir.”

O segundo estágio de uma experiência de avivamento, é quando passamos  a  ter sede e a ser transformados e fortalecidos pela experiência com a palavra de Deus. O alimento que Elias recebia de Deus, simboliza a palavra de Deus. Elias era renovado, fortalecido e reanimado pela palavra.

É preciso deixar claro que, em épocas de busca de avivamento, a igreja é renovada em seu amor à Palavra. Não há avivamento sem volta à Bíblia, sem fome da Palavra. Não há avivamento sem que a igreja tenha avidez pelas verdades eternas.

Nesses tempos de refrigério da parte do Senhor, a igreja passa a ter um santo deleite no estudo das Escrituras. Surge um novo gosto e prazer no exame da Palavra. O povo come com sofreguidão a Palavra e transborda da Palavra. A Palavra torna-se viva nas mãos dos crentes e arde em seu coração.

A Palavra de Deus sempre foi a base para a busca do avivamento. Os avivamentos bíblicos começaram com a Palavra. Quando a Palavra é reencontrada, quando o povo passa a dar atenção aos preceitos de Deus, há humilhação, há arrependimento, há volta para Deus e vida nova com o Senhor.

O avivamento nos tempos do rei Josias começou com a leitura da Palavra. No tempo de Esdras e Neemias, o avivamento foi motivado pela leitura pública das Escrituras. No vale dos ossos secos, o avivamento começou quando Deus disse: “Ossos secos, ouvi a Palavra do Senhor.” (Ez 37.4.) O avivamento em Jerusalém espalhou-se do cenáculo para a multidão, quando Pedro, cheio do Espírito Santo, levantou-se para pregar a Palavra. Este avivamento esparramou-se para fora de Jerusalém, quando os discípulos, perseguidos, dispersos, iam por toda parte pregando a Palavra (At 8.1-4).

O avivamento de Éfeso, que levou o evangelho a toda a Ásia Menor e constrangeu o povo a abandonar as crenças vás na deusa Diana e a se voltar para Deus, foi assim resumido: “Assim a Palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente.” (At 19.20.)

Não creio que possa existir um genuíno avivamento sem a redescoberta do amor a palavra. E nesse sentido o amor a palavra de Deus tem diminuído cada vez mais em nosso Brasil. Temos visto escolas dominicais e cultos de doutrinas cada vez menores em milhares de Igrejas. Um verdadeiro avivamento faz as pessoas redescobrirem o prazer em meditarem e obedecerem a lei de Deus.

O Espírito Santo age sempre em harmonia e compromisso com a Palavra. Ele nos instrui na Palavra; guia-nos na verdade; faz-nos lembrar a Palavra. Ele fala tudo o que tiver ouvido (Jo 16.13). Jesus disse aos saduceus: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mt 22.29.)

Avivamento sem Bíblia não é avivamento genuíno, e desemboca inevitavelmente em divisões, traumas e distorções. Muitos crentes buscam apenas experiências, mas não querem saber de estudar a Bíblia. Querem sensacionalismo, milagres e coisas extraordinárias, mas não se preocupam em amar a palavra de Deus revelada. Dizem que o que importa é a luz interior, a experiência íntima, o testemunho interno do Espírito. Isso é lamentável, é desastroso. Quando a Igreja perde a Bíblia como único referencial de fé e conduta, sua ruína é iminente.

O avivamento faz as pessoas tirarem a Bíblia do Baú e das prateleiras cheias de poeira e desperta o desejo da revelação ser colocada no coração, na vida, e na pratica da obediência.

Dwight Noody, referindo-se á Bíblia, dizia: “Este livro o afastará do pecado ou o pecado o afastará deste livro.” Quando mais longe da Palavra, mais perto do pecado. Quanto mais perto da Palavra, mais longe do pecado. No avivamento, a palavra tem que estar presente, assim como o arrependimento, a confissão de pecados, o poder do Espírito e o desejo de obedecer a Deus.

Muitos crentes assistem por duas horas a um programa de televisão, ou uma novela, mas exasperam-se em ouvir um sermão de quarenta minutos. A Palavra lhes dá sono e canseira. Não têm fome da Palavra. Não gostam de alimento sólido. Por isso, estão longe de experimentar uma vida cheia do Espírito.

Ilustração. Certa feita Moody procurou um hotel e ali se hospedou. Cansado, lançou-se sobre a cama, tentando conciliar o sono. Mas, de repente, seus olhos foram atraídos por um livro ã cabeceira da cama. Tomou-o nas mãos e examinou-o minuciosamente. Percebeu que uma traça havia roído o livro de capa a capa. Era um Bíblia. Moody então disse para si mesmo: “Assim como esta traça roeu este livro de capa a capa, eu também vou fazê-lo. Vou comer este livro. Vou mastigá-lo, ingeri-lo e sorvê-lo.” De fato, Moody tornou-se um homem avivado, cheio da Palavra e do poder do Espírito, e a História conferiu-lhe o título de maior evangelista dos últimos tempos.

Busque ter intimidade com a palavra, e com o Deus da palavra. Busque não conhecer a palavra, mas principalmente se relacionar e ser íntimo do autor da revelação.

Ilustração. George Müller foi um dos homens mais extraordinários. Ele é conhecido como o príncipe dos intercessores. Era um gigante de Deus. Era um homem afinado com o céu. Era um homem acostumado com os milagres de Deus. Sua vida era ordinariamente extraordinária. Ele conheceu, como ninguém, o que é viver vendo o invisível, tocando o intangível e crendo no impossível. E experimentou, como ninguém, a providência de Deus.

Certa vez perguntaram a George Muller qual era o segredo da sua vida e de um ministério avivado, e com tantos milagres, sinais e maravilhas?

Ele respondeu; “É que eu conheço o meu Deus. Eu já li a minha velha Bíblia cem vezes de joelhos.” Sabem irmãos, eu quero ter este testemunho, como exemplo para minha vida. Imite também exemplos de homens como estes, que procuraram ser fieis a Deus.

4.  Conclusão

Quero finalizar esta palavra declarando que Não há avivamento sem preço, assim como Não há parto sem dor, ou assim como não há colheita jubilosa sem a semeadura regada de lágrimas. É preciso coragem e determinação para prosseguir. É preciso fé para não voltar atrás no objetivo de clamar por um urgente e grandioso avivamento.

Não podemos perder mais tempo! Jesus esta voltando! É hora de clamarmos pela intervenção de Deus (SI 119.126). É tempo de buscarmos um avivamento cada vez maior sobre nossas vidas.

É hora de a igreja unir-se em oração e rasgar o coração numa volta sincera e profunda para Deus.

É hora de clamarmos por um avivamento que nos dobre, que nos leve de volta ao altar, que crie no nosso coração sede de Deus e compromisso com a santidade.

Necessitamos de um avivamento que mude o nosso caráter, transforme o nosso falar e o nosso viver na igreja e no mundo. É tempo de alçar ás alturas o nosso grito, para que Deus rasgue os céus e desça, a fim de que nossa nação tema e trema diante da santidade do Senhor.

Que Deus nos abençoe a todos.

Pr Josias Moura de Menezes.

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