Parte I. Selecionando a musica da adoração

Material adaptado pelo

Pr. Josias Moura do Livro “Uma Igreja com propósitos”

1.     Introdução

O estilo de música que você escolhe para o seu culto vai ser uma das decisões mais críticas e controvertidas tomadas na vida da igreja. Também pode ser o fator mais influente em determinar quem sua igreja vai alcançar para Cristo e se ela vai crescer ou não. Você deve combinar sua música com o tipo de pessoas que Deus quer que você alcance.

A música utilizada posiciona sua igreja em sua comunidade. Ela determina quem você é. Uma vez decidido o estilo de música que será usado no período de adoração, você já direcionou sua igreja de uma forma mais significativa do que pode pensar. Ela vai determinar o tipo de pessoas que será atraído, o tipo de pessoa que você vai manter e o tipo de pessoa que você irá perder.

As igrejas também precisam admitir que não existe um estilo de música em particular que é “sagrado”. O que faz uma música sagrada é a sua mensagem. A música não é nada mais do que um arranjo de notas e ritmos. São as palavras que fazem uma música espiritual. Não existe a tal de “música cristã”, mas, sim, letras cristãs. Se fosse tocada uma música sem palavras, você não saberia se ela é cristã ou não.

A mensagem sagrada de uma música pode ser comunicada em uma grande variedade de estilos musicais. Por dois mil anos, o Espírito tem usado todos os tipos de músicas para dar glória a Deus. E necessário todo tipo de igrejas, usando todos os tipos de estilos musicais, para alcançar todos os tipos de pessoas. Insistir que um estilo de música em particular é sagrado, é idolatria.

Eu me divirto toda vez que escuto um crente que resiste à música contemporânea dizer: “Precisamos voltar para as nossas raízes musicais”. Fico me perguntando quanto tempo para trás ele quer ir. Voltar para o canto gregoriano? Voltar para as melodias da igreja de Jerusalém? Normalmente eles só querem voltar 50  ou 100 anos.

Algumas pessoas afirmam que os “hinos” mencionados em Colossenses 3:16 se referem ao mesmo tipo de música que hoje nós chamamos de hinos. A verdade é que não sabemos como soavam os hinos deles. Temos conhecimento que as igrejas do Novo Testamento usavam o estilo de música que combinava com os instrumentos e a cultura daqueles dias. Uma vez que eles obviamente não tinham pianos ou órgãos para acompanhá-los, a música deles não soava como a música de nossas igrejas.

Nos Salmos, lemos que na adoração bíblica eles usavam tambores, címbalos, trombetas, tamborins e instrumentos de corda. Isso me parece música contemporânea!

2.     Reconhecendo que estou andando em uma área cheia de minas explosivas, gostaria de oferecer algumas sugestões sobre estilos musicais. Não importa qual seja o estilo de música que sua igreja usa, creio que existem algumas regras que precisam ser seguidas.

2.1       Revise toda a música utilizada

Não permita que você seja surpreendido em seu culto. Aprendi este princípio da pior forma possível. Poderia contar uma série de histórias que trariam lágrimas a seus olhos, como uma vez quando um cantor convidado decidiu cantar uma música de vinte minutos sobre o desarmamento nuclear! Se você não gerencia sua música, ela vai gerenciar o seu culto. Desenvolva alguns parâmetros para que a música apoie o propósito de seu culto, em vez de ir contra ele.

Quando você revisa a música que pretende usar, considere tanto a letra como o ritmo. Pergunte se as letras são doutrinariamente corretas, se são compreensíveis para os sem-igreja e se a canção usa termos ou metáforas que eles conseguem entender. Sempre identifique o propósito da canção. Ela é para edificação, louvor, comunhão ou evangelismo?

Em nossa igreja caracterizamos as músicas de acordo com o nosso alvo. A lista de músicas para a multidão é apropriada quando não-crentes estão presentes (em nossos cultos específicos). As canções na lista da congregação são músicas que fazem sentido para os crentes, mas não significariam muito para os sem-igreja (cantamos essas canções em nosso culto de adoração do meio da semana).

Pergunte a si mesmo: “Como esse ritmo me afeta?” A música exerce uma grande influência nas emoções humanas. O tipo errado de música pode matar o espírito e o ambiente do culto. Todo pastor sabe muito bem a agonia de tentar ressuscitar o culto depois de um número musical ter deixado todo mundo deprimido. Decida qual o ambiente que você quer em seu culto e use o estilo de música que crie tal ambiente. Em nossa congregação acreditamos que a adoração deve ser uma celebração, então usamos um estilo que é para cima, ritmado e alegre. Raramente cantamos uma canção lenta.

Até quando convidamos cantores cristãos para se apresentar na igreja, insistimos em olhar previamente cada música que eles vão cantar. A atmosfera que estamos tentando manter em nosso culto é muito mais importante do que o ego de qualquer cantor.

2.2       Dinamize a ministração com alegria

Como já mencionei, a Bíblia diz que devemos servir ” …ao Senhor com alegria… ” (SI 100:2), mas muitos cultos de adoração soam mais como um funeral do que como uma festa! John Bisagno, pastor da Primeira Igreja Batista de Houston, Texas, com 15.000 membros, diz: “Músicas que parecem ter sido compostas para um funeral e ministros de música que mais parecem estátuas vão matar uma igreja mais rápido do que qualquer outra coisa no mundo!”

Em nossa igreja nós brincamos sobre nossas canções aeróbicas. Elas são cheias de vida! Recentemente recebi um cartão de primeira impressão de um visitante de 81 anos e de sua esposa, dizendo: “Obrigado por fazer nosso sangue geriátrico ferver!” E impossível cair no sono quando nossa igreja canta. Queremos que a nossa música tenha um impacto emocional e espiritual nas pessoas. Os não-crentes normalmente preferem músicas de celebração do que músicas de contemplação, porque eles ainda não têm um relacionamento com Cristo.

2.3       Atualize as letras

Existem muitas músicas boas que podem ser usadas num culto para não-crentes se mudarmos uma ou duas palavras para fazê-las compreensíveis. Metáforas bíblicas e terminologias teológicas em uma canção podem necessitar de uma tradução ou de uma transliteração. Se a Bíblia traduzida no século 17 tem de ser traduzida para a linguagem corrente para que ela seja entendida pelos não-crentes, então letras obscuras e canções antigas também podem (e devem) ser traduzidas.

Se você usa hinos, às vezes é necessário uma edição maior. Termos como: querubim e serafim, anjos prostrados, cabo da nau, lavados no sangue do Cordeiro, etc… são coisas confusas para os sem-igreja. Eles não têm a mínima idéia do que você está cantando. Os sem-igreja provavelmente pensam que uma música cantada nos Estados Unidos com a expressão “bálsamo de Gileade”, é uma canção sobre terroristas!

Alguns membros vão insistir que existe boa teologia nos velhos hinos. Eu concordo. Mas porque não substituir os termos arcaicos e colocar as músicas em um ritmo contemporâneo? Vista os seus velhos amigos em roupas novas. Se você imprime as canções congregacionais em seu boletim, pode mudar a letra das músicas que já fazem parte do domínio público.

A propósito, alguns louvores contemporâneos são tão confusos como os hinos, quando se usa um vocabulário incompreensível para os de fora. Os não-crentes não têm a mínima idéia de quem é “Jeová Jireh”.

2.4       Encoraje os membros a escreverem novas canções

Cada igreja deve ser encorajada a compor canções de adoração. Se você estudar a história da igreja, vai descobrir que cada reavivamento genuíno sempre foi acompanhado por músicas novas. As novas canções têm a dizer: “Deus está fazendo alguma coisa aqui e agora, e não cem anos atrás”. Toda congregação necessita de novas músicas para expressar sua fé.

O Salmo 96:1, diz: “Cantai ao Senhor um cântico novo… “. É muito triste que a maioria das igrejas ainda esteja cantando as mesmas velhas músicas. A companhia Columbia Records uma vez fez um estudo e descobriu que depois de uma canção ser executada mais de 50 vezes, as pessoas não pensam mais no significado da letra, elas cantam sem perceber o que estão falando.

Gostamos das canções antigas porque elas nos trazem  lembranças emocionais que mexem conosco. Existem canções como: “Vitória Eu Tenho em Cristo” e “Tudo Entregarei”, que automaticamente trazem lágrimas aos meus olhos, porque elas  me lembram de momentos espirituais importantes que vivi. Mas  essas canções não possuem o mesmo impacto nos não-crentes ou mesmo em outros crentes, porque eles não compartilham de  minhas memórias.

Muitas igrejas fazem um uso abusivo de certas canções devido à preferência pessoal do pastor ou do ministro de música. O repertório musical está na mão do líder. O que quer que o ministro de música ou o pastor gostem, não deve ser o fator determinante no estilo de música que você usa. Ao contrário, use o seu alvo para determinar o seu estilo.

Se você realmente não sabe se está usando músicas desgastadas em suas reuniões, eu o desafio a tentar uma experiência no próximo domingo. Faça um vídeo das fisionomias de sua congregação enquanto eles cantam durante o culto. Quando as pessoas cantam as mesmas velhas canções, apatia e chateação aparecem em suas faces. A preferência pessoal tem matado mais os cultos de adoração do que qualquer outra coisa.

Uma música perde o seu poder de testemunho se as pessoas não pensam no que estão cantando. Mas músicas podem ser uma poderosa testemunha para os crentes quando as pessoas que as cantam sentem no coração o que estão cantando.

Muitas das canções da primeira metade do século têm a tendência de glorificar a experiência cristã e não a Cristo. Por outro lado, a maioria das canções de adoração efetivas é composta de músicas cantadas diretamente para Deus. Esta é a adoração bíblica. A força de muitas canções de adoração contemporâneas é que elas são centralizadas em Deus, em vez de serem centralizadas no homem.

2.5       Faça da tecnologia um instrumento para uso no louvor

Com a tecnologia atual, qualquer igreja pode ter a mesma qualidade de som disponível nos melhores estúdios. Tudo o que você necessita é um bom teclado eletrônico com alguns acessórios. A beleza de se usar um teclado é que ele pode ser usado para “preencher as brechas”, caso você não tenha muitos músicos. Por exemplo, se você tem uma pessoa que toca teclado, trompete e um guitarrista, mas não tem um baixista, ou um baterista, tudo o que tem a fazer é adicionar o baixo e a bateria na programação do teclado. Se ninguém em sua igreja está familiarizado com esta tecnologia, você pode receber instruções em qualquer loja de instrumentos musicais.

Com o nosso tamanho, a Igreja Saddleback tem agora uma orquestra completa, mas muitas igrejas não são grandes o suficiente para juntar tantos músicos assim. Se estivesse começando uma nova igreja hoje, eu buscaria algumas pessoas que soubessem tocar teclado. A tecnologia deste instrumento  ainda não estava disponível quando comecei nosso trabalho. De vez em quando me pergunto quantas pessoas a mais eu não teria conseguido alcançar nos primeiros anos se tivéssemos a qualidade atual dos teclados em nossos cultos.

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